domingo, 16 de dezembro de 2018
Por: Emílio Oliveira
O ano de 2018 está indo embora e o de 2019 está, cada dia mais próximo e trazendo com ele as expectativas em forma de esperanças e/ou desesperanças sobre o que vai acontecer com o nosso 

Brasil sob o domínio do novo governo que empossará no primeiro dia do ano novo. Os seus correligionários, como era de se esperar, se aventuram a anteceder o que virá por aí de bom; enquanto os adversários, também se antecipam no que virá de ruim. Os primeiros, já sem o mesmo entusiasmo, porém ainda com as mesmas tintas de seus interesses, pintam um quadro de franca evolução para o país; enquanto os últimos, um quadro verdadeiramente dantesco se aproximando a céleres passos de todos nós. 

Torna-se bastante claro que nesse complexo caldo de quem ganhou e de quem perdeu, predominam os interesses individuais e/ou coletivos de cada grupo que participou ativamente do pleito. Os que ganharam - enxergam um verdadeiro céu se aproximando do Brasil com a posse do novo presidente apelidado de mito que elegeram; enquanto os que perderam - já pregam a breve chegada do inferno juntamente com todo o seu secto de entidades maldosas para satanizar a vida de todos nós brasileiros que necessitamos trabalhar para sobreviver e ainda sem a dignidade merecida.

Posso até está enganado, mas da parte dos vitoriosos não percebo mais a mesma vibração e entusiasmo com o futuro desempenho do novo governo que elegeram. Alguns nem sequer falam mais no assunto, embora que ainda tenha parte significativa daquela turma que ia para as ruas e a ferro e fogo defendia o seu tão impoluto e honesto candidato. Parece até que as últimas notícias divulgadas pela mídia não foram muito satisfatórias para essa gente não. A meu ver, está faltando somente colocarem as suas violas nos devidos sacos e tomarem um chá-de-sumiço o que, de forma velada, é o que já estão fazendo. 

Há quem diga que o atual presidente eleito igualmente a ele próprio que é uma pessoa definida como extremada, somente escolheu para os Ministérios de seu governo pessoas igualmente extremadas como ele, e isso é muito perigoso até mesmo nos períodos de absoluta calmaria, quanto mais na atual quadratura política altamente explosiva que estamos atravessando. De minha parte acho que o Brasil está necessitando e urgentemente é de união que soma e não de confronto que divide ainda mais o país.

E pior é que o desenho desses confrontos não estão correndo somente na esfera interna não, mas também na externa com os constantes anúncios de tomada de decisões precipitadas que irão quebrar o longo ciclo de boas relações diplomáticas que, desde o Barão do Rio Branco, temos solenemente mantido com todos os países do oriente e do ocidente. Salvo melhor juízo, o que se tem percebido nesses espalhafatosos anúncios é uma espécie de alinhamento gratuito e total com os EUA, como se ele fosse gratuitamente financiar o nosso desenvolvimento industrial que está rapidamente se desfazendo, quando ao contrário, os EUA estão é precipitando esse processo contra o nosso país ao tentar comprar a única fonte de tecnologia que é a nossa EMBRAER para incorporá-la a sua gigantesca BOING a um preço de banana excessivamente madura.

Outro anúncio altamente negativo para o país e parece que é apenas para agradar ao atual presidente americano que juntamente com o Coronel Ustra já falecido são os dois maiores ídolos do nosso presidente eleito, é inconsequente e inexplicável a transferência da sede de nossa Embaixada de Tel Aviv para Israel, fato que irá provocar desdobramentos em nossas relações comerciais com o mundo árabe que nos dá hoje um vultoso superávit em nossa Balança Comercial da ordem de aproximadamente doze bilhões de dólares por ano.

Também considero um comportamento inexplicável e precipitado o anúncio de que o Brasil possivelmente irá romper relações diplomáticas com a Venezuela, Cuba e Coreia do Norte e também endurecer essas relações com todos os outros países da América do Sul que não rezam totalmente na cartilha dos interesses hegemônicos do EUA. Ante tal situação é de se pensar que, será que iremos ser administrados por um grupo de brasileiros que aparentemente estão demonstrando ter mais interesse em agradar aos EUA do que aos reais interesses maiores do nosso país? 

O que afinal de contas o Brasil vai ganhar com esse medíocre tipo de atitude conflituosa? Ódio gratuito de alguns povos do mundo que por nosso equilíbrio e neutralidade diplomática nos respeitam? Intrigas e polêmicas sem necessidade? Alinhamento ideológico gratuito e plausivelmente inexplicável? Vamos agora nos confrontar ideologicamente com o mundo que sempre nos tratou com respeito e dignidade apenas para em contradição com as nossas tradicionais práticas diplomáticas gratuitamente satisfazer a quem nunca se relacionou conosco numa relação de parceria como devia, mas bastante parecida a uma espécie de vassalagem?

Não tenho e jamais tive qualquer tipo de preconceito contra os EUA que em minha juventude até desejava morar lá. Acho inclusive que deve continuar sendo o nosso principal parceiro comercial, até porque é o único país do mundo que apresenta o maior número de semelhanças com o nosso Brasil. O único problema que vejo é que eles nunca estabeleceram conosco um relacionamento de verdadeiros parceiros e aliados que somos. Sempre nos mantiveram como um aliado periférico e com o objetivo único de apenas satisfazerem seus próprios interesses hegemônicos sem a contrapartida de também satisfazerem os nossos próprios interesses que, na visão deles, sempre estiveram em segundo plano.

Posso até está enganado, mas é o que eu tenho percebido desde o tempo em que trabalhava no Banco do Brasil que é uma empresa aonde se tem o privilégio de ter acesso a muitíssimas informações que, infelizmente, nos faz chegar a tal conclusão. Se os EUA se dispusessem a estabelecer com o Brasil uma relação de verdadeira parceria nos ajudando tecnologicamente a acelerar o nosso processo de desenvolvimento industrial, econômico e social, incentivando os nossos governantes a uma distribuição de renda mais justa e equitativa como forma de nos aproximar mais rapidamente da deles, eu não somente concordaria, mas também elogiaria como o ideal para os dois países.

O problema é que essas tão significativas aspirações são apenas devaneios e sonhos vãos que jamais irão se concretizar na realidade em que vivemos. E aí, nessa única via de mão também única o que tem sobrado para nós brasileiros tem sido somente a dependência em todos os sentidos e a não priorização de nossos próprios interesses como uma nação independente que somos, os quais têm sido sempre estrategicamente protelados. Noutras palavras, o nosso país tem tudo que os outros não têm para dá certo, mas, infelizmente, para atender sempre primeiro a interesses alhures aos nossos, vamos continuar deitados eternamente em berço esplêndido! 

Apesar das criticas que faço aos EUA no que diz respeito à forma como ele estabelece as relações comerciais e ideológicas com os seus tradicionais parceiros, gostaria que nós brasileiros, pelo menos em termos de patriotismo, fôssemos todos tão nacionalistas quantos eles. Eles sempre valorizam o que é deles e eles tem razão em serem assim. Nós brasileiros é que estamos errados em não valorizar e lutar pelo que é nosso. Por isso é que necessitamos urgentemente mudar o nosso acomodado e desprendido comportamento.

Ultimamente venho acompanhando o lançamento e também lendo os livros (A Ralé Brasileira, A Elite do Atraso, Subcidadania Brasileira e A Classe Média no Espelho) do professor e sociólogo brasileiro Jessé Souza e acho que ele tem razão, quando embasado em pesquisas sociológicas afirma em todos esses seus livros que a nossa elite não demonstra quase nenhum compromisso na defesa dos reais interesses patrióticos do país e muito menos do seu paupérrimo povo que inclusive explora desde a implantação da escravatura nunca o deixando sequer melhorar de vida, visto que sempre esteve e continua associada aos espúrios interesses do grande capital especulativo internacional. 

Por enquanto o nosso Brasil se encontra num situação tão esdrúxula e inusitada que o principal mentor intelectual ou guru do nosso presidente eleito, acredita que a terra é chata e não esférica como indicam as fotos tiradas das naves que enviamos ao espaço; temos ainda muitos pobres de direita; e a nossa elite política que faz continência para a bandeira americana e que faminta pelo poder que já não desfrutava há longos dezesseis anos, através de um golpe formal se apossou dele, demonizou utilizando-se da mídia sob o seu controle toda a esquerda, o Lula e o PT, conseguindo com isso ganhar a eleição presidencial e, agora, como racionalmente não têm mais o que alegar, sem nenhum fundamento que não seja o velho medo da perda do poder, tal como um mantra, acusam os possíveis comunistas do Brasil de ameaçarem lhe tomar o poder e por isso mesmo precisam ser urgentemente punidos.

Para ser realmente sincero e não hipócrita como muitos direitistas que estão por aí com essas já tão surradas e sempre infundadas alegações, comunista mesmo não há mais nem na China e nem na Rússia que são hoje dois países que apresentam uma espécie de capitalismo de Estado e nem tampouco em Cuba e Venezuela que são dois países paupérrimos que somente ameaçam a eles próprios, restando somente a Coreia do Norte que também é um país pobre e não tem condições bélicas e nem estratégicas de enfrentar com possibilidade de vitória o sistema capitalista americano e europeu.

Diariamente assisto a muitos vídeos no YouTube e surpreso percebo o nível ou de esquizofrenia, ou de pura maldade da direita que de foram ideológica acusa a esquerda de querer implantar o regime comunista aqui no Brasil. As vezes, até rio para não chorar ante tantos e tantos devaneios pregados por essa gente. Por fim, para corroborar com o que estou aqui tentando dizer, suscito as santas palavras do humilde e grande Papa Francisco, quando sabiamente disse que: “se solidarizar com o sofrimento dos despossuídos da vida não é ser comunista não, mas sim cristão”, pois foi o que Jesus Cristo sempre fez, enquanto esteve aqui em sua missão de tornar melhores homens e mulheres desse planeta.

Finalmente, gostaria de dizer que, pelo que se percebe do radical e ideológico posicionamento público de todos os Ministros do novo governo que inicia em janeiro próximo, não se pode esperar grandes surpresas positivas nem para o país como um todo e nem também para o seu povo pobre e sofrido. Eu antevejo esse futuro governo como um governo que com exceção do Ministro da Economia que é rico, será administrado na sua maioria por pessoas pobres, porém totalmente voltado aos interesses dos mais ricos que são representados pelo famigerado mercado financeiro. 

Porém, se for o inverso, um governo verdadeiramente com os pés no chão e totalmente voltado para a agenda real das necessidades mais urgentes do país e de seu povo praticamente abandonado que é o que eu e a maioria de todos nos brasileiros queremos, eu virei aqui de público pedir a todos as minhas devidas desculpas, elogiar e também me solidarizar como o novo governo que - se assim acontecer realmente -, estará no caminho certo em busca do rumo e do azimute milagroso que todos nós brasileiros e brasileiras tanto buscamos. Tenho dito!...

Emílio.









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