domingo, 11 de novembro de 2018
Por: Emílio Oliveira
O estudo do comportamento humano surgiu através do Behaviorismo que teve como precursor Johan Watson.

Segundo Block (2001), este estudioso postulava o comportamento como objeto da psicologia, dava a esta ciência a consistência que os psicólogos da época vinham buscando – um objeto observável, mensurável, cujos experimentos poderiam ser produzidos em diferentes condições e pessoas. Essas características foram importantes para que a psicologia alcançasse o estatus de ciência, rompendo definitivamente apenas com as correntes filosóficas que até então a caracterizavam.

Apesar de colocar o comportamento humano como objeto da psicologia, o Behaviorismo foi modificando o sentido deste termo. Atualmente, não se entende mais o comportamento como uma ação isolada do sujeito, mas sim como uma interação entre o que o sujeito faz e o ambiente onde esta interação acontece. Portanto, o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações e o ambiente onde ele se encontra inserido, entre as ações que o individuo produz como respostas e o ambiente como as suas respectivas estimulações.

Entender o comportamento como interação indivíduo/ambiente é, portanto, a unidade básica de descrição e o início para entender a ciência do comportamento. Os estudos de Watson levaram muitos outros teóricos dessa área a formularem suas próprias teorias do comportamento humano, o que permite aos atuais psicólogos se utilizarem dos fundamentos destas teorias para desenvolverem múltiplas técnicas a serem utilizadas em seus consultórios no atendimento aos seus pacientes.

Esses três parágrafos anteriores não são meus, pois não foram escritos por mim e servem apenas para embasar, através do Behaviorismo ou psicologia do comportamento humano, o que pretendo discorrer no presente texto. Como sabemos todos, acabamos de sair de uma das mais traumáticas eleições de toda a nossa história política. As ofensas, as mentiras em português e os fake news em inglês, as contestações gratuitas e ferinas, as ameaças, o desrespeito aos posicionamentos dos outros e por fim o ódio destilado com tamanha gratuidade jamais vista no mesmo nível em outras campanhas eleitorais do passado também radicais como essa.

Ante tão flagrante constatação, vem à pergunta: por que enfim nessa eleição claramente se percebeu todos esses absurdos chegarem a tal nível de desrespeito de muitas pessoas pelas outras? A meu ver, foram às redes sociais que permitiram a tão triste constatação e visualização desse problema. Não é que os brasileiros fossem bonzinhos no passado e de repente se transformaram nessa coisa odienta de não respeitar sequer a opinião divergente do outro. Os brasileiros sempre foram assim. Apenas ainda não se tinha como aquilatar essas nossas imperfeições porque, infelizmente, não existiam as redes sociais.

Todas as redes, sejam elas consideradas ou não, simplesmente retiraram as inúmeras máscaras de todos nós. E é mais que necessário que também se diga que esse não é um fenômeno sócio-político apenas brasileiro não, mas universal porque também está se revelando em maior ou menor grau, em todos os outros países desse nosso tão bonito Planeta Terra. Salvo melhor juízo, o que eu pude entender do Behaviorismo é que todo ser humano é o produto de uma relação do homem com o seu meio ambiente incluso aí seus valores culturais e também a sua contemporaneidade ou o seu tempo.

Noutras palavras, todo homem é e será sempre um produto inacabado de seu ambiente, de sua cultura e dos valores de mundo que ele cultiva no dia-a-dia de sua existência. Nesse pacote humano aí não pode deixar de estar presente nele os mais variados arquétipos religiosos, ideológicos e dogmáticos possíveis de todo o seu meio sociocultural. Isso significa que o bicho homem em qualquer tempo de sua existência, simplesmente vive respaldado nos valores morais e culturais que a sua contemporaneidade permite, quer esses valores sejam considerados evoluídos por uns ou involuídos por outros, visto que essas duas palavras apresentam apenas visões de mundo humanas relativas e não absolutas.

Por esse motivo é que geralmente a maioria absoluta das pessoas de uma sociedade qualquer não sente vergonha e nem tampouco apresenta o menor resquício de constrangimento ou até mesmo alguma espécie de remorso por defender e assumir posições e comportamentos respaldados pelo seu contexto sócio cultural. Ao contrário, elas se sentem totalmente integradas ao seu meio e, se possível, defendem suas posições a qualquer custo, porque evidentemente os seus valores morais e culturais afirmam que estão agindo corretamente.

Apesar de essa ser uma realidade existencial entranhada, vivida e já plenamente assumida por toda a sociedade humana, todos esses valores eram simplesmente sentidos individualmente por cada ser, mas ainda não explicitado para todos porque simplesmente se camuflavam na intimidade não revelada de cada um.

Entretanto, com o surgimento das redes sociais a maioria das pessoas de todo o planeta, tomando conhecimento da penetração em todo o mundo virtual dessas redes sem a devida consciência do que estavam fazendo, começaram inicialmente a usá-las de forma tímida e aos poucos foram se soltando ao ponto de terem chegado a triste realidade que estamos vivendo hoje, quando os cidadãos de quase todo o mundo estão se sentindo praticamente escravos e dependentes dessas redes.

Ante essa constatação poderia se perguntar: são essas redes sociais as verdadeiras culpadas pelo que de ruim está acontecendo em todo o mundo? A resposta é simplesmente não! O problema sempre esteve e está na cabeça do homem. Na verdade, essas redes sociais poderiam ser utilizadas para coisas grandiosas como, por exemplo, unir a todos os cidadãos da terra em torno de sagrados objetivos humanistas, tais como a extinção da fome no planeta, das explorações do homem pelo homem, das guerras sem sentido onde são sacrificados milhões de seres humanos que não têm nada a ver com os conflitos criados pelos senhores do mundo que usam os políticos como seus prepostos no poder para ganharem muito dinheiro com o sofrimento e a morte sem sentido de seus semelhantes.

O grande problema dessas redes sociais não são elas próprias, mas os atuais “homens que se dizem modernos”, que resguardados ilusoriamente em uma falsa virtualidade expressada na sua solitária ação por trás de um Desktop, Leptop, Smartphone ou Iphone, se despiam de vez de suas hipócritas máscaras sociais e vêm dispersivamente se aproveitando desse caldo cultural formado por tantas idiossincrasias há tempos armazenadas em suas duras cabeças inteligentes, mas ainda não sábias, para vomitarem todo esse lixo autoritário que a gente percebe circulando e se retroalimentando cada vez mais nelas.

O nível de agressividade dos relacionamentos nessas redes sociais chegou ao ponto de quase confronto pessoal entre as partes que trocam informações. Ainda bem que esses relacionamentos são apenas virtuais porque – se fossem presenciais -, a violência física com certeza se estabeleceria. Durante o primeiro turno da eleição eu fiz uma critica não à pessoa do atual presidente eleito do Brasil que inclusive se encontrava convalescendo do atentado que sofrera, mas apenas ao seu posicionamento como candidato a presidente que, a meu ver, não se coadunava com a postura que ele estava apresentando a sociedade brasileira.

Bastou isso para que eu tenha sido virtualmente agredido por um rapaz do Paraná que me chamou de velho sem vergonha e que eu me colocasse no meu devido lugar. Eu respondi para ele que o direito que ele tinha de injustamente criticar o meu candidato com fizera, eu também tinha o mesmo direito de criticar a postura do dele e foi o que eu fizera. Aí ele respondeu que eu devia ser um desses esquerdistas simpatizantes do comunismo e que merecia mesmo era levar umas boas pauladas. Então, para encerrar de vez o assunto, eu repliquei afirmando que eu não era o que ele estava pensando, mas, pelo que eu estava percebendo de sua gratuita agressividade para comigo, ele devia ser um genuíno filhote de nazifascista e encerrei de vez o nosso já mais que agressivo diálogo.

Ante o exposto, pode-se perfeitamente concluir que não são as redes sociais as responsáveis maiores pelos conflitos que diuturnamente estão se estabelecendo entre as pessoas que se relacionam através delas não, mas o próprio ser humano que, enquanto não dispunha de meios digitais para esses rápidos tipos de relacionamentos pessoais, erroneamente se pensava que coletivamente éramos todos pessoas de bem melhor índole do que estamos nos revelando no presente. Ou seja, o homem sempre foi assim dessa forma como está se apresentando nas redes sociais. Todavia, como antes não existiam esses rápidos e eficientes meios de comunicação de massa que virtualmente revelam todos os pensamentos e também sentimentos ideológicos, políticos e religiosos de todos quanto às utilizam, finalmente, caíram por terra, todas as nossas hipócritas máscaras humanas.

E o pior de tudo isso é que nesse contexto não escapa ninguém e todos nós brancos, de cor, ricos pobres, índios, quilombolas, imigrantes, capitalistas, socialistas, humanistas e quem quer que sejam estamos a bordo do mesmo barco que se encontra navegando à deriva de todos os nossos sentimentos humanos comandados pelos nossos egos. Quando os sentimentos humanos que afloram nessas relações são positivos ou de amor, harmonia, empatia, compreensão e entendimento o que está se tornando raro, tudo bem! Porém, quando é negativo ou de ojeriza, desprezo, menosprezo, ódio e discriminação como na sua maioria é, a coisa fica como infelizmente se encontra, um verdadeiro caos nos relacionamentos humanos.

A continuar esse deletério processo de desconstrução uns dos outros e ele deve continuar porque não antevejo como pará-lo ou até mesmo desacelerá-lo, ninguém saberá aonde iremos chegar nessa tresloucada marcha de confrontos gratuitos que ao invés de aproximar mais ainda todos os seres humanos do planeta em suas carências e necessidades maiores o que seria o ideal, está é afastando-nos cada vez mais e tornando-nos todos bem mais inimigos comuns que amigos. Alguém até pode achar que estou sendo pessimista demais e estou mesmo, porque, infelizmente, não consigo vislumbrar um horizonte que me torne um pouco mais otimista.

Todos os meios de comunicação de massa que desde os primórdios da humanidade o homem desenvolveu aqui na terra por inspiração divina, originam-se de depósitos de ideias mais evoluídas enxertadas no homem para ele crescer em consciência e poder assim se comunicar de forma proativa e viver melhor e mais feliz no convívio com seus semelhantes. Foi assim com o rádio, depois com a televisão e agora com a Internet que possibilitou a todos nós terráqueos o uso das redes sociais.

Infelizmente, o rádio e a televisão foram indevidamente apropriados por grupos capitalistas que somente pensam em lucro e esses dois instrumentos tão importantes de libertação da humanidade se transformaram em potentes máquinas reacionárias de desinformação do sistema, perpetuando todo esse sofrimento que as massas ignaras carregam em seus ombros cansados e mãos calejadas pelo trabalho cada dia mais mal remunerado.

Com a Internet, entretanto, mesmo ainda controlada à distância por esses mesmos senhores, o seu controle total não está sendo tão monopolizado quanto eles desejam, visto que ela, a Internet, vem pulverizando e tornando obsoletas as grandes máquinas de comunicação como os rádios e a TV que, até bem pouco tempo atrás, atuando em cadeia, eram quem davam às cartas principalmente no período das eleições para escolhas dos futuros governantes.

Hoje o que se percebe até com certo pesar é que tal qual aos homens de poder, o homem comum também está usando essa nova tecnologia que poderia livrá-lo de vez dessas velhas amarras do atraso e da acomodação de classe em beneficio dele próprio, a está usando de forma também odienta na confrontação direta e pessoal, fato que vem aprofundando e reforçando ainda mais a desagregação de todas essas potenciais forças progressistas exploradas pelo sistema que, infelizmente para nós e felizmente para eles, seus representantes estão sorrindo de orelha-a-orelha, pois já perceberam que, mais uma vez, todo esse jogo, continuará sendo favorável a eles. Tenho dito!...
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