Comitê municipal do partido comunista do Brasil - PCDOB emite nota desmentindo fake news sobre mudança de nome da legenda.

Antonio Renato*
Nesses tempos de terra planismo, plantar factoides sem nenhuma fundamentação não é novidade. Nesses últimos dias, as redes sociais, mídias em geral, que tratam de política e os blogs mais ansiosos tem compartilhado uma notícia que é de uma falta de cuidado, pra dizer o mínimo, ou precipitação na apuração desta, que é típico dos dias que vivemos. No afã de atingir a tudo e a todos que não concordam com suas ideias, jogaram às favas princípio básico do bom jornalismo, a apuração da notícia. Mas também, esse povo e seus asseclas jamais tiveram essa virtude no seu limitado horizonte. Seria pedir demais pra essas atormentadas criaturas.

O alvo da vez foi a quase centenária legenda dos comunistas do Brasil. A perola que divulgaram com regozijo juvenil, referia-se a uma decidida e “necessária” mudança na histórica denominação da nossa gloriosa organização e de carona a alteração de suas cores, numa atitude quase que desesperada de se livras das insígnias que desde sua fundação são seus traços mais marcantes. Tudo isso, idealizado por um covil de renegados e oportunistas, para cair no gosto da galera. Afinal de contas esse nome “comunista”, a foice e o martelo e a cor “vermelha”, estão ultrapassados, não caem muito bem, né. 

Sinceramente acho que foi um ato de desespero, mais não do PCdoB, e sim dos que lançaram essa desastrada perfídia e dos que nela embarcaram. Não custava nada um aprofundamento na história política do Brasil do século passado. Tivessem feito isso, evitariam cair nessa situação vexatória e de quebra conheceriam, sendo participe e protagonista de seus principais momentos, a história do PCdoB. Por pura falta de um mínimo de disposição, imaginaram que o PCdoB está na vala comum dos partidos da onda, ou então concluíram, de forma leviana, que o PCdoB era da mesma estirpe dos degenerados do antigo PPS (que já foi PCB), que ninguém mais sabe o que é, o que foi e nem o que vira a ser.

O PCdoB tem 97 anos. Seu nome é e continuará sendo Partido Comunista do Brasil, desde 1922. É normal que uma organização política de quase cem anos, ademais de ter, pelo tempo de existência, um significado de dimensão maior, que infelizmente não é assimilado pela maioria e que ultrapassa o sentido de existência de boa parte das siglas partidárias, enfrente conjunturas complexas, que exige de seus membros profunda e aguçada capacidade de entendimento da situação política que atravessa.

Assim sendo, cometeu equívocos de avaliação (como foi o caso do segundo governo Vargas), muitas vezes a típica precipitação própria do desejo utópico, que a realidade histórica puniu com severidade. Mas isso não tira o legado de heroísmo e patriotismo construído pelo PCdoB na história do Brasil; ao contrário, mesmo com equívocos na sua caminhada, essas passagens só engrandece o papel dos comunistas como determinados colaboradores na construção da nação. Aliás, a defesa do Brasil, da sua soberania, é questão de honra para o partido, marca que durante sua longa existência, faz questão de destacar: é o partido do Brasil! 

Na precipitada revolta de 35, no apoio a Getúlio quando este declarou guerra ao nazi-fascismo, na campanha do Petróleo é nosso, que criou a PETROBRAS, nas contendas ideológicas da década de 60, quando reafirmou seu caráter socialista e renegou o revisionismo soviético, com o golpe militar de 64, a resistência da guerrilha do Araguaia, a covarde chacina da lapa, até a frente ampla da campanha das diretas já, em nenhum desses momentos os verdadeiros comunistas do Brasil cogitaram alterar seus símbolos.

Não há razão para alterá-los. É comunista, por que defende a capacidade produtiva da humanidade e que esta seja compartilhada igualmente por todos; e é do Brasil, por que sua existência concreta se dá no âmbito de um fenômeno histórico que são os Estado nacionais, que nosso pais é um exemplo, construídos com certas particularidades, de onde se construirá um modelo de desenvolvimento cuja razão de existência é o bem estar do ser humano. 

Ocorre que os comunistas há muito tempo não se perturbam com situações desse tipo. Esse partido existe não é pela vontade de um indivíduo salvador da pátria. Ele é uma necessidade da vida. A maior parte de sua existência foi na clandestinidade. É um partido de esquerda, mas não se encastela na posição cômoda do esquerdismo. Já foi, mas não está acometido dessa doença. Essa situação em particular, dos últimos dias, é coisa de um certo tipo de jornalismo preguiçoso, pra dizer o de menos, que gosta de agradar a segmentos mais poderosos, porque afinal de contas terão uma vida mais fácil e recheada de prazeres. É compreensível.

O PCdoB, como todo partido político, busca e quer influenciar governos, e pra isso joga o jogo da política, cuja logica é o poder, visto que propugna por um pais justo. Por isso sua tática é flexível e ampla, radical na defesa do povo. Não se isola. Partido que se atualiza e se capacita, visto que a tarefa é difícil. Demostrou isso, por exemplo quando não ficou choramingando o malogro da campanha das diretas já e colaborou pra derrotar os militares na casa deles, o colégio eleitoral, ou então quando captou a necessidade de ampliar o espectro político de um certo metalúrgico, pra que esse chegasse a presidência da República e junto com outros partidos, numa frente de centro-esquerda, governasse o Brasil por 13 anos, produzindo uma imensa obra social. Por tudo isso o PCdoB incomoda. Por conta do seu protagonismo e por ser o partido da unidade, tão necessária nos dias de hoje.

E dentro dessa linha, de amplitude política, pra enfrentar um dos momentos mais difíceis da nossa história, onde a própria democracia formal brasileira corre risco, diante de um governo de características neofascistas, é que o PCdoB visa preparar seus integrantes e principalmente criar condições reais na sociedade para enfrenta-lo. Esse é o papel do PCdoB, o papel de quem nunca, em momento algum se furtou a obrigação de defesa da nação. Concluo transcrevendo as palavras de uma grande comunista da atualidade, que honra e orgulha a trajetória dessa histórica legenda, a deputada Jandira Feghali, que explica de forma competente e didática, como sempre, o que de fato está ocorrendo no seio do partido: “Existe a Plataforma dos Comuns, que lançamos para agregar pessoas insatisfeitas, indignadas, que querem combater o neofascismo, que têm resistência a esse projeto político que estamos vivendo e que ainda não têm identidade absoluta com o nosso programa. Então, abrimos essa plataforma, para que as pessoas se incorporem e vamos fazer cursos para que entendam o que nós pensamos, o que nós achamos do momento político, quais são nossas propostas e as nossas plataformas. As pessoas que se identificarem vêm para o Movimento 65 e podem ser candidatas pela nossa legenda. A Plataforma dos Comuns é uma coisa mais ampla que o partido, pode ter integrantes que são ou não do partido. A pessoa pode ser ativista, artista, comunicador digital… A partir do momento que opta por ser candidata, a pessoa vem para o Movimento 65. Aí vai ter uma formação específica para candidatos, com cursos online e presenciais. A legenda e o nome do partido continuam sendo PCdoB. O Movimento 65 é uma filiação à legenda. A Plataforma dos Comuns abre espaço de forma mais ampla para pessoas que estejam na luta da resistência democrática, que queiram participar das mais variadas formas. Usar a palavra comuns é importante, porque é a etimologia da palavra comunista: comunitário, público, coletivo, partilhado. A palavra comum liga as pessoas à etimologia da palavra comunista.”
*do diretório municipal do PCdoB.