domingo, 7 de abril de 2019
O Dia Nacional do Jornalista comemorado em 07 de abril, foi instituído em 1931, por decisão da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como homenagem ao médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, morto por inimigos políticos em 1830.


Líbero Badaró, como era mais conhecido, era um oposicionista ao imperador D. Pedro I e foi o criador do Observatório Constitucional, jornal independente que focava em temas políticos até então censurados ou encobertos pelo monarca. Badaró era defensor da liberdade de imprensa e morreu em virtude de suas denúncias e de sua ideologia que contrariava os homens do poder. O jornalista Líbero Badaró era um homem de princípios políticos em busca da liberdade dos cidadãos.

Em 20 de novembro de 1830, às 22h, quando voltava para sua casa, na rua de São José (mais tarde rua Líbero Badaró), sem perceber que era uma cilada, o jornalista foi interpelado por quatro alemães, a pretexto de lhe entregarem uma correspondência contra o ouvidor do Curso de Direito de São Paulo Cândido Ladislau Japiaçu, porém recebeu deles, traiçoeiramente, uma carga de bacamarte, caindo mortalmente ferido. Supõe-se que ao morrer pronunciou uma frase que celebrizou-se como símbolo da defesa da liberdade de imprensa: "Morro defendendo a liberdade", ou ainda: "Morre um liberal, mas não morre a liberdade". 

O jornalista é a testemunha ocular da história. Um narrador do seu tempo. Moldam as palavras que documentam a história da humanidade. O jornalista perpetua os acontecimentos na história. Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade. O jornalista dá ouvidos, olhos e voz à sociedade. Enfrenta guerras, calamidades, o frio e a chuva para ir atrás da notícia. Jornalistas são filhos são filhos da pauta. Para Cláudio Abramo o jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter. 

Segundo o jornalista e professor Laurindo Lalo Leal Filho Segundo, há uma estrutura hegemônica de poder que faz com que apenas uma visão de mundo percorra toda a sociedade brasileira, mas é preciso também destacar a responsabilidade do jornalista nesse trabalho. “Porque não é o Otávio Frias Filho, não são os donos dos jornais que escrevem os textos dos jornais. São colegas nossos”, disse. 

Lalo Leal Filho destacou que há três tipos de jornalistas hoje, no país: “os que se vendem aos patrões, assumem a identidade do patrão e se acham parte da burguesia nacional”; os que estão na grande mídia trabalhando para ganhar o pão, “tendo que fazer matérias que vão contra a sua consciência”, mas que muitas vezes conseguem denunciar o que sofrem nas redações; e os que têm “coragem de se libertar dessas amarras”, disse.

“O papel que os barões da mídia cumprem é nefasto, de regressão civilizatória”, assegura o jornalista Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudo da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Na última eleição Bolsonaro foi a criatura e a mídia, a criadora. Para persistir na sua missão de tentar influenciar o resultado eleitoral, a mídia foi forçada a escolher entre o apoio a Bolsonaro ou a Haddad. O presidente de extrema-direita, Bolsonaro pode ser considerado o primeiro grande êxito de um político brasileiro que foi impulsionado pela Internet, principalmente pelas redes sociais. Em uma época de fake news e “pós-verdades”, Bolsonaro e seus apoiadores encontraram no espaço virtual terrenos férteis para propagarem suas ideias. 

Como a história nos tem comprovado, homens públicos com posicionamentos autoritários sabem muito bem como usar os meios de comunicação disponíveis em suas respectivas épocas. Na literatura, George Orwell já explanou muito bem essa questão, ao abordar o chamado “Ministério da Verdade” em seu clássico livro 1984; e, anos antes, Joseph Goebbels, terrivelmente, a colocou em prática.

Temos que ser parte ativa na resistência a essa ofensiva fascista que se instalou no Brasil. Todavia, o pior é que, de alguma forma, o jornalismo é parte do clima aterrorizante que se criou nesse país. Os jornalistas necessitam se posicionar e não podem assimilar o discurso pró-golpe disseminado por seus patrões, as grandes empresas de comunicações. É fundamental que as sociedades democráticas valorizem o Jornalismo como atividade essencial à democracia, e reconheçam o/a jornalista como profissionais indispensáveis ao fazer jornalístico. Desinformação se combate com mais informação.

No Brasil, infelizmente, a categoria dos jornalistas tem sido vítima de demissões em massa, arrocho salarial, precarização das relações de trabalho e cerceamento à sua autonomia profissional, ocorridas nos próprios locais de trabalho.

O jornalista deve ser um defensor intransigente da liberdade de expressão, da produção de informação ética e plural, da verdade, da sociedade e do Estado Democrático de Direito. Os jornalistas devem se somar ao conjunto da classe trabalhadora brasileira para resistir aos ataques aos direitos trabalhistas e sociais e a desastrosa Reforma da Previdência. Sem ações de resistência, sem esperança e sem combate não há conquistas possíveis.

Abdias Duque de Abrantes - jornalista, servidor público, advogado, graduado em Direito pela UFPB e pós-graduado em Direito e Processo do
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