domingo, 14 de outubro de 2018
Por: Emílio Oliveira

Esse é o primeiro domingo após o domingo passado da eleição do primeiro turno e, infelizmente, o que restou daquela eleição foi à oportunidade perdida de não se ter colocado na disputa do segundo turno para presidência da nossa tão desgastada República, um homem corajoso, patriota, nacionalista e acima de tudo um excelente administrador, haja vista que deixou a sua marca exitosa por onde passou, quer seja como deputado estadual, federal, governador, ministro de estado, professor universitário, escritor e até mesmo na iniciativa privada.

Só que ao invés de se discutir os assuntos importantes no sentido de se desobstruir a economia de seus mais tradicionais gargalos, os assuntos da campanha de primeiro turno foram somente de cunho identitário que geralmente são os que mobilizam as pessoas religiosas e despolitizadas, tais como: o armamento de nossa população, da proteção da família tradicional ameaçada pelo kit gay, aborto e Lgbts, da ameaça da propriedade privada pelos esquerdistas e por fim das ameaças de uma ditadura militar que trará somente mais violência e possibilidade da tortura ser mais uma vez a triste perspectiva dessa pauta fascista que esta se alastrando no mundo todo. 

Como uma parte significativa do nosso povo se encontra subconscientemente manipulado pela mídia golpista a serviço da plutocracia que nos últimos dois anos vêm repetitivamente batendo na mesma tecla da corrupção generalizada em todos os segmentos da administração pública, com isso conseguiu introjetar na cabeça da maioria dessas pessoas uma espécie de revolta odienta somente contra a classe política brasileira, como se ela fosse à única culpada por tudo quanto está acontecendo de ruim com o nosso país, sem que se tenha dado a ela as corretas informações sobre as verdadeiras origens da crise.

Ou seja, na cabeça dessas pessoas de boa-fé, os políticos são os únicos culpados por todo o sofrimento que estamos passando nessa conjuntura tão adversa de nossa historia política e econômica. Todavia, uma pergunta bastante esclarecedora precisa ser feita. Pode haver corrupto sem corruptor? Não, não pode. E se a maioria dos políticos são realmente corruptos como são, então quem são os corruptores? Essa pergunta à mídia nunca faz e nem se preocupa em fazê-la porque senão ficaria bastante claro para todos que a corrupção é uma via de mão dupla e que se os políticos corruptos são criminosos que precisam ser exemplarmente punidos, os corruptores também o são e na forma da lei precisam ser igualmente punidos.

Ante o exposto do parágrafo anterior, certamente que caberá aqui também outra pergunta. Já que os políticos são os corruptos, quem afinal de contas são os verdadeiros corruptores desses políticos? Se você olhar para a realidade e não para o que diz a telinha da TV, ficará mais que claro para todos quantos forem analisar essa situação que os corruptores são os que dispõem de muito dinheiro e que são justamente os mais ricos porque os mais pobres somente tem o direito de quando conseguem um trabalho, trabalharem e receberem um salário miserável que somente dá para repor a sua força de trabalho no dia-a-dia de suas miseráveis existências.

Na verdade, o que ocorre é que “os periquitos comem o milho e os maracanãs levam a culpa”. Ora, se pela tese e a antítese desenvolvida aqui através da velha maiêutica socrática a síntese nos levou aos corruptores que são os endinheirados, então por lógica também socrática, os corruptores deverão ser buscados no mercado financeiro que é onde se encontram esses poucos senhores que dispõem de vultosas somas de dinheiro. É ou não é? Mas se é assim mesmo porque então os meios de comunicação de massas não divulgam esses fatos? Pela mesma logica socrática de no mínimo terem sido generosamente cooptados por essa montanha de dinheiro. 

Quando a imprensa desvia da nossa população o real, verdadeiro e mais grave problema do país que é a sua criminosa dívida interna que cresce exponencialmente alavancada pelos juros extorsivos cobrados pelo sistema financeiro, ela simplesmente está mascarando a resposta e fazendo com que o carteiro não entregue a carta ao destinatário que, ficando sem saber do que realmente se trata, vai buscar a resposta onde evidentemente ela não se encontra e o que obtém desse esforço é apenas um embuste, uma mentira e uma falácia.

Mas, enfim qual será a intenção dessa posição assumida pela imprensa manipulada e sempre a serviço da plutocracia? Distorcer os fatos para que a população não perceba o que está verdadeiramente ocorrendo com o país e assim o mercado financeiro que é quem tem e acumula o dinheiro fique invisível na retaguarda e imune a possíveis críticas para poder de forma tranquila e sem o mínimo de risco possível, se apropriar do estado via cooptação dos poderes da república coadjuvado pela mídia monopolista que no geral culpa somente os políticos por tudo quanto é de ruim que está acontecendo no Brasil. 

Ela, a mídia geral, salvo raras exceções que felizmente ainda há, nunca diz ao povo que somente a política boa ou má poderá oferecer as respostas positivas ou negativas que o povo geralmente espera do sistema político que ele mesmo elegeu. Ao invés disso, para o povo não aprender a votar corretamente, trata a todos os políticos de forma igual e joga a todos no mesmo balaio da desonestidade, confundindo e tentando mostrar que são todos iguais e, portanto, farinha do mesmo saco.

Caso tenham observado nas entrevistas e até mesmo nos debates do primeiro turno dessa eleição, o que mais interessava a quase todos os jornalistas das grandes redes de televisão não era como devia ser a taxa de juros e de cambio do país, como combater o desemprego, a desindustrialização, a inadimplência das empresas e dos cidadãos, os fechamentos dos pontos de comércios e de indústrias, os projetos que os candidatos tinham para apresentar ao povo que os via e ouvia buscando em cada um deles uma solução verdadeira para a nossa tão incômoda problemática. Ao contrario, quando os candidatos começavam a falar sobre seus planos de governo, eles simplesmente os interrompiam com perguntas fora do contexto.

Infelizmente, o que se percebia é que eram apenas as intrigas e futricas de todos os candidatos serem priorizadas e discutidas ali por quase todo o tempo disponível como se estivéssemos procurando não um bom administrador para enfrentar os problemas gravíssimos da economia do país, mas de um grande santo que não tivesse nenhum defeito. Com essa estratégia desnorteadora, a mídia estava simplesmente sinalizando para o povo sem muita informação que eram todos iguais e que, portanto, qualquer um que chegasse à presidência, iria se comportar da mesma forma e com isso retirando da política a sua maior força de transformação numa sociedade verdadeiramente democrática. 

Se a gente voltar um pouquinho no tempo se constata que aqueles ricos delatores da operação Lava jato, quase todos já estão soltos em suas ricas residências e apenas usando as suas especiais tornozeleiras eletrônicas, mas que brevemente todos eles sem exceção, serão definitivamente declarados cidadãos de bem desse país e a mídia afirmando que já pagaram suas contas com a justiça. Quem ainda está preso e pelo andar da carruagem tudo indica que vai apodrecer na prisão? O único que eles realmente queriam enjaular que era o Lula para que ele não voltasse ao poder e continuasse dividindo as migalhas que sobram dos banquetes dos ricos, com os pobres do Brasil.

E olhe que eu não sou muito simpático nem ao PT e nem tampouco ao próprio Lula porque simplesmente nunca me senti verdadeiramente representado por eles. O PT tem muitos defeitos: gosta exageradamente do poder e por isso tentou aparelhar o estado, é ingrato com os que o ajudam, não apoia ninguém num cargo que lhe interesse e nunca reconhece seus próprios defeitos, fazendo uma humilde e sadia mea-culpa. O Lula é um grande líder que infelizmente também absorveu essas contradições do seu partido, mas que veio de baixo e ninguém mais compreende o sofrimento do seu povo quanto ele. Mas, no poder, infelizmente, não teve a devida coragem cívica de enfrentar os múltiplos privilégios de algumas categorias de poder que, por corporativismo e puro interesse de classe, têm sistematicamente impedido o avanço com mais justiça social dessa nossa tão desigual sociedade ainda tão atrasada.

E comum e corriqueiro hoje em dia se julgar as posições políticas das pessoas como de direita quando apresentam maior empatia com os mais ricos e desprezo pelos mais pobres. Todavia, aceitar que um pobre fique sempre pobre, que de um trabalhador lhe sejam tirados direitos, que uma pessoa de cor seja discriminada, que os índios não tenham mais direito as terras que Deus lhes deu por herança, que pessoas por causa de suas preferências sexuais sejam discriminadas, perseguidas e até mesmo mortas, que quilombolas sejam pesados em arroba como animais, que a tortura não seja considerado um ato normal e não selvagem e desumano, que as mulheres ganhem menos que os homens porque engravidam, que as minorias precisam se adaptar aos desejos das maiorias ou simplesmente desaparecerem, que um policial possa matar um cidadão qualquer sem que lhe seja imputada nenhuma responsabilidade criminosa pelo seu ato violento, que todos os cidadãos sejam armados como forma de se combater a criminalidade num país em que com a população desarmada se mata mais do que todos os países do mundo juntos, ser assim, a meu ver, não é ser apenas uma pessoa de direita não, pois conheço muitas boas pessoas de direita que também são humanas e não são assim não, porque, assim, dessa forma, são apenas as pessoas mais ruins desse mundo maluco em que atualmente vivemos.

Na verdade, essa visão discriminadora e distorcida das pessoas em relação aos seus semelhantes é uma visão puramente fascista e foi assim que na Alemanha nazista de Hitler que era uma variante do fascismo Italiano de Mussolini que iniciou com a discriminação dos ciganos, depois dos negros, depois dos homossexuais, depois dos judeus e por fim de toda a humanidade, visto ser plano do Hitler caso tivesse ganhado a guerra, fazer com toda a humanidade restante uma espécie de eugenia positiva, fato que iria permitir apenas o cruzamento de casais que genotipicamente apresentassem uma linhagem pura da raça ariana totalmente branca. Portanto, o negro, o amarelo, o pardo, o mameluco, o índio e todas as suas variantes, esses nem pensar, pois seriam simplesmente descartados de nascer porque seus pais e mães ou seriam simplesmente mortos ou tornados inférteis.

Se a gente for analisar sem paixões e apenas sentindo a nossa realidade atual, infelizmente, essa é a mesma visão da maioria dessa corrente que no nosso país pretende eleger um candidato que pensa também dessa mesma forma e que está sendo alertada e criticada no mundo todo com os jornais de maior tiragem das maiores nações do planeta fazendo reportagens com títulos nesse sentido para alertar aos brasileiros e brasileiras dos riscos que estamos todos correndo. Eu pessoalmente não tenho nada contra esse candidato e apenas não acredito nas suas propostas para o Brasil porque não as vejo como prioritárias e sim como até lesivas para se resolver os inúmeros problemas de nossa tão combalida situação econômica. 

Dessa eleição, contudo, despontaram dois líderes. O Bolsonaro que infelizmente é um politico totalmente vazio de ideias e sem quase nenhuma substância política, consistência e/ou experiência administrativa exitosa nos três segmentos do poder público, mas que de uma forma simplista e com apenas palavras de ordem conseguiu surfar na crista da onda da revolta dessa nossa sociedade assombrada pela violência imposta pelo crime organizado que, com as suas diversas ramificações já conseguiu se fixar em quase todos os nossos segmentos de poder, fato que vai fazer com que, no devido tempo, o próprio Bolsonaro se desconstrua perante o seu eleitor que vai exigir dele é a imediata solução e não mais a promessa.

O outro grande líder é o Ciro Gomes, esse sim bem mais consistente com muitas ideias patrióticas e nacionalistas em sua brilhante cabeça e também com a coragem de sobra para concretizá-las se lhe for dada uma oportunidade. Saiu candidato por um pequeno partido o PDT e sem dinheiro, tempo de televisão e apoio político das outras agremiações partidárias, lutou bravamente nessa eleição primeiramente contra os ricos que o escolheram como inimigo desde o primeiro momento em que ele afirmou que, se eleito, iria fazê-los pagar mais impostos, como é justo. Lutou também contra a esquerda do PT que tem apenas um projeto de poder e não de país e que o boicotou enquanto pôde e, por último, contra a sua própria classe média revoltada e despolitizada que não entendeu a sua luta ao ponto de ela se posicionar economicamente até mesmo contra seus próprios interesses de classe. 

Então, a meu ver, o Ciro Gomes foi e vai continuar sendo o grande herói que se consagrou como o verdadeiro líder nessa eleição e mesmo não tendo conseguido os votos para disputar o segundo, o Haddad que conseguiu não vai ganhar porque não é uma liderança forte e suficientemente convincente, mas apenas o outro poste do Lula e, portanto, vai também se desconstruir politicamente e o Ciro será a grande esperança do povo brasileiro em 2022 e que, se Deus quiser, mais uma vez marcharemos juntos e com certeza chegaremos lá!... 

Emílio.
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