domingo, 23 de julho de 2017
Por: Emílio Oliveira
O grande Shakespeare tinha o costume desconcertante de misturar nobreza e tolice, e era assim que o louco rei Lear, sempre que se abatia sobre o seu reino fortes tempestades, costumava ter por companhia apenas o pobre bobo da Corte que alegremente o servia e divertia. E é por isso que, em Hamlet, há sempre a presença de um crânio de dentes arreganhados. Hamlet se pronuncia sempre sobre sentimentos profundos como: “Que peça de trabalho é o homem! Quão nobre em razão! Quão infinito em faculdade!

Enquanto isso, o Primeiro Coveiro faz piadas sobre a rapidez de putrefação de um corpo enterrado em solo úmido, inclusive o corpo de grandes homens daquela época. Sua zombaria leva Hamlet a um humor mórbido. Afinal, de que valem pensamentos nobres? Ele pergunta: O grande César, morto e em pó tornado, pode a fenda vedar ao vento irado? Em termos de ciência, nessa visão em termos de ciência, a física é Hamlet, e a biologia é o Primeiro Coveiro.

A física como ciência evidentemente se expressa através de equações elegantes, enquanto a biologia lida com a confusão da vida e da morte. Os físicos dissecam o espaço-tempo; os biólogos dessecam lombrigas e sapos. Durante muito tempo, os físicos não se preocuparam com os mistérios da vida. O grande Erwin Schrödinger escreveu um pequeno livro intitulado: O Que é a vida? Mas, seus colegas viram isso como uma excentricidade, uma peça de misticismo e não de ciência, pelo menos não da ciência da relatividade e da mecânica quântica, que deveria ser a área de Schrödinger.

Na verdade, ele tentou juntar a genética com a física, mas em 1944 a estrutura do DNA ainda era totalmente desconhecida e até mesmo depois da descoberta da dupla hélice, na década seguinte, a física continuou distante da biologia, uma situação que somente foi mudar gradualmente nas últimas décadas. Equações e teorias, dados científicos e resultados são coisas distantes; a vida acontece aqui e agora. Uma das coisas mais esquisitas sobre estar vivo é que não sabemos como isso aconteceu nem quando aconteceu. 

Se examinarmos qualquer ser vivo – vírus de gripe, o Tyrannosaurus rex, uma árvore ou um recém-nascido -, veremos que sempre antes dele havia outro ser vivo semelhante. Ou seja, a vida sempre nasce da vida. Obviamente que isso não explica onde a vida começou, porém, de algum modo, ocorreu à transição de matéria morta para matéria viva. Na bioquímica, esse momento fundamental é explicado colocando-se compostos inorgânicos de um lado e orgânicos do outro. 

O composto orgânico se define como uma substancia química que só surge em seres vivos, orgânicos. O sal, por exemplo, é inorgânico e não tem como base de sua formação o carbono, enquanto o fluxo de proteínas e enzimas produzidas pelo DNA é genuinamente orgânico. Ainda não está claro se essa divisão consagrada realmente nos ajuda a saber como a vida começou. A separação entre compostos orgânicos e inorgânicos é válida na química, mas não como definição de vida. 

Alguns aminoácidos que são as principais estruturas das proteínas podem estar presentes na superfície de meteoritos e esse é um fato que até já foi confirmado em experimentos pela própria ciência. Na verdade, uma das teorias sobre a origem da vida no planeta, sustenta justamente que a primeira centelha de vida na terra veio juntamente com esses meteoritos, que caiam e ainda caem sobre a Terra. 

Para ser mais claro e preciso, a vida tem sido na verdade um grande inconveniente para a física. E por que percebe assim? Simplesmente porque a biologia não se encaixa em equações abstratas como a física. Se considerarmos como tem sido a experiência da vida, até a biologia parece inadequada. A vida tem propósitos, significados, orientações e metas – já os compostos orgânicos, não têm nada disso. Não parece provável que cadeias de proteínas de repente tenham aprendido a se associar a organismos vivos. 

É como se afirmar que as pedras dos campos da Nova Inglaterra tenham de repente resolvido se juntar nas cercas das fazendas daquela região. Vejamos, por exemplo, o sal: mesmo que o sal seja uma substância aparentemente “morta”, a vida não consegue existir sem a participação dele em todas as células do corpo de qualquer animal, visto ser ele um ingrediente químico necessário e indispensável à vida. O fato de que a vida vem da própria vida significa que os seres vivos querem continuar vivendo. A menos que a extinção venha a ser um dia completa, a evolução dentro da criação parece ser uma força espontânea e ininterrupta. Mas por que?

Não é dito que a éons de anos atrás – há aproximadamente 66 milhões de anos -, um meteoro gigante caiu sobre a Terra, varrendo dela os dinossauros, provavelmente porque a colisão levantou uma nuvem de poeira tal na atmosfera terrestre que bloqueou a luz solar provocando além de um intenso e insuportável frio para os todos os animais existentes na época, provocando ao mesmo tempo o desaparecimento de quase toda a vegetação que também sucumbiu por falta de luz que lhe permitisse realizar a fotossíntese.

A partir da extinção em massa desses gigantescos seres, as criaturas sobreviventes, antes pequenas e insignificantes, passaram a ser o centro da vida que restou no planeta. A era dos mamíferos enfim se tornou possível, pois houve um novo florescimento, e o mundo pós-dinossauros de hoje parece muito mais rico e muito mais diversificado com o surgimento de múltiplas espécies que, inclusive, naquela época não havia. Todavia, o surgimento da vida aqui na Terra pode ser considerada tanto óbvia quanto mística.

A alga esverdeada que se forma na superfície dos lagos não evolui há centenas de milhões de anos; nem os tubarões, nem o plânctons, os caranguejos, as libélulas ou uma porção de outas formas de vida que conviveram com os dinossauros daquela época. O que leva enfim algumas criaturas a ficarem estáveis enquanto outras são levadas a galope pela trilha da evolução? 

Os hominídeos primitivos se diferenciaram até chegar ao atual Homo sapiens em tempo recorde, cerca de aproximadamente dois a três milhões de anos em vez de dezenas ou centenas de milhões. Em ciência, dizer que as questões relevantes são “como” e não “por quê” é, na verdade, um axioma. Queremos saber como a eletricidade funciona, não por que simplesmente as pessoas desejam aparelhos televisivos maiores e mais eficientes. Mas é que a própria evolução da vida, continua a levantar muitos e muitos porquês. 

Por que a toupeira abandonou a luz e preferiu viver nos subterrâneos? Por que os pandas só se alimentam do vegetal conhecido por bambu? Por que as pessoas querem ter filhos? Para esses e outros múltiplos porquês deve haver algum tipo de propósito ou significado. Ou será que o universo consciente já traz as sementes do propósito e do significado desde o início? De como as coisas estão, esse tipo de especulação encontra uma inusitada e considerável resistência na comunidade cientifica. 

A visão corrente sustenta que o Universo não tem propósito e nem tampouco significado. Portanto, antes de se poder oferecer um novo modelo ou teoria sobre o início da vida no planeta terra, devemos primeiramente desmistificar o pensamento convencional da ciência, visto que num universo consciente, tudo já está vivo. Noutras palavras, a observação e também a constatação de que a vida vem da vida, acaba se transformando numa verdade cósmica que, queiram ou não, ela um belo dia prevalecerá!... 

Emílio. 



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