domingo, 4 de dezembro de 2016
Não poucas vezes, durante a nossa curtíssima existência, lutamos por coisas que queremos muito, mas que o tempo, na sua marcha inflexível, se encarrega sempre de provar que, seria bem melhor que tivéssemos nos preparado e amadurecido um pouco mais para que essas ditas coisas tão desejadas, possam chegar a nós não por gravidade, o que seria uma infantilidade, mas sempre com equilíbrio e parcimônia, dando mais tempo ao tempo como se costuma dizer. 

Vejam o caso do time de futebol da Chapecoense da cidade de Chapecó no Estado de Santa Catarina que - exceto alguns jogadores machucados que não puderam viajar - todos os titulares juntamente com quase toda a sua Comissão Técnica e muitos outros jornalistas e seus colaboradores - faleceram no lastimável acidente do avião da LaMia que caiu na madrugada de segunda-feira nos arredores da cidade de Medellín na Colômbia. 

Vamos analisar, pois, algumas situações: se por acaso o goleiro Danilo não tivesse tirado institivamente com o pé aquela bola chutada por um atleta do San Lorenzo dentro da pequena área e quase em cima dele já no final do jogo, eles não teriam se classificado para a final da Copa Sul-Americana, não teriam viajado, e consequentemente não teriam morrido.

Se por acaso a Presidente Dilma que tanto desejava o segundo mandato tivesse dito a verdade ao povo durante a campanha eleitoral talvez nem tivesse ganhado a eleição, o que seria bem mais nobre e confortável para ela do que sofrer um processo de empeachment, mesmo se sabendo que os motivos foram políticos e não tão justos como os expostos pela mídia manipulada. 

Só que ela, na sua exagerada ânsia de se reeleger, mentiu para o povo dizendo que estava tudo bem com o país e que iria fazer diferente de seus adversários, mas, ao ganhar, fez justamente o que dizia que os adversários iriam fazer se ganhassem a eleição, perdendo com isso o apoio popular e sendo definitivamente expulsa do cargo.

Se por exemplo o nosso querido amigo Dehon Caenga - de saudosa memória - não tivesse insistido em ser candidato ou até mesmo perdido também aquela segunda eleição que disputou para Prefeito desta nossa tão amada cidade, não teria sido eleito prefeito, não teria sido diplomado, não teria sido empossado e não teria morrido, ou melhor, fria e barbaramente assassinado por agentes públicos estaduais representados por policiais truculentos, incompetentes, irresponsáveis e acostumados com a impunidade.

Se o grande político brasileiro Tancredo de Almeida Neves que passou toda a sua vida lutando incansavelmente para ser Presidente da República e quando já velho e cansado pelo tempo não tivesse mais aceitado ser candidato a presidente contra Paulo Maluf que representava a ditadura militar que já arquejava naquele momento de nossa história política de horrores e desacertos, não teria sido eleito presidente da república, não teria sido diplomado, não teria adoecido um dia antes da posse, e não teria morrido daquela forma tão sofrida.

Há quem diga que foi injetado nele uma ampola de bactérias hospitalares das mais agressivas e que nem sequer com os antibióticos mais ativos e eficientes atualmente do mercado, ele teria sobrevivido. Esse boato corria solto e a boca pequena em Brasília na época do lamentável acontecido, e eu ouvi essa mesma versão da boca de um ex-deputado federal que inclusive até contribui com o meu voto e meu apoio político para que ele conseguisse o seu mandato. 

Então, amigos, ante esses quatro casos que tanto nos marcou e sensibilizou a nível nacional e local, o que estou querendo mesmo perguntar é se vale mesmo à pena a gente lutar incansavelmente por coisas difíceis ou complexas demais e após muito trabalho e dedicação exclusiva para consegui-las perder tudo, inclusive, a própria vida? Será mesmo essa a forma mais proativa para se chegar ao que tanto se aspira?

O que a experiência tem mostrado é que vale bem mais ficar nos limites de nossa capacidade, sem contudo nos apequenarmos ao ponto de não irmos a lugar nenhum. Noutras palavras, quando você luta por objetivos maiores que não encontra muita facilidade ou até mesmo reciprocidade dos outros por esses objetivos pelos quais você está lutando, fique na sua e dê tempo-ao-tempo que - se um dia tiver de acontecer - acontecerá.

Não adianta exasperar-se, sofrer-se incompreensões e lutar-se incansavelmente pelo que a maioria das pessoas ainda não desejam, visto que elas não desejam não é porque não querem não, mas, simplesmente, porque ainda não adquiriram a consciência de que aquilo que elas são contra no presente é uma coisa nova, moderna que está vindo e que precisa vir para aclarar a mente de todos e satisfazer mais e mais a mente e o coração da maioria das pessoas. 

Segundo informações de fontes não divulgadas pela mídia alienante, a terra, com toda essa nossa civilização hipócrita - boa ou má como se queira classificá-la -, está entrando rapidamente em uma nova conjuntura planetária vibracional, implicando, por isso mesmo, em mudanças de paradigma ou visão de mundo da maioria das pessoas desse planeta. Estamos passando da 3ª para a 4ª dimensão e em seguida para a 5ª dimensão, e isso é que tem caracterizado tantas mudanças que muitos assistem cabisbaixos e estarrecidos, sem saberem o que fazer para mudar o aparentemente tão dantesco quadro. 

E não adianta nem tentar impedir essas mudanças porque esse é um processo irreversível e que está sendo comandado diretamente das estrelas, aonde todos nós, corpos humanos, animais, vegetais e minerais fomos todos planejados e forjados. E aquele que por acaso se aventurar a tentar reverter o quadro, vai somente lutar contra os tão badalados moinhos de vento de Dom Quixote de La Mancha e Sancho Pança, seu fiel escudeiro, ambos criados no ano de 1547, pela mente fértil do grande escritor espanhol Miguel de Servantes. 

O que realmente necessitamos, sem os indevidos exageros, é sairmos todos dessa zona de conforto onde estamos manietados nessa eterna dualidade (bem, mal; preto, branco; rico, pobre; feio, bonito; etc.), e procurarmos compreender e seguir esse mundão novo que está chegando, cujas promessas são de: um tempo melhor, político melhor, cidadão melhor, policial melhor, juiz melhor, trabalhador melhor, saúde melhor, educação melhor, moradia melhor, e vida melhor em todos os sentidos para todos e não apenas para alguns, como é o que ainda vemos hoje nessa confusa transição. 

Todavia, urge compreendermos que estamos vivendo uma transição planetária, e, em toda transição, geralmente se juntam mosaicos do que está aos poucos desaparecendo, com vislumbres do que está aceleradamente chegando, e por isso mesmo é que, acostumados com a zona de conforto desse nosso mundinho, não estamos conseguindo ainda entender o que está realmente acontecendo com todos nós terráqueos. 

Ante o exposto, a conclusão a que se chega é que, se pelos riscos que se corre não vale a pena a gente lutar desesperadamente pelo que queremos ou até mesmo para mudar o mundo de acordo com as nossas pretensões, por mais evoluídas que as possamos conceber, também não devemos ficar acomodados e/ou paralisados com as mudanças que vinda de alhures estão chegando e para ficar. 

Pelo visto, a posição mais inteligente para se absorver o que está chegando, deve ser mais ou menos a da música do grande sambista e compositor, Zeca Pagodinho: deixa a vida me levar, vida leva eu!... E não adianta nem forçar a barra, pois não dá certo e o que vale mesmo é simplesmente relaxar e esperar sem ansiedade e de olho no futuro que as coisas realmente aconteçam como irão acontecer - queiram ou não queiram - os atuais pretensos donos desse tão conturbado Mundo. 

Com relação ao desastre ocorrido com a Chapecoense, devemos todos agradecer ao grande povo colombiano que soube tão bem nos tratar e nos considerar como povo irmão, em momentos de tanto desespero e aflição. Parabéns, portanto, a esse sábio povo colombiano que deu ao mundo um exemplo de amor e desprendimento, aliando-se com o nosso sofrimento e também ao Club Atlético Nacional de Medellín que renunciou ao título de campeão da Copa Sul-Ameriana, repassando-o de forma tão desprendida, para os nossos acidentados e mortos irmãos chapecoenses. 

Não sei bem o porquê, mas eu sempre gostei da Colômbia, palavra que significa terra de Colombo – navegador italiano e genovês que descobriu a América, conhecido por Cristóvão Colombo. Gosto do nome, das cores e do arranjo de sua bandeira, da aparência de seu povo que acho parecido com o nosso e também do seu dinâmico e bonito futebol. 

Da Colômbia veio Pablo Escobar e as Farc. Mais veio também Gabriel García Márquez o grande escritor colombiano e latino-americano que praticamente criou o gênero literário realismo mágico e por essa proeza recebeu o Premio Nobel de literatura do ano de 1982, mas, principalmente, pela sua obra prima: Cem Anos de Solidão. 

Além dos Cem Anos de Solidão, tive o prazer de ler também: O Amor nos Tempos de Cólera, outra grande obra sua. Todos os seus livros, e olhe que são muitos, se caracterizaram sempre por denunciar o desprezo, a exploração, o abandono e a solidão a que foi relegada toda a América-latina e seus povos sempre dependentes de um capitalismo cruel, violento, ditatorial, selvagem e excludente. 

Ele, Gabriel García Márquez, jornalista, escritor e editor colombiano, Eduardo Galeano, também jornalista e escritor Uruguaio, e Pablo Neruda, poeta e Consul Chileno na Espanha e no México e que também recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1971, foram os maiores e mais contundentes denunciadores das péssimas condições de vida e também defensores maiores dos povos oprimidos da América-latina. Aqui no Brasil, tivemos o poeta Castro Alves e o escritor Jorge Amado, porém, não conseguiram ter, a nível internacional, a mesma projeção que esse maravilhoso trio de pensadores humanistas. 

Os escritos desses três grandes, igualmente ao Dom Quixote de La Mancha do espanhol Miguel de Cervantes - que também contestava mesmo que de forma tresloucada as mazelas da velha Espanha, são considerados como os marcos basilares de uma rica literatura de denúncia e contestação, pelo que se tem criminosamente feito com todos os povos explorados da América-latina e do Mundo. 

Parabéns, portanto, aos Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez e também a seus irmãos colombianos que o Brasil deve doravante enxergá-los de forma diferenciada. 

Parabéns a Eduardo Galeano que com o seu livro: As Veias Abertas da América Latina - escancarou para o mundo todo o que os “civilizados cristãos”, criminosamente faziam com as nossas riquezas e com os nossos pobres povos que eles depreciativamente chamavam de selvagens.

Parabéns a Pablo Neruda que mesmo sendo um funcionário público do alto escalão de seu país o Chile, nunca deixou de denunciar através de suas irônicas e contundentes poesias, a situação de miséria e abandono dos seus irmãos latino-americanos. 

São de pessoas humanistas e solidarias como vocês que o mundo sempre necessitou e continua necessitando, ontem, hoje e sempre. Parabéns a todos, vocês foram sempre uma trava no olho dos excessivamente ambiciosos e uma verdadeira benção para as maiorias abandonadas deste mundo caracterizado por tantas lágrimas!... 

Emílio.
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