sábado, 27 de outubro de 2018
Hoje, está justamente acontecendo o segundo turno da eleição mais importante de toda a história política de nosso país. Infelizmente, os assuntos discutidos durante toda a campanha, tanto no primeiro, quanto no segundo turno, ao invés de terem sido abordados os reais problemas do Brasil que estão sitiados em sua paralisada economia, tratou-se apenas de temas secundários e principalmente os identitários que foram os mais evidenciados, principalmente como forma manipulatória de incluir no rebanho de alguns candidatos a maioria dos componentes das Igrejas Cristãs, geralmente encabrestadas pelo duvidoso evangelismo exacerbado de seus atuais líderes.

Ao invés de se discutir em profundidade todos os nossos mais graves problemas econômicos que estão inviabilizando o desenvolvimento de nossa economia, tais como: taxa de juros, taxa de cambio, desemprego, desindustrialização, dívida interna e externa, auditoria da dívida, reativação do processo de desenvolvimento econômico e social, anulação da PEC dos gastos públicos, retomada das obras públicas paralisadas e principalmente qual o novo rumo que devemos tomar para que a nossa economia possa rapidamente sair dessa endêmica estagnação e começar a dar sinais visíveis de um novo ciclo desenvolvimentista em nosso país, limitou-se apenas a assuntos secundários e de bem menos importância para realmente se tirar o país da crise. 

Pois bem, como esses assuntos realmente sérios nunca foram prioritários para a elite brasileira comprometida apenas com a reprodução exponencial de seus volumosos recursos financeiros que através do rentismo vem estrangulando e matando aos poucos a nossa economia, trocou-se esses temas principais que são os que realmente mais interessam ao país nessa adversa conjuntura que estamos sendo forçados a atravessar, por assuntos outros que reputo como secundários tipo se o candidato é contra ou a favor do aborto, se é contra ou a favor das Lgbts, se é crente ou ateu, se é casado ou amancebado, se é de direita ou de esquerda, se é capitalista ou comunista e comunista nem existe mais, se é branco ou de cor, se é amarelo ou índio ou quilombola, de tal forma que esses assuntos apesar de também serem importantes, deveriam ter sido tratados como secundários e não como os principais.

O Brasil atualmente se encontra no fundo do poço em termos de ética, moralidade, respeito, seriedade, politicagem e como agravante de todo esse quadro dantesco antes nunca visto, a nossa economia esta agonizante e mesmo com baixa inflação ainda mantém para beneficiar os rentistas uma das maiores taxas de juros do planeta; sem credibilidade econômica e capital para investir; com um déficit primário que se aproxima dos 150 bilhões de reais; uma divida interna de 05 trilhões e 200 bilhões de reais; com 01 trilhão e 180 bilhões de reais vinculados a empréstimos de curtíssimo prazo em operações compromissadas com vencimento em torno de cinco dias e com taxas de juros totalmente desconhecidas; 14 milhões de desempregados; 63 milhões negativados no SPC e SERASA; 200 mil lojas fechadas; 13 mil indústrias desativadas; e finalmente mais de 32 milhões de pessoas sobrevivendo simplesmente de biscates nas pequenas, medias e grandes cidades brasileiras.

Tudo leva a crer que estamos vivendo nesse momento uma espécie de carma coletivo para que se possam resgatar dívidas pretéritas e tendo ainda como agravante de todo esse nosso processo expiatório, a falta de perspectiva e de esperança resultante de uma induzida revolta de segmentos significativos de nossa população que instigada pela mídia que por quase três anos consecutivos vem satanizando o PT e o seu líder maior o Lula que, quando no poder, foi quem mais ajudou a toda essa gente. 

Só que, em função da significativa queda do valor comercial de nossas commodities que gerou grandes perdas no faturamento da nossa pauta de exportação, fato que quebrou o país, mas que de forma maldosa sequer foi informado pela mídia manipuladora que ao invés de informar à população o que estava realmente ocorrendo com a nossa economia, se apressou logo e de uma forma maldosa em debitar o desastre à atuação econômica e política da esquerda, responsabilizando-a inclusive pela quebra do país. 

Infelizmente, como resultado de tantas distorções próprias de uma sociedade atrasada que ainda não conseguiu se libertar do velho e ultrapassado colonialismo mental que comanda sempre a cabeça de nossas elites, as duas propostas políticas mais extremadas foram as que chegaram ao segundo turno da eleição nesse domingo (28 de outubro) em que estamos vivendo e votando ou numa opção, ou na outra, ambas, a meu ver, danosas e insuficientes para esse nosso tão amado país que necessita urgentemente de um verdadeiro líder político com experiência administrativa exitosa, autoridade moral, capacidade comprovada e um projeto de país que nos conduza ao protagonismo global que o nosso país tanto necessita e merece. 

Noutras palavras, estamos precisando de um verdadeiro ESTADISTA que consiga unir a todos os segmentos de nossa sociedade em torno de um projeto nacional de desenvolvimento econômico e social e não de um presidente hiperagressivo, sem formação e informações e completamente vazio de ideias porque não se qualificou devidamente para a mais importante função administrativa do país a que aspira; ou de um presidente politicamente fraco, sem liderança própria e de difícil governabilidade, se acontecer o milagre de ganhar a eleição. Nem um e nem o outro, é o que o Brasil necessita para realmente sair dessa crise que está destroçando a nossa República e esgarçando com a possível ressureição da violência política e policial, a nossa Democracia. 

De minha parte, como um humanista que tenho procurado ser, não me sinto motivado a votar em nenhum dos dois candidatos que estão no segundo turno disputando o voto dos cidadãos e cidadãs desse país. Todavia, como nunca votei nulo ou em branco desde que me tornei eleitor, estou me inclinando mais a votar no candidato que não defende a violência como forma de acabar a violência e que tem como pressuposto básico de seu plano de governo a defesa intransigente da democracia que hoje é a conquista maior de toda a sociedade brasileira e que não pode e não deve ser suprimida, simplesmente para satisfazer a sanha autoritária de alguns autocratas que ainda não aprenderam a conviver com os contrários e diferentes. 

Como todos sabem, o meu candidato no primeiro turno foi o Ciro Gomes que era o mais preparado de todos os outros para, nesse momento difícil de nossa tão sofrida caminhada histórica, unir esse país em torno de quem trabalha e de quem produz coadjuvados pelo iluminismo das universidades que forneceriam as respostas técnicas necessárias para poder se rumá-lo para um azimute que o levaria ao progresso econômico com mais justiça social, respeito e atenção pelos menos favorecidos da sorte que penosamente sobrevivem nas favelas e mocambos das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras. 

O próprio tempo tem provado a todos nós que sequer conseguimos aprender a escolher os nossos verdadeiros representantes, pois o que temos feito de forma quase que suicida na maioria das oportunidades que nos foram oferecidas é escolhermos, como boiada, os nossos opressores em detrimento dos nossos reais e legítimos representantes. Foi assim que em 1909 quando elegemos um general e derrotamos o Rui Barbosa; em 1989 quando elegemos o Collor e derrotamos o Brizola e o Lula; e agora, nessa eleição de 2018, quando logo no primeiro turno derrotamos o Ciro Gomes, que é o único político brasileiro em condições de tirar o Brasil dessa humilhação a que estamos todos sendo obrigados a engolir porque têm faltado a todos àqueles a quem erradamente elegemos como os melhores: patriotismo, projeto verdadeiro de país, capacidade administrativa comprovada, honestidade, coragem cívica e amor pelas causas maiores do povo sofrido e não apenas pela causa quase sempre impatriótica das nossas elites que somente pensam em si mesmas e nos seus negócios. 

Agora, nesse momento histórico e mais que singular de nossas existências humanas como cidadãos de um país explorado e saqueado como esse nosso que - por enquanto ainda é nosso -, estamos tendo mais uma vez o seu destino em nossas próprias mãos. Que então aprendamos nessa nova oportunidade e que mais uma vez não nos suicidemos coletivamente e conscientemente escolhamos o melhor não apenas para satisfazer ao nosso vaidoso ego humano que é uma espécie de besta dentro de nossa cabeça humana, mas, sobretudo, priorizando o interesse maior do nosso país que, pelas atuais circunstâncias, está prestes a ser esquartejado e vendido a preço de banana para quem sabidamente orquestrou tudo o que de ruim está nos desconstruindo. 

Que o tresloucado regime fascista que na Alemanha a partir do ano de 1933 recebeu o tenebroso nome de nazismo, sirva de exemplo e de lição negativa para todos quantos primam ou não pela democracia que ainda é o melhor regime político inventado e já experimentado pelo homem. Lá começou com a perseguição aos ciganos, depois aos de cor, depois aos gays, depois aos judeus, depois aos socialistas e comunistas e, logo em seguida, a toda a humanidade. 

Nessa brincadeirinha de se discriminar aos diferentes foram assassinados: milhares de ciganos, milhares de pessoas de cor, milhares de gays, um milhão de crianças judias, dois milhões de mulheres judias, três milhões de homens judeus, totalizando seis milhões de judeus e, no todo, aproximadamente 46 milhões de vidas humanas foram estupidamente sacrificadas para poder se afastar de vez do poder aquele que psicologicamente não se encontrava preparado como erradamente pensava a sociedade alemã da época para conviver harmoniosamente com as múltiplas diferenças de costume, opinião, raça, cor, ideia, gênero, sexo e nacionalidade. 

Aqui para nós, nessa por enquanto ainda nossa República Tupiniquim, os ensaios fascistas iniciaram igualmente com discriminações a certas categorias de pessoas vistas como diferentes e, portanto, inferiores tipo mulheres feministas ativistas, sem terras, sem tetos, índios, quilombolas, pessoas de cor, Lgbts, além de todos quantos se aventuram a lutar por mais justiça social ainda tão escassa nesse país que, inclusive, já estão também sendo tratados como perigosos socialistas e comunistas que necessitam ser rigidamente punidos na forma da lei. 

E se encontra justamente aí o grande perigo que todos nós cidadãos e cidadãs mais conscientes que buscam construir e viver numa sociedade menos desigual e sem tantos conflitos sociais injustos estamos correndo, visto que em todas as sociedades capitalistas ou socialistas aonde o fascismo sorrateiramente se entranhou, a sua velha e hipócrita dinâmica de aparelhamento tem sido sempre a mesma. É, pois, ante tão sombria realidade que a cada dia vai sendo falsamente divulgada e já quase que imposta como única saída racional para se consertar os nossos abissais conflitos sociais que a cada dia se agravam mais e que se apresentam falsamente ao nosso povo sofrido apenas como forma de violência urbana, o voto, nessa eleição de hoje, deverá ser bem mais que uma opção inteligente, mas, acima de tudo, uma opção de sobrevivência pessoal nossa e também da nossa ainda fragílima democracia. Tenho dito!...
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