domingo, 11 de junho de 2017
Por: Emílio Oliveira
Essa semana ao assistir a palestra de um orador espírita no YouTube, ouvi dele um inusitado relato sobre o diário de bordo da extensa viagem do Beagle um pequeno navio que a partir de 1839 acompanhou Charles Robert Darwin, naturalista inglês, em suas inúmeras viagens a diversos pontos da terra para convencer a comunidade cientifica de sua época da ocorrência da evolução e propor uma teoria que originou o seu livro Teoria das Espécies, e que explica, cientificamente, como se dá a seleção natural das espécies.

Numa dessas suas viagens no Beagle a caminho das Ilhas Galápagos localizadas no Equador, aportou ele no Rio de Janeiro e em Recife, hospedando-se em casas de tradicionais famílias brasileiras que os acolhia por recomendação e também pelo destaque de fazê-lo, visto que ele já era na época considerado um grande cientista inglês.

Pois bem, amigos, no seu diário de bordo do Beagle, ele escrevia sobre tudo o que via e ouvia em suas viagens e, no dia em que deixou o Brasil, em seu diário, escreveu o seguinte: graças a Deus me despeço de desse horrível país formado por escravocratas. Em cada residência em que me hospedei observei que eles se utilizavam de um instrumento formado por um pedaço de madeira com um prego preso à ponta para supliciar seus escravos negros furando e rasgando impiedosamente os seus dedos, por qualquer insignificante desobediência que detectarem. 

Numa dessas residências em que me hospedei escreveu ele, assisti estarrecido a uma criança apanhar até desfalecer pelo simples fato de ter me servido um copo com água de uma maneira que não estava de acordo com o gosto de seu proprietário. E conclui ele: e essa vil gente, sem nenhum remorso, ainda vai todos os domingos à santa missa nas suas Igrejas, afirmando falsamente que ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesma. Essa, infelizmente, foi a triste conclusão a que chegou o grande Charles Darwin sobre o comportamento desumano da nossa tão paupérrima nobreza.

Outro fato que espelha bem a qualidade dos poderosos do nosso país foi quando da abolição da nossa escravatura. Nos Estados Unidos que libertou seus escravos quase um século antes, o governo daquele país deu a cada escravo chefe de família uma mula com três anos de idade, um arado de ferro e madeira, vinte e cinco acres de terra naqueles estados que ainda estavam se formando e sementes para o plantio. Ou seja, lá apesar do preconceito racial ser mais visível do que aqui, entretanto, eles transformaram os seus antigos escravos em pequenos proprietários de terra. 

Mas aqui no Brasil foi completamente diferente, pois após a abolição de 1888, simplesmente se fechou as horríveis senzalas e todos os escravos, homens mulheres e crianças foram jogados no olho da rua sem eira e nem beira. Ou seja, foram todos simplesmente abandonados como se fossem odientos cachorros sarnentos. Haverá alguma explicação plausível para tanta crueldade? Há sim! Os dois países foram colonizados por povos e o objetivos completamente diferentes.

Os Estados Unidos foram formados pelas doze colônias inglesas e o experimento civilizatório que ali se estabeleceu foi uma espécie de colonização de povoação. No Brasil, foi simplesmente um interesseiro processo de colonização de exploração das nossas riquezas materiais como o pau brasil, o ouro e a prata. Os ingleses foram para os Estados Unidos para o povoarem e formarem um país. Os portugueses vieram para o Brasil simplesmente para enriquecerem nos explorando e depois voltarem ricos para a corte portuguesa. Essa é, portanto, a diferença fundamental entre os dois países. 

Como vocês que se aventuram a vez por outra ler esses meus compridos textos já devem ter percebido que sempre evidencio neles o descaso da elite brasileira com o país e seu povo. Pois a origem de tamanha diferença no posicionamento das elites entre os dois países está justamente nas suas formações iniciais. Nos primórdios da fundação dos dois países, houve um tempo em que até fomos mais ricos do que os Estados Unidos, mas isso durou pouquíssimo tempo. Como fomos apenas uma povoação de exploração, esse sentimento de não valorização do país e de seu povo passou de forma atávica dos portugueses que aqui aportaram para os seus descendentes brasileiros da elite que, infelizmente, ainda carregam esse antipatriótico sentimento de desprezo pelo Brasil e também pelo seu humilde e empobrecido povo. 

Se fossemos administrados por homens de valor e que realmente se interessassem patrioticamente pelas coisas mais importantes para o país, não tenho dúvidas que mesmo sem fazermos guerras de conquistas como os nossos irmãos do norte, seriamos bem mais ricos e também mais amados que eles, pois temos aqui todas as condições para construirmos o mais país rico e prospero de todo o planeta.

O que está faltando nesse país é justamente consciência politica para colocarmos no poder não mais homens que na sua práxis política pusilanimemente se aliem com quem não nos quer ver crescer como nação soberana, mas outros mais corajosos que tentem criar com o nosso esforço próprio um país verdadeiramente independente e que escolha o rumo que quer tomar no sentido de buscar o mais rápido possível o seu desenvolvimento econômico social e político. Infelizmente, os que atualmente estão no poder são todos um deserto de homens e também de ideias verdadeiramente desenvolvimentistas. 

Tudo isso a meu ver tem fortes imbricações com a despolitização imposta a nossa população durante os vinte e um anos em que predominou a ditadura militar. Nesse período, de forma autoritária e antipatriota até, proibiu-se de se falar em política em todas as escolas e universidades desse país. O Ato Institucional n° 477, aprovado por um Congresso igualmente covarde como esse que ainda hoje é, proibiu, pela violência institucional, que se discutisse política justamente no lugar onde ela tinha que ser discutida e debatida em todos os sentidos.

Esse processo alienatório criou um vácuo de politização em toda a nossa população ao ponto de hoje se observar com tristeza, jovens desencantados com a forma como se está fazendo política no país e também porque não viveram o tempo da ditadura, endeusar um senhor como Jair Bolsonaro que além de não ter nenhuma ideia realmente transformadora em beneficio do país e de seu povo sofrido, desconhece por completo a realidade e as muitas contradições de suas diversas regiões.

Às vezes, em jogos transmitidos pela televisão percebe-se claramente a alienação de tantos jovens brasileiros que através da violência e manipulação induzida pelas torcidas organizadas, chegam inclusive a mutuamente se matarem. Vivemos numa sociedade injusta em todos os sentidos e são principalmente os mais jovens que têm sido as maiores vítimas de todo esse processo de exclusão idealizado e montado pela classe dominante.

Ao invés dos jovens procurarem urgentemente se conscientizarem do que politicamente está ocorrendo com o país - como se fossem avestruzes que ao sentirem medo enterram a cabeça nas pernas -, fogem da política, liberando espaço para os aventureiros de plantão da classe dominante que já se apossaram de quase todos os espaços onde certamente esses jovens com mais responsabilidade e idealismo poderiam modificar rapidamente o nosso país e posteriormente até o mundo para melhor com o nosso exemplo. 

Só que, mesmo com esse fugidio comportamento político da juventude do presente, o mundo precisa e terá que rapidamente evoluir, visto que as próprias forças do atual capitalismo sinalizam nessa direção, principalmente com as novas tecnologias e materiais que estão velozmente chegando no bojo da quarta revolução industrial já em plena marcha. 

A inteligência artificial já está aí em plena ação e por enquanto ainda de forma experimental com alguns automóveis autodirigidos por computador e sem risco sequer para pedestres; a presença da robótica e da impressão 3D que irão revolucionar a indústria automobilística e em geral; a micro eletroeletrônica e a nanotecnologia que revolucionarão a medicina tanto na precisão e rapidez dos diagnósticos, quanto no tratamento e cura das doenças; o aparecimento de novos materiais estratégicos como o grafeno que também impulsionará toda a cadeia produtiva da área da informática quântica e seus múltiplos periféricos; 

E com toda essa revolução em andamento, está vindo também um futuro que não está muito distante mudanças profundas tanto na qualidade quanto na quantidade do trabalho humano. Por isso mesmo é que a nossa juventude local e mundial deveria era está nesse momento histórico em que vivemos verdadeiramente se politizando para enfrentar uma batalha que ela terá que travar contra as forças reacionárias do capitalismo selvagem que somente pensa numa coisa: lucro e mais lucro!...

Infelizmente, amigos, essa não é a realidade que estamos enxergando no presente e, por isso mesmo, a juventude mundial vai ter que enfrentar uma verdadeira guerra num futuro não muito distante contra essas forças retrógadas, porém poderosas porque se encontram fortemente ancoradas no poder político que conseguiram cooptar e no dinheiro em profusão que foi acumulado por essa insensível classe dominante que não por coincidência é proprietária de todos os meios de produção e de comunicação. 

E já que estamos falando da ainda tão desalmada classe dominante alhures e algures, estou nesse precioso e decepcionante momento de nossa triste história política, assistindo pela TV a decisão dos ministros do TSE sobre a cassação da chapa que elegeu a dupla Dilma-Temer. Provas e mais provas de ilicitudes de todos os tipos não faltaram, porém, mais uma vez, percebe-se claramente que nesse país, a lei nunca foi e parece que vai continuar não sendo igual para todos como deveria ser. 

É uma tristeza a gente assistir a homens de reconhecida sapiência jurídica, regiamente pagos com o nosso já tão escasso dinheiro para fazerem justiça de acordo com os ditames da lei que ninguém conhece melhor que eles, gaguejando diante das câmeras de TV numa demonstração cabal de conspurcação de suas consciências, tentando justificar o injustificável. Mas eu confesso também que da mesma forma que me envergonhei e até me compadeci dos que traíram suas próprias consciências inocentando aquela chapa vergonhosamente criminosa, me orgulhei e vibrei de patriotismo dos outros que veementemente a condenaram, fato que, felizmente, demonstra que todos ainda não são farinha do mesmo saco. 

Sinceramente, amigos, se é que ainda há um restinho de consciência dada pelo criador dentro da cabeça daqueles “nobilíssimos senhores”, com certeza, eles não devem ter conseguido dormir o sono tranquilo dos inocentes naquela comprida e vergonhosa noite de sexta-feira para o sábado. Já os outros, não! Os outros devem ter dormido como uns verdadeiros anjinhos, pois o povo brasileiro na expressão de sua maioria e que acompanhou todo o processo do julgamento deu nota dez a todos eles, comungando completamente com as suas sábias, justas e patrióticas decisões. 

Entretanto, apesar dos pesares oriundos das muitas decepções com os seres humanos que infelizmente ainda somos obrigados a assistir, mesmo assim, alimento fortemente em mim a esperança e a fé de que a construção de um mundo bem melhor para todos num futuro será apenas uma questão de pouco tempo. 

Certamente que - com a idade em que estou não estarei mais aqui para acompanhá-las, mas, onde estiver, estarei vibrando de alegria e felicidade por todas essas tão benditas transformações que estão em pleno curso e que darão ao homem do futuro o merecido padrão de vida que o nosso paciente criador Deus planejou para ele, mas que – lamentavelmente -, o infeliz Homo economicus, com toda essa nefasta carga de egoísmo que carrega nele, ainda não o permitiu. Tenho dito!...

Emílio.





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

CONTATO DO BLOG

Telefone/Whats: (84) 9 8177-6707 Email: Contato@ofachodegrossos.com Facebook:  O Facho de Grossos © 2015 -2017 - O Facho de Grossos...

ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GROSSOS

ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GROSSOS

Acessos

FAN PAGE

PESQUISE AQUI

COLUNISTAS

COLUNISTAS
EMÍLIO OLIVEIRA
O Facho de Grossos 2014. Tecnologia do Blogger.