domingo, 17 de junho de 2018
Eu resido numa pequena cidade do interior do Rio grande do Norte, mas como tal ela estatisticamente representa uma pequenina amostra de como realmente se comporta toda a sociedade brasileira. Apesar de o nosso povo ser um pouco mais inteligente que a média, todavia, igualmente ao povo de todo o país, não prioriza muito o conhecimento e, esse fato, cá para nós, pelo menos tem uma explicação. É que os nossos antepassados, quase todos praticamente semianalfabetos, não priorizavam os estudos de seus descendentes.

A prova maior dessa tese é que, por exemplo, Pau dos Ferros, que é uma cidade que fica localizada na Mesorregião do Oeste Potiguar, há mais de oitenta anos atrás já havia formado médicos, engenheiros, advogados, juízes, promotores e outros tipos de profissionais, enquanto a nossa pequena Grossos, somente agora é que conseguimos formar dois ou três médicos, uns quatro ou cinco advogados, outro tanto de engenheiros, nenhum juiz e nenhum promotor ou representante do ministério público como se chama hoje.

Porém, igualmente a tantas outras cidades do Brasil, tanto lá quanto cá, também ainda não surgiu ninguém que se destacasse em qualquer setor do conhecimento científico, embora que haja conterrâneos e conterrâneas nossas também já caminhando nessa direção. Torna-se claro que não estou aqui querendo usar Pau dos Ferros como exemplo diferenciado do Brasil não, pois no fundo é tudo a mesma coisa e quero simplesmente dizer que, pelos menos lá, nesse sentido, eles foram bem mais precoces que nós. 

Só que tem uma explicação racional para esse fato. É que os que estudaram mais precocemente lá, geralmente eram os filhos dos poucos senhores proprietários de terra que lidavam com a agropecuária e dessa forma tinham bem mais condições financeiras que o nosso povo aqui, quase todo formado por pessoas sem nenhum patrimônio pessoal que não fosse o da sua própria força de trabalho que, para sobreviverem, a vendiam por pouco mais ou nada aos poucos patrões que se dispunham a comprá-las. 

O problema que quero evidenciar aqui é que, mesmo ante tantas digressões, a maioria do povo brasileiro, dos mais diversos quadrantes da nação, não se preocupou com o seu ontem, com o seu hoje e nem tampouco com o seu amanhã. O país todo sendo esquartejado e entregue rapidamente aos grandes interesses nacionais e internacionais e a maioria do povo não está nem aí para o que vem rapidamente acontecendo. É como se fosse uma espécie de letargia e/ou indiferença geral que está atacando esse país e deixando seu povo indiferente ao que estão a tão larguíssimos passos, fazendo como ele. 

É com pesar e tristeza que vejo alguns jovens do presente que certamente não viveram os dias negros da ditadura militar como eu vivi, inocentemente pedindo uma urgente intervenção militar no país como se isso fosse resolver todas as nossas pendengas políticas e sociais - ao invés de pedirem mais democracia e mais justiça social, votando não mais nos candidatos tradicionais e sim nos mais limpos e com vocação política para realmente servirem a nação e a povo e não mais aos espúrios interesses de grupos lobistas que representam apenas os velhos e carcomidos interesses da plutocracia local e internacional. 

Já foi retirado dele, o povo, diversos direitos adquiridos através da CLT aprovada desde o tempo do grande Getúlio Vargas que assegurou ao trabalhador brasileiro um salário mais ou menos digno, proteção de possíveis acidentes no trabalho e principalmente a garantia de uma velhice mais tranquila através da conquista de uma aposentaria que não lhe deixasse morrer desassistido e a mingua quando não pudesse mais trabalhar. Parte significativa desses direitos, a velha e cruel doença da humanidade chamada de ambição desmedida, já conseguiu extinguir e, se esse despudorado arrocho continuar, o trabalhador brasileiro vai terminar sem ter com que, pagar, para poder trabalhar.

O que realmente mais me incomoda nessa realidade que estamos todos vivendo é a total indiferença com que tal realidade está sendo tão rapidamente implantada, mas sem a menor reação dos que mais serão penalizados que são todos os trabalhadores brasileiros. Infelizmente, os donos dos meios de produção estão mais que equipados para não receberem em contrapartida ao que estão fazendo com quem trabalha e produz, nenhuma espécie de reação. Também né, eles controlam a ferro-e-fogo os meios de comunicação de massa que, cada vez mais me dou conta de que, na verdade, são mesmo é meios de alienação de massa.

A mídia que dolosamente desinforma a todos representa, em toda a sua extensão, o que os economistas alinhados com o neoliberalismo chamam orgulhosamente de “mercado”. É visível que para a mídia - o que interessa num país qualquer não é cuidar da saúde, da educação, da segurança, da moradia e do emprego de seu povo não, mas simplesmente de ser serviçal aos interesses maiores do “mercado financeiro” que ela apresenta quase como se fosse um verdadeiro Deus. 

A gente ouve e vê todos os santos dias nos noticiários das tradicionais redes mistificadoras de rádio e televisão que o país precisa se alinhar com o mercado, porque se não for assim o dólar vai subir, o desemprego vai crescer e as empresas não vão mais investir no país e dessa forma a economia não vai crescer. Crescer para quem? Para o povo desempregado, sem perspectivas e nem sequer mais esperanças de dias melhores ou para uma casta de rentistas que vivem única e exclusivamente da especulação financeira que a cada dia enforca mais e mais o país e sua economia? 

Atualmente o país todo está sendo desmontado para si mesmo e seu povo sofrido e ninguém faz nada e/ou se preocupa com o que está rolando por aí afora. Também, né? Temos o futebol que é largamente estimulado pela mídia que ocupa as nossas mais importantes preocupações, temos os heróis torcedores do Flamengo, do Corinthians, do Palmeiras e vários outros times de futebol pelos quais nós torcemos, brigamos e chagamos até mesmo a matar os que não torcem pelos nossos times, além ainda das badaladas e divertidas novelas que com seus dramas existenciais enlevam os nossos mais puros e também os mais negros sentimentos, temos ainda os Big Brother da vida, então par que nos preocupar com as coisas chatas da vida diária e da política onde somente tem mentiras e ladroagens?

Uma vida qualquer sempre será edificada ou construída por múltiplas ações e reações e um povo que demonstra claramente não esboçar qualquer reação quando realmente se torna necessário, não constrói nem mesmo um futuro para si mesmo, por mais modesto que ele possa parecer. Muitas vezes eu acordo na madrugada e não conseguindo mais dormir, fico me perguntando o que fizeram com esse país e seu povo que com o tempo se tornou tolerante até demais? 

Infelizmente, a despolitização que tão poucos conseguiram impor a toda a sociedade brasileira foi tamanha que aprovariam hoje facilmente no Congresso Nacional qualquer coisa que se constitua contra o país e o seu povo, sem a mínima e qualquer espécie de contestação. Se eles acharem quem realmente se habilite a comprar, mesmo que abaixo dos preços de “mercado”, venderão todas as nossas estatais estratégicas que são um patrimônio de todos nós e o Congresso brasileiro na expressão de sua maioria que já não representa mais a vontade soberana de toda a nação, aprovará sem nenhuma ressalva e alguns de nossos ditos representantes chegarão até mesmo a comemorar tão desqualificado e vergonhoso ato.

Essa enfim é a mais triste das realidades negativas que fomos levados a viver depois de cinco séculos de tantas histórias mal contadas. Estamos vivendo e trabalhando somente para satisfazer os interesses mercadológicos de meia dúzia de cidadãos ricos que a cada dia ficam mais ricos, enquanto a nação agoniza ante tão esdrúxula e inusitada situação. Aqueles poucos que corajosamente ainda se aventuram a tocar mesmo que de leve nessa velha ferida que nunca cicatriza, ainda são responsabilizados perante a nossa mídia, pela eventual subida do dólar e/ou do desaquecimento da nossa economia.

Para onde se olha pode-se claramente perceber a mais que sintomática inversão de valores que infelizmente predomina no país e o nosso povo, como sempre, continua indiferente ao que está acontecendo e dormindo o tranquilo sono dos anjinhos que inocentemente ainda sonham com o paraíso. Sou aposentado e como tal começo a me preocupar com o futuro, pois já começo a antever o dia em que passarei o cartão no caixa eletrônico do Banco e os meus proventos de aposentado pelos quais paguei por tantos anos de minha vida de trabalho ativo, não estejam mais disponíveis. 

Por isso, irmãos brasileiros, vamos todos acordar enquanto é tempo de ainda possuirmos uma nação e gritarmos com a força de nossa mobilização e do nosso patriotismo que basta de tantas regalias para tão poucos e somente sofrimento, desemprego, dívida, sacrifício, fome, pobreza e miséria, para a maioria absoluta de nossa população que já está chegando aos 210 milhões de habitantes e que necessita urgentemente de casa para morar, terra e condições para plantar e produzir, comida para todos, emprego digno e decente, justiça social e penal igual para todos, política honesta sem mentiras e enganação e a certeza da idealização e implantação de um sólido projeto nacional de desenvolvimento econômico que aponte para um azimute que nos levará a todos num próximo futuro, a concretização de nosso mais que justo desejo. Tenho dito!...

Emílio.
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