domingo, 9 de setembro de 2018
Por: Emílio Oliveira
Como venho já costumeiramente dizendo nesses meus escritos semanais, o Brasil nunca necessitou tanto de um voto verdadeiramente inteligente quanto nessa campanha de 2018, a qual, coincidentemente, é também a mais importante de toda a nossa até aqui tão desastrosa história econômica, social e política. Desde a proclamação da nossa república que já se originou de um golpe, tal procedimento antidemocrático vem se repetindo com o passar dos anos de forma que, o maior período de estabilidade política do país 27 anos, ocorreu justamente até o golpe que derrubou a Dilma.

Portanto, a nossa sociedade, além de economicamente injusta para a maioria de seu povo, é também mais que violenta e autoritária porque sempre que a exagerada lucratividade de nossa desumana elite motivada pelos ciclos de fluxos e refluxos do próprio capitalismo diminui, ao invés de absorver como era de se esperar e salvaguardar os elos mais frágeis da corrente econômica que são os trabalhadores que já se encontram praticamente na zona de sobrevivência, manda sempre a conta para essa pobre gente que faz tudo com o seu trabalho e que, infelizmente, com o seu trabalho, não pode comprar quase nada que não seja a sua sobrevivência. 

E hoje, ante tão grave quadro de insensatez de parte de nossa elite econômica, as contas públicas das prefeituras municipais, dos estados brasileiros e até mesmo da própria união estão praticamente deficitárias e o resultado é a falta de saúde, educação, segurança e a paralização de tantas obras públicas que foram iniciadas para melhorar a vida dos cidadãos, além ainda de tudo o mais que o estado constitucionalmente se comprometeu de garantir a todos indistintamente e não está tendo condições de fazê-lo.

Porque enfim o estado brasileiro se encontra nessa situação econômica sem condições de saudar seus compromissos ante uma população assombrada e também revoltada com tanta violência que praticamente já assola e amedronta a todos os lares desse país? Todo estado tem uma espécie de organograma chamado de orçamento no qual se discriminam minunciosamente todas as suas potenciais receitas e também as suas potenciais despesas. Se a gente for analisar o orçamento das prefeituras, dos estados e da própria união, fica bastante claro para todos o porquê de não existir dinheiro para essas obrigações constitucionais do estado brasileiro. 

É que o dinheiro arrecadado através dos impostos que pagamos, ao invés de ser destinado para melhorar as condições de vida de todos os cidadãos brasileiros, está sendo direcionado em mais de 50% para o pagamento das nossas dividas internas e externas que sem exceção todos os governos, desde Fernando Henrique Cardoso sem exceção vem mantendo um progressivo endividamento do estado brasileiro, a ponto de hoje as nossas dívidas terem crescido exponencialmente e de tal forma que, quanto mais pagamos, mais ficamos devendo e já se aproxima dos 90 % do nosso PIB, importando em já quase cinco trilhões de reais.

Em toda dívida publica geralmente há dois componentes que necessitam ser analisados. O estoque, que é o seu tamanho em relação ao PIB; e o seu fluxo, que são os seus respectivos períodos de vencimento. A nossa dívida é mais preocupante pelo seu fluxo do que pelo seu estoque, até porque existem muitos países que apresentam dívidas bem maiores que o seu próprio PIB como o Japão, a Itália e os EUA. O nosso problema maior é o fluxo, pois o Banco Central do Brasil vem sistematicamente fazendo operações compromissadas que inclusive é uma prática bastante comum entre os diversos bancos e não com um Banco Central no montante de um trilhão e cento e oitenta bilhões de reais, com vencimento máximo entre quatro e cinco dias e com taxas de juros totalmente desconhecidas do público.

Eu trabalhei no BB e sei o que isso significa em termos de pagamentos de spreads que é o nome que se dá aos juros dessa modalidade de empréstimo que os bancos geralmente fazem entre si. Esse volume de recursos é tal que implica em aproximadamente 23,6 % do montante de nossa dívida pública e com vencimento em apenas cinco dias e taxa de juro ou spread desconhecida, significando que, nenhum ajuste fiscal que se possa fazer, vai minimizar a situação dificílima de nossa economia que está indo a cada dia que passa mais e mais para o buraco da inadimplência.

O que por acaso se deve fazer, não pagar? É claro que não, pois essa dívida significa simplesmente a poupança de nossa sociedade e o Brasil não pode fazer isso porque seria a quebra de contratos o que não seria nada bom para um país que se encontra economicamente no estado do nosso. Há, porém, o que fazer? Há sim! Basta se promover uma auditoria de toda a dívida para se saber como esses empréstimos foram realmente feitos, qual a sua real necessidade e depois o que restar, será devidamente honrada e o seu fluxo alongado de tal forma que o país possa pagar sem contudo sacrificar as suas despesas principais com saúde, educação, segurança, etc. e tal. 

Por que isso deve ser um assunto prioritário para o próximo governo? Porque se não for assim não haverá solução para o Brasil e qualquer presidente que se eleger e não tocar nesse ponto mais que nevrálgico de nossa economia, se desmoralizará antes da metade de seu mandato. E é aí que entra a racionalidade no sentido de se escolher o candidato mais capacitado e também comprometido com as maiorias abandonadas desse tão injusto país que até agora, afora o Lula que está preso e a Dilma no primeiro mandato e que fora posta para fora do cargo no segundo mandato justamente para o Lula não voltar, nenhum outro presidente após a redemocratização, se preocupou com os problemas reais do Brasil e de seu povo sofrido. 

A meu ver, a sociedade brasileira precisa urgentemente se orientar bem mais antes de votar, no sentido de procurar eleger como o nosso futuro Presidente o candidato mais preparado e corajoso de todos esses candidatos que estão aí pedindo votos para enfrentar tal situação que precisa ser urgentemente solucionada sob pena desse nosso país entrar num colapso bem maior com o aparecimento de revoltas populares, atentados como o que ocorreu com o Lula em sua caravana e agora com o Bolsonaro, podendo, inclusive, descambar para coisas bem mais degradantes.

E o pior de tudo é que totalmente consciente dos gravíssimos problemas do país, muitas e muitas vezes ao acordar nas madrugadas, fico pensando o que será de mim que estou sobrevivendo com os recursos de minha aposentadoria com a possibilidade de qualquer dia do próximo ou dos próximos anos, quando passar o cartão no caixa eletrônico do Banco para retirar os meus proventos a máquina simplesmente dá um aviso, dizendo: Sentimos muito, mas essa modalidade de saque, infelizmente, não é mais permitida!

Ante tão dantesco quadro, o que eu e tantos outros milhões de brasileiros na mesma situação irão fazer para sobreviver? Com a palavra, os plutocratas e seus representantes políticos que infelizmente não representam o povo, mas que são os verdadeiros donos do poder nesse país! Portanto, procurem enquanto é tempo abrir os olhos para esse aviso porque ainda que vocês sejam aparentemente protegidos pela máquina repressiva do estado, precisam compreender enquanto é tempo que grande parte dos aposentados desse país, são justamente oriundos dessas forças repressivas que, em tal situação, certamente também se voltarão contra vocês.

Eu completei sessenta e nove anos em maio próximo passado e confesso que nunca vivi e nem sequer imaginei uma situação como essa que estamos todos atravessando em nosso país. Descredito geral das nossas autoridades; sessenta e três mil oitocentos e oitenta homicídios em 2017; treze milhões de desempregados; sessenta e três milhões de pessoas com o nome sujo no SPC e Serasa; quase cinco trilhões de dívida pública; duzentos e vinte mil pontos de comércio fechados; treze mil fábricas desativadas; empresas com dois trilhões de dívidas nos bancos e com já quase seiscentos bilhões marchando para créditos em liquidação duvidosa; taxa de juros exagerada; câmbio problematizado com o dólar supervalorizado; desindustrialização do país; queda significativa dos preços de nossas commodities; violência generalizada e, por último, ausência de fé, esperança e entusiasmo numa mudança de curto prazo que interesse a todos indistintamente. 

Pois é justamente essa tão triste e fastidiosa realidade que nos caracteriza como uma nação atualmente em perigo, visto o volume de riquezas naturais que abriga o nosso território. O Brasil está situado hoje entre os primeiros e os terceiros lugares mundiais em quase todos os quesitos que um país necessita para ter sucesso no atual jogo geopolítico mundial. Temos mais água que todos os outros; minérios das mais diversas importâncias estratégicas; milhões de hectares de solos agricultáveis ainda não explorados; climas tropicais e subtropicais possibilitando a produção de múltiplas culturas diversificadas; temos insolação mais que suficiente; ventos abundantes e variados; chuvas suficientes nas regiões mais produtoras; irrigação de grandes áreas ocupadas com fruticultura; maior produtor de proteína animal; maior produtor de grãos e por fim a maior diversidade biológica do planeta. 

Apesar de a natureza ter nos brindado com tantas riquezas naturais aliados a alguns setores de nossa economia como o industrial no passado e o rural no presente terem se organizado para nos dar tão significa resposta produtiva, em contrapartida, a elite que comandou esse processo, ancorada num inusitado tipo de egoísmo selvagem, conseguiu cooptar os poderes da república, produzindo, concomitantemente, a maior concentração de renda da história do capitalismo mundial. 

Mesmo que durante muitas décadas seguidas tenhamos apresentado ao mundo um aumento significativo de nossa renda per capta sinalizando com isso melhoria de nossas condições de vida, entretanto, a nossa concentração de renda foi e continua sendo de tal magnitude que esse aumento na nossa renda per capta não significou quase nenhuma melhora nas condições de vida de nosso povo, haja vista que, nesse país, cinco dos grandes empresários ricos apresentam um rendimento igual a outros cem milhões de brasileiros pobres. Infelizmente, essa nossa imoral realidade econômica não mais existe nem na África Subsaariana que é uma das regiões mais pobres do planeta Terra. 

Daí que, esse caldo surrealista de contradições de nossa conservadora sociedade que vem se sedimentando com sucessivos sentimentos de decepção criando um descredito geral da população na política, fato que pode muito bem explicar o fenômeno sócio-político que está tão presente em nossa sociedade e que certamente estará presente também no resultado dessas eleições de outubro que se aproxima. 

Ou seja, ante o progressivo descredito do segmento político acirrado constantemente pela mídia mais que manipuladora desse fenômeno, resultou numa general revolta com os políticos o que está catapultando a campanha de um político que é político mais que por estratégia de manipulação de massas diz que não é, assumiu um irresponsável papel como se fosse um ator, utilizando-se de frases feitas e solenemente prometendo resolver todos os problemas que incomodam essa população. 

Eu já vi esse velho e surrado filme na época do Collor, quando a maioria da população brasileira também manipulada por frases de efeito ou palavras de ordem, se encantou com o falso caçador de Marajás que, infelizmente, deu no que deu. Portanto, não são simplesmente com bravatas que se resolvem os múltiplos e complexos problemas de uma nação que se encontra no fundo poço como está a nossa não. É preciso mais competência, eficiência, coragem e conhecimento de todos os fenômenos que ocasionaram tal situação, aliados é claro, a um projeto nacional de desenvolvimento econômico e social que nos forneça um azimute nos guiando verdadeiramente para um porto seguro.

De todos os candidatos que analisei seus programas de governo e foram todos os mais bem postados nas pesquisas eleitorais, somente senti objetividade no programa do nosso conterrâneo Ciro Gomes, porque ele ataca direta e objetivamente todos os gargalos que vem obstruindo o nosso desenvolvimento. Quer seja na criação de empregos, no combate ao déficit fiscal, na taxa de juros, no câmbio, nas dívidas internas e externas, nas desonerações fiscais, na taxação mais progressiva para os ricos pagarem mais impostos e os pobres menos, na reindustrialização do país, na exploração das riquezas nacionais, na reconstrução das obras paralisadas, no saneamento básico, na construção de moradias, na retomada de nossas empresas estatais vendidas a preço de banana, na reconstrução do pacto federativo, na moralização da administração pública e por fim, numa política externa que nos leve a assumir o merecido protagonismo global que o país tanto merece e necessita. 

Com a palavra, o então povo brasileiro que têm em suas mãos a arma o título de eleitor para votar racionalmente beneficiando primeiramente ao país e depois a ele próprio, ou votar irracionalmente se guiando por impulsos agressivos ou palavras de efeito e tendo como pano de fundo apenas uma singular revolta que, mesmo a gente sabendo que é procedente, é inócua para uma real resolução de todas as nossas mazelas econômicas e sociais.

Mas, precisa ser dito também que o candidato Ciro Gomes tem também nessa eleição as seguintes forças econômicas e políticas contra ele e o povo que ele pretende libertar: a Rede Globo, o Estadão, a Folha de são Paulo, o Mercado Financeiro representado pelos Bancos e investidores internacionais, todos os outros candidatos, os Empresários da Indústria, Comércio e Agronegócio, a CIA Americana, a Revista Veja, a Rádio Jovem Pan e a CBN, os Partidos de Direita, o PT e o próprio Lula que tem projeto de poder e não de país e, por último, a geral despolitização de parte de nossa classe média que desorientada pela maciça ideologia neoliberal, não consegue enxergar que a pregação de Ciro Gomes é justamente no sentido de fortalecer ainda mais essa classe e a dos trabalhadores em geral e contra os rentistas que estão destruindo esse país. Quanta ignorância, meu Deus!.... 

Emílio.
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