domingo, 31 de dezembro de 2017
Por: Emílio Oliveira
Toda família, tem os seus prós e também os seus contras. Geralmente há, em todas elas, pessoas com diversos perfis psicológicos diferentes. Todavia, não vou aqui me dedicar a analisar os perfis dos demais membros da minha família, mas, especificamente de uma pessoa tão boa que, infelizmente, nos deixou todos órfãos de sua presença e também de sua tão benquista convivência. Trata-se da minha querida irmã Fanquica.

Mesmo a gente já a tendo sepultado, vez por outra, ainda me pego achando que toda aquela nossa agonia inicial com a brusca notícia do problema que a levou ao nosso hospital local em busca de atendimento de emergência, do seu transporte para Mossoró, e finalmente do seu respectivo falecimento no Hospital Wilson Rosado, foi apenas um sonho ruim que logo vai se acabar e voltar à antiga realidade com ela, mesmo magrinha e fraca como já estava, mas ainda viva entre nós.

Durante toda sua existência Fanquica foi uma pessoa completamente diferente de todos os demais membros de nossa tão complicada família. Ela era harmoniosa, agregadora, excessivamente humana, compreensiva, boa por natureza, sempre solidária com o sofrimento dos outros e a luz maior que Deus na sua compaixão nos presenteou para iluminar todos os outros componentes como se diz da família Pereira, embora que, verdadeiramente, sejamos Oliveira. 

Geralmente, nas minhas constantes elucubrações mentais fico me perguntado por que Deus, tão sábio como tem demonstrado ser, prefere levar da vida terrestre primeiramente os bons e somente depois não digo os maus, mas, sobretudo, aqueles que, infelizmente, ainda não conseguiram se harmonizar com tudo e com todos. Quando essas coisas acontecem - o que não é raro entre nós -, fico procurando uma resposta racional para compreender esses tão esdrúxulos fatos do cotidiano de todas as nossas vidas. 

Na homenagem que os seus amigos/amigas católicas lhe dedicaram em cerimônia de corpo presente na Igreja, eu me atrevi a dizer algumas palavras sobre a sua tão rica convivência entre nós, mas confesso que tocado pela forte emoção daquele momento tão triste não somente para nós da família, mas também para toda a comunidade presente ao ato, não consegui dizer tudo o que tinha para falar sobre essa tão querida irmã.

Ela nasceu no dia 07/04/1959, às 7:00 horas da manhã, naquela casa que hoje pertence ao nosso amigo Enilson Fernandes e que papai havia construído dois anos antes. A nossa mãe já havia tido dez filhos e um aborto e ela foi a última que chegou em nossa casa. Como já havia três filhos homens, mamãe queria muito que nascesse uma menina talvez até para fazer mais companhia a ela, pois uma filha sempre está mais presente na vida de uma mãe que um filho. E assim, pela graça de Deus, aconteceu!

Ela era tão bonitinha, com o nariz afilado, os olhinhos pretos, vivos e brilhantes e principalmente a marca mais tradicional de nossa família que era uma mancha arredondada de uma cor da pele mais escura do que o resto do rosto no centro da testa. De todos os filhos de mamãe que eu cheguei a ver e foram quase todos porque eu fui o primeiro, todos tinham essa característica genética que mais tarde em tom de brincadeira eu dizia que era a prova de que nós dos Pereira ou Oliveira, somos velhos espíritos guerreiros que viemos dos confins da Galáxia.

Para todos nós da família foi uma verdadeira festa o seu nascimento. Éramos três homens e um deles, Duquinha, morava com o nosso Avô Romão Ferreira. De repente, apareceu uma mulher que além de evoluída espiritualmente também encantou com o seu crescimento pessoal toda a nossa vida. Ela foi durante toda a sua existência uma boa filha, boa irmã, boa neta, boa mãe, boa avó, boa esposa, boa professora, boa diretora, boa secretaria de educação, boa religiosa, boa amiga, boa cidadã e boa em tudo quanto se possa analisar sobre o seu comportamento enquanto viva.

Ainda quando estudava, pelas dificuldades que a vida nos oferece talvez até para testar a nossa resistência, foi obrigada a morar na casa de um amigo nosso Jaime Ferreira de Souza em Mossoró e lá construiu uma amizade tão sólida e fraternal com todos os filhos e filhas de Jaime, ao ponto de Neuza, esposa de Jaime, dizer certa vez que parecia até que Fanquica era sua filha e não de Terezinha, que era a nossa mãe.

Depois, para não sobrecarregar mais o amigo Jaime, ela se transferiu para Aracati no Ceará, onde foi estudar e morar na casa de nossa querida tia Cleonice, e lá ela também soube se harmonizar com todas as suas primas Nanci, Nancira, Neli e o primo Narcizo, ao ponto de também ser tratada da mesma forma que as filhas de Didi, como a gente carinhosamente ainda chama. Infelizmente, Didi, por se encontrar atualmente bastante doente, não pode comparecer ao seu sepultamento.

Por isso minha querida irmã, muito me orgulha de ter sido seu irmão e ter acompanhado e admirado toda a trajetória de sua curta, mas tão produtiva vida. Você me conhecia bem mais do que todos os outros irmãos e também sabia que a facilidade que tinha para externar meus pensamentos, nunca foi à mesma para externar meus sentimentos. Todavia, sempre tive você assentada no mais fundo do meu coração. Você foi a nossa ponte, o nosso esteio, a nossa benção e a nossa esperança maior de socorro nas horas tão difíceis de nossa família.

Lembro-me perfeitamente dos nossos inconsequentes desentendimentos políticos onde você se portava sempre como uma verdadeira embaixatriz da paz, procurando racionalmente mostrar a todos nós as incoerências de nossas posições individuais e que o ideal seria a união de todos porque, ao invés de dividir, fortaleceria ainda mais a nossa tão conflituosa família. Nesses momentos, outro fato que me fazia cada vez mais admirá-la é que tentava cumprir aquela tão sagrada e racional missão sem demonstrar nenhuma espécie de parcialidade em qualquer de nossas posições individuais, o que evitava sempre qualquer animosidade de nossa parte em relação ao seu tão coerente posicionamento. 

Sua luz nos iluminou aqui até o dia de sua partida, mas acredito também que para onde você tiver sido enviada por Deus, continuará irradiando aquela mesma luz que durante toda a sua vida nos fez tanto bem. Eu sempre achei você uma pessoa evolucionadíssima tanto em consciência quanto em espiritualidade, fato que é uma raridade hoje em dia. Por não ser religioso e algumas vezes até fazer contestações em conversa com você a esse respeito, percebia como você não querendo entrar no conflito de ideias comigo, apenas ria, se calava, mudava de assunto e eu entendia.

Vindo de você querida irmã, somente não entendi o que fez com você mesma e também com todos nós da sua família que você tanto procurou preservar e proteger enquanto viva, ao mesmo tempo em que escondia de nós a sua doença até o fim. Hoje, à luz de tão triste realidade, penso que desde o tempo daquele longo e penoso tratamento de nosso pai no qual você foi o respaldo maior, já devia estar sentindo os primeiros sintomas dessa tão maldita doença que impiedosamente a levou de todos nós.

Por que você enfim minha irmã - uma pessoa tão consciente que era não procurou se tratar em tempo hábil para que todos nós pudéssemos continuar desfrutando de sua tão importante presença? O que a levou a esconder de todos nós os sintomas de uma doença tão fatal que já havia levado à morte a nossa avó materna e paterna, o nosso pai e um nosso tio de nossa presença até o seu desfecho final levando você também? Por que? Por que? E por que?

Quando eu comecei a perceber o seu brusco e rápido emagrecimento fiquei logo preocupado e quantas vezes lhe perguntei se você sentia alguma coisa e você dizia somente que sentia apenas uma dor nas costas e que a perda de peso devia ser da glicose que subira um pouco e que por isso havia diminuído o consumo excessivo de carboidratos e também por que estava se sentindo um pouco depressiva. 

Como eu também emagreci um pouco por causa da glicose e já venho sentindo uma dor nas costas há mais de trinta anos e ainda estou vivo, eu me tranquilizava um pouco, mas a minha intuição sempre me dizia que havia algo de muito errado com o estado de saúde dela. Então eu sugeria que ela fizesse um exame de imagens e ela dizia que ia fazer e não fazia talvez porque se fizesse o seu problema viria logo à tona e como ela já sabia que era grave, não queria com seus problemas perturbar nem a nossa paz e nem a de suas três filhas, pois uma concluira o curso de graduação, a outra de mestrado e a outra está concluindo o curso de doutorado.

Até nisso irmã você foi uma verdadeira mestra e heroína, pois conseguiu com esforço próprio e também de seu marido Eduardo, primeiramente graduar ou formar as suas três filhas como normalmente se diz, mas também fazer duas delas galgar degraus mais elevados na carreira cientifica, fato que ainda é uma rarridade nas famílias brasileiras. Noutras palavras, você cuidou com toda abnegação e carinho possível de todos os membros de sua tão amada família, mas, infelizmente irmã, não cuidou de você mesma como era também necessário.

Como Deus a meu ver é o único princípio de justiça em todo o universo material e até nas outras dimensões onde deve prevalecer a espiritualidade maior, espero querida irmã, que ele consiga para você o lugar que você mais que merece. E como para mim você em vida foi sempre um anjo bom a guiar e iluminar todos os nossos passos no sentido de conseguirmos equilíbrio e moderação, espero também, que em qualquer dimensão para onde você for enviada, certamente que continuara a irradiar a sua brilhante luz sobre todos nós ainda aqui nesse vale de lágrimas. 

A nossa despedida foi mais que trágica e traumática, visto nem sequer ter acontecido irmã. Mas Deus na sua bem aventurança saberá com o tempo esmaecer de todos os nossos corações essa nossa tão sofrida perda e nos dar a certeza de que você está em boas mãos e torcendo por nós, orando por nós e principalmente iluminando todos os nossos caminhos até o abençoado dia em que brevemente todos nos reencontraremos novamente nos sublimes e magníficos portais da eternidade. Não lhe digo adeus querida irmã, mas apenas um até breve e que Deus lhe guarde e lhe proteja no seu eterno e verdadeiro amor incondicional!...

Emílio.


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