domingo, 21 de maio de 2017
Por: Emílio Oliveira
Na quarta-feira à noite fomos todos surpreendidos por uma reportagem da TV Globo estampando em imagem Digital e em HD para todo o Brasil, uma reportagem do Jornal o Globo em matéria escrita pelo jornalista Lauro Jardim, a respeito de um áudio gravado pela Polícia Federal, quando do depoimento em delação premiada de um dos proprietários da JBS a respeito de acertos finais para a compra do silêncio do ex-deputado e ex-presidente da Câmara cassado, Eduardo Cunha, fato que maculou a imagem pública do presidente Michel Temer, do senador Aécio Neves e também de outros personagens menos importante da cena política brasileira.

Até ontem somente se ouvia e se via de uma forma exageradamente suspeita e insistente até, sobre o nome do ex-presidente Lula. Ontem, porém, parece que o vento da mídia golpista que somente diz a verdade quando interessa a ela própria, aos seus tradicionais aliados e ao povo, o que, convenhamos, é muito difícil, começou a soprar para sítios outros que não os dos partidos de esquerda, que ela há muito vêm querendo a qualquer custo demonizar e destruir.

Eu não tenho nada pessoal contra nenhuma das mídias estabelecidas no país, quer sejam de direita ou de esquerda. Porém, gosto mesmo é do equilíbrio e se vamos falar dos erros do Lula que foram muitos, também falemos de seus acertos que foram vários. Realmente o Lula não tinha o direito de fazer o que fez colocando pessoas nas estatais, cujos comportamentos verdadeiramente não se coadunavam com as suas velhas e tradicionais pregações do respeito ao dinheiro e da moralidade pública.

Todavia, pelos menos o que deixam transparecer claramente é que o estão satanizando pelo que ele fez de ruim sem, contudo, mostrar o mérito do que ele também fez de bom principalmente para o sofrido povo desse país. O Lula, um homem que não teve o privilégio de estudar e se formar em escolas acadêmicas formais, embora que a vida na militância politica lhe tenha dado uma bagagem significativa de conhecimentos práticos que todos os que se aventuram a galgar o que ele conseguiu conquistar, precisam aprender. 

Como já afirmei em escritos anteriores, o Lula mesmo sem nenhuma formação acadêmica, conseguiu nos seus oito anos de governo criar e colocar em funcionamento mais universidades e centros de educação federal do que todos os outros presidentes formados. Conseguiu aumentar o salário mínimo do Brasil de 73 dólares no tempo do Fernando Henrique Cardoso para 320 dólares, quadruplicando-o em apenas oito anos e permitindo que mais de 40 milhões de brasileiros entrassem para o mercado de consumo.

Aumentou significativamente tanto o crédito pessoal nos Bancos ao povo em geral, quanto o empresarial através do BNDS, disponibilizando recursos para as empresas investirem em máquinas e equipamentos incrementando as suas produtividades e aumentando seus lucros. Relacionou-se bem com todos os países do continente e do mundo. Ressuscitou a indústria naval brasileira que estava praticamente morta. Conseguiu, partir do zero, acumular reserva de valor da ordem de mais de 300 bilhões de dólares que estão investidos em títulos do tesouro americano.

Foi no seu governo que as pesquisas se intensificaram e foi descoberto o pré-sal que é o maior reservatório de petróleo bruto já descoberto no planeta. Idealizou e ajudou a criar os BRICS e também o Banco de desenvolvimento e financiamento entre os cinco países que o compõem, fato que, inclusive, juntamente com a descoberta do pré-sal e do rápido desenvolvimento da tecnologia brasileira para prospecção em águas profundas, alertou e assombrou os Estados Unidos. E, finalmente, fechando com chave de ouro as grandes realizações de seus dois governos, conseguiu a Copa do Mundo e também as Olímpiadas para o Brasil. 

Posso até está enganado, mas ninguém me tira da cabeça que a Dilma caiu por quatro motivos: o primeiro, foi à descoberta e a rápida prospecção e exploração do pré-sal com os objetivos traçados de todo o dinheiro ali gerado ser aplicado na educação e na saúde do povo brasileiro; o segundo, foi o fato de o Lula ter iniciado relações diplomáticas e comerciais com outros países angariando mais simpatias para o Brasil e principalmente por ter inserido o país no grupo dos BRICS; o terceiro, que com a continuidade da Dilma no governo, a possibilidade do Lula voltar ao governo novamente em 2018 e consolidar todas essas posições eram altíssimas e, os gringos, como um império que são, não poderiam permitir que um simples país periférico como o Brasil, se atrevesse a querer sair das garras afiadas da sua águia onde sempre esteve preso, para cair nas garras da China e da Rússia do Putin. E o quarto e último, era a urgente necessidade de destruir a Odebrecht que é uma das maiores empresas de construção civil do mundo e que competia em igualdade de condições na qualidade dos serviços e até por um preço menor que as similares americanas, inglesas e canadenses, fato que, na competição global, vinha criando sérias dificuldades para os gringos. Eis aí, a meu ver, os verdadeiros motivos do golpe.

A imprensa manipuladora que divulga apenas o que interessa a quem lhes paga mais, sempre procura de forma incisiva nos seus noticiários e também nas entrevistas com seus especialistas, mostrar à classe média que é tão manipulada quanto o próprio povo, que o Brasil entrou nessas dificuldades porque foi muito mal administrado pelo PT e que essa roubalheira toda foi à única causa de tudo que vem acontecendo com o nosso país. Mentira, não foi somente isso não! Que contribuiu, contribuiu e eu não tenho nenhuma dúvida a esse respeito! Porém, o que nos levou ao que extasiados estamos assistindo não foi apenas esse crasso erro cometido pelo PT não.

O motivo é que o Brasil, com a elite sem patriotismo que possui, se especializou em produzir apenas mercadorias de baixo valor agregado como as commodities, cujos preços no mercado internacional ou estão lá em cima ou lá em baixo. Quando os seus preços estão bons, como nos dois governos do Lula e até ao meio do primeiro governo da Dilma, pensa-se que tudo está bem porque que o país consegue equilibrar a sua balança de pagamentos. Quando, porém, esses preços caem, descobre-se, mais uma vez que estamos pobres e esse ciclo vem se realimentando com o passar do tempo. Infelizmente, salvo raras exceções de alguns governos mais patriotas e ligados aos interesses maiores do país e do povo a nossa rotina tem sido sempre essa.

Para se ter uma ideia mais precisa da gravidade desse problema, no inicio do governo da Dilma, uma tonelada de minério de ferro bruto chegou a ser vendida por até 190 dólares a tonelada. Agora ela está sendo vendida por apenas 48 dólares, acumulando uma baixa de mais de 74 %. Na mesma época, um barril de petróleo bruto era vendido por 110 dólares e agora por apenas 40 dólares, com uma baixa de mais de 63 %. As carnes bovinas e suínas, o milho, a soja, e o suco de laranja, estão sendo vendidos como deságio de até 42 % do seu valor da mesma época. Advém daí, portanto, as verdadeiras dificuldades que estamos enfrentando, as quais a televisão e nem o jornais e revistas divulgam para o povo porque isso simplesmente não interessa a nenhum deles.

O que aconteceu e ainda está acontecendo com o Brasil é mais ou menos o seguinte: vamos supor que você é um pai de família da classe média e que tem um salário mensal fixo de R$ 10.000,00. De repente o seu patrão lhe chama para uma conversa e avisa que vai cortar 59,66 % do seu salário porque as suas vendas caíram nesse mesmo patamar e ele teve que baixar significativamente os preços de seus produtos e não pode mais lhe pagar o que pagava antes. O seu salário era de R$ 10.000,00 e tendo um deságio de 59,66 %, ele ficará em R$ 4.034,00. Nesse simples exemplo, ficará nas suas contas um rombo de R$ 5.966,00.

Pois foi justamente o que aconteceu com a economia brasileira que não é tão diferente da de um pai de família qualquer. Quando os preços das commodities que são as mercadorias que produzimos e vendemos para o exterior caíram na magnitude exposta, ficou um rombo nas contas externas do Brasil da ordem de aproximadamente 140 bilhões de dólares. E foi justamente esse rombo nas nossas contas públicas - que desarrumou toda a economia do país.

O resto é somente manipulação, desinformação e propaganda ridícula que a mídia cooptada e com objetivo puramente alienante faz para agradar as elites alhures e algures que se especializaram em ganhar muito dinheiro com o rentismo fácil através da compra de títulos públicos do governo federal com juros pré e pós fixados. Por que enfim na televisão ninguém pregunta o porquê das taxas de juros no Brasil serem uma das maiores do planeta? Analisem o escandaloso juro do nosso cartão de crédito que chega a ser até 470 % ao ano. Sabe quanto é nos Estados Unidos que é a sede do capitalismo internacional? Apenas 1,5 % ao ano, e isso é uma verdadeira extorsão ao minguado dinheiro do povo. 

Por que para a presidência do Banco Central brasileiro somente são nomeados para dirigi-lo representantes do Bradesco e do Itaú e não um renomado professor de economia das universidades que não possuem nenhum vínculo com os Bancos privados? Um dos muitos remédios amargos para se combater inflação ainda é o aumento da taxa de juros. Mas isso somente quando a inflação é de demanda o que não nunca foi e nem é o nosso caso, e, por isso mesmo, não tem o menor sentido se aumentar exageradamente a taxa de juros - a não ser seja única e exclusivamente para se remunerar mais ainda a plutocracia rentista.

Na verdade, no Brasil, a inflação tem sido somente de custos e ela, infelizmente, tem sido utilizada como uma espécie de imposto regressivo para de forma antipatriótica se transferir renda da população empobrecida para a elite plutocrática. Não foi em vão que no Brasil se alimentou uma hiperinflação média de 35% ao mês durante mais de trinta anos. Aquilo era um perverso imposto inflacionário que de forma desumana e cruel se retirava dinheiro de toda a sociedade para repassá-lo aos ricos na forma do aumento de preços e de mais e mais pagamento de juros pelo governo aos banqueiros e seus aliados. Era uma farsa montada e alimentada apenas para explorar a sociedade como um todo e beneficiar apenas alguns capitalistas selvagens do nosso atrasado sistema capitalista. 

Pelo fato de ter trabalhado por longos quinze anos no Banco do Brasil é que conheço muito bem o velho caminho das pedras e vou aqui me aventurar a fazer uma previsão. Se nessa cachorrada toda que a gente estarrecido assiste pela televisão o Temer cair, a nossa Constituição manda que se faça uma eleição indireta no Congresso para se escolher o novo Presidente da República. Caso isso venha acontecer, para enganar ao povo mais uma vez, eles vão escolher um nome dito de respeito e esse nome entre outros, o preferido será o do Henrique Meireles que é o atual Ministro da Fazenda e também o homem da estrita confiança do sistema financeiro nacional e internacional. Noutras palavras, eles sempre montam o jogo deles de forma que a raposa nunca pode deixar de tomar conta do galinheiro. 

Outro assunto que gostaria de falar é sobre o financiamento de campanhas eleitorais. Por que os políticos hoje e sempre tem recorrido aos empresários em busca de dinheiro quando se aproximam as eleições para renovação de seus mandatos? É simples. Os políticos sabem que nesse injusto sistema econômico em que se socializa o trabalho e se privatiza o lucro com o apoio politico e a total conivência deles, os empresários ganham rios de dinheiro explorando o trabalho das massas desorganizadas e desinformadas. Então, o povo brasileiro, por não confiar mais em nenhum desses políticos que nunca o representam, troca o seu voto por dinheiro fácil repassado aos políticos quase sempre de forma irregular pelos empresários que auferem lucros exorbitantes. 

Se o povo brasileiro na próxima eleição não adquirir a coragem cívica de sair desse ciclo de imoralidade que é totalmente contraproducente para ele próprio, tudo vai continuar com dantes, no velho quartel de Abrantes. E olhe que eu já venho dizendo isso há bastante tempo. Uma sugestão, povo brasileiro: por favor, na próxima eleição, quando vierem te sondar para negociar o voto, negocie, receba o dinheiro porque você precisa, porém, lá na urna recuse-se a entregar a mercadoria e, aí sim, você vai dar uma grande lição nesses caras que estão acostumados a comprar não somente o seu voto, mais também a sua consciência e a sua eterna carência para, em cada eleição, você está mais e mais barato para eles.

Votem contra todos eles escolhendo políticos novos e que não procedam do meio deles e, se estes, também não prestarem na próxima eleição os ponha para fora votando contra eles também, pois será somente através desse processo de aperfeiçoamento do nosso traquejo para excluir o mal na arte de votar - que construiremos um país melhor para todos e não apenas para essa minoria de políticos e empresários ricos, corruptos e desonestos. Tenho dito!...



Emílio.
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