domingo, 20 de agosto de 2017
Por: Emílio Oliveira
Vivemos numa época onde aparentemente nunca se teve tanta informação quanto no presente. Hoje, uma criança de apenas nove anos de idade detém mais informações do que qualquer um dos muitos imperadores romanos. Todavia, essa avalanche de informações característica de nossa sociedade chamada de moderna e conectada, ao invés de formar um cidadão mais integrado sob o ponto de vista psicológico, está é criando uma espécie de cidadão que mesmo integrado virtualmente, presencialmente ele está cada vez mais isolado.

Isso significa que, quanto mais o ser humano está virtualmente se interligando com os seus semelhantes através dos muitíssimos meios de comunicação oferecidos pela informática, mais ele está se sentindo isolado como criatura e como cidadão. Mas, o mais interessante de todo esse processo alienatório de inclusão virtual é que você faz amizade virtual com uma pessoa que você já conhece pessoalmente mas que nunca teve muita aproximação e, ao cruzar com ela na rua ou em qualquer lugar, percebe claramente que aquela pseudo inclusão não tem nada de real, pois a mesma pessoa continua presencialmente te ignorando. 

Ela passa por você, vira a cabeça para o outro lado, não fala nada com você e simplesmente te ignora. É como se a amizade, a troca de ideias e de informações estabelecidas nas redes sociais ocorressem noutra dimensão que não fosse essa nossa. Quantas vezes tenho ficado perplexo com algumas pessoas que têm solicitado a minha amizade no Facebook e pelo fato de ter saído da política partidária e me sentir um pouco solitário logo aceito e de bom grado até aquela solicitação. Todavia, pela convivência comum numa cidade pequena como essa nossa, de repente cruzo nas ruas com algumas delas e percebo claramente que aquela amizade virtual tão veementemente solicitada é uma pura ilusão, uma mentira, uma hipocrisia.

Outro dia, assistindo no YouTube a um dos muitos vídeos do Doutor Augusto Cury, ele falava justamente sobre as amizades virtuais que, segundo suas pesquisas ao invés de estarem solidificando um relacionamento mais profundo e duradouro entre os seres humanos, tudo levava a crer que estava era abrindo um abismo e uma espécie de isolamento maior entre eles. É claro que ele não disse isso diretamente com essas palavras, mas deu a entender e eu também pela própria experiência acho que está estimulando mais ainda entre nós a mentira, a falsidade e a falta de solidariedade. 

E não quero aqui somente criticar as outras pessoas não, pois eu também me incluo nesse balaio por que já tenho feito solicitação de amizade a algumas pessoas e ao passar por elas na rua também não falo e não me aproximo delas como devia para solidificar mais ainda aquele relacionamento iniciado na sadia troca de ideias que se estabeleceu através das redes sociais. É um fenômeno muito interessante e em alguns aspectos parece até que é uma espécie de doença ou síndrome da nossa alma que está se apossando de todos nós humanos ao usarmos a informática.

Apesar de nunca ter conseguido ser um especialista na área e há até quem diga que essa ciência é uma característica das novas gerações e eu acredito nessa versão, eu fui um dos primeiros que comprou um computador, assim que ele apareceu nessa versão atual. Sim, porque o primeiro computador que eu tive o prazer de conhecer foi de Chico Alves filho de Chico Padre que todos nós aqui de Grossos tivemos o prazer de conhecer e conviver. 

Mas, o computador de Chico Alves era completamente diferente desses que conhecemos hoje, pois ele não dispunha nem de HD e nem tampouco de Monitor que ainda não existiam na época. Ele era mais parecido com um receptor de televisão e precisava de um gravador de fita e um televisor para funcionar precariamente como monitor. Mas, mesmo assim, Chico Alves o comprou e o usou por um bom tempo. Certa vez ele me apresentou com muito orgulho o seu monstrengo ou arremedo de computador e eu não disse nada para não decepcioná-lo, mas, a verdade, é que o achei bastante estranho.

O que quero evidenciar aqui com essas reminiscências do passado é que fui também um dos primeiros a usar o computador nos moldes de hoje. Lembro-me que o Banco do Brasil onde trabalhava creditou em nossas contas uma significa diferença de perdas sofridas por nossos salários em um daqueles antigos e malucos planos de estabilização econômica que nunca davam certo e, eu, diferentemente da maioria de meus colegas de trabalho que trocaram os seus carros em outros novos ou mais novos, comprei um computador DX2 que era o mais evoluído da época. Nesse tempo, nem em Mossoró se podia comprar um computador, pois ainda não existiam lojas do ramo. 

Mas, como eu queria mesmo comprar, consegui o telefone de um vendedor de Fortaleza e liguei para ele e perguntei o preço, acertamos o negócio, comprei o computador e ele veio deixá-lo e Mossoró já montado e com os programas básicos instalados por um valor significativo na época. Então, eu também fui um dos primeiros a usar essa máquina que logo me encantou assim que a conheci, mas que eu, particularmente, nunca consegui domá-la ou domesticá-la totalmente. Como todos sabem, em 96 quando me aventurei a ser candidato a prefeito dessa nossa cidade, falei sobre o computador, sua importância no novo paradigma produtivo que estava se estabelecendo e também das maravilhas que é a Internet, justamente porque eu a conhecia, pois já a utilizava a algum tempo. 

Naquela época, os políticos tradicionais que como sempre nunca tiveram nada de novidades para dizer ao povo, me acusaram de tudo que não presta. Que eu estava doído, que estava querendo trazer o Japão para a nossa cidade, que o povo não precisava de computador, mas sim de feiras, de esmolas, infelizmente, da mesma forma que impiedosamente ainda fazem hoje. E eu respondia para eles como resposta àquelas suas acusações vazias e sem sentido que, brevemente, a informática iria tomar conta do mundo e ela iria existir em todas as repartições públicas ou privadas que o cidadão procurasse para resolver qualquer problema.

E como se fosse um profeta o que nunca fui e jamais serei - eu estava absolutamente certo ao fazer aquelas obvias previsões pelo simples fato de que simplesmente conhecia o assunto sobre o qual falava e abordava com tanta desenvoltura. Todavia, eu não previ e acho até que ninguém também previu que a informática viesse a provocar no homem esse vácuo de sentimentos nobres e positivos que observamos no dia-a-dia e também esse tipo singular de estresse que vem aos poucos solapando e destruindo a paciência, a leniência e até mesmo o próprio equilíbrio dos que de forma integral têm se dedicado a ela.

Contudo, resta-nos ainda perguntar se essa síndrome a que inicialmente me referi está sendo provocada exclusivamente pelo uso exacerbado da informática ou se também por outros motivos ainda desconhecidos esses múltiplos desvios de condutas e de comportamentos que claramente percebemos nos jovens de hoje? Pode até ser que um grande percentual dessas distorções existenciais não se possa debitar somente ao uso exagerado da informática ou se também a aprovação de leis e costumes permissíveis demais que vigem hoje como o Código do Menor e do Adolescente, acrescido da frouxidão ética e moral com que os jovens estão sendo visivelmente deseducados.

Vejam as distorções: um jovem hoje com apenas dezesseis anos de idade pode no nosso país votar e eleger o presidente da república; matar roubar; estuprar e traficar drogas e ser preso por somente três anos; o pai não pode bater nele por que se o fizer, corre o risco de ser preso e processado; não pode trabalhar em tempo integral e talvez por isso é que não respeita mais nem pais, nem autoridades e nem mais ninguém que enxerga a sua frente. Portanto, uma parte do desrespeito e da indiferença dos jovens com relação aos pais e por extensão as autoridades e instituições em geral, pode ser creditada as distorções das leis e dos frouxos costumes brasileiros. 

Todavia, quero aqui reforçar a minha crença de que essas dissintonias estão sendo provocadas mesmo e num percentual bem maior é pela exagerada utilização da informática, pois nos outros países onde não há essas leis de proteção exagerada ao menor, o mesmo fenômeno se repete. Veja, por exemplo, o caso dos Smartphones, que encantou os jovens do mundo de hoje, do mesmo modo que o computador encantou a minha geração. E olhe que isso não é saudosismo não, mas a minha geração pelo menos era bem mais politizada e romântica, pois olhava com mais carinho e admiração para as mulher, para o mar, para a floresta, para o sol, para a lua, para as estrelas, para o infinito azul do céu, para as pessoas em geral e também prestava mais atenção no que estava acontecendo no mundo. Essa geração de hoje, apesar de bem mais bonita e bem mais informada que a nossa, somente olha e se concentra realmente no visor de seus Smartphones. 

Apesar de o mundo todo hoje se encontrar conectado e ao alcance do visor de seus Smartphones, pela corruptela dos costumes e frouxidão dos valores atuais, essa nova geração, infelizmente, não está buscando como a nossa, o aprendizado de sentimentos verdadeiros, como: a igualdade, a solidariedade, a fraternidade, a piedade, a compreensão e principalmente o amor pelo ser humano em si mesmo e não apenas aquele exagerado sentimento de paixão provocado pelo bombardeamento de neurotransmissores afins como a dopamina e da oxitocina, que hoje é o que mais atrai e hipnotiza essa nova eração. 

Outra coisa inusitada que percebo nela é o que defino como uma espécie de vagotomia ou solidão existencial agudizada pela descartabilidade de todos os seus aprendizados, sentimentos, compromissos, ações e até mesmo de suas indiferenças e omissões. Posso está engando e gostaria até de estar, mas a impressão que tenho é que os jovens dessa nova geração veem o mundo como se ele estivesse correndo tresloucadamente e não houvesse mais tempo para ninguém se guardar, nem se conservar, nem se proteger e nem tampouco se respaldar em quaisquer valores e compromissos de qualquer passado, mesmo que seja bem recente. 

Essa nova geração que está aí vem criando um tipo de memória existencial de curtíssimo prazo e que se pode até chamar de a geração sem memória. Talvez por isso mesmo o índice de doenças neurológicas esteja invadindo os lares do mundo todo. As síndromes de pânico, os tocs, as fobias diversas, as depressões e como consequência o suicídio entre os mais jovens vem assustando as autoridades do mundo todo, o que prova que, esse tipo de existência empreendida, desenvolvida e consolidada por essa nova geração, não tem se mostrado a ideal para um tranquilo e sadio futuro da humanidade. Tenho dito!...

Emílio.



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