domingo, 10 de dezembro de 2017
Por: Emílio Oliveira
No dia 05 do mês em curso ou mais precisamente na última terça-feira, esteve fazendo palestra sobre a situação atual do Brasil na UFERSA em Mossoró, o grande Ciro Gomes. E eu como não poderia perder um evento dessa natureza, me fiz presente e confesso que apesar de já acompanha-lo a algum tempo através do YouTube percebi que, pessoalmente, ele é muito mais carismático e convincente. Os jovens estudantes daquela Universidade de onde com muito orgulho eu também saí e que estavam presentes àquele evento cívico e politico o aplaudiram de pé do começo ao fim, que o digam, o que para mim foi uma bela surpresa. 

Como a gente sabe a juventude que frequenta a Universidade hoje, diferentemente, da nossa época não é muito chegada a idolatrar nenhum político, seja ele de que partido for. Mas eu compreendi a atitude daqueles jovens porque Ciro Gomes é tão brilhante e também convincente em suas ricas e estratégicas explanações recheadas de tão importantes informações históricas e políticas - algumas até vividas por ele próprio sobre o nosso país -, que não tem quem o ouça com atenção e totalmente desarmado de preconceito, que não o admire. 

Aliás, eu cada vez mais me convenço de que Ciro Gomes é hoje o grande ESTADISTA que o nosso Brasil no fundo do poço em que se encontra não pode e não deve prescindir da presença dele na presidência da República se realmente todos nós estivermos desejando que o nosso país saia dessa humilhação a que estamos todos submetidos atualmente. Ele além de competente em cargos públicos, pois já provou a sua eficiência administrativa quando prefeito de capital, deputado estadual, deputado federal, governador de estado, ministro da integração, escritor com dois livros publicados sobre o Brasil, também já a provou na iniciativa privada, pois antes do golpe que tirou a Dilma do poder, ele estava trabalhando na CSN e pediu demissão para ir para a luta em prol desse nosso tão amado e ao mesmo tempo tão explorado país.

Agora também nos resta indagar por que ele chegou a esse estágio de eficiência tão elevado? A resposta é simples. Porque vem sistematicamente se preparando desde 2008, quando foi candidato pela primeira vez a presidente da República. Foi candidato novamente em 2002 e perdendo mais uma vez ao invés de ficar simplesmente na zona de conforto criticando os adversários, foi estudar economia e estratégia política em Havard e retornando, ao invés de logo se candidatar novamente, deu um tempo e foi andar pelo país afora para ver in loco e estudar as suas tão dispares regiões compreendendo profundamente todas as suas potencialidades, os seus gargalos e dificuldades também. 

Por isso é que ele hoje, em qualquer auditório, quer seja do próprio país ou até mesmo do exterior, ele sobe dá o seu recado e é aplaudidíssimo porque intuitivamente todos quanto estiverem presentes percebem logo que estão diante de alguém que exaustivamente se preparou para tão importante missão que é conduzir o seu país com patriotismo, capacidade, inteligência, criatividade, modernidade, respeito pela coisa pública, amor pelos interesses maiores de seu povo e de sua gente e o que mais importante para todos nós hoje dia – com honestidade à toda prova.

Ele começa a sua fala inicialmente cumprimentando as autoridades presentes ao local e depois a todo o auditório e em seguida utiliza como ponto de partido para a sua explanação a segunda guerra mundial que praticamente destruiu toda a Europa, bem como uma parte significativa do Oriente como o Japão e que foram os planos New Deal e Marshall capitaneados pelo grande presidente americano Roosevelt que para a sua consecução, por não haver dinheiro privado em quantidade suficiente para tão vultoso empreendimento, utilizou o dinheiro público americano possibilitando, em curtíssimo prazo, a reconstrução de toda a Europa e do Japão.

No que se refere ao Brasil ele delimita para a sua analise sobre a nossa cíclica evoluçãoinvolução sócio econômica o ano de 1940. Nessa data nós éramos uma simples republiqueta de terceira categoria que não sabíamos fabricar sequer uma pá, uma enxada, uma picareta. Essas ferramentas tão importantes para um país totalmente agrícola como o nosso na época, eram simplesmente fabricadas por ferreiros locais e ainda morávamos 80% no campo e apenas 20% na cidade.

Tudo o que produzíamos era simplesmente para o consumo individual da nossa população, com exceção apenas da monocultura da cana de açucar aqui por nós e o café mais para o sul que eram produtos exportados pela classe dominante, representada pelos nossos antigos proprietários de terras que eram reacionários, escravistas e atrasados.

Ante tamanha inocuidade e pobreza de visão dos representantes dessa classe produtiva nacional, começou a surgir pessoas com visões mais modernas na época e que enxergaram que o Brasil deveria urgentemente iniciar um processo de industrialização, justamente nesses itens de baixa tecnologia, mas que a gente tanto necessitava. E iniciou-se ali o nosso processo de industrialização comandado na época pelo grande Getúlio Dorneles Vargas que criou a Petrobras, a CSN - Companhia Siderúrgica Nacional e também a CLT – Confederação das Leis do Trabalho para proteger o trabalhador que era o elo mais fraco dessa corrente que estava se formando em prol da industrialização do país.

Em seguida ao desaparecimento de Getúlio aparece o grande político mineiro Juscelino Kubitschek que, como presidente da Republica, criou a indústria automobilística nacional promovendo a modernização geral do país. Nessa data o Brasil já era mais urbano que rural e praticamente estava muito perto de uma inversão total daquela realidade anterior em que 80% era Rural e 20% era urbano.

Depois vieram os militares que mesmo numa ditadura consolidaram todo esse processo de industrialização do Brasil. Com os militares, entretanto, ocorreu um fenômeno. Eles queriam dar continuidade a toda àquela expansão sofrida pela a indústria brasileira que se formava na época, mas não dispunham de recursos financeiros nem do próprio governo e nem tampouco da nossa iniciativa privado para tamanho empreendimento. 

E como não havia dinheiro nem público e nem privado para tantas obras estrategicamente planejadas e tão importantes para consolidar o processo de industrialização do país, como esses recursos necessários eram francos e baratos a nível internacional, com taxa de juros de apenas 3% ao ano, três anos de carência e quinze anos para pagar, o governo militar resolveu contrair uma dívida externa em dólares tomando dinheiro emprestado lá fora para enfim consolidar e construir os grandes empreendimentos nacionais como; portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, barragens, petroquímica e química fina, além de tudo o quanto pudesse ser viabilizado. 

Todo esse fluxo de dinheiro fácil e barato a nível internacional chegou até o ano de 1980, quando já 80% da população morava nas cidades e apenas 20% no campo invertendo-se totalmente aquela realidade do inicio de todo esse processo. Por fim esse modelo se exauriu de vez e não se cuidou em tempo hábil de se formatar um novo modelo de desenvolvimento econômico para o país porque, infelizmente, havia uma nova e prioritária luta em marcha que era a urgente redemocratização do país e por isso mesmo é que todos os esforços foram utilizados nessa direção. 

Sabia-se das dificuldades que futuramente teriam de serem enfrentadas por não se ter cuidado logo da renovação de todo aquele processo desenvolvimentista, porém a união em torno da redemocratização era bem mais forte do que os próprios problemas econômicos do pais. Com a redemocratização concluída, teve-se enfim uma ideia mais acurada do que estava ocorrendo verdadeiramente com o país em termos econômicos, visto predominar uma hiperinflação que chegou a 84 % ao mês e por isso mesmo precisava ser urgentemente debelada. 

Daí, vieram os fatídicos planos econômicos que infelizmente não conseguiram conter a inflação, ocorrendo somente com a implantação do plano real porque os economistas descobriram que os planos anteriores não tinham dado certo porque ao invés de terem tabelado o cambio que por si só controlava muitíssimos outros preços da economia, tabelaram os preços das mercadorias e esse procedimento não resolvia o problema.

Em todos os países do planeta Terra a inflação geralmente é vista como uma doença da moeda e como tal todas as forças produtivas automaticamente se voltam contra ela. Mas aqui no Brasil descobriu-se que não, pois ela, a inflação, era na verdade uma espécie de imposto que repassava dinheiro dos pobres para os ricos e foi por isso mesmo que ela durou tanto tempo, chegando até a implantação do plano real.

O plano real instituído no governo de Itamar Franco era como uma espécie de remédio que se toma para passar a febre e não para promover a cura total da inflação. Na verdade, ele precisava de outros ajustes que não foram feitos no próximo governo de FHC porque ele com o ego inflado pela popularidade do real atribuído pela grande mídia a ele preferiu fazer, ao invés das reformas que estavam previstas, simplesmente aprovar primeiramente a sua reeleição e depois igualar as empresas estrangeiras às brasileiras, drenando enormes quantidades de recursos em dólares para os seus países de origem.

Quando FHC assumiu a nossa divida interna correspondia aproximadamente 37 % do PIB e a carga tributaria era de 29 % do PIB. Quando entregou o governo a dívida já correspondia a 75 % do PIB e a carga tributária era de 42% do PIB. O cambio era de aproximadamente 1 real para 1 dólar quando entrou. E quando entregou a Lula era de 9,2 reais para 1 E dólar, esse fato promoveu um empobrecimento geral da sociedade brasileira e foi justamente esse fato que permitiu mais facilmente a chegada de Lula ao poder. 

Quanto ao governo de Lula apesar de ter feito um grande governo para os mais pobres e necessitados desse país e também até para os ricos que nunca haviam ganhado tanto dinheiro, todavia, também não fez as reformas que estavam previstas e se sustentou até o fim porque os preços de nossas commodities nunca estiveram tão elevados nos mercados internacionais e isso permitiu que o país pagasse as suas contas em dólares, não aparecendo nenhum déficit no nosso balanço de pagamentos com o exterior. 

Outro fato que também ajudou o Lula, mesmo com o mensalão tão exaustivamente divulgado pela grande imprensa a se manter no governo foi que ele nunca perdeu o povo e por isso mesmo é que a direita há doze anos fora do poder e no ostracismo, não encontrou da parte da sociedade apoio incondicional para os seus planos de derrubá-lo. Finalmente faz um histórico do governo Dilma e diz que ela é uma pessoa honesta e também que não cometeu nenhum crime de responsabilidade que justificasse o que fizeram com ela. 

Porém, ela perdeu a rua ao mentir afirmando durante a campanha que estava tudo bem com o país e logo ao se eleger colocou o Levi no Ministério da Economia que logo desvalorizou significativamente o cambio, aumentou a taxa de juros para 14,5 % e também aumentou significativamente o valor das tarifas de energia elétrica, passagens de ônibus e promovendo um aumento geral dos preços em toda a economia, fato que sinalizou para o povo que - com essas suas medidas ele, o povo -, estava empobrecendo de novo. 

Nessa conjuntura, foi fácil a mídia golpista junto com os plutocratas nacionais e os interesses geopolíticos externos que estavam interessados numa urgente reforma da previdência para empurrar a classe média para a previdência privada dos bancos, também no pré-sal e sua tecnologia de prospecção, no aquífero guarani, na base de lançamento de Alcântara e na biodiversidade da Amazônia, mobilizarem parte da classe média alta que sempre foi sua eterna parceira a ir para as ruas e exigir o impeachment da Dilma e isso aconteceu pelo simples fato de ela ter perdido, como ele mesmo diz, a rua. 

É tão plausível, clara e flagrante a maquinação feita que logo ao assumirem o poder os golpistas sem autoridade moral e sem consulta nenhuma a toda sociedade interessada, unilateralmente começaram a implantar a agenda que se comprometeram a cumprir com os reais e poderosos senhores promotores do golpe. Por fim chegamos ao fundo do poço com uma brutal crise moral, ética, politica e econômica sem precedentes nos registros de nossa história. 

E nessa brincadeirinha de lesa pátria, o país contraiu uma dívida interna gigantesca, desindustrializou-se, não existe mais capitais fáceis e baratos internacionais, pois hoje o dinheiro é basicamente eletrônico e chamado de Smart Money que pode se deslocar com a velocidade da luz diretamente de Wall Street para qualquer país do interesse do famigerado mercado financeiro, ou para quebrá-lo, ou até mesmo para ajudá-lo - se isso convier a eles -, a sair de certas situações de inadimplência com os seus parceiros comerciais. 

Finalmente conclui dizendo que se o diagnóstico por ele levantado está correto, também as soluções estão à vista. O Brasil precisa de um grande esforço nacional no sentido de urgentemente se estabelecer um plano de desenvolvimento nacional que contemple: uma auditoria de nossa divida interna que já consome mais de 50 % por cento de nossa receita liquida, uma industrialização nos setores em que o Brasil está pagando bilhões de dólares como o complexo industrial do petróleo e gás, o complexo industrial da saúde, o complexo industrial do agronegócio e finalmente do complexo industrial da defesa. 

Mas, além de se cuidar desses setores altamente importantes para o desenvolvimento sadio e sustentado do país, também se precisa fazer uma reforma política que se concretize pelo menos a longo prazo, uma reforma tributária que contemple em forma de maior sacrifício para os mais privilegiados e desonere na medida do possível os menos privilegiados e cujos resultados sejam também distribuídos equitativamente com todos os entes confederados que são a união, os estados e os municípios.

Para isso ele acha e propõe que o novo presidente eleito, com a autoridade que ele geralmente incorpora ao empossar, pode muito bem chamar todos os governadores dos estados brasileiros que estão quase todos quebrados para uma conversa que implique não apenas numa simples troca de favores como cinicamente se faz hoje, mas sim, através de um plano de salvaguardar a situação financeira de todos os estados e municípios com a contrapartida da ajuda dos governadores e prefeitos para a aprovação no Congresso das leis que necessitem para se obter tal intento. 

Foram tantas as informações e detalhes repassados na sua palestra que seria praticamente impossível descrevê-los todos e por isso mesmo eu consegui colocar apenas um resumo das principais ideias que ele desenvolveu no decorrer da sua tão contundente e aplaudida fala. O melhor foi que todos os que estavam presentes ao ato o aplaudiram de pé como já foi dito, o que para todos também significou concordância total com tudo quanto ele disse.

Agora de minha parte o que eu acho mais importante em todas essas palestras que o Ciro Gomes vez fazendo e que estão sendo todas transmitidas pela internet através do YouTube, é que ele está desenvolvendo uma prática politica que nenhum outro político nesse pais se aventurou a fazer que é ensinar aos estudantes universitários para formar uma corrente de opinião sobre ideias de como se levou o pais à crise e como com inteligência sair dela e ao próprio povo que as assiste também, rudimentos de economia e história politica do Brasil. 

O Brasil que está majoritariamente antenado na Internet e que por isso mesmo vem acompanhando os ensinamentos de Ciro Gomes, está sabendo mais macro economia e história política do país do que o próprio candidato da extrema direita que, infelizmente, ainda não sabe quase nada. Hoje, graças a essa proeza do Ciro Gomes, qualquer cidadão do povo já sabe o que significa o famoso tripé macroeconômico que é a taxa de juros, o cambio e o superávit primário. 

Para mim que também conheço todos os meandros da velha forma de se fazer politica nesse país, é um bom sinal, pois significa que Ciro Gomes não está apenas querendo engabelar as pessoas como normalmente fazem os nossos velhos e já corrompidos políticos profissionais, pois quem ensina geralmente não quer enganar, mas simplesmente educar, e isso, a meu ver no Brasil, já pode ser considerado como um grande avanço na forma de um dia se poder fazer política com um verdadeiro “P” bem maiúsculo. 



Emílio.
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