domingo, 30 de dezembro de 2018
Por: Emílio Oliveira
Infelizmente, ainda vivemos numa sociedade onde o homem apesar de todo o tempo histórico já decorrido desde o nosso aparecimento no planeta Terra e até mesmo com o surgimento das modernas tecnologias desenvolvidas por ele e tão decantadas e valorizadas pela mídia que simplesmente representa os sistemas econômicos e políticos vigentes, sob o ponto de vista de compaixão, amor pelo semelhante, solidariedade, inclusão social e compreensão das diferenças, continua sendo o mesmo animal primitivo de sempre.

Apesar de reconhecer que em determinados setores da vida humana houve alguma evolução principalmente motivado pelas religiões que se alastraram mundo afora, principalmente as religião Budista através do Buda e depois a Cristã através de Jesus o Cristo, que, mesmo pregando os ensinamentos de Jesus de forma distorcida e de acordo com os interesses maiores do Império Romano e da Igreja primitiva que estava se formando, não se pode negar que esses fatos sócios religiosos, contribuíram e muito para um pouquinho da evolução consciencial e espiritual do ser humano.

E por que o homem tem se apresentado sempre como um ser indiferente ao sofrimento e, portanto, sem muita solidariedade com os seus semelhantes? Pelo simples fato de o homem ainda ser um escravo e sem nenhuma consciência do princípio da atração/rejeição que é o ego humano que lhe foi dado pela Consciência Universal ou Divina para a defesa de sua própria personalidade, mas que, as religiões, desconhecendo os fatos, não comunicaram aos seus adeptos e somente a ciência bem mais recentemente descobriu e o chamou de ego.

E o egoísmo fruto do ego humano que é uma espécie de implante ou software como nos computadores para que o ser humano pudesse formar a sua própria personalidade que foi projetada como uma espécie de defesa, mas que por ignorância de sua total dominação sobre o ser, assumiu de vez o comando de sua vida e o resultado é a barbárie que temos hoje. O ego humano é formado pelo ódio e o amor, a ruindade e a bondade, a indiferença e a solidariedade com o sofrimento alheio, a mesquinharia e a generosidade, o compromisso e o descompromisso com a justiça, a igualdade, a fraternidade, a inclusão, a moralidade e o respeito a todos os nossos semelhantes.

Esse, infelizmente, é um processo que se reproduz em todo o mundo e com velocidade cada vez maior não somente aqui nesse nosso tão injusto país, apesar de ter consciência de que, aqui, o problema e bem mais grave que em qualquer outro lugar do mundo civilizado. Para nós tudo começou com o descobrimento e logo em seguida com as Capitanias Hereditárias que dividiu todo o território brasileiro entre apenas meia dúzia de nobres cidadãos privilegiados, alijando de vez a verdadeira reforma agraria onde milhões de cidadãos pobres deste país poderiam ter conseguido uma pequena gleba de terra para plantar, produzir e gerar emprego e renda para as suas necessitadas famílias como aconteceu em quase todos os outros países do planeta.

Logo depois da criação das capitanias, trouxeram à força da África verdadeiros contingentes de negros que aqui foram transformados em miseráveis escravos a serviço de seus senhores brancos que os exploraram por bem mais tempo que os outros países que também adotaram essa vil prática, pois fomos os únicos a abolir de vez essa tão deletéria mancha de nossa sociedade. E o pior é que, quando foi feito, ao invés de fornecerem condições dignas de trabalho e sobrevivência para essa desafortunada gente que praticamente construiu com seu suor e sangue aquele arcaico Brasil desses senhores, simplesmente abriram as portas de suas senzalas e os jogaram na rua da amargura, deixando-os todos desprezados e abandonados à própria sorte. 

Não foi em vão que mesmo com uma população formada por índios inocentes e negros ignorantes trazidos à força bruta do continente africano e sem sequer falarem o português, mesmo assim, na formação desse país, as injustiças foram tantas que ainda houve diversas manifestações em forma de revoltas, as quais foram todas abafadas pela força do poder econômico e policial do estado que evidentemente não poderia deixar que isso acontecesse, mas tornando-se claro que essa reação do estado mesmo que a sua execução tenha sido legitimada como a serviço do estado em formação, também escondia no seu bojo os velhos e reais interesses de classe. Quem estudar a história deste tão injusto país vai logo perceber que é uma experiência traumatizante para qualquer pessoa que já tenha pelos menos adquirido um pouco de consciência humana e espiritual. 

Essas revoltas ou frustradas tentativas de revoluções chamadas de regenciais, foram as seguintes: a) A Cabanagem - Ocorreu na província do Grão-Pará entre 1835 e 1840; b) A Sabinada - Ocorreu na província da Bahia entre os anos 1837 a 1838; c) A Balaiada - Ocorreu no Estado do Maranhão entre 1838 e 1841. Essa revolta ocorreu devido à crise na produção algodoeira; d) A Revolução Farroupilha - Ocorreu no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845, sendo a maior e a mais importante revolta do nosso período colonial. 

Vale salientar que nenhuma dessas revoltas ou revoluções ocorridas no Brasil caracterizaram-se como uma luta do seu povo sempre explorado, abandonado e esquecido em busca de melhores condições de vida, mas sim dos interesses comerciais e políticos das elites (comerciantes, agricultores e pecuaristas), mancomunados com políticos em busca de poder nessas províncias que, como sempre aconteceu em revoluções ou revoltas ocorridas mundo afora, conseguiram mobilizar o povo mais sofrido em beneficio de seus espúrios interesses de secundários. 

No entanto, todas essas ameaças do passado, nenhuma delas se constituiu numa real tentativa de quebra do paradigma colonial implantado a ferro e fogo no Brasil pelos portugueses, mas simplesmente uma tentativa de se expurgar algumas injustiças politicas e/ou econômicas que não estavam satisfazendo os interesses maiores da elite produtora e contemporânea local. 

Os únicos movimentos que se pode citar como descontentamentos que se apresentaram como forma de rebeldia e violência advindas do seio do povo brasileiro surgiu com o Cangaço que foi um movimento caracterizado pelas nossas elites dominantes como banditismo social que vigorou entre as últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX pelas áreas miseráveis do sertão Nordestino brasileiro.

Um dos primeiros líderes do movimento Cangaço começou com Jesuíno Alves de Melo Calado ou Jesuíno Brilhante - que foi um dos precursores desse movimento mais justiceiro que cangaceiro que nasceu em 02 de janeiro de 1844 em Patu no Rio Grande do Norte e faleceu em dezembro de 1879, em Brejo do Cruz da Paraíba. Em seguida surgiu Manoel Batista de Morais ou mais conhecido como Antonio Silvino - outro grande justiceiro nascido em 02 de novembro de 1875 em Afogados da Ingazeira em Pernambuco e falecido em 30 de julho de 1944, em Campina Grande na Paraíba. Por fim temos o grande Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião – que foi outro justiceiro considerado como cangaceiro que atuou no Nordeste do Brasil, exceto no Piauí e no Maranhão e por ter sido o mais bem sucedido de todos eles, ficou reconhecido como o Rei do Cangaço.

Esse movimento do Cangaço surgiu mais pelas perversas injustiças praticadas pelos velhos coronéis fazendeiros que aqui no Nordeste mandavam e desmandavam, sempre mancomunados com as polícias estaduais a serviço deles. Todos esses que foram classificados como Cangaceiros ou bandidos na época, eram homens fortes e valentes que não se submeteram ao estado humilhante como eram tratados pelos coronéis os mais pobres e desvalidos não da sorte, mas do sistema exploratório em que estiveram todos eles inseridos.

Como eles eram corajosos e não se deixavam amedrontar pelos autoritários coronéis, juntavam outros iguais ao redor deles, formavam um grupo que a sociedade da época chamava de bando e passavam a fazer justiça com as próprias mãos, onde somente imperava o medo, a violência e a injustiça. Em suas lutas pela justiça que nunca vinha da policia, obrigavam filhos de coronéis a se casarem com mocinhas pobres que tinham desonrado e que cinicamente ainda propagavam o fato com desdém; retomavam terras dos pobres que haviam sido invadidas por asseclas desses coronéis; e surripiavam dos currais desses coronéis os animais roubados e os entregavam de volta aos seus legítimos donos.

Para a época, isso era uma grande desonra para essa gente poderosa que sempre acionava os políticos que apoiavam e exigiam das autoridades governamentais dos estados (os governadores) a criarem as chamadas volantes formadas por soldados geralmente bem mais pobres que os próprios pobres que e nome da continuação da exploração dos poderosos oprimiam e, para esse fim, adentravam a Caatinga Nordestina para lutarem contra esses cangaceiros que o que faziam com coragem e bravura era apenas tentar estabelecer a justiça para todos, num mundo onde a justiça era simplesmente os interesses desses senhores proprietários da terra, do gado e até mesmo do paupérrimo povo que sobrevivia ao seu redor. 

Torna-se claro que em todo movimento onde se busca fazer justiça sempre ocorrem também muitas injustiças e até descabidas violências como à história registrou no próprio movimento do Cangaço. Contudo, todos esses movimentos ocorridas nesse nosso país teve por fim único e exclusivo não o de derrubar governos estabelecidos, mas de estabelecer justiça numa realidade onde o descabido privilégio foi, é, e continua sendo a tônica maior de nossa sociedade.

A nossa realidade social, econômica e política não suporta mais essa práxis exploratória que de uma forma torpe e abusiva tem caracterizado esse nosso tão rico país de povo tão miserável. Em potencialidades econômicas somos uma das nações mais ricas desse lindo planeta Terra. Em contrapartida, econômica e socialmente, ainda somos umas das maiores vergonhas do mundo capitalista civilizado. Os poucos governos que tem olhado para a situação do nosso povo e procurado pelo menos minimizar as estratosféricas desigualdades econômicas e sociais, quase sempre não têm conseguido terminar os seus mandatos e, se conseguem terminar, não lhes é mais permitido o retorno.

Eu venho acompanhando a trajetória política, econômica e social do Brasil há muito tempo e, infelizmente, o que percebo é que parece que nós não temos permissão para vivermos para nós mesmos como pais, mas sim apenas para satisfazermos os interesses das nações centrais desenvolvidas que nos tratam como se fôssemos as suas grandes fazendas produtoras de commodities baratas, quer sejam para alimentar as suas populações com produtos comestíveis, quer sejam as suas indústrias com minérios estratégicos entre os quais o petróleo e o minério de ferro. 

Será que já não chegou o tempo de tudo isso ter um fim? Por que essas nações ditas desenvolvidas em suas relações comerciais conosco não podem nos tratar como verdadeiros parceiros comerciais que somos, mas sempre como seus eternos vassalos? Eu acho que já esta passando do tempo de procurarmos todos juntos sermos melhores com nós mesmos, porque assim acontecendo, começaremos a perceber com bem mais clareza, quem são os nossos verdadeiros opressores, os quais, ainda não nos deixaram andar com os nossos próprios pés, nos arriscando, mas com liberdade, a criarmos a realidade que mais nos interessa.

Nem país e nem ser humano nenhum consegue ser feliz manipulando e explorando aos outros. O livre-arbítrio nos foi dado por Deus e somente o pleno exercício dele pode nos fazer feliz ou até mesmo infeliz no futuro. Mas é bem melhor para a nossa evolução de consciência que sejamos livres para fazer as nossas próprias escolhas, mesmo que a nossa inexperiência nos conduza a sofrimentos futuros, fato que, se acontecer, também nos trará aprendizado do que devemos ou não fazer, culminando com a verdadeira conquista da nossa felicidade.

Por isso que, o objetivo da sociedade humana hoje deveria ser única e exclusivamente a busca incansável pela bondade - até porque ninguém pode ser realmente feliz sem apresentar bondade. Devemos ser bons primeiramente para os nossos país e mães, avôs e avós, irmãos e irmãs, primos e primas, tios e tias, vizinhos, conhecidos e desconhecidos e enfim para toda a humanidade porque, felizmente, ninguém pode ser realizado e feliz se não for bom para todas as criaturas do universo porque, somente assim todos nós criaturas humanas, poderemos enfim ser absorvidos pelo Todo que nos projetou nesse mundo fenomênico.

Emílio.
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