domingo, 1 de outubro de 2017
Por: Emílio Oliveira 
Houve um tempo em que os homens tinham quase que certeza do que aconteceria no dia-a-dia de suas vidas, ou seja, no seu cotidiano. Naquele tempo uma informação custava muito a chegar ao destinatário ou destinatários. Por exemplo, um fato que ocorria no Japão, a gente somente iria tomar conhecimento dele verdadeiramente, dois ou três meses depois. Esse mundo era formado pelo ultrapassado mundo analógico que já deu lugar em tudo quanto se possa imaginar, ao mundo digital.

O mundo de hoje é completamente diferente daquele que eu vivi quando era adolescente, onde tudo acontecia vagarosamente, sem pressa e sem nenhuma precipitação, pois qualquer mudança que - por acaso aparecesse -, levaria bem mais de uma década para que ela realmente se implantasse em toda a sua extensão. No mundo de hoje, tudo acontece tão rápido que até mesmo aquelas poucas pessoas que estão diariamente se atualizando estão encontrando enormes dificuldades em fazê-lo, dado o volumoso número de informações que precisam armazenar.

Naquele tempo a gente praticamente sabia o que poderia acontecer no dia-a-dia de nossas vidas. Hoje, não! Pois ninguém sabe mais como amanhecerá o dia e nem tampouco como ele anoitecerá. Essa dúvida sobre as incertezas da vida está criando principalmente nas pessoas mais vividas como eu, uma espécie de inquietação existencial que provoca muita insegurança. Mas nos jovens de hoje não. Eles estão vivendo sem certeza de quase nada e isso os têm deixado mais à vontade e despreocupados com o rolar de suas existências.

Apesar de muitas restrições que faço a esse mundo que está rolando ao nosso derredor, entretanto, ele está mostrando aos jovens do presente que as caducas e imaginárias certezas do nosso tempo, eram apenas doces ilusões de um mundo lerdo que andava em carros que mais pareciam carroças, quando hoje se anda na velocidade cruzeiro de um avião comercial que é de aproximadamente 900 quilômetros/hora e, amanhã, com certeza, na velocidade da luz com as naves interplanetárias e intergalácticas que o homem irá brevemente construir e utilizar.

Lembro-me como se fosse hoje que na década de noventa comprei um livro do economista americano John Kenneth Galbraith – A Era da Incerteza, e já estava escrito ali tudo isso que vemos hoje: a revolução total na dinâmica de todos os processos produtivos, a reengenharia das empresas e indústrias pesadas e de base, das corporações financeiras a nível global e também uma total modificação dos seres humanos para se ajustarem a esses novos tempos e novos modos de produção do ainda tão injusto sistema capitalista. 

Lembro-me que ao ler - A Era da Incerteza - fiquei tão surpreso, desnorteado e até mesmo desconfiado de como um homem como Galbraith que já estava vivendo o entardecer de sua existência teria conseguido reunir tantas informações de um mundo futuro que ele próprio não iria ver e nem tampouco viver. Mas, infelizmente, eu ainda era muito verde e não sabia que quando se estuda a evolução de uma determinada sociedade, se pode também fazer previsões para um futuro bem mais distante daquele em que se está vivendo. E foi justamente isso o que ele, Galbraith, de forma didática e professoral fez.

Hoje, me orgulho de ter lido aquele livro, o qual ainda faz parte da coleção especial de minha biblioteca pessoal, igualmente a outro livro do culto e grande pesquisador Urugaio, Eduardo Galeano – As Veias Abertas da América Latina. Esses dois livros foram essenciais para que eu pudesse formar conscientemente toda a minha visão presente dos dois lados do nosso tão rico e ao mesmo tempo tão pobre país que sempre foi explorado e bloqueado no seu processo de desenvolvimento político, econômico e social por sua tão insana elite que, inusitadamente, nunca o deixou construir o seu protagonismo global que há muito lhe espera e que lhe é de direito.

Mas voltando aos costumes do passado e do presente. Apesar de os jovens de hoje serem bem mais informados do que nós ontem, sinto neles uma ausência de vontade de aprender sempre e sempre mais e também uma espécie de desinteresse quase que total pelas coisas do país. Sei que eles não viveram os 21 anos de ditadura que todos da minha geração viveram, mas herdaram as mazelas de um processo de despolitização que foi impiedosamente imposto pelos militares, visto temerem possíveis reações advindas principalmente da classe estudantil. Só que, o patriotismo é um valor cidadão que nunca deve sequer esmaecer num pais que pretende construir uma civilização baseada na democracia verdadeira e na tolerância entre os povos.

Posso até está enganado, mas os vejo como seres descomprometidos com valores morais e humanos que não podem e não devem deixar nunca de serem constantemente cultivados, sob pena de se criar para o futuro da humanidade, gerações de pessoas mais ou menos insensíveis e totalmente descomprometidas com os anseios de seus país, das autoridades e respeito às minorias e a sociedade em geral, valores esses que se não forem cultivadas no presente, futuramente haverá mais discriminação ainda. 

Infelizmente os percebo e gostaria até de está enganado nessa minha visão simplesmente como gerações carentes de amor, compreensão e solidariedade para dá, visto se preocuparem apenas com os seus próprios interesses juvenis e sem nenhuma vinculação com os valores mais integrativos de seus país e avós que lhe deram a vida. São como ilhas distantes e desertas num mar de muitos valores éticos que para eles estão ultrapassados. Pode até ser que eles criem um mundo mais justo, menos violento e melhor que o nosso, mas, sobre essa possibilidade, ainda continuo alimento muitíssimas dúvidas.

Como é do conhecimento de todos eu já fui professor de matemática aqui na cidade e conheço um pouco da evolução ou involução das gerações de lá até cá e posso garantir que a qualidade do aluno naquela época era completamente diferente da do aluno do presente. Já naquela época eles também não gostavam muito de estudar, mas pelo menos eram mais respeitosos com os professores, com os diretores e com os funcionários das escolas. Sempre que os gestores das escolas e seus genitores davam uma ordem, eles ainda fielmente cumpriam. 

Hoje não, hoje é pura barbárie com os alunos batendo em seus próprios professores dentro das salas de aula, além de um desrespeito total pelos país e autoridades que lhes cobram comportamentos mais respeitosos e republicanos. Ante tão dantesco quadro, torna-se claro que para que as coisas chegassem a esse nível era necessário acontecer uma total reviravolta nas escolas com os alunos passando de simples seres formandos em busca de conhecimentos para pessoas agressivas, ingratas e irresponsáveis.

Para esse caos da educação e do comportamento dos jovens do presente, contribuíram a meu ver: o Código do Menor e do Adolescente, a ausência de autoridade imposta por país ditos mais modernos e o excesso de liberdade que as novas gerações conquistaram após a ditadura militar sem ainda estarem devidamente preparados para tal. Se a gente for analisar o mundo deles em relação ao nosso, veremos simplesmente que tudo para eles foi e é mais fácil do que foi para nós.

Eles têm direito a tantas coisas que nós não tivemos: escolas bem mais equipadas, transporte escolar, merenda e livros gratuitos. E tem ainda como vantagem o farto de serem mais inteligentes, mais bem informados e bem mais bonitos do que nós, até porque foram bem mais alimentados, vestidos e tratados que a nossa geração. Mas, lhes faltam alguns sentimentos muito importantes para um ser humano, tais como: responsabilidade, tolerância, patriotismo, amor, respeito, gratidão e humildade para o reconhecimento da falta de experiência que a minha geração tinha consciência de que ainda não tinha. 

É como se eles fossem super-homens vivendo num mundo capenga até certo ponto ainda dominado por velhos com conhecimentos que não valem mais no mundo deles. Noutras palavras, é como se eles já soubessem de tudo e, portanto, não precisassem mais de orientação de quem vive num mundo totalmente à parte do deles. Está é a impressão que eu tenho e até torceria para que ela estivesse realmente errada. 

A única vantagem que percebo neles em relação a nós é que feliz ou infelizmente para eles não existe certeza de quase coisa alguma nessa vida e nesse ponto estou plenamente de acordo com eles, pois qualquer certeza que qualquer ser humano possa ter ou conceber sobre as coisas de sua vida, é um simples devaneio de quem postula existência eterna. Portanto, qualquer certeza que o homem acalente em sua tão rápida jornada pela estrada da vida, é um mero exercício de anseio de continuidade existencial. Nesse aspecto, nota dez para a juventude do presente! 

No entanto, alguns jovens podem até se sentirem magoados comigo e eu acho até que alguns irão realmente se sentir porque na minha já experiente visão de mundo em relação a eles, tenho percebido seus erros existenciais e como um grito de alerta mostrado as distorções que estão aos poucos se acumulando na formação de suas personalidades, as quais, se não forem devidamente corrigidas em tempo, poderão se transformar venenosas em armadilhas que trarão dores e sofrimentos num futuro não muito distante. Queira Deus que eu esteja enganado, mas quem viver verá!...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

EM QUEM VOCÊ VOTARIA PARA O GOVERNO SE A ELEIÇÃO FOSSE HOJE?

CONTATO DO BLOG

Telefone/Whats: (84) 9 8177-6707 Email: Contato@ofachodegrossos.com Facebook:  O Facho de Grossos © 2015 -2017 - O Facho de Grossos...

ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GROSSOS

ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GROSSOS

Acessos

FAN PAGE

PESQUISE AQUI

COLUNISTAS

COLUNISTAS
EMÍLIO OLIVEIRA
O Facho de Grossos 2014. Tecnologia do Blogger.