quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Resultado de imagem para judeu torturado inquisição

Remanescentes de uma próspera comunidade que por volta de 1490 chegaria a 30 mil pessoas e que após a chegada dos judeus expulsos da Espanha, em 1492, somou perto de 120 mil, essa considerável população judaica, quatro anos depois, foi obrigada a se sujeitar à conversão forçada ao cristianismo ou sair definitivamente de Portugal, por imposição real. A matança da Páscoa, em 1506, acelerou essa fuga e aqueles que permaneceram tiveram que encarar, trinta anos depois, a intolerância e a violência da Inquisição, que levou às fogueiras pelo menos duas mil pessoas, a maioria de judeus convertidos.
Atualmente, muitos portugueses estão redescobrindo as suas raízes judaicas, salienta Gabriel Steinhardt, presidente da Comunidade Israelita de Lisboa que hoje congrega 300 famílias judaicas. Para ele, à época dos descobrimentos, 10% da população portuguesa, calculada em 1 milhão de pessoas, eram de cripto-judeus, ou seja, judeus que seguiam a sua fé em segredo por medo das perseguições religiosas e ao mesmo tempo publicamente se apresentavam como cristãos, os denominados cristãos-novos. “Este é um fenômeno que influencia a sociedade civil portuguesa até hoje, não havendo na realidade nenhum português que, independentemente da religião que pratique, possa ter a certeza de que não possui uma costela ancestral judaica.”

Assim, muitos portugueses e brasileiros estão descobrindo tradições misteriosas conservadas por avós e bisavós, como, por exemplo, acender velas nas noites de sexta-feira, o ritual da limpeza da casa também nas sextas, e a elaboração do pão achatado cozido todos os anos, por ocasião da primavera na Europa, quando se comemora a Páscoa judaica. Essas e outras lembranças que sobreviveram de um rico passado judaico são o testemunho do grande risco que ao longo dos séculos os cripto-judeus ou anussim (do hebraico ‘forçado’), ou ainda marranos (termo inicialmente pejorativo, talvez advindo de vocábulo peninsular da Idade Média que designava suíno) enfrentaram praticando secretamente o judaísmo.

Histórias se contam que os judeus que foram obrigados a deixar Portugal, assim como os judeus da Espanha, levavam consigo a chave da casa na esperança de um dia retornarem ao lar. De geração em geração, essas chaves foram mantidas guardadas em segredo, no exílio, mas a grande maioria se perdeu nas fendas dos séculos.

Atualmente, pouco mais de 3 mil judeus vivem em Portugal. Com a implementação da lei que oferece a cidadania portuguesa aos que demonstrarem por documentos (registros em sinagogas e cemitérios judaicos, títulos de residência, propriedades, testamentos e outros comprovantes de ligação familiar com a comunidade serfadita de origem portuguesa) serem descendentes dos judeus sefarditas que foram expulsos da Península Ibérica no século 15, espera-se que uma nova leva de judeus de várias partes do mundo volte seus olhos para as terras lusas. Pelos cálculos de diversas organizações judaicas existem 3,5 milhões de judeus sefarditas espalhados em dezenas de países.
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