domingo, 22 de janeiro de 2017
Por: Emílio Oliveira
Não quero aqui de maneira nenhuma desvalorizar ou desmerecer a religião de quem quer que seja. Afinal de contas, tenho consciência de que sou apenas um pobre ser humano qualquer e, portanto, quem sou eu para tentar fazer isso? Todavia, desde que me entendo por gente tento compreender o sentido verdadeiro da narração bíblica e ainda não consegui, talvez até porque ainda não disponha de inteligência suficiente para tal. 

Muitas das vezes fico me perguntando o porquê de não conseguir entender, como muitos, e também logicamente aceitar o Deus dos judeus como o verdadeiro Deus do Universo. E foi justamente com esse intuito que venho procurando ler sobre todas as religiões cristãs existentes e suas respectivas denominações e, todas elas, sem exceção, utilizam-se sempre do carcomido estratagema do medo como forma de condicionar e catequizar o homem. 

E por que penso assim? Porque, salvo melhor juízo, na minha ainda tosca visão de um ser humano mortal e cheio de falhas, Deus, significa amor absoluto e incondicional por toda a sua criação e, portanto, um ser desse nível, não pode e não deve utilizar-se de processos autoritários como o próprio homem faz para impor a sua ordem a esse ser que ele mesmo criou lhe atribuindo livre arbítrio.

Quando sob o ponto de vista lógico se analisa as antigas narrações do Deus judeu, depara-se sempre com bonitas histórias que se assemelham mais a estórias descritas pelas idealistas lendas humanas. Ora, se esse Deus é mesmo presciente como afirma a bíblia, como pode ele ter criado os anjos e parte destes, terem se voltado contra ele? Criado os homens e parte destes também se voltaram contra ele? Os anjos, liderados por Lúcifer, conforme os manuscritos do Mar Morto no livro de Melquisedeque Rei de Salém tentaram destroná-lo; e nós humanos, além de desobedecê-lo, friamente assassinamos o seu filho Jesus que ele arrependido da extensão do castigo que nos impigira no início da criação, enviou depois para nos dar outra chance.

Ante tal realidade, pode-se até chegar ao cúmulo de se pensar que o Deus judeu é na verdade um incompetente, pois tudo quanto ele criou se voltou contra ele e também que não deve ser presciente, mas dominador e inflexível, pois nem as suas próprias criaturas suportaram o seu julgo e se rebelaram contra ele. Quem é presciente ou onisciente sabe tudo o que vai acontecer no futuro. A não ser que - como é mais lógico -, fizesse parte de seu plano cósmico que todas as suas criaturas se voltariam contra ele e poriam em prática os seus próprios planos.

Infelizmente eu não consigo ver o Deus judeu senão como um ser dominador, autoritário, ciumento, impiedoso, machista, excludente e cruel assim como é o próprio homem. Vez por outra, me pego a pensar que esse Deus que castigou raivosa e impiedosamente os anjos e depois os homens por desobedecê-lo, ele deve ter sido idealizado e hominizado pelo próprio homem judeu, que o criou espelhado totalmente na cultura patriarcal, autoritária e violenta do povo judeu.

Ao se ler a bíblia, percebe-se logo no primeiro livro de Gênese as ilações patriarcais do povo judeu que sempre discriminou a mulher tratando-a como um ser inferior, senão vejamos: Diz lá textualmente que o seu Deus fez o homem do barro da terra e através de um sopro que deu em suas narinas, incutiu-lhe vida e lhe deu o nome de Adão.

Depois, percebendo que não era bom Adão viver sozinho, compadeceu-se dele e fazendo-lhe cair em profundo sono, extraiu-lhe uma costela e com ela construiu Eva, sua mulher e que a partir dali seria uma parte dele próprio e, portanto, dependente dele. Aí se vê claramente o machismo incutido no sistema cultural hebreu que, por ser patriarcal, sempre colocou a mulher em segundo plano. Porque igualmente a Adão Deus não fez Eva também do barro da terra?

Logo em seguida, ele mostrou ao casal toda a grandiosidade e esplendor do Jardim do Éden e lhes disse: podereis comer de todos os frutos do Paraíso, com exceção apenas do daquela árvore que fica no seu centro. E, concomitantemente, mostrou-lhes a árvore com todos os seus frutos maduros e mais bonitos que todos os outros ali existentes. Que tentação hein?

Experimenta dizer para qualquer ser humano que está proibido de verificar, por exemplo, o que se encontra dentro da gaveta de um armário de sua casa! Quando você se ausentar, a primeira coisa que essa pessoa irá fazer é justamente o que lhe foi proibido. E por quê? Porque tudo quanto for proibido, torna-se mais que tentador para o homem.

E esse procedimento é próprio de todo ser humano e o Deus judaico como um ser presciente ou onisciente que dizem que é deveria saber de antemão que Adão e Eva, mais cedo ou mais tarde, comeriam desse fruto proibido. A não ser que também fizesse parte como é mais racional de seu plano Cósmico tudo o que aconteceu. Mais o pior é que Satanás (masculino e forte), habilidosamente transformou-se numa serpente (feminina e fraca) que seduziu Eva (feminina e fraca) e que por sua vez seduziu a Adão (masculino e forte).

Quanto preconceito do povo judeu contra as mulheres que no tempo de Jesus não as deixavam nem sequer fazer parte das reuniões juntamente com os homens nas Sinagogas. E não para por aí não. Após comerem do fruto proibido perceberam logo que estavam nus e sentiram-se envergonhados. Então, o Deus judeu irado, aproximou-se dessas duas crianças existenciais que acabara de criar lhes perguntando como se não soubesse, por que estavam se escondendo de sua presença? Mais ele não é onisciente? É, ou não é? 

Então o casal respondeu que é por que estavam envergonhados por se encontrarem nus. Aí, esse inflexível Deus judeu lhes proferiu o fatídico veredicto daquela tão grave e imperdoável desobediência. Que a partir daquele momento teriam que sobreviver com os frutos do trabalho que faria escorrer o suor de seus rostos e que tanto eles quanto os seus descendentes, a partir daquela data, todos morreriam. 

Que castigo impiedoso e cruel dado por esse Deus judeu a essas suas duas pobres criaturas no inicio de suas existências, os quais ainda não despunham de quase nenhuma experiência de vida. E o que é pior, estendeu esse seu impiedoso castigo também a todos os seus descendentes que não tinham nada a ver com o que os seus pais fizeram. Olhem que nem na justiça dos homens, que como sabemos é falha, os filhos pagam pelos erros dos pais. 

E foi com esse tipo despropositado de castigo do Deus judeu que o trabalho, que sempre dignificou e continua dignificando o homem, se transformou num castigo divino e, ao mesmo tempo, de forma ilógica e sem sentido, o homem, que fisicamente era eterno, em razão da gravosa e flagrante desobediência ao seu Deus, foi cruelmente transformado numa criatura mortal.

Ninguém em sã consciência pode conceber hoje que o homem físico pudesse no passado ou mesmo em algum momento da história da humanidade ser eterno como também suscitar alguma dúvida de que tem sido justamente o seu trabalho que o tirou da penúria das cavernas onde convivia competindo com outros animais, e o colocou no conforto que todos nós usufruímos hoje. 

Mas, as discriminações machistas em nome de seu Deus continuam. Depois de certo tempo, Eva teve o primeiro filho homem Caim, masculino e forte. Em seguida, teve o segundo filho Abel também homem, masculino e forte. Tudo o que Caim fazia era reprovado pelo o Deus dos judeus; e tudo quanto Abel fazia, era agradável aos olhos desse mesmo Deus. Então, como era de se esperar, Caim começou a se irar inicialmente contra seu irmão e logo em seguida contra esse Deus e, com ciúme do irmão Abel, o matou. 

Não quero aqui defender Caim, mas, nessas condições, qualquer um de nós também o teria feito, pois o ciúme sempre foi, é, e continua sendo um dos principais motivos de homicídios. Seguindo em frente, após Caim matar o irmão Abel, o Deus dos judeus, como se já não soubesse, lhe perguntou pelo paradeiro do irmão e ele confessou que o tinha matado e até sugeriu ao seu Deus que o castigasse. 

Então, o Deus dos judeus lhe lançou varias maldições e colocou um sinal em sua testa dizendo-lhe que qualquer um que o matasse, teria sete vezes mais pecado do que ele próprio. Logo após essa condenação imposta por seu Deus, abandonou a seu pai Adão e a sua mãe Eva, e saiu errante pelo mundo afora até que chegou à terra de Node ao oriente do Éden e lá conheceu uma mulher, casou e constituiu família. De onde veio essa mulher que quando ele saiu da companhia dos pais somente havia de mulher no mundo sua mãe, que ele deixara para trás?

Com o tempo, a terra se povoou e ante os múltiplos conflitos que se estabelecia entre os homens, o Deus dos judeus após chega à conclusão de que a maioria dos homens que fora criado por ele era mau, arrependeu-se de tê-los feito e finalmente resolveu destruí-los. Percebeu, porém, que entre todos existia somente uma família de justos formada por Noé e seus três filhos também homens e fortes Cam, Sem e Jafé. Então, ordenou-lhes que construíssem uma arca e eles, mesmo sem nenhum conhecimento náutico, a construíram. Em seguida, ordenou-lhes que buscasse nas imediações da arca um casal de todas os animais da terra que estariam todos ali esperando e assim foi feito.

Então, os crocodilos do Pantanal Mato-grossense, as onças pintadas da Amazônia, os ursos polares da Groelândia, os beija-flores e os lagartos gigantes da Patagônia, os lobos da Estepes Russas, Suíças e Americanas, as pescossudas girafas da África, etc., e tal, todos tinham sido magicamente transportados ninguém sabe em que tipo de transporte para as proximidades da arca, os quais, foram logo acomodados nos seus respectivos locais apropriados e construídos dentro da arca pela família Noé. 

Foi aí que o Deus dos judeus, para castigar com a morte todos os homens maus, fez chover por quarenta dias e noites ininterruptamente inundando toda a terra e matando todos os homens e mulheres existentes na época como também a todos os animais que não tinham culpa nenhuma sobre a perversão dos humanos. Ou seja, mais uma vez o esdrúxulo Deus judeu, pela culpa de alguns, castigou também outros que não tinham nada a ver com o que aconteceu com os humanos.

Para encurtar a história, as contradições no primeiro livro são tantas que, inclusive, até já desisti de continuar buscando-as no segundo livro, no terceiro, e assim por diante. Agora uma pergunta: ante tantas contradições e inflexões levantadas como se pode acreditar que o verdadeiro Deus do Universo seja mesmo tão impiedoso, inflexível, discriminador, ciumento e excludente como esse que os judeus afirmam que foram eles o único povo de toda a terra habitada na época escolhido para verdadeiramente representa-lo?

Ainda com relação ao arrependimento do Deus judeu por ter feito o homem - quem pode e até deve se arrepender de suas nefastas ações somos nós humanos -, a quem não foi dado essa prerrogativa de antever o futuro. Posso até estar enganado e gostaria até de está, porém, na minha modesta opinião, o verdadeiro Deus de todo o Universo, não pode se arrepender de seus atos porque esse sim é verdadeiramente onisciente e onipotente e o seu compromisso e amor pela criação humana é tão grande que ele não pode se dar ao luxo, como geralmente fazem os homens, de condenar ninguém e também de incluir apenas uns poucos e excluir tantos.

Gostaria de dizer que o Deus que eu prefiro acreditar e que deve ser o verdadeiramente Universal, pois preenche completamente todas as coisas do céu e da terra, é somente amor incondicional, inclusão, perdão, compreensão, entendimento, idealização, transição, renovação, evolução, felicidade e criatividade para toda a sua criação, pois todos nós seres cómicos do mundo, incluídos aqui também os habitantes de todos os planetas e galáxias existentes no universo, somos todos nós uma emanação dele próprio e por isso estamos todos fadados a retornar com toda a glória possível a nossa antiga casa paterna. E com certeza ele estará lá a nossa espera para nos dar as boas vindas. O resto, salvo melhor juízo, é somente política religiosa! 

Finalmente, em respeito a todos os cristãos das mais diversas denominações religiosas que acreditam mesmo nesse Deus que se não for obedecido pelo homem o coloca no inferno eternamente, e também se esse tipo de crença satisfaz todas as inquietações espirituais deles, que fiquem lá e continuem, porém sem jamais esquecer que foi unicamente na lógica e na racionalidade humanas aonde o verdadeiro DEUS universal escondeu todos os complexíssimos segredos desse nosso tão magnífico universo. Tenho dito!..

Emílio.
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