domingo, 15 de janeiro de 2017
Por: Emílio Oliveira
Houve um tempo em que o homem, ainda neófito aqui neste planeta terra, sobrevivia com muita dificuldade, pois ainda sem ter desenvolvido nenhuma tecnologia permitisse construir armas para sua defesa, era uma presa fácil dos muitos animais selvagens que com ele convivia. 

Contudo, o homem, mesmo sendo fisicamente bem mais frágil em relação a outros animais ferozes como o urso, o tigre o crocodilo, o hipopótamo e o leão que o amedrontavam, ele recebera da natureza, diferentemente de todos os outros animais, uma cabeça privilegiada com a inteligência.

Inicialmente, quando ainda não era um carnívoro, disputava as folhas tenras e os muitos frutos silvestres das árvores mais baixas, onde conseguia competir em igualdade de condições com os macacos. Porém, logo em seguida, usando criativamente a sua inteligência, começou a se destacar dos outros animais construindo abrigo e armas de defesa e, a partir daí, transformou-se rapidamente no maior predador do planeta. 

Portanto, foi a inteligência o atributo maior que o fez sair de dentro das sujas e imundas cavernas da pré-história onde disputava os seus penumbrosos e mal cheirosos espaços com os morcegos e construir para morar primeiramente casebres, depois casas, mansões e os luxuosos apartamentos dos quais desfruta hoje.

Mas a sua privilegiada inteligência não o fez crescer somente nesse aspecto não. Ele cresceu em todos os sentidos, porém apenas modificando o ambiente externo em que vivia e hoje é o rei absoluto de toda a natureza, ao ponto de já está ultrapassando seus próprios limites, ameaçando até mesmo a própria natureza que lhe deu tudo isso. 

Descobriu o fogo que o fez cozinhar os alimentos; depois o ferro, que com o auxílio do fogo aprendeu a derretê-lo e a moldá-lo, construindo artefatos de trabalho e armas para sua defesa; a plantar, utilizando-se desses conhecimentos já adquiridos para facilitar a construção de utensílios para o plantio e para a colheita e posterior armazenamento de grãos produzidos.

Ultrapassado esse primeiro estágio que garantiu e assegurou sua defesa física e segurança alimentar, ele se voltou para a posse e propriedade da terra e foi justamente aí onde começou a dominação e exploração do homem pelo homem. Desmatou e cercou áreas apossando-se delas como se fossem de sua propriedade, dominou os animais domésticos e os utilizou em benefício próprio no transporte de cargas e mercadorias que aprendera a produzir e a negociar.

E, logo depois dessa primeira fase, dada a resistência que começou a encontrar da parte de outros grupamentos humanos existentes que já competiam entre si, utilizou-se da guerra com forma de fazer valer os seus pretensos direitos e, com a guerra, veio o uso do cavalo como arma de batalha, a utilização da roda nos carros de combate, das armas mais sofisticadas como arcos e espadas que até então não tinham sequer sido usadas nem mesmo contra os animais ferozes que o ameaçava. 

A partir daí então o homem construiu o navio de guerra, a catapulta, descobriu a pólvora e inventou as armas de fogo, e com elas vieram em sequência à espingarda, o mosquetão, o rifle, o fuzil, a metralhadora, o canhão o tanque de guerra, a granada, as bombas de dinamite, nitroglicerina, napalm e atômicas e finalmente os mísseis nucleares de longo alcance que com suas mortíferas ogivas podem destruir esse mundo que com todas essas contradições e incongruências o homem conseguiu construir.

Noutras palavras, o homem se transformou nessa fera incontrolável que faz qualquer coisa por mais horrível que possa imaginar, tanto por poder quanto por dinheiro. Hoje, infelizmente, temos sob o pretexto de uma falsa paz mundial, um arsenal de armas nucleares poderosíssimas, à espera, a qualquer momento, do conflito armado com o suposto inimigo, da destruição do planeta e, como consequência, dele próprio. 

E tudo isso as custas da fome e da miséria de bilhões de seres humanos que com todos esses recursos gastos com a preparação da sempre eminente guerra, poderiam ser alimentados, agasalhados, educados e preparados para uma vida mais digna, humana e cristã como inteligentemente pregava o grande rabino e maior de todos os homens que já pisou nessa terra, chamado Jesus. Então, ante tão dantesco quadro, não seria o caso de perguntarmos a nós mesmos seres humanos, será que o homem é mesmo o mais inteligente de todos os animais que Deus colocou nesse planeta terra? 

Não poucas vezes, nas madrugas mal dormidas da vida, fico me perguntando se tudo isso que está aí não faz parte do próprio plano de Deus para com o homem? Ou seja, que é necessário mesmo que o homem experiencie e ultrapasse todo esse processo degradante da vida para que ele possa chegar ao fundo do poço e, aí sim, com a inteligência voltada para dentro de si mesmo, perceber que toda essa violência construída por ele próprio no decorrer dos tempos, até agora, não lhe trouxe nenhuma felicidade permanente.

Há um filósofo místico indu por nome de Rajneesh Chandra Mohan Jain, mais conhecido como OSHO, que modestamente o considero como um dos homens mais inteligentes que já viveu na terra depois de Jesus é claro, o qual, durante a década de setenta e oitenta, fez a cabeça de muitos seres humanos de todo o planeta, inclusive de artistas famosos, pregando justamente essa postura que descrevi no parágrafo anterior.

Segundo ele, o homem na sua jornada existencial necessita parimeiramente ser um Zorba - que é um homem mundano capaz de fazer tudo quanto a sua natureza humana lhe pedir para, finalmente, depois de experienciar todos os prazeres desse nosso mundo tão maluco, compreender enfim que tudo isso não passa de uma doce e tola ilusão e finalmente se transformar num verdadeiro Buda - que é um homem iluminado e livre de todas essas mazelas e falsas necessidades humanas. 

Igualmente a muitos admiro a inteligência de OSHO e dos mais de mil livros de sua autoria já consegui ler aproximadamente uns dez por deles e, alguns até dezenas de vezes, como Zorba, o Buda - que até o presente momento tem sido um de seus livros mais lidos em todo o mundo. Esse gênio, em cuja biblioteca particular havia mais de 150 mil volumes, viveu apenas 60 anos e alguns meses, porém, suas pregações se configuraram como tão perigosas para a continuidade de qualquer império que, por ter residido nos Estados Unidos, há quem diga que ele fora envenenado pela CIA no governo de Ronaldo Reagan, tendo voltado muito doente para a sua terra natal a Índia, onde faleceu em 1990.

As inconsequências do Homo sapiens no decorrer de sua existência tem sido tantas que – como afirma OSHO -, o homem precisa buscar tudo quanto ele pensa que lhe possa trazer felicidade fora de si mesmo e não a encontrando porque é justamente onde ela nunca está, finalmente voltar-se para dentro de si mesmo e encontrar o verdadeiro caminho da felicidade que tanto almeja e que até o momento ainda não conseguiu. 

Como um espiritualista que sou também acredito que a caminhada tortuosa do ser humano aqui neste planeta terra faz mesmo parte dos planos a logo prazo de Deus porque ele como um perfeito criador onisciente, onipotente e onipresente, depois de dar livre arbítrio a esse ser em constante e eterna formação, sabia que essa seria uma tempestuosa, lamentável e sofrida caminhada do homem em busca de seu crescimento pessoal e espiritual.

Tiro, porém, o chapéu para o grande místico OSHO, que foi o primeiro homem mundano que não somente percebeu mais também divulgou exaustivamente enquanto vivo, toda essa nossa problemática existencial do ser humano aqui no planeta terra. Em todos os seus livros, ele se define sempre como um antirreligioso, embora que defenda a religiosidade que para ele é o único caminho da identificação do homem com a divindade maior que é Deus. 

Outra característica de OSHO que o iguala aos grandes ícones da humanidade é que tal como Sócrates, Jesus, Buda e Mahavira, pessoalmente também não escreveu nada do que consta em seus mais de mil livros, os quais foram todos compilados de palestras gravadas que ele fazia por onde andava na sua caminhada de ensinamento a humanidade.

Diferentemente de OSHO, Jesus que com certeza conhecia bem mais o homem em sua profundidade material e espiritual, nunca incentivou ninguém a pecar. Ao contrário, combatia veementemente o pecado e quando alguém o procurava para curá-lo, ele curava e dizia sempre: “vai e não peques mais”. Todavia, ninguém foi mais solidário e compreensivo com todos os pecadores de sua época quanto ele próprio.

OSHO, porém, como apenas um ser humano e não divino e, portanto, não tendo a mesma visão holística do homem como Jesus, dizia: faças tudo o que a tua natureza humana te mandar; e depois, quando te enfadares de viver os prazeres da carne em toda a sua profusão, voltes-te finalmente para o teu espírito que está dentro de ti e a tua espera como sempre esteve e serás um homem iluminado. 

Ou seja, na visão de OSHO o homem precisa, digamos assim, primeiramente pecar para somente depois de conseguir experiência voltar-se verdadeiramente para Deus e encontrar o verdadeiro caminho da iluminação; Na visão de Jesus o homem não deve nunca pecar, mas, se o fizer, ao invés de ser condenado como apregoam as religiões cristãs, deverá sofrer pela infringência da lei do pai, mais também deve ser perdoado como ele próprio o fazia durante todo o seu ministério.

De tal premissa pode-se claramente perceber que, tanto o grande Jesus que foi um homem humano e divino, quanto OSHO que foi um grande homem apenas humano, embora ambos tenham caminhado por estradas diferentes, não condenaram o homem por suas transgressões, pois para o primeiro, as transgressões as leis divinas significava apenas mais sofrimento na sua caminhada em busca da luz; enquanto que para o segundo, significava apenas mais aprendizagem e experiência na sua caminhada também em busca da luz.

Então, é amparando-se nesses dois grandes ícones da humanidade afirmar-se que tudo indica mesmo que Deus ao fazer o homem com livre arbítrio sabia de antemão que ele iria contrariar suas leis e com isso atrair muito sofrimento na sua jornada evolutiva e, por esse motivo, podemos concluir que tudo o que está aí funcionando faz parte dos planos de Deus para com a humanidade. Se fizermos o mal, colhemos o sofrimento; mas, se fizermos o bem, bons frutos colheremos. 

Portanto, essa máxima é o único veio de ouro que todos nós devemos seguir para construímos no futuro a felicidade aqui mesmo na terra, fazendo, com o bem que pratiquemos o céu descer para todos os humanos, conforme pregava o grande rabino Jesus. Mas, para isso, precisamos ser: justos, ativos, honestos, íntegros, solidários, amorosos, caridosos, piedosos, compreensivos, trabalhadores, desprendidos e, o que mais importante, vermos no outro o reflexo como num espelho de nós mesmos. Quem se habilita? Tenho dito!.. 



Emílio.
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