terça-feira, 4 de abril de 2017
Raimundo Pereira
Por: Emílio Oliveira
Hoje, precisamente às 3:00 horas da madrugada desse dia 04/04/2017, completou exatos dois anos da partida para o mundo espiritual de nosso pai, o grande homem dessa terra, Raimundo Gonçalves de Oliveira. Como já afirmei no primeiro ano de seu falecimento, foi um grande sofrimento não somente para ele - apesar de ele nunca ter reclamado de nada do que passava - mas também para todos nós da família que acompanhamos de perto a sua doença que finalmente o levou à morte. 

Apesar de já terem se passados dois anos, nós da família ainda sentimos e muito o insubstituível vazio de sua ausência em nossas vidas e acho até que ainda vai demandar muito tempo para que esse incômodo sentimento de vacância e perplexidade, se amenize em nossas mentes e corações. Para todos nós da família ele foi o ícone maior – por ter durante toda a sua longa vida de 92 anos, utilizado a sua inteligência privilegiada e a sua incontestável coragem cívica, para alavancar o progresso e o desenvolvimento desta nossa tão amada cidade. 

Como já disse em outras oportunidades, e sem desejar com isso desmerecer aos demais que também tiveram a sua oportunidade, ele foi o maior líder político e também o maior e mais trabalhador Prefeito que essa cidade conheceu. No seu primeiro mandato conseguido por méritos próprios, pois já havia sido o vereador proporcionalmente mais votado de todos, conseguiu desmontar com o seu solidário trabalho sempre em benefício dos mais necessitados, a oligarquia dos antigos coronéis quase que centenária e que se estabelecera nesta cidade, tendo na época como representante principal o senhor José Marcelino Ferreira, de saudosa memória e também um homem de vida e comportamento exemplar.

Antes de Raimundo Gonçalves de Oliveira chegar à política grossense - praticamente não existia disputa eleitoral aqui não. O que estava estabelecido era uma espécie de feudalismo dominador, onde as chapas eram distribuídas ao povo para votar de acordo com a vontade de alguns expoentes dessa oligarquia que - sequer se dignificavam em pedir o voto às pessoas. Era mais ou menos assim: na véspera ou mesmo no dia da eleição, eles que administravam as salinas do nosso município e do entorno também, enviavam seus prepostos com as chapas de seus eternos candidatos dentro de envelopes fechados, os quais eram entregues ao povo para apenas colocá-los dentro das respectivas urnas no dia da eleição.

Se por acaso algum incauto qualquer se aventurasse a quebrar aquelas atrasadas regras votando em outros candidatos que não os que interessavam ao sistema, teria grande dificuldade de sobreviver com a família, pois, com certeza, trabalho não conseguiria mais, visto que eram justamente tais senhores que comandavam as salinas, as quais, na época, eram as únicas fontes de trabalho e renda de toda a nossa região. 

Podem até discordar do que tentando fazer justiça ao seu trabalho por essa cidade afirmo, porém, a importância politica dele até o momento em que vivemos, ainda não foi obnubilada por nenhum dos outros que o sucederam. E por que amigos? Porque ele conseguiu quebrar um paradigma político ultrapassado, autoritário, concentrador, dominador, excludente e alienante e o substituiu com mérito até - por outro paradigma de liberdade ao seu povo, de progresso e de desenvolvimentismo social e econômico desse Município.

Infelizmente, amigos, com o declínio político e à morte do grande líder, Raimundo Gonçalves de Oliveira, tudo leva a crer que a forma de se fazer política na nossa cidade está regredindo ao tempo dos nossos respeitados e respeitáveis coronéis que faziam aquele tipo de politica atrasada não porque fossem maus, mas simplesmente por que fora justamente aquele tipo de práxis política repassada a eles por seus ancestrais. Eles apenas reproduziam o que receberam dos ascendestes, haja vista que isso era considerado como uma coisa normal naquela época.. 

Hoje, já se percebe claramente que está voltando o tempo em que não havia liderança política, o que é uma pena. O povo hoje, como dantes, vota - ou porque foi cooptado pela força do poder econômico ou pelas vãs promessas feitas pelos políticos atuais no período das eleições. E o pior de tudo isso é que se não prometer também não ganha, até porque, pela ausência de verdadeiros líderes, o eleitor de hoje, diferentemente do de ontem, tornou-se puramente imediatista. Na verdade, o próprio eleitor é quem provoca o político a negociar o seu sagrado voto. 

Quero que as pessoas compreendam que o meu objetivo em tratar desses assuntos que para alguns sequer é pertinente - não é o de criticar e nem desabonar ninguém especificamente. É, na verdade, um pequeno histórico do que ocorria na época, para que se possa fazer um melhor juízo de valor do que ocorria no passado e está ocorrendo no presente. Eis, portanto, o principal motivo por que procurei evidenciar a importância do surgimento da liderança politica de Raimundo Gonçalves de Oliveira, no cenário político de nossa cidade.

Não vou aqui nem mais citar ou descrever o seu importante trabalho desenvolvido em todos os setores da nossa economia local, no sentido de inaugurar e acelerar um sadio processo de desenvolvimento socioeconômico que de uma forma visionária até, ele conseguiu implantar em nosso município. Mas o sofrimento, amigos, pode modifica e muito as pessoas para melhor ou até para pior, o que não é o caso. O certo é que poucos meses antes dele falecer me olhando nos olhos me perguntou se tinha mesmo valido à pena ter feito o que fez por esta cidade e seu povo, se tinha saído da vida pública sem votos e sem dinheiro nem sequer para se tratar com dignidade quando adoeceu?

Então lhe respondi que mesmo sem dinheiro o tratamento que ele estava recebendo aqui mesmo em Mossoró e na Liga em Natal, era o mesmo que se fazia no Hospital Sírio Libanês ou no Albert Einstein em São Paulo. É claro que o tratamento lá poderia ser até mais sofisticado, mais atencioso, mas a medicação que ele estava tomando era à mesma - porque assim era e ainda é em todos os hospitais do país e do mundo.

Porém, o que mais me marcou e me orgulhou na convivência como filho de Raimundo Gonçalves de Oliveira é que como um verdadeiro líder que até o momento de sua morte ele foi - sempre lutou incansavelmente em prol da melhoria da qualidade de vida de sua pobre gente e também pelo fato de ter saído da prefeitura nem da primeira e nem tampouco da segunda vez sem nenhum patrimônio que porventura se pudesse suspeitar que tivesse subtraído de seu sofrido povo, fato que o obrigou a trabalhar de pedreiro e carpinteiro naval para sustentar a nós, sua família. 

Como liderança politica, ele surgiu espontaneamente nas ruelas de nossa desarranjada cidade e somente quem a conheceu como eu sabe como ela era e também nas comunidades do recém-criado Município de Grossos com um discurso diferenciado e moderno que logo galvanizou em torno de seu nome a simpatia do eleitorado que - pela primeira vez em sua vida -, ouvia aquelas estranhas, desconhecidas e mágicas palavras de liberdade, trabalho, desenvolvimento e progresso social e econômico para todos. Aquela sua pregação moderna demais para à época, por ressonância, provocou um sopro de modernidade no ouvido do nosso desamparado e esquecido povo que começou a se encantar com aquele estilo de oratória logica e convincente e que, felizmente, os fazia sonhar com um mundo diferente e melhor para todos. 

Como somos hoje uma cidade que com o tempo vem aos poucos sendo despolitizada, algumas pessoas que lerem esse texto em homenagem a memória de meu pai - talvez até achem que o que estou tentando fazer como filho é evidenciar de forma exagerada a passagem dele como Prefeito dessa cidade. Faço isso não apenas porque sou com muito orgulho seu primogênito, mas, principalmente, porque a sua passagem pelo poder foi altamente importante para esse município e seu povo que antes dele era tratado sem a importância e o valor que verdadeiramente merecia. Faço também porque sou uma testemunha ocular e sempre presente do incansável e patriótico trabalho que ele prestou a essa cidade, e todo ele feito sem alimentar vícios e nem de distribuir esmolas, que mais atrasam do que dignificam o cidadão.

Não foi em vão que mesmo com a acirrada oposição de alguns poucos remanescentes daquela ultrapassada oligarquia, os atuais representantes do povo de Grossos, tanto do poder legislativo quanto do executivo, tiveram a gratidão e a coragem cívica de mudar o nome da Avenida Coronel Solon para Avenida Raimundo Gonçalves de Oliveira, porque foi ele, com o seu patriótico e eficiente trabalho que deu a ela, o verdadeiro formato de avenida. Porém, se não for exigir muito, gostaria de sugerir ao mandatário do poder executivo atual - a feitura da nova placa da Avenida com o nome de: Avenida Raimundo Gonçalves de Oliveira, visto que assim ficará mais visível e mais fácil a sua memorização por todos. 

Finalmente, peço a todos os nossos amigos e conterrâneos sinceras desculpas se no afã de evocar a memória das qualidades politico-administrativas de meu pai, derivei para assuntos que não agradou a todos. Escrevi esse texto em meu nome particular e também em nome de todos os meus familiares, irmão e irmãos, filhos, sobrinhos, netos e bisnetos de Raimundo Gonçalves de Oliveira e concluo pedindo a todos que o admiravam que se juntem a nós nesse dia de recordação de seu falecimento, levando a sua alma as nossas humildes preces e orações para que Deus na sua bem-aventurança possa dar a ele no mundo espiritual, o lugar que realmente merece. Desde já, muito obrigado a todos!...

Emílio. 



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