domingo, 23 de abril de 2017
Por: Emílio Oliveira
Nessas três últimas semanas, o nosso país viveu o auge dos escândalos que vieram a público com a operação Lava Jato, justamente da parte daqueles que - como representantes do povo que lhes delegou o mandato -, deviam ser o exemplo maior de dignidade, autenticidade, honestidade e patriotismo. Mas, ledo engano nosso sonhar com um parlamento que cumpra fielmente a honrosa e patrioticamente missão de ser o guardião da lisura e da democracia.

Costumo sempre comparar um país qualquer com um lar, uma casa, uma família. No lar, o pai juntamente com a mãe que é a estabilizadora das emoções familiares faz de tudo para que os filhos tenham o melhor que eles próprios na sua época não puderam ter. Trabalham de sol a sol com empenho e dedicação para criá-los, educá-los e prepará-los para a vida adulta, quando enfim eles tomarão os seus próprios rumos e caminhos e certamente com todas as condições que - com amor e compromisso de país - lhes foram oferecidos.

Confesso que não sei se estou realmente certo nessa minha analogia, porém, enxergo a mesma identidade e mesmo compromisso de uma elite com seu país, pois, afinal de contas ela, a elite, por ter estudado e se capacitado para essa honrosa função, é a responsável maior pelo destino de seu país e de seu povo, defendendo seus interesses maiores e administrando bem os recursos comuns que pertencem a todos com dedicação, honestidade e patriotismo para prover - pelo menos do necessário -, a todos os seus habitantes. 

Infelizmente, isso não é o que vem ocorrendo em nosso país, pois há bastante tempo que os nossos parcos recursos públicos estão sendo criminosamente dilapidados nos ralos da improbidade administrativa e da corrupção generalizada, inclusive em obras até certo ponto desnecessárias sob o ponto de vista do bem comum, mas quase sempre superfaturadas por aqueles que, pelos cargos que lhes foram delegados pelo voto do nosso sofrido povo, deveriam ter o dever moral, ético e cívico de zelar e não de desonestamente se apropriar desses sagrados recursos de toda a sociedade. 

E é justamente nesse clima de desconfiança total em tudo e em todos que a imprensa antipatriótica, golpista e verdadeiramente descomprometida com o país e seu povo, aponta com o dedo sujo por defender interesses próprios espúrios apenas os responsáveis que interessam a ela diretamente, e/ou os que são apontados a ela por aqueles que as pagam a peso de ouro para demonizar e desmoralizar indiscriminadamente pessoas, as quais num futuro não muito distante poderão ameaçar os seus eternos e imerecidos privilégios. 

É o que estão fazendo atualmente com o Lula, seu Partido o PT e seus amigos. Não que deseje aqui defendê-los achando que eles não têm nenhuma culpa no que está ocorrendo agora com o Brasil. Eles também têm a sua parcela grandiosa de culpa e responsabilidade pelo que estamos vivendo. Agora se precisa saber também que quando um homem ou uma instituição se arvora no direito de julgar uma pessoa qualquer - deve fazê-lo mostrando os seus erros, mas também os acertos de suas ações. 

É claro que o Lula pelo seu passado e sua luta em benefício dos deserdados por essa nossa cruel elite não tinha o direito de fazer o que fez. Ele devia ter feito como o Mandela que morreu sem nenhum patrimônio senão apenas a sua pensão de ex-presidente que custeou suas despesas até a sua honrosa morte. Mas, se vamos julgar o Lula, julguemo-lo pelos seus erros e também pelos seus acertos que - como todos sabem -, foram muitos. Senão vejamos: quando o Lula assumiu a presidência da república recebida do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o salário mínimo do Brasil era de apenas 73 dólares americanos. 

Nessa época a elite se utilizava da falácia televisiva para alardear da mesma forma mentirosa como fazem hoje que se o salário mínimo subisse acima da inflação, quebraria as pequenas empresas e também as Prefeituras de todo o país. No fim do primeiro mandato do Lula, o salário mínimo já era de 325 dólares e a economia caminhava até com mais pujança. E isso, amigos, foi um grande feito histórico e econômico, haja vista que possibilitou a mais de 60 milhões de brasileiros ter acesso a um aparelho celular, a uma televisão, a uma geladeira, a uma máquina de lavar roupa, a se alimentar num restaurante com a família e também a fazer a sua feirinha todo mês no supermercado sem ter que ir para o velho cabresto da bodega.

Além - é claro – da quantidade de crédito que mais que triplicou em forma de empréstimos fácilitados que foi liberado para o povo pobre desse país que nunca tinha tido sequer o direito de entrar num Banco qualquer. Com o seu profícuo trabalho em prol dos pequenos e mais necessitados, nunca se vendeu tanto nesse país. As vendas foram catapultadas quase ao infinito, visto que 60 milhões de novos consumidores tiveram acesso ao mercado interno consumidor. Há quem diga até que durante o governo Lula um dos fatos que mais incomodava a nossa classe media alta que falsamente ainda se confunde com a elite - é que ela passou a cruzar com os pobres não tão bem vestidos quanto elas nos saguões dos aeroportos e também nos voos comerciais. 

Não quero aqui nem mais me estender em seus outros feitos que foram muitos e todos são testemunhas do fato, pois a meu ver, somente isso já seria extraordinário para o nosso país. Agora mesmo, com toda a crise econômica que estamos vivendo e ainda mais agravada com mais três consecutivos anos de seca que passamos aqui no Nordeste, não tivemos invasão de nenhuma cidade por pessoas famintas, como ocorriam antes do seu governo.

Todavia, não concordo e tenho sido contra as injustas distorções que também foram praticadas no seu governo como o financiamento pelo BNDS a fundo quase que perdido de grandes obras em outros países como, por exemplo, o Porto de Mariel em Cuba, onde o Brasil investiu 692 milhões de dólares para serem pagos em módicas prestações e só Deus sabe quando?

Aqui mesmo na nossa Cidade de Grossos estamos precisando urgentemente da instalação e funcionamento de um Porto de embarque marítimo para exportamos ainda mais sal, cimento, clinker, fruticultura irrigada, calcário bruto e moído e ao mesmo tempo importarmos combustíveis, lubrificantes e seus derivados, além de motos e mercadorias outras produzidas fora do estado. 

Essa sim seria uma obra estratégica e verdadeiramente importante para o nosso município e também para o Estado do Rio Grande do Norte e o Brasil, pois além de gerar emprego e renda para o nosso povo que necessita viver com a dignidade do seu trabalho, teríamos ainda um estratégico corredor de exportação de nossos produtos tão procurados no nosso mercado interno e externo também. 

Isso posto, poderíamos perguntar quanto custaria hoje a construção desse nosso simples mais ao mesmo tempo tão importante porto para o nosso estado e também para toda a região da Costa Branca? Com um pouco mais de sofisticação aproximadamente uns 30 milhões de reais ou aproximadamente 10 milhões de dólares, ou apenas 1,26 % do que foi gasto no Porto de Mariel em Cuba. 

Outra coisa errada que o Lula fez foi levar a Refinaria de Petróleo Abreu e Lima para o seu estado Pernambuco que não produz sequer uma gota de petróleo, retirando-a daqui do Rio Grande do Norte que ainda é o maior produtor continental de petróleo do país. Outra coisa errada que ele ainda fez foi permitir que o traçado da Ferrovia Norte-Sul fosse desviado do Rio Grande do Norte passando do Ceará diretamente para a Paraíba, prejudicando, a exportação ferroviária do Sal Marinho e também de outras mercadorias para os grandes centros consumidores do país.

Apesar dos pesares, ao querer se julgar o Lula, que pelo menos se use o bom senso de acusá-lo no que ele fez de ruim, mais também de elogiá-lo no que fez de bom e foram muitas coisas. Parece-me que a elite brasileira que nunca conseguiu digerir o governo do Lula está tentando a todo o custo primeiramente satanizá-lo e depois, por extensão desmoralizar todos os outros políticos, quando se sabe que há políticos bons e políticos ruins.

O que se precisa urgentemente compreender é que todos ainda não são farinha do mesmo saco não. Há políticos bons e políticos ruins assim como também em todas as outras profissões que se conhece. O que frequentemente mais ocorre é que os bons são a minoria e como numa democracia mesmo falaciosa como essa nossa quem pode modificar as coisas é somente a maioria, os homens de bem ou não se elegem, ou não se reelegem e os maus assumiram de vez o comando de Norte a Sul do país. 

Por isso, é preciso que o povo brasileiro compreenda que os que estão de maneira sistemática tentando generalizar a demonização da politica partidária, sorrateiramente apresentam interesses não republicanos de instalar mais uma vez um regime autoritário no país. Não que eu seja contra os militares o que certamente não sou, até porque sei que eles são bem mais patriotas e responsáveis que os civis. O que eu temo, na verdade, é a implantação de outra ditadura que a meu ver, no geral, não é o melhor para o Brasil.

Se por acaso como querem alguns os militares dessem um golpe no Temer, cassassem todos os políticos corruptos e seus associados, expropriassem todos os bens roubados do povo, os colocassem na cadeia e fizessem uma convocação de homens probos, honestos, preparados e bem intencionados em todo o Brasil para assumir os cargos que atualmente estão sendo ocupados por verdadeiros quadrilheiros, eu também seria favorável. 

E por fim, ao concluírem a limpeza geral marcassem logo a data de novas eleições diretas em todos os níveis e após a eleição geral entregassem o poder aos novos civis eleitos com a ressalva de que se fizessem o mesmo sofreriam as mesas consequências dos que estariam presos, tudo bem. Seria uma quebra da democracia, mas, pelo menos, em beneficio maior do país e de seu povo que vêm sendo, em quase todos os setores, surrupiado.

Mais o problema maior é que sempre que têm chegado ao poder e isso em qualquer lugar, os militares, mesmo sendo mais honestos e patriotas que os civis exorbitam nas suas funções e o resultado é sempre mais uma ditadura que nem é boa a de direita e nem tampouco a de esquerda para nenhum pais onde ela se implantou. Por isso eu comungo sempre com a democracia que - mesmo ainda falaciosa como essa nossa –, ainda é a melhor forma de governar que se tem noticia.

E o pior é que ante essa nossa realidade politica totalmente distorcida, os políticos bons e honestos ou não se elegem mais porque não têm dinheiro fácil para cooptar votos ou fogem da luta porque não se sentem confortável dentro de desse charco de lama putrefata que e a politicalha que se pratica no Brasil. Enquanto isso, os maus e desonestos que - salvo raras exceções já são quase todos -, se aproveitam para entrar fundo no veio fácil da corrupção levando sempre vantagem sobre os mais honestos.

Todavia, as pessoas precisam se conscientizar de que não é renunciando o direito ao voto que se vai poder resolver as coisas erradas no Brasil não. Somente a politica verdadeira pode resolver ou não a grande questão brasileira. Mas, para isso, torna-se necessário que todos nós cidadãos brasileiros aprendamos urgentemente a votar. Não negociemos mais o nosso voto por nada que nos ofereçam. Se oferecerem recebam e votem contra aquele ou aqueles, porque, assim fazendo, eles vão quebrar a cara e sair da cena da política por não conseguirem mais se elegerem ou se reelegerem.

Vejam esses que estão atualmente no poder e que lá chegaram pela porta dos fundos e como não têm votos foram logo querendo às pressas, tirar os direitos dos trabalhadores que são os únicos que carregam a nação nas costas. Sempre que um sem voto chega ao poder, o povo é quem sai perdendo e finalmente é quem paga a conta. Por isso, precisamos e vamos escolher candidatos mais honestos e novos na próxima eleição de 2018 e, além disso, alertá-los de que se não fizerem jus ao voto e a confiança neles depositado, somente terão um único mandato. 

Se não for assim, amigos, se votarmos por promessas vãs de empregos que não se precisa trabalhar para ganhar honrosamente a vida com o suor do nosso rosto ou mesmo qualquer outra buginganga que eles estão acostumados a prometer para nos enganar, se negociarmos o voto, se votarmos mais uma vez nos mesmos que já temos votado durante todo esse tempo perdido, se não escolhermos políticos novos e com as ideias aclaradas pela competência, honestidade, patriotismo e vontade de mudar tudo o que está aí, não iremos mudar nada em 2018 e, infelizmente, vai continuar tudo como dantes no velho quartel de Abrantes. Tenho dito!..



Emílio.
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