domingo, 18 de novembro de 2018
Por: Emílio Oliveira
Infelizmente, apesar da grande evolução sofrida pelas sociedades humanas, ainda vivemos num mundo onde os interesses de poucos, predominam sobre o de muitos. Esse mesmo mundo que passou pela primeira guerra mundial onde morreram mais nove milhões de pessoas e mais de trinta milhões foram feridas e também pela segunda onde morreram quarenta e sete milhões de pessoas que nada tinham a ver com toda aquela crueldade exposta nos truculentos campos de batalhas, onde as pessoas lutavam entre si sem sequer saberem o verdadeiro motivo porque estavam se matando e, por isso mesmo, ante tantas barbaridades sofridas pela humanidade, até bem pouco tempo atrás ainda se pensava que não haveria mais a terceira. 

E isso se considerarmos apenas as últimas duas guerras chamadas mundiais e sem se considerar as milhares que houveram no passado, onde exércitos inteiros de milhares de homens se confrontaram e foram dizimados pela gratuita e irresponsável vontade de alguns poderosos da época que, por vontade própria, resolveram fazer guerra ou aos seus supostos inimigos ou apenas para conquistarem mais e mais poder. Até o presente momento, todas as guerras sem exceção de nenhuma, têm servido apenas para darem mais poder a alguns governantes que não se satisfazem com o poder que já dispõem em seus países ou reinos de origem. 

Pois bem, ante os horrores observados em todas essas estúpidas guerras, quase todas criminosamente planejadas por líderes humanos enlouquecidos por poder, ante os horrores observados depois da explosão pelos EUA das duas bombas de hidrogênio nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki que inclusive inspirou a criação das Nações Unidas e que a fizeram a também aprovar a Declaração dos Direitos Humanos, chegou-se a cogitar que, doravante, as guerras não seriam mais aceitas pelos países que se filiaram a essa Organização, a não ser como uma forma de legítima defesa de seus países membros.

A gente precisa compreender que em qualquer circunstancia da vida humana, a guerra é e será sempre muito difícil de ser extinta das nossas múltiplas loucuras, haja vista que ela é o produto do interesse de uns poucos ricos que geralmente ganham muito dinheiro como a sua ocorrência, e o sacrifício de muitos que inclusive perdem ou a própria vida, ou a saúde física e mental. Nos idos da década de setenta, quando estudava o segundo grau no Colégio Agrícola de Jundiaí eu li um livro que não me recordo mais o título, onde apenas quatro senhores ricos se encontraram na Cidade de Genebra na Suíça para planejarem uma Guerra na África e conseguiram. Desses quatro, um deles, era dono de uma fábrica de armas de guerra; o outro, de munição; o outro, de fardamento para sodados; e o último deles, fabricante de comida para soldados em guerra.

Para esse tão triste e deplorável fim o que fizeram esses honradíssimos senhores? Mandaram um de seus assassinos profissionais pagos a peso de ouro apelidados de Chacais assassinar o líder de uma daquelas facções que estavam no poder e com a força de testemunhas cooptadas e também coadjuvados pela mídia televisiva, colocar a culpa na liderança maior da outra facção que disputava o poder. Essa simples atitude que para quem somente busca poder e dinheiro não significa nada, provocou o desenrolar de uma verdadeira carnificina humana onde morreram milhares de soldados e civis que não tinham nada a ver com os planos macabros desses quatro honrados senhores.

Além desses ricos senhores de ontem e de hoje possuírem toda essa infraestrutura de como se fazer uma guerra, eles possuem também os meios de comunicação de massas que usados de forma secundaria e bem antes dela acontecer, se encarregam de fazer a cabeça da maioria das pessoas que pela repetição midiática dos falsos motivos para ela existir, preparam os cidadãos ou para serem sem nenhum direito a recusa convocados, ou se inscreverem patrioticamente como voluntários para irem morrer nos campos de batalhas para esses ricaços poderem ganhar muito dinheiro, enquanto os cidadãos de todo o planeta continuarem dando crédito a essas velhas estórias que nesses momentos lhes são contadas. 

Pode até haver uma guerra pelo fato de um país mais poderoso pretendendo se apossar das riquezas de outro mais fraco atacá-lo e, nesse caso, a reação do mais fraco pode ser considerada mais como uma legítima reação de seus habitantes ao se confrontarem com os seus atacantes. Esse tipo de guerra ainda pode ser aceitável, pois é onde se encontra justamente o legítimo direito de defesa dos países membros, defendido inclusive pela própria ONU. Agora entrar em guerra contra países às vezes até nossos por sugestão de outros países mais poderosos que apresentam interesses econômicos naquele pobre país que geralmente possuem o que o mais poderoso necessita é além de uma desbravada tolice, uma espécie de alinhamento ideológico provocado por um antipatriótico colonialismo mental. 

Porque resolvi escrever sobre esse assunto? Como venho a algum tempo estudando geopolítica, tenho percebido claramente nas entrelinhas dos assuntos que encontro na Internet, sinais mais que visíveis de que o novo governo eleito democraticamente e que empossará a partir de primeiro de janeiro de 2019, se encontra flertando com o seu ídolo maior o presidente americano e se esse fato significasse que o Brasil poderia ser tratado de igual para igual como um verdadeiro parceiro dos EUA como seria o ideal, acho que nenhum brasileiro em sã consciência poderia ser contra.

O se teme e que sempre que se busca ouvir os analistas geopolíticos interessados nesses assuntos, percebe-se logo em suas falas uma velada critica a essa exagerada simpatia que pode simplesmente derivar para uma cega paixão ao ponto de o Brasil juntamente como outros países latino-americanos serem usados numa futura guerra contra a Venezuela que nos bons tempos já foi um dos nossos maiores parceiros comerciais no continente.

Além do mais o nosso país não tem nenhuma tradição de belicosidade nem contra nossos vizinhos e nem contra nenhum outro país e desde que a Inglaterra entre os anos de 1864 a 1870, induziu o Brasil, a Argentina e o Uruguai a se envolverem numa guerra fratricida contra o Paraguai de Solano Lopez que competia em manufaturados com ela, nunca mais entramos em conflito com ninguém, fato esse que tem gerado respeito de todo o mundo pelo Brasil que, por essa tradição antibelicista, se constituiu numa das nações mais pacíficas do planeta Terra.

Outro fato que sem nenhuma necessidade pode muito bem nos colocar numa futura rota do terrorismo mundial é a insensata promessa do presidente eleito de para agradar a seu ídolo como o mesmo fizera, transferir a nossa embaixada da cidade de Telavive para Israel, fato que desagrada a todo o mundo Árabe que são também grandes parceiros comerciais de nossas commodities proteicas. Noutras palavras, o que se percebe é que o Brasil do grande Barão do Rio Branco que através da sua tão eficiente diplomacia conseguiu pacificar todos os nossos possíveis conflitos nas nossas enormes fronteiras geográficas sem nenhum confronto com os nossos outros vizinhos interessados poderão, dessa forma, num futuro próximo, serem inclusive ameaçadas.

Há poucos dias atrás conversando sobre esses complexos assuntos com amigos da cidade de Mossoró que alguns também compactuam ou não com minha ideias, um deles me perguntou se eu que contestava esse nosso cruel sistema econômico se era socialista ou comunista? Eu respondi para ele que não era nem capitalista, nem socialista e muito menos comunista que nem existiu ainda em parte nenhuma do planeta Terra. Via-me mais como um humanista, mas como também ainda não tínhamos alcançado essa etapa evolutiva na convivência com nossos semelhantes, eu gostaria de viver num país verdadeiramente capitalista assim como: a Noruega, a Dinamarca, a Suécia e a Finlândia, onde a miséria tinha sido enfim abolida e a dignidade era a marca maior dessas sociedades, cujas elites conseguiram se despossuir de suas desmedidas ambições.

Eu sempre contestei as desigualdades sociais abissais e vou continuar fazendo, enquanto me for permitido. Até porque lendo a Riqueza das Nações do grande Adam Smith que é considerado o papa do Capitalismo mundial, ele diz lá que o lucro oriundo das transações comerciais não deve ser apenas simplesmente apropriado pelo seu proprietário para aumentar os eu patrimônio, mas sim reinvestido na economia para gerar novos empregos, mais lucros, mais impostos e mais riquezas que por sua vez vai dinamizar toda a economia, fato como o qual eu também concordo em gênero, número e grau.

Eu não posso é concordar com o que vejo no meu país aonde existe milhões de pessoas que não tem um trabalho digno, moradia digna, saúde digna, educação digna e segurança digna, simplesmente porque a nossa elite empresarial diferentemente da dos países anteriormente citados se apresentam totalmente descomprometidas com a qualidade de vida de seus funcionários, visto que somente pensam em auferir lucros e mais lucros independentemente do estado de vida digna que possam desfrutar com o fruto de seu trabalho os seus empregados.

Eu conheço um colega que está vivendo na Dinamarca onde atualmente faz um curso de doutorado e ele me diz que lá o diferencial de salário não chega a dez, enquanto que aqui no Brasil pode chegar a quinhentos, e é justamente esse fato que tem criado as abissais distorções de nossa sociedade que pela violência quase sempre fruto dessas desigualdades vem todos os anos se matando aproximadamente setenta mil brasileiros por ano, quase todos pobres, pretos, pardos, filhos de mães sem pais ou criados por avôs e avós nas periferias das grandes, médias e pequenas cidades desse nosso para o seu povo ainda tão injusto país.

Essa infelizmente é a nossa realidade e ao invés de ser ter noticias boas a respeito do desmonte de tantas injustiças sociais há muito tempo sedimentadas nossa tão injusta sociedade, o que se ouve como resposta objetiva aos problemas do pais é a enganosa e falsa perspectiva de que todas essas distorções podem ser resolvidas com simples de ordem e ameaças de cadeia para os movimentos sociais que não se dobrarem ao interesse das minorias, perseguição, escolas sem partido, trabalho com salários sem direitos e não com uma distribuição de renda mais equitativa, educação de qualidade e segurança sem mais inseguranças para todos. 

Portanto, para nos livrarmos de vez das inúmeras guerras desencadeadas contra os países que não se submetem ao neoliberalismo que enriquece sempre aos mais ricos e empobrece os mais pobres, que prega a paz pela força e não pela justiça social, que prega a tranquilidade imposta pela violência e não pela compreensão real de nossas eternas carências, que prega um salário injusto de fome e sem direitos, que prega a educação autoritária e duvidosa pela educação democrática e libertadora, que prega enfim a submissão aos interesses do capital ao velho sonho de liberdade sem submissão que Deus permitiu ao homem, teremos que resistir despossuídos de toda a nossa possível violência defensiva e nos armar com bem mais argumentação, inteligência e compromisso com um mundo melhor para todos nós cidadãos do terceiro mundo. 






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