domingo, 30 de abril de 2017
Por: Emílio Oliveira
O Brasil viveu anteontem um dia sui generis em sua mais recente história política e social. Parte do povo trabalhador brasileiro conseguiu parar o país de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Parabéns, portanto, e palmas para o nosso povo que enfim conseguiu sair da inexplicável apatia em que se encontrava e ir às ruas reivindicar e lutar pela conservação de seus seculares direitos conquistados com muita luta.

Finalmente, parece que o gigante sempre adormecido agora começa a acordar de seu sono eterno e ir a luta para fazer valer os seus direitos ameaçados por um grupo antipatriótico no poder e sua mídia, além de um Congresso ajoelhado e humilhado aos poderosos de sempre, os quais, até bem pouco tempo atrás, davam as cartas nesse maldito jogo de faz de contas em que perdíamos sempre não somente a nossa dignidade como nação soberana, mais também o bonde da história do nosso inadiável desenvolvimento socioeconômico.

Apesar de a mídia manipuladora mostrar aos telespectadores apenas a parte que interessava aos seus sócios e pagantes, o movimento foi bastante grande para, pelo menos, alertar aos atuais donos do poder. E foi por isso mesmo que para minimizar os efeitos da reação popular à retirada de parte de seus direitos à duras penas conseguidos que os atuais poderosos têm procurado nos seus falsos, hipócritas e mentirosos pronunciamentos oficiais, minimizar os efeitos do movimento.

Porém, para uma sociedade desnorteada e ainda despolitizada como a nossa e que por isso mesmo vem há muito tempo sendo sistematicamente manipulada pelos meios de comunicação que deveriam verdadeiramente informar e não apenas alienar os nossos cidadãos, pode-se considerar como uma significativa evolução, pois o povo começa aos poucos a se desvencilhar da indiferença com o seu futuro e o do seu país. 

Essa é a agradável sensação que nos deixa esse movimento, pois quem não luta por seus próprios direitos, torna-se claro que não lutará jamais pelos direitos de ninguém. Portanto, pode-se perfeitamente conceber que o povo brasileiro, já cansado de ser enganado por aqueles que se dizem seus legítimos representantes, começa a tirar a venda dos olhos e também a sua passividade e perceber com mais clareza o que têm sofrido dessa nossa classe dominante ingrata, impiedosa e cruel.    

A nossa história oficial é na verdade uma história de exploração, de falta de amor e solidariedade com os menos aquinhoados, com os de cor, com os pobres, com os deserdados da sorte, enfim com todos os trabalhadores desse país, os quais são os que verdadeiramente têm carregado o país em seus ombros e sempre com a força produtora do seu benéfico trabalho. 

Mas, infelizmente, esses que são os que realmente produzem, são justamente os que sempre ganharam muito pouco em relação aos que levam quase tudo e o seu único e maléfico trabalho é o de manter e perpetuar a endêmica miséria do nosso povo. Vou contar-lhes uma pequena historia que é mais trágica do que cômica e que geralmente não consta dos nossos livros oficiais de nossa hipócrita e injusta história, mas que é a pura verdade.

O Brasil somente aboliu a sua vergonhosa escravatura cem anos depois dos Estados Unidos. Mas lá, apesar dos conflitos raciais serem bem mais visíveis e até mais violentos que os daqui, os gringos deram a cada escravo pai de família liberto: 25 acres de terra, uma mula de três anos de idade e um arado para que eles pudessem plantar e sobreviver em suas próprias terras com o digno suor do seu trabalho. Mas, aqui no Brasil, foi completamente diferente. 

Além de nossa abolição somente ter ocorrido cem anos depois, simplesmente se fechou as senzalas e os antigos escravos ou foram expulsos e jogados no meio das ruas das cidades ou abandonados nos campos das propriedades dos ricos senhores de terra. Foi assim a nossa abolição da escravatura e não apenas aconteceu porque a Princesa Isabel tinha um grande coração como se apregoa não, mas porque economicamente tornara-se mais caro manter um escravo no trabalho visto que como um instrumento de trabalho precisava ser tratado quando doente do que um operário assalariado que era bem mais barato e quando morria havia um exército de reserva que trabalhava até pela metade do valor daquele que se fora.

Essa é a verdadeira história desse rico e gigantesco país de povo tão pobre, bom, inocente e trabalhador e de uma elite moral e eticamente descomprometida que enquanto se deslocava para as igrejas rezar a Deus para manter os seus injustos privilégios e patrimônios, os seus escravos negros eram torturados nos famosos troncos de suplício apanhando dos odientos e horripilantes capatazes por qualquer bobagem que porventura cometessem.

E o pior de tudo isso é que na época, salvo raras exceções, os bispos e os padres da Igreja Católica Apostólica Romana legitimavam toda aquela bárbara crueldade que era praticada contra as criaturas humanas transformadas em verdadeiros bichos trabalhadores, cujos únicos pecados eram serem de outra raça, falsamente afirmando que toda aquela carnificina eram puros desígnios de Deus, somente porque os escravos tinham a cor da pele diferente da dos seus poderosos donos. 

Esse é verdadeiramente o nosso triste passado e, portanto, como é também no passado e no presente que se constrói o futuro, o que temos como justiça social no Brasil ainda hoje, é justamente o que desnorteados estamos vendo. Os ricos querendo a todo o custo retirar ainda mais o pouco conquistado pelos trabalhadores brasileiros conseguidos através de muitas e muitas lutas do passado, simplesmente porque nessa visão puramente egoísta e tosca dessa desumana gente, não podem perder absolutamente nada.

Vamos fazer aqui uma rápida análise sobre a nossa Previdência Social que eles querem a todo custo reformar. Segundo informações de seus próprios auditores fiscais, somente os três poderes da república que somam aproximadamente 1,2 milhões de pessoas consomem juntos quarenta por cento de todos os recursos arrecadados. A média paga ao executivo pela previdência é de dez mil reais; a média paga ao legislativo é de vinte e cinco mil reais; e a média paga ao judiciário é de trinta mil reais. 

Então, se é mesmo assim como dizem esses auditores, e se a Previdência tem um déficit alegado pelo governo que esses auditores também dizem que ainda não tem, vamos fazer o seguinte: convocar a todos os aposentados desses três poderes e mostrar a eles que apesar de serem a minoria dos beneficiários da previdência social, estão recebendo quase que quarenta por cento de todo o dinheiro arrecadado pela Previdência e que a reforma que se pretende fazer para ser mais justa precisa ser feita nos proventos deles porque enquanto eles ganham essa média tão alta assim, aos aposentados do setor privado que são mais de trinta milhões são pagos apenas um mil e seiscentos reais em média por pessoa.

Se a proposta da reforma da previdência social fosse essa, o que seria bem mais justo, com certeza esses senhores não aceitariam e sabe por que? Porque eles pensam que formam hoje a classe dos antigos nobres do tempo do Império e, portanto, os seus direitos são em nome de Deus e dos que estão no poder, invioláveis. Essa era também a distorcida visão da elite francesa antes de 1789. Portanto, esse pessoal precisa urgentemente compreender que, até mesmo numa sociedade injusta como a nossa, tudo tem um limite!

E é por esses e outros motivos mais cabeludos que o nosso povo trabalhador que constrói as casas e apartamentos para se morar, as estradas, pontes, viadutos e os carros para se viajar e passear, os aviões para se percorrer as grandes distâncias, os televisores, os smartphones para se falar de qualquer lugar, os computadores para agilizar os trabalhos, as máquinas de lavar roupa, os cultivos dos diversos cereais e verduras para a nossa sobrevivência, aos que produzem sal e outras mercadorias de valor para a toda a sociedade, aos que cuidam das máquinas, da energia elétrica, dos combustíveis e lubrificantes, os que constroem o Brasil todos os dias com o seu honroso trabalho, esses coitados, nessa sociedade tão injusta e desigual não podem ter o mesmo valor e direito que os privilegiados senhores, visto serem os trabalhadores apenas um detalhe que esses desalmados senhores, pelas circunstancias, têm de engolir

Infelizmente, nessa espúria sociedade, o que vale mais não é a capacidade de trabalhar e fazer coisas importantes para todos não, mas os vazios títulos e os privilégios advindo deles, porque numa sociedade de classes como essa em que vivemos, o que vale mesmo é o status que sempre se agrega a uma pessoa qualquer numa forma de substrato de falso valor e de ilusória capacidade de nobreza.

O que escrevi aqui talvez até dê margem a algum desavisado ou mal intencionado achar que estou fazendo apologia à luta de classes. Não, não estou! Estou apenas alertando enquanto é tempo aos que têm muito o que perder no futuro se continuarem mantendo a qualquer custo as injustiças praticadas contra os trabalhadores desse país que por enquanto ainda são os mais fracos da corrente, mas que juntos poderão se tornar os mais fortes. E isso, é somente uma questão de tempo!

Então, ante tantos e tão perigosos desacertos, não seria o caso de gritando se perguntar porque o Brasil que é um país tão rico ainda mantenha um povo tão pobre e carente em todos os sentidos? Porque enfim não dividir as nossas riquezas que são muitas com a maioria do nosso povo trabalhador para que ele receba o justo fruto do seu trabalho e assim possa fortalecer mais ainda seu patriotismo e mais amor pelo país e possa enfim se sentir orgulhoso de ser realmente um brasileiro? 

Se isso não vier brevemente a ser feito para que possamos nos apresentar como um exemplo positivo ao mundo, podem apostar que a barbárie vai se implantar em nosso país, e, após isso ocorrer, somente Deus na sua bem-aventurança poderá nos proteger a todos. Tenho dito!...



Emílio.
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