domingo, 22 de outubro de 2017
Por: Emílio Oliveira
Eu às vezes fico pensando com os meus botões, será meu Deus que esse nosso tão amado país, o mais rico do planeta em potencialidades, vai continuar sempre assim deitado eternamente em seu berço esplêndido de pobreza e miséria cíclica, quando poderia dar ao seu humilde, inteligente e ainda inocente e desinformado povo, uma condição de dignidade que o mundo certamente nos invejaria? 

Quando eu ainda era um adolescente e tive o privilegio de estudar no Colégio Diocesano Santa Luzia na cidade de Mossoró, um dos melhores da época, todas às quintas-feiras, depois da primeira aula, saíamos todos das nossas salas de aula e íamos para o pátio externo bonito e alegre Hino Nacional. 

Naquele tão saudoso tempo, não somente nós adolescentes, mas todos os brasileiros sem exceção, tínhamos orgulho de ser brasileiro. Eu, particularmente, cantava com entusiasmo e ao mesmo tempo procurava entender a belíssima letra do nosso tão invejado hino. Porém, de todas as nobres palavras ali escritas, quatro delas me chamavam mais a atenção: “deitado eternamente em berço esplêndido”.

da Escola, onde se hasteava a nossa Bandeira Nacional e cantávamos todos com amor, vibração e patriotismo o nosso tão 

E na minha ainda tola inocência, achava que aquilo que tanto me emocionava, um dia todos nós alcançaríamos e o mundo nos admiraria e aplaudiria, todos nós sem exceção, pobres, ricos, pretos, brancos, índios, caboclos, pardos, imigrantes, ateus, religiosos e agnósticos deitados eternamente em nosso berço esplêndido que certamente construiríamos. Só que eu ainda não compreendia que para um país crescer, distribuir renda e dignidade com o seu povo trabalhador e se transformar numa grande nação precisa antes de tudo ter uma elite inteligente, ativa e patriota.

Inteligente, para perceber e reconhecer os verdadeiros caminhos do desenvolvimento; ativa, para segui-lo com dedicação, obstinação e também inclusão; e patriota, para vibrar e se orgulhar sempre mais e mais com as conquistas obtidas nesse tão nobre e belo objetivo. Entretanto, somente fui perceber o vazio patriótico e sem qualidade de nossas elites, quando na universidade me aventurei a estudar economia. 

Eu queria ser médico e curar as pessoas com ou sem dinheiro. Com esse objetivo havia estudado sozinho dois anos consecutivos de dia e de noite e me sentia preparado para passar no vestibular em qualquer Universidade do país. Mas, por influencia do Deputado Federal Antônio Florêncio de Queiroz que era amigo de meu pai e me orientou nesse sentido, resolvi de última hora mudar de ideia e fazer vestibular para economia na UERN em Mossoró e obtive a maior nota de toda a Universidade naquele ano. 

Pois bem, tirei o primeiro lugar de todas as classes da UERN no ano de 1973 e pensava que através da economia que iria estudar e realmente aprender eu também poderia ajudar com o meu esforço e a minha dedicação na construção daquele sonho cidadão de um grande, desenvolvido e forte país para todos. Mas, infelizmente, foi justamente lá na Universidade, convivendo com uma parte da elite desse país onde começou a se cristalizar dentro de mim as decepções nesse sentido. 

Logo percebi que as pessoas da elite que na época eram a maioria de nossa classe como: gerentes de bancos, grandes comerciantes locais e filhinhos de papais que chegavam no Campus da Universidade em carrões como continuam fazendo hoje, não estavam nem aí para aprenderem nada, pois o que queriam mesmo era apenas conseguirem o diploma de ciências econômicas para, através do velho jeitinho brasileiro, arranjarem um bom emprego e que fosse bem remunerado e que também não precisasse de muito esforço para exercê-lo e consegui-lo.

E eu que não possuía sequer roupas decentes como eles para frequentar aquele ambiente que eu classificava como de ricos, influenciado pelo deputado Antônio Florêncio que habilmente me desviara da medicina para a economia tendo para isso, inclusive, até me prometido um emprego bem remunerado assim que eu terminasse o curso lá no Polo Nordeste em Salvador, onde o chefe geral era uma pessoa que havia sido indicada por ele. Mesmo assim, já com o emprego pelo menos prometido, eu, diferentemente daquelas pessoas que eu jugava que eram da elite e realmente eram, queria era estudar de verdade e aprender tudo sobre a profissão que fora induzido a escolher, como sempre fiz durante toda a minha vida.

Ao adentrar na Universidade eu pensava realmente em ser um grande economista nordestino com todo orgulho e patriotismo e tentar junto com outros expoentes da profissão da região na época, viabilizar mudanças para destruir o eterno quadro dantesco de fome e miséria de nosso povo, ajudando-o a sair daquela situação de total desinformação para tentar construir o velho sonho do país eternamente deitado em berço esplêndido não de fome e miséria como era e ainda hoje é, mas de riqueza e prosperidade para todos os nordestinos e brasileiros.

Infelizmente, foi também ali onde eu percebi com tristeza e decepção o vazio patriótico de nossas elites. Salvo alguns gatos pingados como eu e mais uns quatro de uma classe de trinta e oito alunos, ninguém mais queira aprender coisa nenhuma. Quando descobriram que eu havia tirado a maior nota da Universidade naquele ano, não conseguia mais nem sequer ter sossego nas provas que fazia. De minha parte, era um desengano geral. Quase todos querendo apenas colar e poucos querendo realmente aprender. 

Mas o fosso dessas minhas preocupações se aprofundou ainda mais quando os fui conhecendo melhor e durante as nossas amistosas conversas percebia com estranheza os planos e projetos deles e o abismo e diferença de intenções que nos separavam. Durante dois anos consegui permanecer no curso de economia, mas ao perceber que nem a maioria dos estudantes estavam ali para aprender, e nem a tampouco os professores estavam também ali para ensinar, comecei a pensar numa saída para aquela minha inusitada situação.

De tão desnorteado que estava, já começava também a me escudar na vantagem prometida de conseguir um emprego fácil, visto que não estava aprendendo quase nada do que realmente sonhava em aprender. De repente, vem à bombástica notícia da morte súbita do deputado Antônio Florêncio de Queiroz em Brasília e aí, amigos, eu fiquei totalmente sem rumo e ali resolvi que devia deixar imediatamente aquele curso e procurar logo um que me desse condições de aprender a profissão e de arranjar um emprego com a minha própria capacidade. E assim, graças a Deus aconteceu.

Aparece o curso de Topografia na ESAM e a propaganda era que todos os concluintes da primeira turma já estariam empregados, visto que a Petrobras ao chegar a Mossoró, solicitou da ESAM a urgente necessidade de profissionais nessa área, pois os estava trazendo do Sul do país, com um custo muito alto para a empresa. E como eu estava já pensando em sobreviver dignamente com a minha profissão, nem sequer tranquei o curso, mas simplesmente o abandonei e fiz vestibular na ESAM, concluindo o curso de Tecnólogo em Topografia em 1976 e, no ano seguinte, fiz vestibular de agronomia e continuei a estudar naquela Escola até a conclusão em 1981 do curso de engenharia agronômica.

Diferentemente da UERN, na ESAM eu encontrei um ambiente mais compatível com a minha realidade de filho de pobre e lá eu realmente aprendi muito sobre a profissão que escolhera. Foi na também ESAM que consegui enxergar com toda a clareza possível o antipatriótico conluio que existe nesse país entre sua elite a maioria dela despreparada embora que também enxergasse nesse vazio de homens e de ideias ilhas de competência, sempre a desserviço do país e no sentido de deixar o povão trabalhador que carrega o país nas costas, excluído do processo distributivo dos vultosos recursos produzidos por toda a sociedade brasileira. 

No entanto, não é sobre a minha vida pessoal que pretendo escrever nesse domingo não, fato que, inclusive, nem sequer é meritório de minha parte. Eu apenas mostrei esses detalhes de minha vida pessoal para fundamentar com segurança a certeza que tenho do que passo a escrever doravante nesse texto. Infelizmente, a elite brasileira ainda sente nojo e asco do povo trabalhador desse país. Para ela, a Casa Grande & Senzala do grande escritor pernambucano Gilberto Freyre, ainda estava em voga na época e o que é pior é que na tacanha visão dela ainda está no presente. 

A grande raiva deles do Lula é que o Lula criou as cotas nas universidades brasileiras permitindo que os filhos de agricultores pobres, padeiros, pescadores, biscateiros e até de domésticas, competissem em igualdade de condições com os descendentes da elite e também se formassem em advogados, médicos e engenheiros. Além da competição pelas vagas nas universidades, há também hoje o problema da competição pelo emprego onde parece até que os filhos dos mais pobres estão levando vantagem em virtude de que estudam mais e aprendem também mais.

Para onde lançarmos os olhos nesse país hoje, perceberemos claramente que essa turma que ou é da elite excludente ou exclusivamente a representa, tomou o poder através de um golpe de estado retirando uma presidenta eleita pelo voto do povo e bem mais honesta do que todos eles juntos. Logo que se encastelaram no poder, iniciou-se imediatamente o processo de retirada maciça de seculares direitos de todos os trabalhadores, fazendo com que esse segmento tão importante de nossa população no futuro não tenha sequer a esperança de uma aposentadoria quando já cansados chegarem à velhice.

Se de um lado retiram direitos seculares dos trabalhadores brasileiros diminuindo ostensivamente seus rendimentos que já são mais que escassos, do outro, cinicamente, negociam as riquezas potenciais do país a preço vil que envergonha até mesmo o mais desonesto dos marginais. E para piorar ainda mais o triste e dantesco quadro de nossa triste realidade econômica, moral, ética, política e social a gente se envergonha todos os dias quando assiste ao noticiário da televisão ou dos rádios locais anunciando as negociatas dos politiqueiros e desonestos de plantão que são feitas com todo o cinismo que se possa imaginar e publicamente para toda a sociedade brasileira tomar conhecimento.

Nesse país, numa visão puramente realista, podemos afirmar que os três poderes da nossa velha, carcomida e falsa república, composto pelos cidadãos teoricamente sábios, instruídos e mais bem remunerados desse país, não estão trabalhando a serviço do povo trabalhador como é o seu exclusivo dever. O Executivo, negociando cargos e verbas com o Legislativo para que o seu chefe que tem apenas 3% de aceitação popular não seja investigado pelo STF e continue à frente do antes tão honroso cargo; O Legislativo, sempre a disposição de quem lhe ofereça mais vantagens para ser cooptado: governo, bancos e/ou empresários. E o Judiciário, o próprio Rui Barbosa há mais de 90 anos atrás já dizia que ele era o poder que mais devia à República.

Para se livrar da investigação da grave denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, o ilustríssimo e digníssimo senhor presidente da república federativa do Brasil, que conforme a grande imprensa do país, a pedido da bancada do agronegócio que votará maciçamente com ele para que não seja investigado, através de uma tempestiva Portaria inconstitucional atenuou em 90 % a lei sobre o trabalho escravo no país. A partir de agora, somente poderá ser considerado trabalho escarvo pela nova portaria do presidente, apenas o trabalho escravo que ocorrer somente através da força bruta. 

Nesse universo de submundo, palmas para a bancada ruralista que é a beneficiaria maior dessa negociata sobre a exploração e o sofrimento humano. Porém, bem mais vaias para ela também, pela caracterização do atraso e da inconsequência dessa gente. Mas isso é o que nos pode oferecer a nossa sempre atrasada elite. Pelo que se depreende da nefasta ação dessa gente, eles estão encastelados lá no poder em Brasília para fazerem apenas o que interessa a eles próprios que agem como se não tivessem satisfações a dar a ninguém sobre seus mandatos eletivos e também sobre suas desumanas condutas. 

Teoricamente quem os colocou todos lá fomos nós com os nossos sagrados votos. Ou seja, eles são em tese os nossos legítimos representantes, mas que somente agem no sentido de nos expropriar mais e mais do fruto do nosso trabalho e de apropriar mais e mais com o fruto desse nosso trabalho, esses tão horripilentos senhores dessa nossa amaldiçoada e infernal elite. Tivesse o povo brasileiro plena consciência do que perversamente se faz contra ele, certamente que a boca vil e insatisfeita desse tão inconsequente balão, já teria pipocado há muito tempo. 

Ano que vem (2018) haverá uma nova eleição geral nesse país. Mesmo sem ser mais político partidário como infelizmente já me atrevi a sê-lo, ainda pedirei como cidadão que sou ao inteligente povo de Grossos que, pelo amor de Deus, não votem mais em quem tenta comprar o voto de vocês não. Recebam o dinheiro que eles próprios lhe oferecer ou seus prepostos até porque eles virão com muito dinheiro disponibilizado a todos eles pelos banqueiros e empresários desse país, e, no dia da votação, façam de propósito. Votem contra todos esses nosso inimigos que estão acostumados a comprar, em cada eleição, não apenas o seu voto, mas o seu futuro e sua consciência também. Tenho dito!...

Emílio.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

CONTATO DO BLOG

Telefone/Whats: (84) 9 8177-6707 Email: Contato@ofachodegrossos.com Facebook:  O Facho de Grossos © 2015 -2017 - O Facho de Grossos...

ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GROSSOS

ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GROSSOS

Acessos

FAN PAGE

COLUNISTAS

COLUNISTAS
EMÍLIO OLIVEIRA

PESQUISE AQUI

O Facho de Grossos 2014. Tecnologia do Blogger.