domingo, 27 de maio de 2018
Por: Emílio Oliveira 
Até o década de 40, éramos um país agrário e totalmente atrasado. Vivíamos da exploração da monucultura da cana de açúcar aqui no Nordeste e também da monucultura do café no Centro Sul do país. Não sabíamos fazer industrialmente sequer uma foice, um martelo, um facão ou uma enxada. Esses tão importantes utensílios de trabalho na época eram fabricados manualmente pelos nossos antigos ferreiros. As nossas elites, tal como ainda é hoje, mandavam e desmandavam de Norte a Sul e de Leste a Oeste, como se fossem verdadeiros deuses a ditarem as nossas leis e até mesmo os nossos costumes.

A partir dessa década é que começam a surgiu no nosso horizonte político partidário, lideranças outras com um sentido de patriotismo mais arraigado ao ponto de começarem a sonhar com um Brasil grande, próspero, autônomo e verdadeiramente independente não apenas politicamente, mas também economicamente. Primeiramente, se procurou saber o que o país industrialmente não produzia e, a partir dessa constatação, montou-se um projeto desenvolvimentista que comtemplasse todas as nossas imediatas necessidades para crescermos e nos desenvolvermos economicamente.

Foi justamente nessa época que surgiu como a liderança maior do país o grande gaúcho Getúlio Dorneles Vargas que, com os seus liderados políticos nos diversos estados de nossa federação e a também indispensável ajuda do povo brasileiro, conseguiu catapultar todo o nosso processo de industrialização que somente se consolidou em toda a sua plenitude a partir da década de 70. E como na história da humanidade, os grandes homens sempre são sacrificados, Getúlio também desapareceu no caminho desse processo com o seu traumático suicídio que abalou toda a nação brasileira. 

Mas, qual a importância dele e de sua atuação como liderança política nesse país? Estadista como era logo percebeu que o Brasil se realmente queria assumir um protagonismo global ante as nações mais desenvolvidas do planeta, teria evidentemente que se industrializar para vender não apenas produtos sem valor agregado (commodities) como fazia, mas sim produtos manufaturados e industrializados. Só que quando, se pensou nesse projeto, o país ainda muito atrasado não dispunha de vultosos recursos financeiros que pudessem viabilizar um complexo processo de desenvolvimento industrial, pelo simples fato de não possuir poupança e recursos para tal empreitada.

Que fez então Getúlio? Como na sua época havia muito capital internacional que estava sendo emprestado no mundo todo a juros baixíssimos e longos prazos para pagamento, ele intuiu que, se tomasse dinheiro emprestado nessas condições, poderia alavancar o nosso processo de desenvolvimento industrial com recursos externos e foi que ele sabiamente fez. Tomou dinheiro emprestado aos gringos a juros de 3% ao ano, com cinco anos de carência para começar a pagar e 12 anos de prazo para pagamento.

Conjuntamente com a sua equipe já havia escolhido os setores industriais que precisavam ser desenvolvidos e ativados em função das dificuldades de nossa até então negativa balança comercial e deu mãos a obra naquele esforço de mudar o destino do nosso tão amado Brasil e conseguiu. Mesmo já nessa época (1954) morto, mas o seu esforço não foi em vão até porque depois dele veio também outro tão bom quanto ele o grande mineiro Juscelino Kubistchek de Oliveira que foi mais um baluarte nesse objetivo maior de protagonizar o nosso país ante as nações industrializadas do planeta.

Apesar de o Juscelino também ter recebido muitas pressões externas igualmente a Getúlio para desmontar o nosso tão rápido desenvolvimento industrial que estava dando mais que certo, as coisas ainda iam relativamente bem e somente após a revolução de 1964 é que a coisa começou a desandar negativamente para o Brasil, embora que todos os presidentes revolucionários também tenham dado continuidade àquele processo de industrialização mesmo que durante todo o período revolucionário tenha ocorrido através do mais perverso processo de concentração de renda que já existiu na história do planeta. 

Foi, portanto, somente a partir de 1964 que os Bancos financiadores externos começaram a exigir o que o John Perkins que se confessa como “um assassino econômico” a serviço das corporações industriais norte-americanas em seu livro e em vídeos no YouTube, chama de condicionalidades dos empréstimos externos financiados pelo Banco Mundial e pelo o FMI. Segundo ele, esses bancos exigiam nos empréstimos externos aos países periféricos ao capitalismo central americano que, em contrapartida, os países deveriam ou vender suas riquezas naturais como petróleo, minério de ferro, hidrelétricas e companhias de águas, esgotos e energia ou até mesmo desativação de empresas públicas que estavam dando certo como as ferrovias e até mesmo a navegação de pequena cabotagem onde o Brasil era o maior em toda a América Latina. 

Pois foi isso o que ocorreu com o nosso país. Durante os governos da revolução a Rede Ferroviária Federal foi desativada e a navegação de pequena cabotagem que nos dava competitividade na venda dos nossos produtos industrializados também, oportunidade em que se deu início ao antipatriótico processo de substituição do transporte ferroviário e marítimo mais barato pelo transporte rodoviário mais caro, fato que dificultou a nossa competitividade sistêmica no mercado internacional. Isso foi exigido da parte dos nossos financiadores externos para que o nosso país ficasse estrategicamente mais frágil e com uma logística de transporte menos competitiva economicamente.

Tínhamos a maior rede ferroviária e também de navegação de pequena cabotagem da América Latina e tudo isso foi desmobiliado e desfeito, simplesmente para beneficiar a introdução do automóvel e suas estradas em nosso país e assim o capital internacional poder invadir a nossa economia, deixando-a totalmente a mercê dessas grandes corporações financeiras internacionais que criaram os monopólios, os oligopólios e os famigerados cartéis que ainda hoje comandam a nossa ainda frágil e suspeita autonomia política e financeira. 

Hoje vemos uma greve de caminhoneiros pararem todo o Brasil e ainda temos que assistir pela televisão os “especialistas da mídia sem nenhum compromisso com os reais interesses do país”, falarem bobagens para a população desinformada tentando através do velho e já surrado processo de alienação, conduzi-la sem resistência para os interesses maiores da elite que nunca pensa no país e em seu povo sofrido. E como é se plantando que se pode colher, estamos colhendo agora os frutos da desativação das nossas ferrovias e da nossa navegação de pequena cabotagem, ficando todo o país a mercê da classe dos caminhoneiros que hoje dominam totalmente os estratégicos meios de transporte de todas as regiões da nação brasileira. 

Não que eu esteja contra a paralisação dos caminhoneiros. Inclusive, acho até que eles estão certos em suas legítimas reivindicações. O problema é que como temos um governo sem legitimidade e também sem nenhuma estratégia de garantia dos interesses maiores do país e de seu povo, resolveu unilateralmente implantar como política de preços da Petrobras reajustes a curtíssimos prazos, como 11 aumentos seguidos em apenas dezoito dias. E como os caminhoneiros sejam autônomos ou mesmo empresas não têm a contrapartida do aumento de seus fretes na mesma proporção, tendem mesmo a paralisar - até porque dessa forma, eles não têm como transportar as mercadorias como vêm fazendo ultimamente. 

Todavia, esse tipo de insurgência da parte deles mostra o que? A fragilidade do nosso sistema de transportes que por ausência de estratégia na sua logística no passado, que inclusive é um problema de segurança nacional, gerou o que está ocorrendo no presente, vai ocorrer amanhã e com certeza também depois se não for, pelo menos à médio prazo, revertido. Lá nos EUA o transporte rodoviário é também muito acentuado, mas eles não deixaram nunca descuidaram do transporte ferroviário, do marítimo e até do aéreo também, para poderem, em momentos de crise que possa haver, contrabalançarem a força do rodoviário.

Quando em contrapartida aos empréstimos que nos fizeram exigiram que nós desativássemos os nossos transportes ferroviários e de navegação de pequena cabotagem, eles queriam não somente nos atrasar na logística da competitividade dos nossos produtos com eles, mas também nos impor goela à dentro como fizeram, os seus automóveis que seriam aqui vendidos como ainda são com preços acima da média de lá para aumentarem ainda mais o desempenho e a evidente lucratividade de sua indústria automobilística e ainda das futuras rodovias que deveriam ser construídas certamente por suas empresas de construção civil ou suas internamente indicadas para viabilizar todo esse processo de substituição de “nossa matriz de transportes” que de forma impatriótica estava sendo implantada. 

Infelizmente amigos, como ainda somos um país sem um rumo certo que não seja apenas o da carcomida plutocracia nacional e internacional, seguimos à deriva como um barco sem leme no oceano das tormentas econômicas criadas por essa própria gente e sempre de acordo com os seus tradicionais e mesquinhos interesses capitalistas. Todavia, está vindo aí uma eleição em outubro próximo que será a mais importante de toda a nossa história política e, por isso mesmo, é que jamais se precisou tanto de se dá um voto inteligente como nessa eleição. 

Temos aí vários pré-candidatos tanto do espectro da direita, quanto da esquerda. Na direita, temos: Bolsonaro, do PSL; Meireles, do MDB; João Amoedo, do Novo; Geraldo Alkmin, do PSDB; e Flávio Rocha, do PRB. Posso até está enganado, mas de nenhum desses aí o povo brasileiro deve esperar alguma coisa de positiva para ele porque todos eles vestem a velha e surrada camisa do neoliberalismo que é um sistema econômico e político que somente beneficia os mais ricos e já quebrou a Europa, a América Latina e até mesmo à própria sede do capitalismo corporativista que é os EUA na crise de 2008. 

Durante certo tempo que se prolongou por toda a década de 1990 e até mesmo na de 2000, essa ideologia foi quase que imposta e propagada pela mídia cooptada como ciência econômica boa aos povos do planeta, mas que foi boa apenas para as grandes corporações multinacionais que ficaram cada vez mais ricas, enquanto os países e/ou povos que a dotaram, estão todos mais pobres. Portanto, o que era vendida como ciência boa, com o tempo, se revelou apenas como mais uma ideologia de quinta categoria. 

Na esquerda, temos: O espectro do Lula, do PT; Guilherme Boulos, do PSOL; Manuela D’ávila, do PC do B; Marina Silva, da Rede; e Ciro Gomes, do PDT. Qualquer um desses aí seria bem mais solidário e comprometido com os interesses do país e de seu povo trabalhador que os da direita. O Lula, dificilmente conseguirá ser candidato e se por acaso conseguir, pode até ganhar, mas certamente não governará. O Guilherme Boulos, é um candidato muito destemido e que demonstra muita afinidade com o povo, mas ainda não tem a experiência que o cargo na atual conjuntura do nosso país está a exigir. A Manuela D’ávila é uma excelente candidata, mas ainda muito jovem e também não tem a experiência necessária. A Marina Silva, que também é uma boa candidata que hoje representa mais o centro do que mesmo a esquerda e em quem eu votei na última eleição, também não tem experiência administrativa exitosa no executivo que a credencie a enfrentar com sucesso as infinitas pressões políticas e econômicas dos ferozes tubarões de Brasília e seus fortíssimos lobbies. Resta-nos apenas o Ciro Gomes, que a meu ver é o mais brilhante, habilitado e capacitado de todos os atuais pré-candidatos da esquerda, com extensa experiência exitosa no executivo (como prefeito, governador e ministro), no legislativo (como deputado estadual e federal) e até mesmo no judiciário (como advogado militante), é limpo, patriota, nacionalista, tem coragem, jogo de cintura e peito para enfrentar os tubarões representados pela plutocracia nacional e internacional, conhece o Brasil como ninguém e o que é o mais positivo nele é que carrega debaixo do braço um grande projeto de desenvolvimento nacional viável e exequível que é o que todos nós estamos urgentemente necessitando nessa quadratura tão negativa de nossa história política e econômica.

Portanto, amigos, eis aí o homem que está se oferecendo como uma opção mais que válida para tentar colocar um novo leme guiado pelo patriotismo nesse nosso tão gigantesco e ao mesmo tempo tão pobre país e que finalmente o direcione não mais no rumo dos interesses dos poderosos do mundo capitalista, mas num outro azimute que possa nos levar a realizar o nosso grande sonho que é construirmos um país mais que justo e humano para todos os nossos conterrâneos e que enfim todos nós ainda possamos conviver em paz, alegria e respeito com todos os outros povos do planeta Terra. Que Deus possa enfim, iluminar a todos nesse sentido!

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