sábado, 30 de maio de 2020
No contexto da pandemia causada pelo coronavírus (Covid-19) a rotina e estilo de vida da população brasileira mudou drasticamente. Essa pandemia trouxe importantes consequências sociais. Ao mesmo tempo, sua vivência coletiva e individual traz experiências novas que geram sofrimentos psíquicos e incertezas.

Agentes comunitários de saúde, agentes de endemias, cuidadores em instituições asilares, cuidadores de pessoas em domicílio, técnicos de enfermagem, bem como em outros trabalhadores das instituições de saúde como profissionais de limpeza grande parte deles estão expostos, muitas vezes sem as medidas de proteção necessárias para evitar contaminações, vivenciando uma dura rotina de trabalho na qual convivem com o medo, a impotência, a incerteza e diversas angústias.
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O Agente de Combate a Endemias (ACE) deve ficar em isolamento e seguindo as orientações preconizadas pelo Ministério da Saúde se apresentar febre, ou sintomas respiratórios como: tosse, coriza, dor de garganta, falta de ar, entre outros.

Muito se discute sobre as pessoas em situação de risco, idosos, diabéticos, doentes cardíacos, sobre os que estão em estado grave, sobre adultos, jovens e crianças em isolamento social vivendo novas experiências e a incerteza do futuro. Muito se fala também do agradecimento aos trabalhadores de saúde, tratando os como os nossos super-heróis de branco! Contudo, não se fala o suficiente de como esse trabalhador deve se proteger, como deve fazer para se cuidar, como deve buscar escuta e apoio para lidar com as situações limite, a doença, a morte e as ameaças das mortes em grande escala!

O Agente Comunitário de Saúde - ACS tem um papel muito importante nesse contexto de pandemia, especialmente na orientação comunitária. Segundo recomendações do Ministério da Saúde compete ao agente de saúde orientar a população sobre a doença, medidas de prevenção e sinais e sintomas, auxiliar a equipe na identificação de casos suspeitos, realizar visita domiciliar, quando necessário. A visita estará limitada apenas na área peri domicíliar (frente, lados e fundo do quintal ou terreno), em lugares com boa ventilação, orientar durante as visitas domiciliares que crianças menores de 5 anos com sinais e sintomas respiratórios devem procurar a unidade de saúde, orientar durante as visitas domiciliares que pessoas com 60 anos ou mais com sinais e sintomas respiratórios devem entrar em contato com a unidade de saúde, realizar busca ativa de novos casos suspeitos de síndrome gripal e auxiliar no atendimento através do FAST-TRACK - “Fluxo rápido” COVID-19 na identificação de pacientes sintomáticos, tomando os devidos cuidados de proteção e isolamento.

As visitas dos agentes de endemias devem ser priorizadas a realização do bloqueio da transmissão em áreas com intensa circulação de vírus (dengue, chikungunya e/ou Zika). Estas medidas devem ser tomadas após análise de indicadores epidemiológicos nos últimos quinze dias. O bloqueio de transmissão inicia-se com remoção prévia dos focos larvários, com a intensificação das visitas domiciliares e mutirões de limpeza com a colaboração da população. É indispensável avaliar a indicação, de forma complementar, na aplicação de inseticida por meio da nebulização espacial a frio – tratamento a UBV –, utilizando equipamentos portáteis ou pesados.

Instigar o autocuidado da população sobre as ações de remoção mecânica dos criadouros do mosquito Aedes aegypti e outras medidas de prevenção e controle de doenças. A recomendação desta orientação deverá ser realizada a distância mínima de 2 (dois) metros ou por interfone.Em todas as situações em que houver a necessidade de tratamento do criadouro, o agente deve-se utilizar luvas de látex. Ao deixar o local, orienta-se o descarte das luvas em local apropriado e a higienização das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabão disponíveis, os agentes devem usar um desinfetante para as mãos à base de álcool 70%. Não reutilizar as luvas em hipótese alguma.

Adicionalmente exige-se o distanciamento mínimo de dois metros entre os agentes e as pessoas presentes no momento da visita. Deve-se manter as atividades de controle vetorial nos pontos estratégicos (PE) e imóveis especiais, conforme recomendado.

É imperioso afastar esse perigo que ameaça a todos e que atinge com muita força os idosos e pessoas com doenças crônicas, como hipertensos e diabéticos. Sabemos que a informação correta é uma das principais estratégias. Por esse motivo, destacamos o papel dos agentes de saúde e agentes de endemias no enfrentamento ao coronavírus enquanto profissionais integrantes das Equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) no que compete à promoção, prevenção e controle de agravos.

Abdias Duque de Abrantes
Jornalista MTB-PB Nº 604