domingo, 12 de novembro de 2017
Por: Emílio Oliveira
Esse título acima é também o contundente título de um livro lançado recentemente pelo sociólogo da USP, o professor Jessé Souza, e editado pela Editora LEYA, como uma espécie de critica ou contrapartida ao livro Raízes do Brasil do historiador Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936 e infelizmente eternizado e até mesmo publicizado por incontáveis intelectuais de todas as colorações ideológicas e partidárias brasileiras. Quase toda a elite universitária desse país, tanto da esquerda, quanto da direita, foram gestadas na crença incontestada de que essa era uma obra modelo em virtude da profundidade com que ela analisava as eternas e insolúveis questões do país. 

Não é bom esquecer que esse paradigma se manteve quase que intacto desde o lançamento de Raízes do Brasil em 1936, e somente agora, o professor Jessé Souza, com muita clareza e proficiência, resolve tentar implodir aquilo que se tinha no meio acadêmico brasileiro como uma verdade quase que absoluta. A ELITE DO ATRASO DA ESCARVIDÃO À LAVA JATO é, portanto, uma leitura critica contra a interpretação dominante do país descrito em Raízes do Brasil que, por coincidência ou não, também é difundida no nosso dia-a-dia pela mídia comprometida com essa nossa patética e inusitada exclusão social.

Do “homem cordial” de Sérgio Buarque aos “donos do poder” de Raimundo Faoro, da visão do estado corrupto e patrimonial a qual Fernando Henrique Cardoso se alinhou e a figura do “jeitinho brasileiro” interpretada por Roberto DaMata, essa leitura marginalizadora de Raízes do Brasil mais que ajudou a sedimentar a síndrome do vira-lata no brasileiro e a espalhar a ideia de que a corrupção política no Estado brasileiro é o grande problema nacional a ser removido – um problema que teria sido herdado especialmente de nossa formação ibérica. 

Daí o sucesso da operação Lava Jato numa sociedade pouco lida e anda por remover todos os males na forma de eternos entulhos espalhados e até mesmo incrustrados sempre no Estado brasileiro que infelizmente se tornou propriedade de uma única classe que é a dos plutocratas e seus eternos prepostos da classe média. Essa é uma falsa ideia garante Jessé Souza e eu concordo plenamente com ele numa obra que reúne a revisão conceitual e acadêmica presente em a Tolice da Inteligência Brasileira, com a contundência estilística de A Radiografia do Golpe – dois best-sellers lançados pela LEYA entre 2015 e 2016. 

No Brasil de 2017, o sociólogo lembra que o livro Raízes do Brasil é fundamental para se entender o país da Lava Jato. A limpeza da política do procurador Deltan Dallagnol e do Juiz Sérgio Moro como afirma Jessé, se legitima com Sérgio Buarque e seus epígonos; a mídia (e em particular a Rede Globo) que legitima sua disfarçada violência simbólica do mesmo modus operandi. Para desconstruir essa legitimação naturalizada ao longo de décadas, A elite do atraso ataca sempre em três eixos bem definidos.

Primeiro, toma a experiência da escravidão e não a suposta e abstrata continuidade com Portugal e seu “patrimonialismo”, como a semente da sociedade desigual, perversa e excludente do Brasil; 

Segundo, analisa como a luta de classes por privilégios construiu alianças e preconceitos que esclarecem o padrão histórico repetido nos embates políticos do Brasil moderno; aqui o autor olha também a cultura, incluindo laços familiares e afetivos, e não apenas as simples relações econômicas, para compreender as diferentes classes sociais e explicar o nosso comportamento real e prático no dia a dia.

Terceiro, o professor Jessé Souza, faz um diagnóstico do momento atual, batendo forte no que ele chama de conluio entre a grande mídia e a Lava Jato;

A elite do atraso é, portanto, um livro para ser não somente lido, mas também apoiado, discutido, debatido, estudado e até mesmo questionado. Todavia, será impossível reagir de maneira indiferente à leitura contundente desse livro: A ELITE DO ATRASO DA ESCRAVIDÃO À LAVA JATO de Jessé Souza aos nossos Cânones acadêmicos e midiáticos. Portanto, aconselho aos leitores mais interessados no assunto que não percam a oportunidade de lê-lo com um pouco mais de profundidade e também sem preconceitos. 

Eu confesso que ainda não o li embora já o tenha comprado e será o próximo na minha relação de obras a serem lidas brevemente e, quando o fizer, voltarei a comentá-lo com mais profundidade e riqueza de detalhes. Todavia, olhando ligeiramente os capítulos e lendo-se os títulos dos mesmos, têm-se uma visão mais intuitiva e menos empírica, do que o autor está tentando desmontar – que é uma explicação falsa, dominadora e excludente da parte de nossa elite intelectual que também vítima de tão vil processo, se amolda aos interesses dos dominadores, contribuindo involuntariamente para eternizar a nossa dependência. 

Apesar de reconhecer a importância de Casa-grande e Senzala de Gilberto Freire e também a visão intelectual de outro livro seu, Sobrados e mocambos, não obstante, faz algumas ressalvas sobre a ambiguidade de seu posicionamento nessas obras. Deprecia Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda por justificar ideologicamente tudo o que aconteceu no passado e ainda está acontecendo hoje no Brasil, apesar de reconhecer que essa obra tem sido adotada quase que como uma unanimidade em todas as universidades brasileiras.

Por fim, critica Raimundo Faoro, Roberto DaMata e Fernando Henrique Cardoso como seus seguidores, nessa marcha depreciativa da construção do homem brasileiro mais animal que espiritual e elogia o grade Darcy Ribeiro que se atreveu a criar a ideia de um homem brasileiro superior construído pela longa miscigenação das raças que participaram de nossa formação étnica, pois aqui, como dizia o próprio Darcy Ribeiro, espontaneamente se formou uma fábrica de gentes com características genéticas de todas as raças.

Se eu entendi direito o que o professor Jessé está querendo dizer nesse livro é que a classe dominante brasileira em associação e conluio com a estrangeira também, coadjuvados por ideologias criadas por nossos próprios intelectuais internos, ajudaram a solidificar em toda a sociedade brasileira essa sensação de que nós brasileiros somos corruptos por natureza e que essa corrupção que veio desde Portugal se entranhou no Estado brasileiro a tal ponto que gerou todas as mazelas que temos vivido desde os primórdios de nossa existência como nação.

E como o nosso Estado foi apropriado por segmentos sociais corrompidos como os políticos que são todos corruptos, ele precisa ser desmontado para que a normalidade econômica social, cultural, moral, ética e desenvolvimentista possa chegar ao nosso país e dar ao seu povo um padrão de vida decente que ele nunca teve. Nessa perspectiva, precisa-se urgentemente minimizar o Estado corrupto como é e fortalecer o Mercado que trará mais investimentos ao o país e bem estar para todos.

Agora sou eu quem vai meter o meu bedelho. Essa conversa é a velha cantilena do neoliberalismo, o mesmo que quebrou a própria sede do capitalismo internacional que é os EUA em 2008 e depois toda a Europa e agora está chegando ao Brasil e se alastrando, como fogo em palha, por toda a América Latina que já fora a cozinha dos gringos e agora está se transformando em seu chiqueiro, pois o neoliberalismo que fez tanto mal à própria sede do capitalismo, está sendo vendido aqui como se fosse ciência boa, quando na verdade, nem mesmo o FMI, o considera mais como um sistema positivo de política econômica. 

E porque não? Por que além dele ter quebrado os EUA, fez os gringos que viram seus empregos fugirem para a China e seus salários impiedosamente serem aviltados, revoltados com as perdas salariais elegerem o Trump - que é um presidente que mais os envergonha que propriamente os enobrece. Na verdade, quem está prejudicando a economia dos países de todo o mundo é esse capitalismo selvagem imposto pelo famigerado mercado que os inimigos do povo e do país tanto defendem, visto monopolizar as grandes corporações internacionais retirando e colocando dinheiro eletrônico nos países que rezam em sua ambiciosa e desumana cartilha de exploração. 

Para quem não sabe que fique sabendo! O mercado financeiro não investe para ajudar a ninguém especificamente, mas somente para auferir lucros e mais lucros. Ele vai sempre para onde render mais e indiferente às ideologias que as mídias que os representa reverbera massivamente nos países pobres do terceiro mundo, onde atua mais como rapinagem do que como investimento. Se fosse verdade que o mercado somente investe onde se faz as reformas impostas por ele, não teria ido para a China que é Comunista, mas que é hoje o maior repositório de investimentos capitalistas do planeta. E Porque foi mais para lá? Por que a mão de obra lá é baratíssima em relação aos países capitalistas e como o mercado visa somente o lucro, onde o lucro for maior é para onde ele vai. É simples assim!

Mas aqui no terceiro mundo a propaganda é sempre ameaçadora nesse sentido, pois até garante que se não forem feitas as reformas Trabalhista e da Previdência Social, o mercado não investe e o país vai ter mais problemas. O certo mesmo é que o mercado e sua mídia nunca diz ao povo que essas reformas prejudicam somente quem trabalha e vai apenas juntar mais dinheiro nos cofres públicos para o explorador mercado receber os altos juros da “nossa dívida interna”, sempre regulados por executivos dos bancos privados ou no Banco Central ou no próprio Ministério da Economia. 

O circo é tão ridículo que somente ancorados nas ideias concebidas pelos nossos intelectuais do passado, o mercado e seus aliados da mídia puderam convencer o nosso inocente povo e até a nossa classe média sempre aliciada, a acreditar que o Estado brasileiro é todo corrompido e que o Lula e o PT roubaram descaradamente e também praticaram mais corrupção do que todos os outros enquanto estiveram no poder. Eu, não tenho nenhum receio de dizer que o PT foi um dos partidos que, no poder, menos roubou nesse país. E olhe que eu nem voto no Lula e nem no PT, mas como cidadão não desinformado que sou e até por dever de consciência, me obrigo a fazer tal afirmação. 

Na verdade, foram o Lula e a Dilma que deram protagonismo ao Ministério Público que inclusive se transformou nos governos deles no quanto poder da República. Além ainda de ter dado total autonomia a nossa Polícia Federal que investigou quem quis incluindo aí até eles próprios, o Lula e a Dilma. No governo do PSDB representado por FHC, o Procurador Geral da República era conhecido era jocosamente alcunhado de engavetador oficial da República, ou seja, ele somente não abria nenhum processo contra os que estavam no poder, como todo e qualquer processo que chegava às suas mãos, ao invés de dar andamento, ele simplesmente o engavetava. Era assim e todos sabiam disso!

Eu já disse e volto a repetir: o Lula e a Dilma estão sendo satanizados pela mídia e pelo judiciário brasileiro não pelo que fizeram de mal ao país, mas pelo que fizeram de bem. Luz para todos, bolsa família, farmácia do trabalhador, casas populares, criação de inúmeras universidades e IEFs, crédito franco para investidores e trabalhadores, agricultura familiar, doação de máquinas e equipamentos as prefeituras, Fies, Pronatec, reativação dos estaleiros navais, descobrimento do Pré-sal e criação dos Brics, deram protagonismo global ao Brasil, fato que realmente incomodou a imperialista águia americana. 

Mas, com todas essas nossas mazelas sabe qual é o problema maior desse nosso país, amigos leitores? Nós próprios que, infelizmente, ainda não aprendemos a votar. Nós damos o nosso voto não pela qualidade, capacidade, honestidade, experiência, trabalho e honestidade comprovada do candidato, mas ou em troca do que ele nos dá, ou promete e depois engana e aí, de posse do mandato que nós lhes outorgamos, vai vendê-lo aos lobistas que representam as grandes empresas nacionais e estrangeiras e por isso é que o nosso país está do jeito que está. E se nós não mudarmos essa sistemática de eleger os nossos supostos representantes, vai continuar tudo como dantes no velho quartel de Abrantes. 

Ontem dia 11 começou a valer para todo o país a nova lei trabalhista aprovada por nossos representantes no Congresso Nacional, lei que, na verdade, é uma expropriação do fruto do trabalhador brasileiro. A partir dessa fatídica data, adeus aumento salarial e o salário mínimo foi praticamente abolido porque agora os patrões, sempre ávidos por mais lucros, vão pagar por horas trabalhadas e toda essa expropriação será feita contra o trabalhador e para beneficiar o mercado e a sua classe dominante. E o pior é que o trabalhador foi expropriado justamente porque quem, com o seu voto, foi para Brasília com a exclusiva missão de defendê-lo. Todavia, esse torpe procedimento tem o odiento nome de traição!

Tudo isso aconteceu transmitido ao vivo pela televisão e eu, decepcionado, não vi nenhum trabalhador nas ruas desse país contestando o que se estava fazendo contra ele naquelas duas casas que cinicamente dizem que é do povo. Então, finalmente nestes termos, pode se pensar da seguinte forma: numa sociedade de classes, quem não defende seus próprios direitos, infelizmente, termina sempre sem eles! Tenho dito!... 



Emílio.
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