domingo, 20 de maio de 2018
Por: Emílio Oliveira

Estamos todos vivendo uma época muito difícil nesse nosso tão amado e sofrido país. Torna-se claro aqui que, quando falo todos, refiro-me evidentemente àqueles brasileiros mais patriotas e mais comprometidos com urgentes e necessárias transformações sociais, políticas e econômicas que venham a ser mais includentes e justas para a maioria de nosso povo cada dia mais subjugado, manipulado e explorado pelas nossas apátridas elites econômicas sempre mancomunadas com as elites financeiras alhures.

E, infelizmente, esse tão repelente e vil processo de lesa-pátria tem sido uma constante na nossa mais que violenta história política, fato que nos tem levado aos tão conhecidos e tradicionais golpes de estado, os quais têm sido sistematicamente praticados para justificar os retrocessos evolutivos que por acaso a nossa ainda tão atrasada sociedade tenha conseguido estabelecer nos pequenos períodos de intervalo dessas repetitivas cisões, que somente têm beneficiado a classe endinheirada do país.

Desde o ano de 1988 quando foi votada, aprovada e sancionada a nova Constituição que o grande Ulisses Guimarães chamou-a de cidadã para o último golpe de 2016, passaram-se apenas 27 anos, o que para o tempo histórico de uma nação qualquer é considerado como insignificante. Nesse tão curto período histórico desse Brasil, dois dos cinco presidentes eleitos pelo voto da maioria do povo brasileiro, foram golpeados através do já tão tradicional para nós impeachment, que significa impedidos de governar.

Portanto, o que deveria ser uma exceção à regra, para nós, infelizmente, está virando pura rotina. É a rotina dos interesses do povo trabalhador? Claro que não! Os golpes no Brasil têm se transformado numa rotina simplesmente para salvaguardar os espúrios interesses de suas elites econômicas. O Collor, por exemplo, porque ele foi impedido de governar? Terá sido porque assim que tomou posse iniciou logo um trabalho no sentido de precarizar o trabalho e diminuir os salários dos trabalhadores? Também não!

Ele foi impedido porque na sua pujante juventude e inexperiência administrativa se aventurou a prender por tempo indeterminado no Banco Central do Brasil a dinheirama da plutocracia nacional e com isso cometeu na visão deles o imperdoável crime de lesa-patrimônio dessa gente que estava ganhando rios de dinheiro com a inflação que funcionava mais como uma espécie de imposto regressivo que até então retirava de forma legítima o pouco dinheiro dos pobres para repassá-lo para os mais ricos e abastados desse país. Esse foi o motivo real de seu tão solicitado e propalado impedimento, afora, evidentemente, a outros crassos erros que ele também cometera. 

Já com a presidenta Dilma os motivos foram mais externos que internos, pois o Brasil tal como um país periférico no tempo do Lula se aventurou a querer construir um protagonismo global que o nosso Império da águia geralmente não permite, embora que internamente também tenha contribuído os interesses postergados de nossa atrasadíssima burquesia nacional que, pelo voto do povo, vinha sistematicamente amargando consecutivas derrotas e ficando já por muito tempo fora das decisões de poder. 

Para isso, a presidenta Dilma precisava ser impedida e o Lula também proibido de ser candidato e voltar ao poder, pois se isso não fosse construído até as proximidades da eleição, certamente que o Lula voltaria e ficaria mais difícil ao Império: a futura apropriação do Pré-Sal, da Base de Lançamento de Alcântara, dos Aquíferos Saga e Guarani, da Biodiversidade da Amazônia, do Nióbio, da Embraer, do estancamento do Projeto Submarino Nuclear e, por último, do fortalecimento do BRICS que evitaria a manipulação via empréstimos pelo Banco Mundial e pelo FMI das economias não somente do Brasil, mas também de toda a América Latina.

Esse foi o verdadeiro motivo do último golpe de 2016, visto que essa é a única agenda que interessa ao mercado financeiro mundial e que coincidentemente se coadunou também com a espúria agenda interna da nossa antipatriótica plutocracia, agendas essas que logo se amoldaram, tal como uma mão numa luva de mesmo tamanho. Infelizmente, essa tem sido sempre a nossa trágica história, a qual vem se repetindo com o passar do tempo e que criminosamente tem nos roubando o protagonismo global que o Brasil mais que merece por ser um dos países mais ricos do mundo em riquezas potenciais, mas que, em função da total indiferença dessa nossa rica e ao mesmo tempo tão pobre gente que secularmente vêm expropriando a nossa pátria nos seus mais sagrados e reais interesses nacionais.

Ante tudo isso que precisava ser dito para poder entrar no que realmente interessa, vou agora falar sobre as nossas esquerdas que, mesmo ainda com um significativo capital eleitoral, porém, dividida em várias fações, corre um sério risco de perder a eleição que se avizinha. Quanto à direita, como sempre sem voto para ganhar uma eleição onde o povo tenha que decidir, desconfia seriamente que pode perder a eleição, mas, ao mesmo tempo, fica na esperança da velha e tradicional divisão da esquerda no primeiro turno, para como sempre, chegar com o seu candidato no segundo turno. 

Sempre que isso tem acontecido, a gente já conhece o velho filme com o candidato da esquerda sendo demonizado e satanizado ao extremo pela mídia aliada sua aliada e também golpista, o que é um fato perigoso num momento em que o falso moralismo de goela corre solto pelo país afora. E não adianta o candidato de esquerda ser honesto ou não, porque se não tiver defeito eles arranjarão um dos mais cabeludos e, se for preciso, até mesmo com a cooptação de testemunhas falsas que se apresentarão como vítimas nos programas eleitorais.

E como esse tipo de expediente desonesto tem sido tão bem utilizado por essa gente como forma de desgastar os candidatos da esquerda perante uma classe média que, além de lê muito pouco, tradicionalmente têm tido a sua velha cabeça protofascista formatada justamente por esses meios que vêm se constituindo mais de manipulação que mesmo de comunicação. Eis aí, portanto, o perigo da esquerda marchar dividida e desunida no primeiro turno dessa eleição. 

Por isso mesmo é que toda a esquerda e principalmente o PT e o Lula, precisam ter muita clarividência politico sobre o grande risco político que eles estão correndo, ao continuarem com a imposição da candidatura do Lula que certamente não poderá ser candidato. Infelizmente, o PT precisa ter a humildade de fazer uma mea culpa pelos os muitos erros políticos que cometeu no poder e, inclusive, até mesmo do erro maior de não ter preparado um substituto a altura para o Lula para terem que passar pela situação que eles estão vivendo agora.

Na verdade, o PT se engasgou com os avanços políticos que ele próprio implantou na época em que esteve no poder e que, por não ter sabido escolher os personagens certos ou de sua confiança, esta se vendo envolvido nos próprios tentáculos que criou. Sob o ponto de vista político a intenção foi mais que boa e louvável até, mas nunca imaginou que a elite brasileira não perdoaria nem ao Partido e nem ao Lula, pelos significativos avanços políticos e sociais que conseguiram implantar. 

Então, essa estratégica de manutenção da candidatura do Lula pelo PT, poderá redundar num grosseiro erro político que poderá inclusive até destruir eleitoralmente o partido já nessa eleição e deixar o Lula preso, até o fim de seus dias aqui na Terra. E ante tão melindroso jogo de vida ou morte com a nossa já comprovada e perigosa direita, o que está em jogo aí não é somente o PT e o próprio Lula não, mas o futuro de mais de 207 milhões de brasileiros e brasileiras pobres que nunca poderão contar com a solidariedade e a empatia de um presidente eleito pela direita. 

Por isso foi que transcrevi para o título desse artigo a velha e sábia frase popular: “Tanto na política quanto na vida, bom senso e caldo de galinha nunca fez mal a ninguém”. Como venho já algum tempo acompanhando a trajetória de alguns pré-candidatos a presidência da república, vejo como o mais capacitado, com experiência administrativa exitosa por onde passou, inclusive já tendo ajudado ao Lula no seu primeiro governo viabilizando a transposição do Rio São Francisco, ficha limpa, corajoso, patriota, com um projeto de desenvolvimento nacional viável e exequível debaixo do braço e desde 98 sistematicamente ajudando ao PT e seus candidatos, que é o Ciro Gomes.

Ele seria o candidato ideal nesse momento histórico que estamos atravessando, até porque é uma pessoa transparente e que tem se preparado a vida inteira para ser, igualmente ao Lula, um dos mais brilhantes presidentes da República desse por enquanto ainda nosso país. Uma união de todo o grupo da esquerda com ele ainda no primeiro turno, inviabilizaria de vez a eleição de qualquer candidato da direita, até porque a eleição não iria nem sequer para o segundo turno. Além do mais, seria mais fácil para o Ciro dar o indulto ao Lula, até porque ele é do PDT e ficaria mais aceitável para os moralistas de goela digerirem tal fato.

Posso até está errado, e até gostaria estar, mas, salvo melhor juízo, acho que o PT somente poderá fazer o futuro presidente da República se o candidato pudesse ser o Lula o certamente que não acontecerá. Se for qualquer outro candidato escolhido dentro do próprio Partido, ele será destruído pelo ódio da direita no segundo turno, pois corre inclusive até mesmo o perigo de não receber o apoio integral da esquerda que marchou desunida no primeiro turno. Além desses agravantes demonstrados, temos ainda o fato de a disputa ainda ser coberta de ódio aos que não gostam do Lula e amor aos que gostam, evitando-se assim a discussão dos reais interesses do nosso país que nesse jogo de cartas marcadas, está prestes a se transformar numa republiqueta de terceira categoria.

Entretanto, a maioria dos que detêm mandatos legislativos no PT evitam falar nessa possibilidade pelo simples fato de estarem pensando somente neles próprios, pois com o Lula candidato, muitos deles serão puxados pela legenda do Partido com a força eleitoral do Lula. Todavia, os que detêm mandatos executivos como os governadores, estão nos bastidores tentando viabilizar essa união mais que viável e inteligente, visto que eles estão sentindo as dificuldades de administrar os estados praticamente quebrados numa crise econômica sem precedentes na história do país e ainda tendo como agravante a oposição ao governo central.

Então fica na conta do PT e do próprio Lula saber na hora certa usar o sábio bom senso de tomar a decisão melhor para o nosso país e até para eles próprios, afinal de contas o Ciro Gomes tem sido um fiel escudeiro deles e os tem ajudado desde o ano de 2008, quando ele foi candidato a presidente pela primeira vez e no segundo turno, se aliou ao PT e ao Lula. Há quem diga que a gratidão é um sentimento puramente divino e mesmo eu que não sou nem um pouco religioso, também acredito nessa afirmação.

Portanto, a situação está aí posta e eu que também já fui político e até candidato, aprendi perdendo, uma sabia lição: a política tem três fases. O antes, o durante e o depois. Cada uma dessas fases é importante, mas, a mais importante é o antes que é justamente o período da escolha dos candidatos. Quem não souber escolher o candidato certo na hora certa, certamente que perderá a eleição. E se o PT e o Lula perderem a eleição, vai ser o maior desastre na vida de ambos e também do país e de seu povo sofrido. Quem viver verá!... 

Emílio.

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