domingo, 8 de julho de 2018
Por: Emílio Oliveira
Quando eu estava completando vinte anos de idade, o meu tio e poeta Geraldo Gonçalves de Oliveira, irmão de meu pai, escreveu na orelha de um caderno meu onde solenemente guardava as letras em inglês das músicas que mais me agradavam dos Beatles, a seguinte frase que ainda hoje guardo na minha memória: “A Juventude é a idade das ilusões, dos sonhos de das quimeras que vão se desanimando através dos anos vividos, quando a criatura humana pela experiência própria compreende que tudo foi mera ilusão e depois nada”. 

Essa semana fui surpreendido com um vídeo posto no YouTube num Programa denominado de GROSSSOS EM DEBATE, aonde me censuravam primeiramente porque chamara um jovem dessa cidade de moleque, depois que dissera que o valor do dólar era determinado por Wall Street que, segundo essa pessoa que me censurou, era uma cidade da Alemanha e que não tinha nada a ver com o dólar. E, por último, que eu contestava o seu candidato, mas não era uma boa referencia nesse sentido pelo candidato que eu escolhera para votar para prefeito na última eleição, chegando inclusive a indiretamente me responsabilizar pelo que vem acontecendo com a atual administração na nossa cidade.

Primeiramente eu gostaria de afirmar que eu fui convocado pelo Secretario de Cultura de Grossos para me fazer presente em uma reunião na Casa da Cultura local porque um velho amigo convidado que foi, vinha falar sobre os incidentes durante a sua prisão e de sua esposa e do que ocorrera com ela que numa das muitas cessões de tortura porque covardemente passou, foi morta pelos agentes da ditadura militar que por longos vinte e um anos se instalou nesse país. E como independente de qualquer ideologia política somos bons amigos, fui revê-lo e conversar um pouco com ele sobre as coisas da vida o que sempre me fez muito bem, apesar de em alguns aspectos discordar frontalmente dele.

Eu fui nessa reunião da Casa da Cultura no sentido de receber um velho amigo e lá me passaram a palavra coisa que nem sequer me preparará para fazê-lo e juntamente com outros amigos que também estavam presentes no local, o apresentei aos jovens estudantes presentes, haja vista que eu o tinha conhecido bem antes de todos ali presentes, justamente quando como Chefe do Departamento Municipal de Educação que hoje é chamado de Secretario, por informação de que ele era um excelente professor e realmente era, o procurei para ensinar Literatura Brasileira na Escola de 2° Grau Professor Manoel Hermínio da Silva que eu e meu pai que era o prefeito, acabávamos de criar aqui na nossa cidade.

Pois bem, o apresentei ao público local e comecei a falar das coisas erradas que eu vejo no meu país que é um dos mais ricos do mundo em riquezas potenciais, mas na realidade tão cruel para o seu povo sempre pobre e sofrido. Perguntei aos jovens presentes se era justo o trabalhador com seu profícuo trabalho fazer tudo e não ter direito a quase nada para sobreviver com a sua família e até mesmo no dia fatídico de sua morte era preciso a sua família humilhada ir pedir ao prefeito local uma urna funerária para enterrá-lo condignamente. 

Foi aí que esse jovem interrompeu a minha fala quando eu disse que quem estabelecia o preço do dólar americano no mercado mundial era Wall Street e que ele hoje era mais uma farsa que realidade, pois desde a quebra unilateral em 1971 da paridade do ouro com o dólar pelo presidente americano Richard Nixon, paridade essa que foi estabelecida em julho de 1944 durante uma reunião das forças aliadas na cidade americana de Bretton Woods no Estado de New Rampshire, ele, o dólar, passou a ser um simples papel pintado ou uma moeda fiduciária sem nenhum lastro que não fosse a invencível máquina de guerra dos EUA.

Na linguagem econômica, quando a gente quer falar sobre riquezas em moedas gerais e inclusive o dólar americano sempre se fala no número 11 da Wall Street que é uma das ruas da Ilha de Manhattan em Nova York, onde se encontra localizada a maior Bolsa de Valores do mundo que a de New York e com o título em inglês de: New York Stock Exchange ou mais conhecida com NYSE e que foi criada em 1972. Porque eu falei Wall Street, esse rapaz disse no seu vídeo que essa cidade que eu falei era uma cidade do interior da Alemanha, onde havia funcionado durante a segunda guerra mundial um campo de concentração. 

Mas enfim, porque eu falei em Wall Street? Eu simplesmente disse que o valor do dólar a nível mundial era estabelecido a partir de Wall Street porque ali naquela rua onde se encontra a famosa Bolsa de Valores de New York havia muitos garotos inteligentes assim como ele e não moleque como ele afirma no seu vídeo que ficavam diante das telas gigantes de computadores arbitrando onde os juros eram maiores para com um simples toque de tecla retirar dinheiro investido em um país carente para alocá-lo em outro país desde que esse outro país ofereça uma taxa de juros maior e isso era uma crueldade econômica que se vem fazendo com os países mais pobres, fato que está inviabilizando a economia de todo o planeta.

Falei também sobre o neoliberalismo que quebrou toda a Europa, a América Latina e até mesmo os EUA que em 2008 também quebrou feio (bancos privados e indústria automobilística) com o estouro das bolhas imobiliárias e o governo americano teve que introduzir no velho “mercado” que, nas suas cíclicas emergências, sempre precisou do apoio financeiro dos governos de seus respectivos países, fato que aqui no nosso é ideologicamente satanizado ou pelos inocentes ou interesseiros que representam esse tão desumano e impiedoso “mercado”.

Torna-se claro que o mercado a que referia ali não era o dos agricultores do agronegócio e nem tampouco o da produção industrial, porque esses sim precisam ser incentivados, mantidos e até ajudados, o mercado a que me referi é o “mercado financeiro” que não investe em produção para gerar emprego, renda, imposto e desenvolver a economia de um país qualquer, mas simplesmente para obter lucros, lucros e mais lucros. 

Por exemplo: vamos supor que a Guatemala que é um pequeno e pobre país da América Central tem aplicado na sua bolsa de valores em títulos do governo um capital de 500 milhões de dólares em sua economia. De repente, o juro da Malásia por um motivo qualquer sobe abruptamente e esses garotos a que me referi vê na tela gigante que o juro lá está bem maior e imediatamente transfere esse valor para a Malásia, gerando um rombo nas contas da Guatemala, com reflexos altamente negativos em toda a sua economia e principalmente fazendo com que o dólar lá dispare o seu valor, o que vai para os preços de todos os produtos e assim sacrifica toda a população daquele pequeno país. 

Foi isso o que eu quis dizer a esse rapaz que me acusou publicamente de chamá-lo de moleque coisa que jamais fiz com ninguém durante toda a minha já longa vida. Inclusive tenho o áudio de toda a minha fala aqui comigo para provar o que estou dizendo. Se eu fosse uma pessoa que guardasse alguma mágoa de alguém no coração eu poderia inclusive prejudicá-lo, mas graças a Deus eu atingi uma idade em que o mal já não me manipula mais porque mesmo algumas vezes tendo sido obrigado pelas circunstancia a ser firme em minhas posições não levando nenhum desaforo para casa, a vida me ensinou que bom mesmo é está com a consciência tranquila de quem sempre lutou em defesa da honra e da dignidade de todos.

Outro ponto que ele também tocou em sua fala no vídeo é que eu fico criticando o seu candidato, mas não sou uma boa referência nesse sentido, em virtude de ter votado na última eleição na atual administração municipal.

Eu posso até está engando e até gostaria de estar e se estiver que me desculpem todos, mas essa aí, pelo que eu conheço dessa ainda tão iludida Cidade de Grossos, antes de sua fala, ele deve ter sido estimulado ou até mesmo induzido por alguém, a falar o que falou. Para começar, eu afirmo categoricamente que na última eleição municipal eu não votei no atual prefeito, mas sim no candidato que tinha uma oradora mais que convincente, a sua esposa, que foi quem conseguiu me convencer, mesmo sabendo que iria perder, a votar no seu marido. 

Entretanto, na eleição de 2012, eu não somente votei como também trabalhei e muito, além de toda a documentação dos candidatos da coligação que foram feitas nos meus computadores e na minha casa, fiz também músicas, dei credibilidade e um rumo mais objetivo a campanha com um discurso coerente e inclusive baseado nos projetos que tinha quando ainda era um pré-candidato, ajudei também com algumas pequenas ofertas em dinheiro, com o pagamento parcial do ônibus para carregar pessoas nos comícios, consegui sal com empresários da região, principalmente com aqueles que tinham prometido me ajudar caso eu tivesse sido candidato, além também de ter levado os votos de parentes e alguns amigos que politicamente sempre me seguiram.

Fiz tudo isso e faria tudo novamente e sabe porque?. Porque eu ajudei a todos os candidatos dos diversos políticos dessa cidade por muitos anos e todos eles sempre me davam a esperança de que eu um dia eu seria o candidato apoiado por eles. Entretanto, o tempo passou e eu tive que enfrentar uma verdadeira guerra no meio das ruas dessa cidade para defender um deles, brigando com um microfone na mão, enfrentando democraticamente até mesmo a polícia que fora autorizada a cercar a casa do povo, escrevendo textos e gravando em áudio para que a cidade tomasse conhecimento do esta se passando, idealizando e fazendo pesquisa eleitoral porque sabia que os eleitores da oposição por falta de clarividência política de seus líderes se recusariam a votar e o nosso povo votaria em massa, fato que mostrou as autoridades do estado, quando foi divulgado nos jornais de maior circulação da região que o nosso prefeito não devia se afastado porque nem havia motivo para tal e nem tampouco a maioria do nosso povo desejava que acontecesse.

Como eu gosto sempre de falar a verdade, eu nem sei se isso teve alguma importância real naquela batalha que com tanta coragem e bravura travamos juntos. Eu apenas procurei dentro de minhas limitações que eram muitas, mostrar ao povo de Grossos e de todo o Rio Grande do Norte que o único motivo para a oposição fazer o que estava tentando fazer com um prefeito que era um homem honesto e também até certo ponto inocente, era a velha busca desenfreada pelo poder. O que mais me magoou não foi como alguns pensam não ter sido candidato não, até porque graças a Deus nunca precisei ser prefeito para viver bem e com dignidade.

O que eu lamentei e fui obrigado a me juntar com a oposição que há doze anos eu criticava, foi o fato de nem sequer saberem conversar comigo souberam durante a reunião que decidiu quem seria o candidato do grupo naquela eleição.  Alguém do grupo inclusive que eu ajudara e também me ajudou quando fui candidato disse que quem tinha votos era o candidato indicado por ele e não eu.

Eu entendi como isso que estavam me dizendo que como eu não tinha votos que ficasse enfim na minha insignificância política e, por essa forma descortês de ser tratado, foi que eu procurei o outro lado que reconheço que não também merecia e que igualmente me puxou o tapete e eu sabia que iam me puxar e queria apenas constatar o que meu velho e experiente pai me dizia e eu não acreditava - talvez até porque sempre fui grato a todos quanto me ajudaram - que fazer política com seriedade, sem mentiras e sem enganar e nem trair ninguém, nunca se obtém sucesso e ele tinha razão. 

Apesar de eu ter lido e relido Maquiavel que disse em seu mais famoso livro O Príncipe, que qualquer que fosse um príncipe jamais ele deveria manter a palavra, pelo fato de eu nunca te enganado ninguém nem sequer minha mulher que é quem o homem primeiro engana, talvez os outros também fossem como eu. Ledo engano! 

Todavia, gostaria que ficasse bem claro aqui que mesmo com todo esse desabafo que era mais que necessário ser feito, não guardo mágoa de ninguém, até porque cheguei a conclusão de que se tivesse sido prefeito também teria me corrompido e assim, porque Graças a Deus não fui, vou morrer sem enganar a ninguém. 

Para quem entendeu o que eu quis dizer deve ter compreendido que o que eu fiz qualquer um faria a mesma coisa, até porque nunca se deve humilhar a um homem. Eu não me arrependo do que fiz e se tivesse oportunidade faria tudo de novo. Entretanto, para concluir o assunto sobre esses incidentes que há muito já cicatrizaram, naquela campanha, eu não perdi nada. Ganhamos e era o objetivo maior, meu irmão Afrânio se elegeu vereador e chegou inclusive a ser Presidente da Câmara Municipal, coisa que nós sequer imaginamos. Portanto, eu não perdi nada a não ser a chance de ser prefeito que, com certeza, teria sido mais um flagelo na minha vida.

Por último, gostaria apenas de dizer ao rapaz que me acusou de tê-lo chamado de moleque, o que eu não fiz, que pode ficar tranquilo que de minha parte não restou nenhuma ressentimento contra ele, até porque durante a minha fala o que fiz mesmo foi elogiar a ele e a seus outros amigos aqui da nossa cidade, dizendo inclusive que eles são uns rapazes inteligentes, e que também eu na idade deles também acreditava que as brilhantes ideias do Mises e do Haiek, ambos da Escola Austríaca de Economia, poderiam ser realmente implantadas num sistema capitalista selvagem como esse nosso. Não pode e somente o tempo vai dizer a eles. A pena é que quando esse tempo se manifestar e chegarem todos à mesma conclusão que eu, não estarei mais aqui para assistir de camarote.

Hoje acredito que para o Brasil que ainda não resolveu seus principais problemas na área de habitação, saúde, educação e saneamento básico, possam se concretizar bem mais com a implantação das ideias de outro grande economista húngaro Karl Polanyi que em seu livro a Grande Transformação se aproxima bastante das ideias do também grande economista inglês John Maynard Keynes que com o seu keynesianismo, sempre colocava o estado como locomotiva para o desenvolvimento econômico e social dos povos em crise, fato que aconteceu com o próprio EUA em 1929 através do New Deal, e também com toda a velha Europa, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o Welfare State.

Portanto, em países por se construir como ainda se encontra o nosso, o neoliberalismo puro pregado pela extrema-direita que somente pensa em seus lucros, jamais vai resolver os problemas fundamentais de emprego, moradia, renda digna, saúde e saneamento básico para todos. Necessitará evidentemente de um estado empoderado e coadjuvado pela universidade que faça as mediações necessárias ao equilíbrio macroeconômico do estado e este celebrando uma coesão entre quem trabalha e produz e contra os que apenas parasitariamente especulam, que são justamente os que estão inviabilizando o país. Tenho dito!...

Emílio.

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