domingo, 26 de novembro de 2017
Por: Emílio Oliveira
Felizmente, ainda sou dos poucos que pertencem a uma geração politizada e que por isso mesmo procurava acompanhar a atuação no executivo e no legislativo de todos os políticos desse país, quer simpatizasse ou não com alguns deles, fato que geralmente acontecia. A nível nacional, me lembro bem da atuação de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves em Minas Gerais, Ademar de Barros, Ulisses Guimarães e Mario Covas em São Paulo, Leonel de Moura Brizola e João Goulart no Rio Grande do Sul, Carlos Lacerda e Marcelo Alencar no Rio de Janeiro, Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos em Pernambuco, Teotônio Vilela em Alagoas, Aluízio Alves e Dinarte Mariz no Rio Grande do Norte, Juarez Távora no Ceará, Petrônio Portela no Piauí, Jose Sarnei no Maranhão e João Agripino na Paraíba aqui nossa vizinha. 

Esses a nível local e nacional foram às estrelas maiores na grande constelação da política brasileira. Todos eles, ou no executivo ou no legislativo, na situação ou na oposição, sempre davam as cartas para o que acontecia politicamente no país. Naquele tempo, todas às 19:00 horas da noite, religiosamente se assistia a hora do Brasil no rádio ao invés da novela das oito que despolitiza e aliena o cidadão. Ainda se cantava o Hino Nacional e da Bandeira nas escolas e patrioticamente se vibrava com os eloquentes discursos dos candidatos e se chegava até ao ponto de se contribuir financeiramente com um candidato da nossa simpatia quando demonstrava não dispor de recursos financeiros para financiar sua campanha. 

Infelizmente, hoje, é tudo diferente. Quase ninguém mais vota. O voto é vergonhosa e antipatrioticamente negociado nas caladas das noites que antecedem o dia da eleição ou no próprio dia da eleição, quando o candidato corre menos risco de comprá-lo, e não recebê-lo. O descaramento é tamanho que qualquer candidato que se aventure a chegar à residência de qualquer cidadão para “pedir o voto” e se lá existirem cinco votos, são também cinco problemas que ele terá que resolver para se aventurar a pensar que aqueles votos na urna poderão sufragar o seu nome. 

E é justamente por esse motivo que o voto que é uma procuração que o cidadão dá ao politico para bem representá-lo se transformou numa simples mercadoria de valor agregado apenas no dia da eleição, pois passada está, os políticos eleitos vão embora para Brasília e logo também procuram vender os seus mandatos a quem evidentemente tenha dinheiro para comprá-lo, aparecendo por aqui novamente apenas nas próximas eleições, quando precisam do voto outra vez para renovarem os seus eternos mandatos.

A compra criminosa de votos é tão flagrante e natural no Brasil que dá até nojo. Porém, de forma hipócrita somente é percebida quando o perdedor procura a justiça para no tapetão tentar retirar o mandato do eleito que comprou mais votos do que ele próprio que também comprou, embora tenha sido menos. Na verdade é uma grande farsa e quem se beneficia com isso são os mesmos ricos e poderosos de sempre - como também os mais prejudicados são os mesmos de sempre que é o povo sofrido e que em cada eleição se torna mais pobre e mais carente porque se acostumou a vender o seu voto por um valor monetário ou até mesmo por uma vã promessa de receber alguma coisa qualquer depois da eleição. 

Há inclusive os que afirmam que é um bom negócio venderem os seus votos, pois no dia do pleito arrecadam um valor significativo que se trabalhassem três meses não conseguiriam e no fim votam num candidato qualquer que dois meses depois nem sequer mais lembram o nome do felizardo. Há também os que pensam que são honestos e de palavra porque somente votam em quem lhes dão dinheiro e chegam até a dizer com certo orgulho que nunca enganaram ninguém, mas que somente ajudam com o voto a quem lhes ajudar financeiramente. Esses dois segmentos de eleitores juntos, pelo menos aqui no Nordeste, representam hoje mais 70% do eleitorado da nossa região. Os outros que são menos de 30% dos eleitores, infelizmente, não dar para eleger nenhuma maioria que é quem realmente decide os rumos da nação.

Vez por outra vejo e ouço as pessoas metendo o pau nos políticos e dizendo que eles são ladrões e desonestos e que são isso e aquilo, mas nunca fazem uma autorreflexão sobre os seus próprios comportamentos. Já fui político partidário e ainda continuo sendo como cidadão e tenho plena consciência do que estou falando. Para quem interessar possa, foram justamente essas aberrantes e imorais distorções que os eleitores obrigam os políticos a fazerem o que me levou a sair da política partidária. É verdade que os políticos são corruptos e desonestos, porém, todos eles, salvo raras exceções, se corromperam forçado pelos imorais e absurdos pedidos das pessoas do povo que, infelizmente, não estão interessadas em conquistarem uma boa escola, uma creche, um posto de saúde ou até mesmo um bom hospital para si e sua família.

Pois é justamente nesse ambiente de total promiscuidade eleitoral que o político sai doidinho atrás de quem lhes possa arrumar dinheiro para comprar votos porque sabe que - se não dispuserem de dinheiro para comprar os votos e as consciências da maioria dos eleitores, simplesmente vai perder a eleição. Esse é o fatídico panorama de nossa realidade eleitoral e como consequência vem também nossa triste realidade moral, ética, politica e econômica que à duras penas estamos atravessando. 

Agora uma pergunta: qual o porquê de tamanha e tão grave despolitização da população brasileira? Durante os 21 anos da ditadura militar que os mais jovens de hoje felizmente não viveram, fomos proibidos de com os nossos sagrados votos elegermos o nosso presidente da república, os governadores de estado e até mesmo os prefeitos das capitais dos estados brasileiros. Porém, ainda não satisfeitos com tanto autoritarismo, expulsaram, exilaram, prenderam, torturam e mataram políticos, artistas e pessoas do povo que na esquizofrênica e obscura visão deles, ameaçavam o regime. Por último, veio o decreto Lei 477 que proibia a discussão de assuntos políticos em todas as escolas brasileiras, tendo sido substituído de forma autoritária pelo famigerado ensino de educação moral e cívica.

Eis aí, portanto, a origem da despolitização da população brasileira e principalmente dos mais jovens que, por tudo o que aconteceu no passado, não se sentem nem um pouco entusiasmados para militarem na política partidária. E como todo esse processo e o resultado de um sórdido plano para alienar politicamente as futuras gerações desse país, com a queda da ditadura e o retorno da democracia, aprovaram logo o voto dos que completam 16 anos de idade porque os que mandam no país sabiam e sabem que essa população sem nenhum traquejo eleitoral e nem consciência política, seria justamente o contrapeso contra o retorno a politica de velhos políticos nacionalistas como Brizola, Miguel Arraes e tantos outros que aqui chegavam do exílio forçado a que foram submetidos. 

As contradições são tão flagrantes que somente não vê quem não quer. Pelo Código do Menor e do Adolescente, um jovem com menos de 18 anos nesse país é inimputável, ou seja, não pode ser preso por roubar, matar, estuprar, se drogar, vender drogas e tudo o mais que lhe possa ser atribuído. Mas, coincidentemente, pode eleger com o seu voto o presidente da república que é a maior autoridade do país. Interessante, não? Ora, a resposta é mais que clara! Essa população mais jovem e despolitizada e sem quase nenhuma consciência politica é justamente a salvaguarda para que os mesmos de sempre continuem a mandar e desmandar no país perpetuando as injustiças sociais que teimam em continuar ao longo de nossa tão triste história.

Como agravante para todo esse processo de exclusão social, econômica e política, esses insaciáveis senhores, ainda não satisfeitos pelo que já fizeram de mal contra a população mais jovem e mais empobrecida que desnorteada e alienada briga por futebol, mas nunca por seus direitos, que mata sem motivo plausível e que forma a sua opinião através de inserções quase sempre distorcidos dos canais de televisão que infelizmente é a máquina de alienar desse criminoso sistema, querem agora e vão conseguir, implantar a já tão propalada “escola sem partido” para de vez controlarem no futuro, através dos meios de comunicação de massa que lhes pertencem, toda a população do nosso pais. 

Contudo, o mais grave que antevejo nesse processo alienatório que a mídia esta utilizando para desinformar as massas aqui e alhures é que de uma forma subconsciente está colocando nelas, como uma espécie de implante, uma mentalidade totalmente autocrata que produz higidez mental por não permitir o confronto de ideias, fato que pode inclusive explicar a violência que grassa impune e solta em todas as regiões do nosso país. Isso posto, não tenho a menor dúvida de que deve ser na escola aonde se precisa mais falar mais sobre politica porque é dali que sairão os futuros eleitores, os dirigentes municipais, os dirigentes estaduais e os presidentes da república também. Por esse motivo é que acho que deveria ser obrigatoriamente implantada uma cadeira de ciências políticas em todas as escolas brasileiras, desde o jardim de infância até mesmo a universidade, onde o estudante enfim conclui a formação de sua personalidade. 

Se partirmos do pressuposto de que a única coisa totalmente globalizada no mundo de hoje é a informação, todo esse processo autocrata altamente perigoso para o futuro da humanidade, está se formando não apenas no Brasil, mas também em todos os outros países. Mas enfim, o que é uma pessoa autocrata? É um ser humano autoritário e vaidoso que geralmente acha que as suas ideias são as únicas certas e não passiveis de críticas e que por isso mesmo devem ser implantadas como um paradigma para o bem de toda a sociedade. Noutras palavras, geralmente é um sujeito belicoso como o Hitler foi na Alemanha e como os atuais Donald Trump, nos EUA; o Putin, na Rússia; o Erdogan, na Turquia; o Chaves, na Venezuela; o Kim Jong-um, na Coréia do Norte; e o Basshar al- Assad, na Síria, entre outros.

Por um processo de pura identificação de ideias e modus operandi de vidas, as mentes das massas hígidas e autocratas de todo o mundo estão sendo atraídas para essas pessoas que têm a mesma vibração que elas, fato que vem colocando toda a humanidade numa futura séria ameaça de destruição nuclear, uma vez que muitos desses personagens mobilizam exércitos poderosíssimos, além de todo o arsenal nuclear do planeta.

Aos mais desavisados afirmo que esse foi um dos motivos porque o Trump foi eleito presidente dos EUA e aqui no Brasil o nosso Trump tupiniquim que é o candidato preferido dos mais jovens, está sendo também bastante atraído pelas nossas massas que, infelizmente, os donos do poder nunca permitiram que elas pudessem dispor de nenhuma referência verdadeiramente cidadã sobre o que seja realmente uma democracia. 

Entretanto, o mais deletério de todo esse processo de auto exclusão da própria juventude despolitizada é que ela, pelas manipulações de que propositadamente tem sido vítima, está totalmente sem possibilidade de enxergar outros horizontes bem mais coerentes e arejados também. Ante o contexto das incontáveis manipulações que lhes vêm maciçamente sendo impingidas, não tem como vislumbrar uma saída mais coerente e racional para o que esta realmente acontecendo com o país. 

Talvez seja até por isso mesmo que não tem adiantado muito o aparecimento de outros candidatos com mais experiência administrativa, com projetos mais exequíveis, administráveis e coerentes com as nossas reais e eternas necessidades. Para essa tão despolitizada gente, o que vale mesmo é somente o que foi implantado como uma espécie de chip em suas duras cabeças manipuladas de forma sub conscientemente. 

Há algum tempo que venho acompanhando pelo YouTube a mobilidade de alguns pretensos candidatos a presidência da República e não tenho nenhum dúvida em afirmar que o melhor candidato para o Brasil e também para todos nós brasileiros, é sem dúvida o Ciro Gomes, do nosso vizinho Estado do Ceará. Ele já foi prefeito, governador, ministro da fazenda na época do real, ministro da integração nacional no tempo do Lula e desenganchou o projeto de transposição do São Francisco, escreveu dois livros, estudou economia em Havard, é um politico honesto chegando ao ponto de renunciar a três pensões a que tem direito, gosta realmente do povo e tem um projeto de desenvolvimento nacional o que é mais importante. 



Mas só que mesmo diante de todas essas qualidades acima apontadas num excelente, competente e patriota candidato, os jovens do Brasil, na expressão de sua maioria, estão sendo subconscientemente induzidos a respaldar com seus tão importantes votos que poderiam libertar de vez o nosso país das amarras do insaciável mercado, a votar num cara que nunca administrou sequer a cozinha de sua casa. Quanta inocência meu Deus!..
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