domingo, 18 de junho de 2017
Por: Emílio Oliveira
(Transcrição resumida de um dos capítulos do livro do grande OSHO: Saúde Emocional)

É difícil mostrar os sentimentos e ser simplesmente quem você é realmente porque, durante milhares de anos, disseram-lhe para reprimir os sentimentos e isso se tornou parte do seu inconsciente coletivo. Durante milhares de anos disseram-lhe para não ser você mesmo. Seja Jesus, seja Buda, seja Krisna, mas nunca seja você mesmo. Seja outra pessoa. Ao longo das eras você foi ensinado com tanta constância e com tanta persistência, que hoje isso está no seu sangue, nos seus ossos e no seu próprio cerne.

Com isso, uma profunda auto-rejeição passou a fazer parte de você mesmo. Todos os tipos de sacerdotes, pastores e/ou representantes religiosos o condenam. Acusam-no de ser um pecador, de nascer em pecado. Sua única esperança é que Jesus, Buda ou Krisna possam salvá-lo, porque, se depender de você, não haverá nenhuma esperança. Você está condenado e tudo o que pode fazer é rezar para esses seres superiores e pedir-lhes humildemente que o salvem. No que lhe diz respeito, você é simplesmente inútil, não passa de pó e nada mais. Você não te valor nenhum, foi reduzido a uma coisa vil, a um ser praticamente desprezível. 

E é justamente por causa disso que se torna tão difícil e assustador até, mostrar os próprios sentimentos. Na verdade, você foi ensinado a ser um hipócrita, um fingido, um sepulcro caiado. A hipocrisia tem as suas vantagens e qualquer coisa que traga vantagens parece ter valor. Nesse voraz jogo de espertezas, dizem que a honestidade é a melhor política – mas, lembre-se, a melhor” política”. Até a desonestidade se tornou também mera politica, porque traz vantagens. E se não trouxer? Então a desonestidade é a melhor política. 

Na verdade, a coisa toda depende do que funciona, do que é vantajoso, do que torna você mais rico, mais poderoso, ou mais respeitável, do que o deixa mais confortável, mais seguro, mais confiante, do que alimenta mais o seu ego – essa é a melhor política. Pode ser a honestidade, pode ser a desonestidade; seja o que for, use-a como um meio, não como um fim. 

A religião também se tornou uma boa política. Trata-se de um tipo de seguro para o outro mundo. Você está se preparando para o outro mundo sendo virtuoso, indo à igreja, fazendo donativos aos pobres. Você está abrindo uma conta bancária no paraíso, para que, ao ir para lá, seja recebido com grande alegria, por anjos clamando “Aleluia!” e dançando e tocando harpas. O saldo da conta bancária que você terá lá depende de quantos atos virtuosos tenha praticado aqui. A religião também se tornou um negócio, e falar sobre a sua realidade deve não somente ser evitada, mas até reprimida.

É nesse contexto que as pessoas reprimidas são muito respeitadas. Você as considera santas, mas, na verdade, elas foram esquizofrenizadas. Deveriam era receber tratamento médico, pois precisam urgentemente de terapia – e você as reverencia! Dentre as centenas de santos, se ao menos um deles se tornar santo de verdade já será um verdadeiro milagre. Noventa e nove por cento são apenas santos porque as suas instituições religiosas os proclamaram com tal. E nesses casos, os condicionamentos são tamanhos que nem sequer pode-se dizer que estão tentando enganar a outros, porque, na verdade, estão enganando a si mesmos. Infelizmente, todos eles ou foram ou ainda são pessoas reprimidas.

Eu conheci muitos mahatmas tidos como santos na Índia, respeitados pelo povo como ninguém. Fui muito íntimo dessas pessoas e, na intimidade, elas abriram o coração para mim. Infelizmente, a minha intimidade com elas me mostrou que os corações dessas pessoas era bem pior do que os das pessoas mais comuns do povo. Eu costumava visitar os prisioneiros para ensiná-los a meditar, e fiquei surpreso, a princípio, ao ver que até os condenados à prisão perpétua eram muito mais puros e inocentes que os chamados santos. Lá, os santos são bem mais astutos e ladinos. Eles somente têm uma qualidade: sabem se reprimir. 

Vivem se reprimindo até que, naturalmente, acabam divididos. Então passam a ter dois tipos de vida: uma que vivem na porta da frente e outra que vivem na porta detrás; uma que vivem para mostrar aos outros, e outra – a verdadeira - que não mostram a ninguém. Eles mesmos têm medo de vê-la. É isto o que acontece com você também, numa escala menor, é claro, porque você não é um santo. A sua doença ainda não é incurável, ainda tem cura para ela. Ela ainda não é tão aguda, nem é crônica. A sua doença é assim como uma gripe comum que ainda pode ser curada. Mas todo o mundo ainda é influenciado por esses chamados santos que são, na verdade, pessoas que foram tornadas insanas.

Elas reprimiram a sua libido, reprimiram a sua ganância, reprimiram a sua raiva, e estão fervilhando por dentro. Sua vida interior é um pesadelo. Não há paz, não há silêncio, não há certeza no que almejam. Todos os seus sorrisos são amarelos e falsos tamém. As escrituras indus estão cheias de histórias sobre grandes santos que, sempre que estavam próximos da iluminação, eram atormentados por belas mulheres enviadas pelos deuses. Eu ainda não consegui descobrir porque os deuses estavam sempre interessados em atormentar esses pobres sujeitos ascetas que durante anos faziam jejuns ficando de ponta-cabeça, torturando-se sem necessidades, pois nunca fizeram mal a ninguém exceto a eles mesmos. Afinal de contas, porque enfim os deuses estavam tão interessados em distraí-los? 

Na verdade, eles, os deuses, se é que são eram mesmo deuses, deviam era estarem ajudando-os! Mas, ao invés, mandavam mulheres belíssimas, nuas e elas dançavam ao redor deles e faziam gestos obscenos para os pobres sujeitos. Nessas condições, eles como qualquer outro se tornavam vítimas, eram seduzidos e caiam em desgraça – como se os deuses fossem contra qualquer um que estivesse se aproximando da iluminação. Isso parece até ridículo! Eles deviam ajudar, mas em vez disso, tentavam era infernizar a vida desses pobres seres humanos, já tão atormentados por seus próprios pesadelos. 

Só que essas histórias não devem ser interpretadas literalmente; elas são simbólicas, são metáforas, e estão carregadas de profundos significados. Se o grande Sigmund Freud tivesse conhecido essas histórias, ele as teria apreciado imensamente. Teriam sido um tesouro para ele, corroborando as suas teorias psicanalíticas bem mais do que qualquer outra coisa. O certo é que, os deuses nunca mandaram mulher nenhuma; todas essas pessoas eram altamente reprimidas e estavam simplesmente projetando seus desejos mais secretos, os quais, pela constante repressão, se tornaram poderosos ao ponto de, até mesmo de olhos abertos, materializarem essas imagens puramente simbólicas.

A discriminação da mulher na Índia infelizmente ainda é tão grande que, se uma mulher simplesmente sentar-se num determinado lugar, esses chamados santos são ensinados a evitar esse lugar durante certo tempo depois que ela se levantou porque esse espaço fica impregnado com uma vibração perigosa para eles. Olha que bobagem! E esses têm sido os professores da humanidade na índia e também em qualquer outro lugar em que se cultue uma religião qualquer. Percebe-se claramente esse tipo de distorção também no cristianismo, pois até bem pouco tempo atrás, as mulheres cristãs, não podiam ficar junto aos homens nas igrejas e sinagogas.

Pois foram também essas mesmas pessoas altamente reprimidas pela censura religiosa que fizeram você temer aos seus próprios sentimentos – porque você não consegue aceitar esses sentimentos e os rejeita, advindo daí o seu medo. Aceite-os, não há nada de errado com os seus sentimentos e também nada de errado com você próprio. Não é necessário repressão ou destruição desses sentimentos porque eles são simplesmente humanos. Torna-se, porém necessário que você aprenda exercitando-os na arte de harmonizá-los. Você precisa apenas se transformar numa orquestra dos seus desejos e sentimentos.

Isso mesmo, se não sabe tocar os instrumentos musicais dos seus sentimentos, somente conseguira fazer barulho, o que deixará os seus vizinhos certamente incomodados. Mas, se você aprender a arte de tocá-los criará uma sinfonia e até uma música verdadeiramente celestial. Pode criar até mesmo qualquer coisa que vá bem além dessa nossa dimensão. A própria vida é um belíssimo instrumento e você tem de aprender a tocá-la. Não há nada que precise ser extirpado, destruído, reprimido, ou rejeitado. Tudo o que a existência lhe deu é belo e por isso mesmo deve ser o máximo possível aproveitado.

Se você por acaso ainda não está sendo capaz de usar de maneira bela o que a vida com todas as suas oportunidades lhe propiciou, isso indica simplesmente que você ainda não chegou à maestria para integralmente aproveitá-la. Todos nós ainda tomamos a nossa vida como um fato consumado, mas, felizmente, ela não é. O que recebemos foi uma mera possibilidade, um potencial para a vida, e por isso temos que aprender a realizar esse potencial. 

Para isso, é preciso lançar mão de todos os recursos possíveis para que você possa aprender a usar a ira de modo que ela se torne compaixão; usar o sexo de maneira que ele se torne amor; e usar a ganância de modo que ela se torne um verdadeiro compartilhar. Toda a energia que você tem pode se tornar seu oposto polar, porque o oposto polar está sempre contido nessa riquíssima energia. O seu corpo contém a alma, a sua matéria contém a mente. O mundo contém o paraíso e o pó contém o divino.

Você tem de descobri-lo, e o primeiro passo rumo a essa inusitada descoberta é aceitar você mesmo, alegrar-se em ser você mesmo. Você não tem de ser alguém como Jesus, não! Você não tem de ser alguém como Buda nem como ninguém mais. Você tem de ser apenas você mesmo. A verdadeira existência não admite cópias, ela precisa e quer somente a nossa unicidade. E, felizmente, você só pode se oferecer para a vida sendo um fenômeno único. Você pode até ser aceito como uma oferenda, mas se for um fenômeno único.

Se tentar ser uma imitação de Jesus, de Buda ou de Maomé – não vai adiantar nada porque na vida, os imitadores acabam sempre sendo tristemente rejeitados. Seja você mesmo, seja você de verdade, assuma todos os riscos e eventuais perigos dos seus sentimentos e comportamentos, respeite-se e acima de tudo ame-se. E então, comece a observar todos os tipos de energia que circulam dentro de você. Você, na verdade, é um vastíssimo universo!

E pouco a pouco, quando for se tornando mais consciente de todo esse processo que ocorre dentro de você mesmo, aí sim será capaz de por ordem na sua casa corporal e finalmente colocar tudo nos seus devidos lugares. 

Com esse choque de paradigma certamente que você deve está de pernas para o ar, não é verdade? Mas tenha a certeza de que não há nada de errado com o seu ser. Você nunca foi e nem é um pecador - basta somente uma leve arrumadinha na casa, nas crenças e nos sentimentos e se tornará um belo fenômeno humano! E isso porque a sua natureza é o divino dentro de você. A força que impulsiona essa natureza é à força da vida dentro de você. Não ouça mais aqueles que lhe envenenam o corpo e alma com ilusórias pregações de crenças sem sentido, somente para manipulá-lo.

Talvez você até pense que simplesmente apelar para a natureza humana não seja suficiente, mas fique sabendo que existe também uma natureza bem mais elevada do que a que percebemos com os nossos cinco sentidos humanos porque o superior vem sempre por meio do inferior. Não esqueça nunca que o lótus cresce sempre do lodo. E é também por meio do corpo e da natureza divina que cresce a alma, e por meio do sexo que cresce o transcendente. Não esqueça nunca que você além do tempo tem também as muitas oportunidades encarnatórias para evoluir. Por isso, vá em frente, respeite a si mesmo e aos outros - que um belo dia você chegará lá! 

Emílio.



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