terça-feira, 27 de agosto de 2019
Maria Clara Augusto da Silva cresceu no pequeno município de Elói de Souza, no interior do Rio Grande do Norte. Com má-formação no braço esquerdo, a jovem descobriu o atletismo aos 11 anos de idade, em meio a crianças sem deficiência durante brincadeiras na cidade de quase 6 mil habitantes. Em pouco tempo, o esporte transformou a vida da adolescente, hoje com 15 anos, e garantiu uma mudança de perspectiva pessoal, profissional e social de Maria Clara e, também, de toda a família.

A potiguar é a atleta mais jovem da delegação brasileira nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru. Em 2019, Maria Clara passou a receber pela primeira vez o auxílio financeiro do programa Bolsa Atleta, o que permitiu complementar a renda da família de cinco pessoas, beneficiada também pelo Bolsa Família do Ministério da Cidadania, pasta que reúne as Secretarias de Desenvolvimento Social, Esporte e Cultura.

Quando a família morava no interior, a mãe da jovem vendia salgados e doces. Segundo a atleta, eram horas de trabalho e até noites sem dormir, trabalhando direto. "Até o ano passado, quando eu morava no interior, só uma pessoa da minha casa trabalhava. São cinco pessoas e era um salário para ajudar todo mundo. Neste ano comecei a receber a Bolsa Atleta e conseguimos mudar para Natal com os meus parentes", conta Maria Clara. "A partir daí o pessoal de casa conseguiu arrumar emprego e as coisas começaram a melhorar bastante. O Bolsa Atleta passou a ajudar na minha vida", completa.

As melhores condições de treinamento e de moradia foram possíveis graças à recomposição orçamentária realizada pelo Ministério da Cidadania ao Bolsa Atleta, como parte das ações dos 100 primeiros dias do novo governo. Por meio da Secretaria Especial do Esporte houve aporte de R$ 70 milhões ao programa, que dobrou o número de atletas apoiados, passando de 3.058 para 6.199. A ação reverteu o corte sofrido no fim de dezembro de 2018 e deu prioridade às categorias de base – Estudantil e Nacional.

Maria Clara foi incluída na categoria Estudantil. Para o ministro da Cidadania, Osmar Terra, ações como a Bolsa Atleta e a Bolsa Família são instrumentos que garantem a cidadania plena. "Esse é o esforço que buscamos para garantir a cidadania plena para todos os brasileiros. Procuramos atender as pessoas das regiões mais longínquas do Brasil para que tenham oportunidades para desenvolverem seus talentos, desabrocharem as suas competências e habilidades das famílias e da sociedade", disse.

O secretário especial do Esporte, Décio Brasil, acrescentou que o exemplo de Maria Clara mostra um amplo exercício de cidadania, que garante a inclusão social, o acesso a serviços e benefícios sociais, garantindo oportunidades de trabalho para uma melhor qualidade de vida. "Ela representa exatamente o fundamento de cidadania plena que o Ministério da Cidadania prega. O Bolsa Família associado ao Bolsa Atleta nos rende uma atleta de ponta que, provavelmente, terá uma grande repercussão nos cenários nacional e internacional", ressalta.

Para o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, o programa de apoio ao atleta é responsável pela maior delegação que disputa os Jogos em Lima. "A Bolsa Atleta é um marco para o esporte paralímpico. Posso dizer que existe o esporte paralímpico antes e depois do programa. Ele oferece melhores condições para a maior parte dos atletas que estão aqui se dedicarem de fato aos treinamentos e terem condições adequadas. A cada dia o esporte fica mais competitivo e exige mais investimento para alimentação, suplemento e qualidade de treinamento", analisa Mizael Conrado.

Ampliando as fronteiras

No início no atletismo, ainda aos 11 anos, Maria Clara competia contra atletas convencionais. A história no esporte paralímpico começou em 2016, graças ao treinador Felipe Veloso, que apresentou um universo desconhecido à garota do interior. "Competi no meu primeiro campeonato Escolar Paralímpico em 2016. Disputei três provas e conquistei três medalhas de ouro. Voltei em 2017 e levei outros três ouros. A história se repetiu em 2018. Este ano está sendo incrível. Participei no mês passado do Campeonato Mundial de jovens na Suíça e conquistei duas medalhas de ouro e uma de prata", conta orgulhosa a atleta que vai disputar as provas de salto em distância, 100m e 200m em Lima.

É a primeira vez que Maria Clara representa o país em um megaevento. "Nunca tinha imaginado competir e representar o Brasil fora do país. Lá no interior, de onde eu vim, as coisas são precárias. Eu só fazia o atletismo por diversão, corria na cidade vizinha e, realmente, nunca imaginei estar aqui e principalmente sair do Rio Grande do Norte", relembra.


Sonho paralímpico


No esporte paralímpico, a atleta mais jovem da delegação tem como referência a amiga de pista Thalita Vitoria, 22 anos, também do Rio Grande do Norte. Thalita conta na carreira com a medalha de prata no revezamento 4x100m nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, além das pratas no salto, nos 200m e nos 400m na última edição dos Jogos Parapan-Americanos disputados em Toronto 2015. "Eu me espelho muito na Thalita. Ela é minha amiga. Durante os treinamentos ela sempre me orienta com dicas, além de me apoiar nas competições", completa Maria Clara.


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