domingo, 25 de setembro de 2016
Por: Emílio Oliveira
Houve um tempo, não muito distante, em que a política partidária era feita com responsabilidade, com amor pelas coisas da terra, com patriotismo e acima de tudo com honestidade, pois o objetivo maior era sempre maximizar os recursos públicos no sentido de se fazer com eles a maior quantidade possível de obras na cidade e em suas comunidades, de tal forma que beneficiasse igualmente a todos os cidadãos do nosso município. Que tempo bom aquele, hein amigos?

Votava-se não por dinheiro, tijolos, telhas, peças de motos, promessas vãs de empregos ou quaisquer outras espécies de vantagens ilusionistas que os políticos de hoje, coadjuvados pelo próprio povo em cumplicidade, aprenderam a fazer. Votava-se porque se admirava o candidato, acreditava-se nele, gostava-se dos seus discursos e acima de tudo confiava-se nele e na sua capacidade de trabalho em benefício de todos.

Hoje, é com tristeza se vê um verdadeiro périplo de pessoas do povo que somente demonstram necessidades maiores em época de eleições. Se por acaso são visitados em suas residências por políticos de diversos partidos à cata de votos, sempre pedem a todos alguma coisa material em troca do voto. E se por acaso os políticos não os procurarem, eles procuram os políticos em qualquer lugar que estejam, para, alguns até de forma inescrupulosa, pedirem aquilo e aquilo outro. 

Para eu que já me considero da velha guarda, esse tipo de procedimento é uma verdadeira aberração, pois graças a Deus sou daqueles eleitores que ainda se sentem bem em simplesmente dá o meu voto ao candidato que, com o seu patriótico posicionamento e méritos próprios, o conquista. Vocês podem até não acreditar, mas se após ouvir as propostas de um candidato resolver votar com ele, caso ele próprio ou pessoas ligadas ao seu staff político venham me perguntar do que eu estou precisando em troca desse voto, eu já não voto mais com ele. 

Há poucos dias atrás, assistindo a um dos capítulos da novela o Velho Chico, apareceu na parede de uma das residências da cidade cenário uma frase escrita pelo vereador Bento que eu não consegui esquecer: “Quem vota em corrupto não é uma vítima, mas um cúmplice”! Interessante essa frase, não? Se a gente for analisar a profundidade dela, infelizmente, se chega à triste conclusão de que quase todos os eleitores desse nosso Nordeste que negociam o voto com os políticos, são cúmplices dos crimes cometidos por eles também. 

Como quase todos os cidadãos já devem saber o voto não é uma mercadoria que se negocia por um valor qualquer. O voto é uma prerrogativa que o estado moderno concedeu ao cidadão que aceitou ser tutelado por ele, e que, em contrapartida, lhe assegura saúde, educação e segurança. E para quem não sabe que fique sabendo que o efeito do voto não termina simplesmente quando o eleitor sai da cabine eleitoral não, mas sim, se estende até o fim do mandato do seu candidato se for eleito.

Noutras palavras, um voto tem validade por quatro ou oito anos de conformidade com tempo do mandato daquele candidato que você ajudou com o seu voto a eleger. E o voto é na verdade uma espécie de procuração em branco que o eleitor dá ao politico para, durante os anos de seu mandato, legitimamente representá-lo. Então, se alguém por um motivo qualquer que não se justifica resolve vender o seu tão precioso voto, qual é a autoridade que mais tarde ele tem de dizer que os políticos não trabalham e não fazem nada além de se locupletarem com o dinheiro do povo se ele também é um cúmplice? 

É uma verdadeira lástima a situação de nosso povo e também de nosso tão amado país. E todas essas nossas endêmicas mazelas são puramente frutos de nossas ações ou omissões sempre e sempre desastradas. Não podemos culpar ninguém a não ser a nossa imatura inconsequência política e cidadã. Nós, infelizmente, não temos legítimos representantes pelo simples fato de que nunca votamos como deveríamos, mas sempre negociamos por valores materiais o nosso voto. 

E o fruto dessas nossas coletivas inconsequências é justamente as inúmeras tolices que estamos vendo e as bobagens que estamos ouvindo na reta final dessa campanha eleitoral, onde as mentiras, intrigas e supostas perseguições assumiram o comando e as propostas que já eram pífias desapareceram por completo, nos induzindo a crer que o objetivo maior agora é simplesmente se brincar com os sonhos, as esperanças, as emoções e as paixões das pessoas.

E justamente por causa disso é que as desinformações correm soltas, as intrigas se alastram como fogo em palha. As pseudo vítimas com seus respectivos algozes são fabricados ao sabor de cada fato novo que ocorre na campanha, e, nesse inusitado e atrasado teatro de manipulação das paixões humanas, os verdadeiros problemas de nossa cidade e de seu povo sofrido, por nunca terem sido reconhecidos e verdadeiramente enfrentados, se acumulam a cada dia que passa. Já falei e vou continuar falando nesses meus escritos, mesmo que a minha voz continue a clamar sozinha no deserto. A cidade de Grossos, por todas as nossas idiossincrasias, ainda não dispõe dos equipamentos próprios que uma cidade precisa ter para se considerar como tal. 

Não temos um plano diretor que norteie as nossas construções habitacionais; não temos uma planta baixa da cidade para a tomada de corretas decisões administrativas; não temos um aterro controlado para erradicar o nosso ridículo lixão a céu-aberto; não temos um sistema de esgotamento sanitário que evitaria tantas e tantas doenças endêmicas ao nosso povo; não temos um matadouro público municipal para evitar que comamos carne de animais abatidos nas moitas; não temos uma educação que realmente ensine aos nossos jovens; não temos uma saúde pelos menos razoável; e não temos sequer um sistema de drenagem da cidade que evite os rápidos alagamentos após chuvas torrenciais.

Agora temos muitos buracos de todos os tipos e dimensões; prédios públicos sujos e descuidados, inclusive com alguns até irresponsavelmente destruídos; praças semidestruídas; marco zero se acabando a olhos vistos; Moinho holandês idem: escolas que mais alienam que ensinam; professores desmotivados; funcionários se queixam de salários atrasados; autoridades municipais quase sempre ausentes; e estradas estaduais e municipais descuidadas e também cheias de buracos. 

Esse, infelizmente, é o diagnostico do nosso município e gostaria de afirmar também que essa situação não deve ser debitada somente a atual administração que está aí não, mas as recentemente passadas também. De certo tempo para cá os nossos administradores municipais resolveram como estratégia administrativa - o que reputo como equivocada -, abandonar a nossa Prefeitura Municipal e administrá-la a partir de Mossoró ou até mesmo de Natal ou outra cidade qualquer.

Ainda não consegui aquilatar o motivo desse tipo de estratégia administrativa, embora que intuitivamente tenha minhas suspeitas a respeito dessas posturas que já há algum tempo vem se tornando comum e que acho que não são muito republicanas. O prefeito precisa morar na sede do município, dá o seu sagrado expediente diário na prefeitura, e somente viajar quando for necessário ou para representar o município na assinatura de convênios ou em busca de coisas importantes para a cidade e o seu povo. 

Posso até está enganado, mas essa é a visão que tenho a respeito desse assunto tão importante para o bom andamento de qualquer administração. O administrador de uma instituição precisa estar sempre presente para, como gestor que é, resolver os problemas de sua instituição. Se não for assim, geralmente, a administração tende a ser acéfala, e o resultado, todos nós já conhecemos in loco.

Para transformar Grossos numa cidade rica e progressista basta somente que escolhamos um prefeito que além de dar o seu expediente normal na Prefeitura, possa também construir toda essa infraestrutura anteriormente citada; que lute juntamente com os outros prefeitos da Região da Costa Branca pela construção da ponte ligando Grossos a Areia Branca; que lute pela reativação e construção de nosso porto de embarque e desembarque de mercadorias; que urbanize a nossa orla marítima disponibilizando água e energia elétrica como forma de incrementar a sua expansão imobiliária e turística; que busque através de parcerias diversas a exploração de áreas potencialmente produtivas em nosso município; que incentive o plantio de culturas perenes como o coco, o caju, e a graviola; que incentive a criação de um polo ovino caprinocultor aproveitando o nosso extenso algarobal; que incentive a criação de um polo pesqueiro com atuação na captura do atum; que reformule a nossa Prainha e construa ali um píer para que os inúmeros proprietários de lanchas de Mossoró venham aqui todos os fins de semana tomar uma cerveja, comer um peixe e navegar com suas famílias nas águas mansas e tranquilas desse nosso tão rico e lindo estuário. 

Se todas essas reais e ricas possibilidades que além de viáveis são também exequíveis chegassem a ser pelo menos iniciadas e continuadas por sequentes administrações, a cidade de Grossos, em pouco tempo, triplicaria a sua população e iriamos nos transformar na cidade mais rica de toda a região do Polo da Costa Branca. Sinto muito amigos que até agora ninguém tenha se preocupado com tão importantes ideias e possibilidades que poderiam nos tirar desse endêmico atraso e subdesenvolvimento em que nos encontramos. 

Infelizmente, essas minhas patrióticas ideias têm encontrado ouvidos surdos por quase todos aqueles que se aventuraram a buscar e conseguiram chegar à prefeitura dessa cidade. Sempre que chegam lá, passam a se preocupar somente com o trivial dos dias 10, 20 e 30 de cada mês, quando o dinheiro cai nas contas da prefeitura, e assim, a cidade continua travada no seu processo de desenvolvimento socioeconômico. 

Ou seja, não somente demonstram não ter ideias e, se por acaso alguém as têm e as apresenta, simplesmente ignoram como se fossem apenas inexequíveis sonhos vãos, ou ainda a terceira opção que é a pior, preferem continuar na zona de conforto curtindo as benesses que o poder geralmente lhes confere, deixando, simplesmente, o tempo correr. 

É uma pena a ausência de coragem cívica e o vazio de ideias dessa gente que tem conseguido chegar à prefeitura, principalmente no que diz respeito ao processo de evolução socioeconômico dessa tão amada cidade de todos nós. Parece até um castigo ou uma espécie de carma que coletivamente estamos resgatando.

Enfim, que Deus na sua eterna bem aventurança possa iluminar a cabeça do próximo gestor dessa cidade, e se não, pelos menos, dar muita paciência ao nosso tão enganado povo para continuar amargando tanta carência e pobreza, quando somos potencialmente tão ricos, pois, pouquíssimos municípios desse estado foram tão aquinhoados pela natureza como nós. 

Emílio.



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