domingo, 14 de janeiro de 2018
Por: Emílio Oliveira
Eu ás vezes fico perguntando a mim mesmo o que foi meu Deus que fizeram com esse nosso tão amado pais? A politica é corrupta, a justiça é injusta, o trabalho é cada dia mais mal remunerado, a mentalidade é estreita, as músicas idiotizam os jovens, os sentimentos não são mais os mesmos, o amor é um jogo de interesses, a verdade é uma ameaça a quem está no poder e até mesmo a virtude, antes tão valorizada, é vista hoje como uma burrice estratosférica. 

Será mesmo que aqueles nossos antigos valores em que nossos pais nos controlavam pelo olhar foram todos lançados na lata de lixo da história? Será que não temos mais nenhum pudor e vergonha na cara? Será que é mesmo feio e cafona não se ter mais patriotismo e amor pelo nosso país e por isso é que votamos em qualquer um que se apresente como nosso futuro opressor desde que nos ofereça alguma vantagem material ou qualquer promessa mirabolante? Será que vamos continuar a votar assim sem olhar o desempenho profissional e o passado daqueles que colocamos no poder para nos representar?

Se sim, direi que o desastre que já nos ronda em todos os sentidos, demandará apenas pouquíssimo tempo para se materializar de vez em nossas existências. Se não, um fio de esperança ainda permeia todo esse crescente vazio existencial que de forma irresponsável temos criado com esse nosso mesquinho comportamento não cidadão. Há poucos dias atrás, conversando com um amigo a respeito de tão complexa questão, ele deu a entender que essa forma de viver que, segundo ele faz parte da “evolução”, era também comum à história de todas a gerações antes de nós.

Noutras palavras, esse nosso amigo acha normal o que está acontecendo não somente no nosso país, mas no mundo todo também – quando uma geração não compreende mais a rapidez da mudança de comportamento e de visão de mundo de sua geração para outra, como por exemplo, de um pai para o filho ou até mesmo de um irmão mais velho para outro bem mais novo. Ou seja, a velocidade nas mudanças de comportamento das gerações mais novas tem sido tão rápidas e inusitadas que inclusive vêm estupefatizando os educadores de todo o mundo.

Segundo alguns antropologistas e estudiosos da espécie humana, até o ano de 1960 a educação de uma geração para a outra era o que eles chamam de pré-figurativa - significando dizer que durante o crescimento os filhos se espelhavam no comportamento dos pais, avós e nos mais nos velhos. De 1960 para cá, entretanto, a educação das gerações passou a ser pós-figurativa - significando que a educação das gerações posteriores a esse ano limite, vêm sendo comandada pelos meios de comunicação de massa, com basicamente a televisão sendo o carro chefe de todo esse processo. 

Se você se basear nessa teoria que eu pessoalmente acho que tem sentido, tudo o que está acontecendo com as novas gerações aqui e em outros lugares, é perfeitamente compreensível. No meu tempo, como se costuma dizer, o meu pai e a minha mãe me monitoravam e me conduziam em tudo quanto eu falava, via, sentia e, às vezes, até pensava. Era uma espécie de controle total e constante. Faça isso, não faça aquilo, isso pode ser feito, aquilo não!... Era sempre assim e a gente obedecia com tanto respeito, amor e até carinho por nossos pais.

Hoje não, hoje é tudo diferente. Após o desjejum a mãe coloca o filho diante da televisão e o deixa lá exposto ao mundo da violência e da esperteza até a hora do almoço, onde ele somente vê monstros matando outros monstros. Ao crescer mais um pouco, passa a acompanhar com a família as novelas que são mundos fictícios onde predominam a traição, a desonestidade, o roubo, a ilusão da riqueza fácil e a violência psicológica como pano de fundo de todas as estórias inventadas para fazer a cabeça condicionada dos futuros cidadãos. 

No bojo desse pacote das novelas alienantes vêm também os comportamentos dos personagens todos jovens, ricos e bonitos que hipnotizam tanto os próprios ricos quanto os pobres que estão do lado de cá da telinha. São roupas de grifes famosas, tênis, celulares, bebidas, carros, mansões, iates e até aviões que logo se transformam em sonho de consumo de todos, mas que, infelizmente, somente é acessível aos pouquíssimos ricos. E os pobres - coitado deles -, ficam todos com água na boca e com o sonho ilusório de que um dia vão também ter acesso a todos aqueles bens que se transformaram em um sonho de consumo para todos.

É tanto que a felicidade hoje ela não é mais compreendida pelo crescimento pessoal do ser humano, como por exemplo, fazer um curso superior, realmente aprender e se destacar na profissão, ser sempre bom no que se faz, como ainda na minha geração. Hoje, para ser feliz e ser plenamente aceito pelos seus pares têm que mostrar o consumo de todos aqueles bens que são tidos como referencia de felicidade máxima aos jovens para medir o se grau de realização ante o seu grupo social. Por isso é que os filhos de hoje exigem de seus pobres pais, verdadeiros sacrifícios financeiros para suprir suas falsas necessidades criadas pela mídia hipnotizante do mercado capitalista atual.

O desdobramento de tão perverso processo de criar necessidades que não serão jamais satisfeitas por todos os atores da atual sociedade real, foi o surgimento da pirataria que corre solta prejudicando o comércio formal que paga tributos ao estado e também à violência que corre desenfreada em todas as cidades desse país. A pirataria, possibilita ao pobre ter o chamado produto similar que mesmo com certa dificuldade cabe nos bolsos quase sempre vazios dos mais pobres; e a violência, corre solta em função da perda de valor real da vida humana, sentimento esse construído ante a telinha da TV nos anos da primeira infância, enquanto ela, a criança, se especializava em virtualmente matar os monstros que a incomodavam. 

Para a juventude de hoje que, infelizmente, plasmou a sua personalidade nessa dantesca realidade, a morte de um ser humano que é seu semelhante, significa mais ou menos a mesma coisa que a morte de seus monstros virtuais que ela até com certo prazer de vitória, abatia quando criança. E ainda como agravante para tão inusitada tendência construída pelos meios de comunicação de massa que representam o sistema econômico em voga, há o fato de que o crime organizado se organizou e vez do Brasil e vem sabiamente usando estratégias para aproveitar todo esse potencial autodestrutivo da própria sociedade para auferir vultosos lucros e ganhar muito dinheiro. Por isso é que está havendo tantas mortes de jovens em plena existência e somente no ano passado foram assassinados por causa das drogas 62.800 jovens, todos pobres e semianalfabetos, pretos, pardos, alguns brancos e geralmente de famílias totalmente desestruturadas das favelas das cidades brasileiras. 

Para quem realmente está compreendendo o que está ocorrendo com o nosso país, além dessas tão desconhecidas e tão chocantes mazelas antes referidas e que são gravíssimas, o povo brasileiro se encontra ainda espremido - de um lado pela politicalha que grassa solta onde, salvo raras exceções, um pardieiro de ladrões estão roubando o dinheiro do erário público para eles próprios e para o baronato rico que eles representam; e pelo outro lado, por algumas igrejas e suas denominações que, salvo raras exceções, estão prometendo a troco de fé e de outras coisas mais, o breve retorno de Jesus a Terra, quando ele julgará todos os pecadores e somente os que crerem nele serão levados para o céu e os que não, infelizmente, serão todos lançados eternamente no fogo do inferno.

A confusão é tamanha que a população desnorteada com tanta notícia ruim e já quase sem perspectivas, não sabe mais para onde ir. Os trabalhadores, não defendem mais os seus direitos; os torcedores, brigam entre si por seus times nos campos de futebol; os estudantes, não estudam mais e nem respeitam mais os professores; os eleitores, vendem os votos e não escolhem mais os candidatos mais preparados e comprometidos com seus reais interesses; as autoridades, não se respeitam e não se fazem mais respeitar pelo povo; os país, não mandam mais nos filhos; os filhos, não obedecem mais os pais; o governo não trabalha mais para o bem do povo; e o povo, enfim, não vê mais o governo como um protetor, mas simplesmente como um inimigo e opressor. 

Eu vou completar 69 anos de idade e, portanto, já estou bem mais para eternidade do que para a vida, mas nunca vi e nem vivi uma crise de tamanhas proporções não somente no nosso país, mas também em todo o mundo como essa que estamos atravessando. Os religiosos ficam dizendo em suas igrejas e até mesmo nas margens das estradas através de cartazes fixados nas cercas que Jesus está voltando. Eu, particularmente, apesar de não acreditar, gostaria muito que ele realmente se dispusesse a voltar para nos ajudar a todos a resolver toda essa tão difícil e complexa problemática. 

Só que, se ele realmente voltar como afirmam as igrejas, eu, infelizmente, acho que, quem vai matá-lo mais uma vez serão os mesmos religiosos que o fizeram no passado, coadjuvados dessa vez não mais pelo Império Romano que nem existe mais, mas quem sabe por outro império bem mais poderoso que o romano e que está aí vivíssimo e sempre ativo a se contrapor contra quem tentar dificultar seus interesses maiores de dominação. 

Mas, voltando a nossa tão triste realidade, o que mais me incomoda na nossa situação é a despolitização de nossa população, principalmente a mais jovem e que foi a que mais estudou e cresceu num mundo onde as informações estão borbulhando em tudo quanto é lugar desse Planeta. Eu já falei sobre isso em escritos anteriores, mas vou novamente bater nessa tecla. A minha geração era praticamente toda politizada e sabíamos escolher os nossos representantes de acordo como os nossos interesses de cidadãos e não de nossos interesses imediatos como acontece hoje. 

Votávamos porque admirávamos o passado limpo e respeitoso do politico, seu discurso, sua eloquência, sua inteligência, seu respeito pela sociedade, seu espírito agregador e apaziguador, seu trabalho em prol da comunidade e também seu partido. Para esse fim, nos informávamos a respeito do seu desempenho em todas as áreas onde tinha atuado antes como cidadão e como administrador, ou seja, sua experiência administrativa.

Hoje, infelizmente, é uma lástima a forma como o eleitor se condiciona para escolher entre tantos o seu candidato. Alguns votam por dinheiro; outros, por pagamento de favores devidos; outros, porque receberam uma promessa vã de uma casa ou um emprego sem precisar trabalhar; outros, porque o candidato pertence ao seu agrupamento politico, outras, porque simplesmente acham o candidato bonito; e uns poucos gatos pingados enfim, porque o candidato preenche as suas perspectivas cidadãs. 

Num ambiente politicamente distorcido dessa natureza, não se pode esperar muita coisa boa advinda de nossos atuais e até futuros representantes, haja vista que os critérios que os elegeram, na realidade não satisfazem as necessidades da população, pois eles não foram eleitos para se empenharem por mudanças sociais evolutivas da sociedade e estão ali simplesmente para primeiramente satisfazerem suas necessidades pessoais como um cidadão que representará o estado, e, somente depois, se restar algumas coisas, serão destinadas aos seus amigos e liderados mais obedientes que votam nele em quaisquer circunstâncias.

É simples assim. Eu vejo as pessoas falando que os políticos são isso e são aquilo, e os fico ouvindo até não suportar mais e perguntar: em quem você votou na ultima eleição para deputado federal? A maioria absoluta nem sequer sabe em quem votou e alguns até sabem, mas dizem que não porque se sentem envergonhados com a péssima escolha que fizeram. Então, a culpa pelo que está acontecendo hoje de mais grave no nosso país quase todos nós somos corresponsáveis, na medida em que de forma descomprometida com nossos reais interesses cidadãos, temos escolhido errado os “nossos representantes”. 

O que fazer então para consertar o que está errado? Basta votar com a consciência e não mais com a carência que vem cada dia mais se acumulando na sociedade brasileira, justamente pela falta de consciência na escolha dos nossos representantes. Uma sugestão, se é que posso fazê-lo: não votem mais em quem oferecer dinheiro ou qualquer outra vantagem a vocês. 

Recebam tudo quanto possam receber de quem quer que lhes ofereça e, lá na urna, votem justamente em quem não deu e nem prometeu nada de valor a vocês, e ainda fiquem monitorando o candidato escolhido para, na próxima eleição, sele se comportar como os anteriores, botá-lo também para fora do cargo. Essa é a única forma de se resolver o problema. Se não for assim, amigos leitores, o nosso país, com a nossa própria contribuição, vai brevemente afundar com todos nós a bordo. Quem viver, vera!...

Emílio.


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