domingo, 4 de março de 2018
Por: Emílio Oliveira
A interrogação do título desse artigo foi o mote que eu recebi de um amigo para escrever um artigo sobre essa realidade que, a cada dia mais, vem surpreendendo e até assustando as pessoas que costumam demonstrar equilíbrio na escolha de seus candidatos a cargos eletivos. A pergunta surge e lateja na cabeça dessas pessoas com indagações do tipo: o que está acontecendo com esse país? Porque essa tamanha atração de parte de nossa juventude aparentemente tão bem informada por um candidato que, sob a luz da realidade, não demonstra ter as reais condições de governar um país na situação em que o nosso se encontra atualmente? 

Desde que esse amigo me fez o desafio fiquei matutando sobre a evidente complexidade do assunto e me debrucei a pesquisar um pouco, mas a conclusão a que cheguei, correta ou não, me veio mais de forma intuitiva. Como explicação mais racional para o atual modus operandi da nossa juventude, vislumbro quatro profundas inovações nos procedimentos socioculturais a que fomos expostos nas três últimas décadas: na política, na formação cidadã das novas gerações, na tecnologia e na religião. 

Na Política - Felizmente, pertenço a uma geração mais politizada e talvez até seja por isso que os políticos do passado se davam ao respeito de verdadeiramente representarem seus eleitores. A política era uma atividade que ainda se atribuía méritos e os eleitores votavam não apenas porque os políticos lhes ofereciam alguma vantagem pessoal, mas porque simpatizavam com a atuação deles, com seus discursos e posicionamentos frente aos problemas da comunidade. Era uma espécie de atração e de respeito mutuo que se estabelecia entre os eleitores e seus candidatos. 

E foi esse ainda sadio processo político eleitoral do passado que propiciou o surgimento de lideranças da magnitude de um Getúlio Vargas, de um Juscelino Kubitschek, de um Leonel Brizola, de um Ulisses Guimarães, de um Tancredo Neves e de um Aluízio Alves aqui entre nós. Contudo, à medida que o nosso sistema eleitoral foi se contaminando com os espúrios financiamentos de campanhas, foi fazendo com que até mesmo aqueles que de uma forma não total nos representavam, passassem a representar de vez o seu novo chefe o “capital” que, com a sua indiscutível força de dissuasão, os vem colocando em cada eleição no Congresso Nacional. 

Com essa criminosa substituição do voto conquistado pelo voto comprado, o eleitor passou a ser apenas um detalhe dessa fantasmagórica cadeia de poder. Hoje, ele é apenas um mero legitimador de todo esse distorcido processo em que antes era a vedete maior e hoje é apenas um figurante sem a menor significância, a não ser no dia da eleição, quando o dinheiro fácil que ele nunca tem acesso no interregno das eleições - é quem infelizmente vai determinar a sua decisão final de em quem depositar o seu tão importante sufrágio que maquiavelicamente o transformam em mercadoria de pouco valor. 

Por isso é que hoje, passados no máximo seis meses das eleições, poucos ainda se lembram em quem votaram para vereador, deputado estadual, federal e senador. Como o nosso regime político é presidencialista, para cargos executivos, a memória se estende um pouco mais. Ante tal submundo do qual somente exalam odores putrefatos o que pode pensar os cidadãos mais jovens que por esse motivo estão fugindo da sujeira generalizada da política representada por esse sistema partidário corrupto que mais parece um pardieiro de ladrões que de homens respeitáveis a serviço dos interesses maiores da nação e de seu povo? 

Na Formação Cidadã das Novas Gerações - Outro fator que também reputo como importante para tantas transformações é que não somente no Brasil mais também em todos os outros países de mídias manipuladoras, vêm se desenvolvendo a anos um processo de formação dos jovens que até a minha geração era definido psicologicamente como pré-figurativa, visto que na nossa formação nos espelhávamos em nossos pais, tios e avós. Entretanto, a partir da minha geração, todo esse processo foi imposto de forma pós-figurativa, ou seja, os jovens do presente tiveram toda a sua formação psicológica baseados unicamente nos valores que lhes eram expostos e impostos pela mídia televisiva. 

Os de minha geração e até mesmo os de um pouco depois dela, lembram-se dos horríveis seriados de aventuras da TV, onde monstros impiedosamente matavam ou destruíam monstros com cenas de extrema violência que eram expostos sem nenhuma censura as nossas crianças, desde as oito horas da manhã logo após o café, até a hora do almoço. Posso estar engando e até gostaria de está, mas, intuitivamente, desconfio que todo aquele bombardeio diário de violência e de radiação eletromagnética ante a horas e mais horas de exposição à mágica telinha, banalizou a violência e a morte, criando também uma espécie de mentalidade autoritária, impaciente e intolerante a tudo que não se coadune com os virtuais valores impostos a eles pela programação das mídias televisivas. 

Na Tecnologia – O surgimento da informática que continua sendo a mais importante plataforma tecnológica que vem tem agilizado todos os processos produtivos globais, trouxe também no seu bojo mudanças psicossociais profundas na mente dessas pessoas, gerando também inquietações e impaciência virtual que até certo ponto se confunde com o real, fato que tem provocado intolerância a tudo quanto não se possa resolver rapidamente a um simples toque de teclas, como ocorre no mundo virtual. E a comprovação desse fenômeno sócio psicológico vem se manifestando cada vez mais nos seres humanos, à medida que os computadores vêm também aumentando suas velocidades de processamento. 

Na Religião – Encadeada também no elo da corrente dos anteriores processos de manipulação de massas para conseguirem formatar um cidadão totalmente subjugado aos valores de uma sociedade alheia a realidade, puramente consumista que é o que realmente interessa ao sistema econômico e político implantado em nosso país, também as religiões pentecostais com as suas exageradas pregações eivadas de prémios do céu e de castigos do inferno, coadjuvaram e muito, mesmo que por outro tipo de viés manipulador, no implante da visível intolerância religiosa sempre adversa aos diferentes e as minorias na formação desses jovens, também já contaminados com o bombardeio da mídia que sempre foi parceira de todos esses esquemas. 

Salvo melhor juízo, parece-me ter sido esses principais fatores de ordem política, econômica, tecnológica e religiosa, que formataram a realidade psicológica e social dos jovens do presente, construindo personalidades rígidas e impacientes, intolerantes a diferenças que não estejam nos limites do padrão estabelecido pelos depósitos midiáticos, com pouca resiliência, pouca piedade, pouca compaixão, pouca gratidão e pouco amor até mesmo pelos próprios pais que os criaram com excessivas facilidades e liberdade pensando que os estavam educando. 

Mas, como diz a física quântica que vivemos num mundo totalmente eletromagnético que vibra o tempo todo e eu acredito nisso, os iguais ou consonantes nas vibrações se procuram. Como o Bolsonaro se apresenta como um personagem que para angariar simpatias eleitorais se revestiu de um salvador da pátria com múltiplos sentimentos de intolerância, apoio a violência e a tortura, com promessas de resolução de problemas complexos com simples palavras de ordem do tipo: abaixo à corrupção, bandido bom é bandido morto, as vibrações da maioria dos nossos jovens estão sendo atraídas pelas do personagem do seu candidato, estabelecendo-se uma verdadeira ressonância harmônica e o resultado é o que estamos todos assistindo. 

Eu sei que a política tem se apresentado suja e nesse aspecto também me associo aos jovens brasileiros do presente que com toda a razão sentem-se desencantados com o vergonhoso tipo de politicalha que vem se praticando no nosso país. Mas também precisamos compreender que, felizmente, todos os políticos não são iguais não. Tem bem mais joio? Tem sim! Mas, também tem trigo e cabe a nós de uma maneira mais inteligente lhes procurar - do que simplesmente darmos um voto de revolta como uma forma de protesto. 

Agora, eleger como “mito político” um político que se diz não político e que se analisado à luz da realidade não apresenta um só atributo que lhe possa habilitar com tão digna e significativa auréola da qual merecidamente se revestiram tantos personagens da nossa história e lendas humanas, eu posso até compreender, mas aceitar não? Porque se eu aceitar que o Bolsonaro é um “mito”, então, qual é a palavra que eu vou utilizar para caracterizar: um Aquiles, um Hércules, um Sócrates, um Platão, um Mandela, um Martin Luther King, um Gandhi e até mesmo o nosso grande Tiradentes? 

Por isso é que sempre que vejo no Face, no Twitter e no YouTube tantos jovens geralmente da classe média protofascista, gritando palavras de ordem com o batismo de fogo desse senhor: “mito” “mito”, “mito” , uma espécie de arrepio se apossa do meu já cansado coração e aí eu pergunto ao Criador do Universo, meu Deus, meu Deus, o que fizeram com a juventude desse país? Porém, logo em seguida racionalizo e começo a pensar nos múltiplos implantes a que eles foram submetidos com o passar do tempo, além ainda dos atuais perturbadores ruídos musicais apelidados de músicas que também lhes estão sendo empurrados ouvidos à dentro, como se fossem músicas de boa qualidade, quando, na verdade, são apenas lixo musical que deprecia a mulher ante o homem e por não possuírem encadeamento lógico como começo, meio e fim, mais infantilizam e idiotizam que sensibilizam o ser humano. 

De antemão gostaria de afirmar que pessoalmente não tenho nada contra esse senhor que é tão apreciado por jovens do nosso país. Aliás, nem o conheço pessoalmente e até acho que a maioria deles também não. Agora, se ele é realmente capaz de acabar de vez com a corrupção e a violência nesse país, porque que primeiramente ele não foi ser prefeito do Rio ou até mesmo governador do Estado para acabar com a violência e a corrupção lá que é a maior do Brasil e aí sim, com essa experiência no currículo, se aventurar a acabar com esses mesmos maus costumes em todo o pais? 

Pelo que se sabe, ele é amigo do ex-governador do seu estado, que está preso; do ex-presidente da câmara dos deputados federais, que também está preso; e do atual presidente da assembleia legislativa do seu estado, que também está preso. Então, salvo melhor juízo, é de se perguntar: porque que enfim nunca ninguém viu esse senhor denunciar, criticar e contestar os desmandos desses famigerados personagens do seu estado, os quais são todos tidos como seus amigos e que tanto envergonharam a política desse país? Inclusive, há até vídeos rodando por ai em que ele enfaticamente os elogiava. 

O nosso país o Brasil, que se continuasse a ser administrado por essa equipe que assumiu o poder ou seus afins por mais tempo, terminaria não mais sendo nosso porque certamente eles venderiam tudo. Por isso é que, nunca o país precisou tanto de um voto racional e inteligente quanto nessa eleição de 2018, se é que ela realmente vai acontecer, pois desconfio que coisas piores ainda possam vir. O Brasil está precisando é de um líder que além de conhecer profundamente todos os problemas do país, seja capaz de pela experiência administrativa exitosa que tenha tido, demonstrar autoridade moral para tentar unir todos os segmentos sociais mais progressistas em torno de um projeto de desenvolvimento nacional que priorize quem trabalhe e quem produz contra quem somente especula que é quem está realmente matando o país. 

Portanto, não acho que seja o senhor Bolsonaro que vai conseguir resolver esse problema da mais alta complexidade porque ele mesmo não sabe como resolvê-lo e, se chegar a ser presidente desse país com o simples voto de revolta e não racional dos nossos jovens, pelo andar da carruagem, tudo leva a crer que ele entregará de vez o país nas mãos do impatriótico mercado financeiro que já está levando mais de metade de tudo quanto estamos pagando de impostos e o pior é que quanto mais pagamos mais ficamos devendo. Se isso vier mesmo a se concretizar, será a mesma coisa que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro. 

E essa minha desconfiança procede porque assistindo a um dos vídeos do economista que lhe está ensinando economia, ele afirmou que o Brasil é grande demais e precisa urgentemente se desfazer de parte de suas empresas públicas para voltar a crescer e dar emprego aos trabalhadores que estão desempregados. A cantilena pode até soar bonita aos ouvidos dos milhões que estão desempregados, mas a verdade não pode ser essa porque se fosse, a estatal Norueguesa do petróleo não teria vindo aqui comprar, mesmo que a preço de banana como foi vendida, um dos mais promissores campos do nosso pré-sal que a ex-presidenta Dilma havia deixado como reserva para garantir a futura educação dos nossos netos. 

A verdade real é que o estado brasileiro sempre foi grande demais para os grandes e ricos desse país que sempre tiveram a sua disposição volumosos recursos subsidiados do BNDS, impostos e dívidas previdenciárias não pagas ou simplesmente perdoadas, negociatas feitas por debaixo dos panos que o povo nunca teve sequer ideia, além de mais de metade dos recursos de tudo quanto se arrecada está sendo direcionado para o pagamento da dívida interna aos bancos privados e aos investidores grandes e pequenos que vivem de rendas e investem no mercado financeiro comprando títulos pós e pré-fixados garantidos pelo nosso tesouro nacional. 

Agora, para os pequenos desse país que é a maioria absoluta de seu abandonado e sofrido povo, o estado sempre foi e continua sendo verdadeiramente minúsculo. E para se comprovar tal realidade, basta somente se ter a má sorte de se chegar doente a um hospital público qualquer; ou se colocar o nosso filho numa escola pública; ou se ficar esperando pela segurança do estado sempre que nos sentirmos ameaçados. 

Peça a Deus que nenhum desses problemas lhes aconteça, mas se por acaso somente um deles lhe acontecer, então você vai perceber na própria pele, para quem o estado brasileiro é realmente grande. Com certeza, a mídia aliada com a Elite do Atraso, não divulgará tão vergonhosos dados porque simplesmente não interessa a ela e nem ao sistema que a mantém. A não ser que faça parte de seus planos e do sistema satanizar e derrubar algum governo que não reza ou não quer rezar na cartilha de seus interesses maiores. Esse filme, infelizmente, a gente já o assistiu muitíssimas vezes. 

Portanto, tudo leva a crer que a nossa dominante elite do atraso montou aqui orientada por forças alhures, uma grotesca agenda com todo o ultrapassado figurino neoliberal como se fosse ciência econômica boa para introduzi-lo a qualquer custo através da velha repetição midiática mentirosa na cabeça do povo trabalhador brasileiro, do qual impiedosamente já lhe foi subtraído o direito trabalhista, se ameaça inviabilizar a sua sagrada aposentadoria que é o seu único seguro de vida para a velhice e assim, poderem estancar no nascedouro, toda e qualquer reação de saída positiva para o que está acontecendo com o Brasil que, infelizmente, tem sido sempre ótimo e maravilhoso para os seus pouquíssimos ricos, e cruel e injusto como um padrasto, para a sua legião de pobres que somente tem sido valorizada no dia da eleição e até a hora do voto.

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