domingo, 24 de dezembro de 2017
Por: Emílio Oliveira
O Brasil que já foi considerado no passado um país pacato e até de mente aberta para o mundo e os diversos costumes, começa a mostrar um lado seu que não se percebia antes. Como culturalmente fomos formados pelo cruzamento de diversas raças (portugueses brancos, negros africanos e índios nativos) que durante o nosso processo de colonização se miscigenaram, houve também na continuidade do tempo, a agregação de outros elementos étnicos europeus como italianos e asiáticos como os japoneses.

E foi desse variadíssimo caldo étnico e cultural que se formou a nossa visão de mundo, o nosso sincretismo religioso e principalmente o nosso tão propalado comodismo ou jeitinho brasileiro que, infelizmente, para alguns, tem feito tanto mau a esse país. Contudo, essa indiferença com as coisas que deveriam ter mais importância e primazia para todos nós, criou também um ser humano mais alegre, mais tolerante e bem mais compreensivo não somente com as nossas diferenças internas que são muitas, mas também com todos os estrangeiros esquisitos ou não que nos visitavam.

Noutras palavras, em função da mistura das raças éramos uma sociedade muito tolerante com tudo e com todos e hoje as coisas começam a mudar radicalmente e o que se percebe claramente é o aparecimento de uma espécie de higidez mental misturada com certa dose de intolerância religiosa a determinados comportamentos considerados como antissociais característicos de algumas minorias, advindo, principalmente, da parte dos que se congregam em algumas dessas igrejas.

O que deixa transparecer é que não parece está sendo observado na íntegra por alguns setores desses grupamentos religiosos o tolerante exemplo do grande mestre Jesus que tem se constituído no ídolo maior dessas igrejas e embora ele também tenha condenado o pecado, foi sempre tolerante com o pecador e todas as suas fraquezas mundanas e humanas. Talvez ele tenha se comportado assim porque conhecia na íntegra, a natureza de todos nós seres humanos que, infelizmente, ainda somos seres em aperfeiçoamento ou em constante construção. 

Se a gente for tentar analisar e conhecer a história do ministério de Jesus, mesmo tendo sido muito resumida pelo que se encontra escrito na Bíblia, percebe-se logo que era sempre o amor incondicional que caracterizava e definia todas as ações e também posições de seu curtíssimo ministério. Como se pode perceber em todas as suas manifestações religiosas, ele sempre condenava o pecado, mas nunca o pecador, como os que se dizem seus legítimos representantes estão fazendo no presente.

Como deve ser hoje do conhecimento geral, sempre houve diferenças sexuais em todos os tempos em que viveu o ser humano aqui nesse planeta. Houve no passado longínquo ou antiguidade, na idade média e também na atualidade. Inclusive na Grécia antiga onde a palavra amor ainda como se conhece hoje foi inventada, pelo que se percebe nos famosos diálogos transcritos pelo grande Platão, o amor grego que ali era cultivado e praticado, era um amor puramente homossexual ou de um homem por outro homem. 

Foram, portanto, os gregos que inventaram os três tipos diferentes de amor que ainda é considerado pela nossa ciência psicológica: o eros, que é o amor de um ser por outro ser; o philos ou philia, que é o amor de uma mãe por um filho; e o ágape, que é o amor de Deus pela humanidade. Quem se aventurar a ler os famosos diálogos platônicos perceberá claramente que a amor entre eles era um amor do amado masculino pelo amante também masculino e o amor de um homem por uma mulher somente acontecia com a atração sexual no momento do coito, da mesma forma como acontece com todos os outros animais. 

Naqueles banquetes homéricos onde se originavam esses tão propalados diálogos, nem sequer se falavam em mulheres, pois elas eram afastadas desses ambientes, onde somente os homens podiam frequentar e participar. Então, se o amor nas formas como a gente ainda conhece hoje era um tipo de amor claramente homossexual, o amor familiar ou de um homem por uma mulher ou vice-versa, com toda a certeza, deve ter sido inventado bem depois desse povo que deu a maior de todas as contribuições para a história da ciência e da humanidade.

Como segmentos dessas religiões vêm rapidamente se fundamentalizando entre os fieis através da constante ameaça do medo do eterno fogo do inferno e também embrulhado nesse pacote a condenação veemente ao que chamam de “pecados individuais que se refletem nas famílias”, como por exemplo, violência conjugal, sexual e homossexualismo, tem sido justamente esse tipo corriqueiro de discriminação condenatória que talvez venha contribuído entre os indivíduos do grupo para a formalização de certa intolerância religiosa não somente a essas, mas também a outros tipos de manifestações também condenadas nas igrejas.

Há poucos dias eu comprei um livro do Papa Francisco que para mim é e vai permanecer na história da humanidade como um dos grandes homens da Igreja Católica, principalmente pelo seu agudíssimo senso de humildade e justiça social intitulado de: Quem Sou Eu para Julgar? Todavia, ao lê-lo, percebi logo uma direção totalmente contraria a esses segmentos evangélicos a que estou me referindo. Perguntado a ele dentro de um avião que o conduzia em retorno de Cuba a Roma por um jornalista italiano se ele condenava os violentos, estupradores e homossexuais, ele se comportou muito parecido com Jesus no incidente com a mulher adúltera que pela lei judaica deveria ter sido apedrejada.

Ele olhou para o jornalista, fez uma pequena pausa e disse: quem sou eu para julgar? Esse comportamento de tão inteligente e também nobilíssimo, denota mais que tudo humildade, amor incondicional e a includência de todos sem exceção no seu rebanho. No meu entender ele quis dizer que julgar fica somente para Deus e não para ele que, apesar do cargo que desempenha, é somente mais um de seus humildes servos. Esse seu gesto me encantou tanto que até mesmo um preconceito que guardava em relação ao passado violento da Igreja Católica, foi atenuado dentro de mim. 

Agora para se confirmar ou não a diferença de posturas não seria o caso de se perguntar também a um desses grandes pastores evangélicos se ele condena ou não os violentos, estupradores e homossexuais? Posso até está enganado e gostaria realmente de está, mas pela contundência da pregação corriqueira desses senhores contra esse tipo de comportamento, pode-se perfeitamente concluir que não. Se isso realmente vier a se confirmar pode-se deduzir que eles não entenderam nada das sagradas palavras de Jesus, cuja tônica maior foi sempre o perdão porque ele se guiava unicamente pelo amor incondicional a todas as criaturas.

E é com certo desprazer que venho percebendo esse tipo de intolerância que, pela pregação exacerbada da discriminação, está sendo construída em algumas igrejas evangélicas e esse processo vem aos poucos se manifestando, principalmente entre os mais novos e que também não se escolarizaram suficientemente. Há poucos dias atrás, eu que até gosto de conversar com eles sobre religião e também sobre politica, descobri decepcionado que o ídolo politico deles é o Bolsonaro.

A briga no bom sentido, é claro, foi tamanha que cheguei ao ponto de dizer a eles em alto e bom som que se Jesus que era o ídolo religioso deles resolvesse voltar a Terra hoje e até votar no ano que vem - coisa que certamente ele não faria -, com certeza, o único que ele não votaria era no Bolsonaro, até porque a pregação política desse senhor é somente no sentido de prender, discriminar, matar e humilhar pessoas, totalmente diferente da de Jesus que era somente de aproximar, incluir e perdoar a todos. 

Antes de qualquer coisa eu gostaria de afirmar aqui que não tenho nada pessoalmente contra esse senhor que ainda nem partido tem se aventurar a querer ser candidato a presidente dessa nossa tão conturbada república que está caindo aos pedaços sem nunca sequer ter administrado, como se diz no nosso interior, uma simples bodega. Eu apenas acho que ele ainda não está capacitado para o mais honroso e difícil cargo do país pelo simples fato de que ele não se preparou devidamente para essa tão espinhosa missão não somente para ele, mas, também, para qualquer outro que até mesmo tenha exaustivamente se preparado para chegar lá.

Ante ao exposto, eu simplesmente acho que costumes, modos de pensar, visões de mundos diferentes, e até mesmo as religiões, fazem parte da vida de cada sociedade moderna e não é simplesmente se discriminando ou condenando e demonizando pessoas por seus supostos comportamentos que se chega a um denominador comum que é o equilíbrio e o respeito que somos obrigados a dispensar a todos quantos nos cercam no dia-a-dia de nossas existências. 

Portanto, sem de minha parte querer desmerecer nenhuma religião formal existente, eu afirmo que bem melhor seria para elas se procurassem se humanizar mais e mais incluindo a todos indiscriminadamente, assim como sempre fez o nosso grande mestre Jesus que até mesmo quando torturado na cruz pediu a Deus a absolvição dos algozes que o estavam matando.



Emílio.
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