domingo, 4 de setembro de 2016
Por Emílio Oliveira
Às vezes pergunto a mim mesmo se fiz certo em compulsoriamente ter me afastado da política partidária e ficar apenas assistindo de camarote como estou, aos muitíssimos contrassensos que estão diuturnamente ocorrendo no dia-a-dia da política de nossa tão amada cidade. E não vou nem falar deles, dos contrassensos, pois já estou cansando de fazê-lo e não vislumbro ninguém efetivamente preocupado com as inconsequências deles para todos nós.

E se na minha cabeça de cidadão não poucas vezes cruzam esses lampejos de pensamentos, digamos que patriotas, a minha consciência diz que sim que eu tomei a decisão certa, pois a cada dia os fatos políticos não somente de minha cidade mais também de todo o nosso país, confirmam o que a minha consciência me fez fazer e por isso mesmo é que enxergo a politicalha que criminosa e antipatrioticamente se pratica hoje em todos os nossos rincões, como um verdadeiro mar de lama putrefata.

Se a nível local vem sendo assim, vejam a nível nacional o que fizeram com a Presidente Dilma Rousseff. Eu, pessoalmente magoado com os descaminhos tomados pelo Partido dos Trabalhadores não votei nela, mas no seu oponente, do que sinceramente me arrependo. Inicialmente fui a favor de que ela fosse indiciada porque queria ver se durante a apuração das denúncias, ela teria mesmo a culpa que tão veementemente lhe imputavam.

Assisti desde o inicio o périplo da preparação de sua condenação que se confirmou apenas agora, mas o processo vinha se arrastando já há bastante tempo justamente para se dar ao caso um ar de seriedade, culminando, enfim, com a sua retirada do poder que o povo, na expressão de sua maioria, democraticamente lhe outorgou. Durante todo esse processo, ouvi todas as testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa. E, pelo menos para mim ficou claríssimo que - o que ela fez -, todos os outros ex-presidentes que a antecederam também o fizeram.

Então poderia se perguntar por que então os outros ex-presidentes também não foram punidos com o empeachment como ela? Mas essa pergunta precisaria ser feita aos senhores senadores que hipocritamente a condenaram se eles ainda têm um pouquinho de consciência? Eu, pelo menos, não me furtaria a fazer tal indagação porque tanto a praxe política deles como também a minha intuição já me deram a resposta. Não, não têm e nunca tiveram porque consciência hoje em dia é um sentimento raríssimo do qual poucos cidadãos ainda podem desfrutar dele e, os políticos, infelizmente, não fazem parte de tão seleto segmento de nossa sociedade. 

A política é definida em todos os manuais que tratam do assunto como a arte do bem comum. Mas, na realidade, ela tem sido aplicada aqui nesse ainda atrasado país como a arte de enganar ao povo. E isso não é de agora não, mas desde os primórdios da criação do Brasil como nação. Para começar, os portugueses que vieram para a terra de Santa Cruz não vieram para construir uma nação como fizeram os americanos não, mas única e exclusivamente para construírem uma fortuna e depois voltarem para a corrompida corte portuguesa.

Então, nessa aventura puramente oportunista e exploratória, eles começaram a enganar primeiramente aos nossos primitivos e inocentes índios com bugingangas que os pobres não conheciam e por esse motivo se encantavam com aqueles objetos estranhos que, até vê-los, sequer imaginavam que existiam. Por desconhecerem o valor real do ouro o trocavam por anéis, chapeis, roupas, cintos, espelhos e armas brancas trazidas de Portugal para esse fim, além de também ainda explorarem o trabalho praticamente escravo de nossos silvícolas.

E depois, com o passar do tempo, porque já não mais compensava explorá-los por não serem suficientemente produtivos, foram buscar nos países africanos através do vergonhoso tráfico de seres humanos, os pobres negros africanos para escravizá-los e humilhá-los até com mais crueldade do que faziam com os nossos índios. Essa foi justamente a gênese dessa nossa tão antipatriótica elite. Por isso é que, sistematicamente, ela tem relegado os interesses maiores de nossa pátria, e, o que é pior, sem nenhuma espécie de remorso.

Tanto o Lula quanto a Dilma, apesar dos erros cometidos pelo PT como dinheiro na mala, na cueca, roubado no mensalão e na lava jato, eles fizeram nesse país um trabalho altamente humano e profícuo em benefício dos nossos sempre esquecidos trabalhadores. Eles acabaram com a endêmica fome e, portanto, quebraram o paradigma da injustiça secular com os mais humildes e desprotegidos. Infelizmente, no mundo todo, desde os primórdios da humanidade, todos quantos se aventuraram a quebrar paradigmas, foram cruelmente sacrificados.

Na Grécia antiga, condenaram o grande filosofo Sócrates a tomar o veneno mortal cicuta, pelo simples fato de ele ensinar a juventude de seu país que ser é bem mais importante do que ter e também a desenvolver sempre um pensamento próprio sobre as coisas da vida e não apenas repetir as ideias dos outros; depois veio Jesus Cristo, o homem mais puro que já viveu nessa velha terra e porque não se submetia ao paradigma de sua época, tentou fazer uma revolução baseada não na violência mais no amor, tentando mudar a cabeça, o coração e a consciência do homem, mas foi crucificado como um marginal; Gandi, o grande libertador de sua terra a Índia das garras exploradoras do império britânico, foi assassinado; Tiradentes, o nosso alferes que pretendia com seus companheiros de infortúnio libertar o Brasil das garras do império português, também foi assassinado por enforcamento e seu corpo esquartejado em pedaços que foram expostos a céu aberto nas ruas de Vila Rica em Minas Gerais. 

Afora tantos outros como Getúlio Vargas que criou toda a legislação em benefício do trabalhador brasileiro e que foi praticamente obrigado a se suicidar, e por último, o grande pastor evangélico americano Martin Luther King Jr. que foi assassinado por encomenda dos brancos americanos, pelo simples fato de combater o preconceito racial e defender os cidadãos e a honra de sua raça. Então, amigos, todo aquele que não se enquadrar no paradigma de sua época, será, em qualquer tempo de sua existência, sacrificado. 

E é uma pena que esse imundo bicho homem, mesmo já tendo vivido tantas situações adversas em sua existência ainda não tenha aprendido a lição de que as novas ideias surgem simplesmente para arejar, oxigenar e acelerar o processo de desenvolvimento do próprio homem. É um processo natural em que, o ser humano, como um todo, experimenta novas realidades que, mesmo se conflitando com as de sua época, são imprescindíveis para o seu crescimento pessoal e espiritual. 

Infelizmente, o homem que em alguns livros religiosos pretensiosamente se diz feito à imagem do próprio criador, mesmo assim, ainda não entendeu que esse tão importante processo de aperfeiçoamento do ser humano é verdadeiramente uma benção e não uma maldição. Inadvertidamente a nossa ciência nominou o homem de homo sapiens, quando, na verdade, deveria tê-lo nominado de homo economicus, pois é o que o homem realmente tem sido, desde os primórdios de seu aparecimento aqui na terra. Um ser puramente hipócrita, egoísta, mentiroso e traidor que somente aceita como normal uma realidade que esteja de acordo com a ótica de seus próprios interesses pessoais e nunca coletivos como deveria ser. 

Eu votei com o Lula no primeiro e segundo mandatos e não votei mais com a Dilma, pois não me agradou o rumo que as coisas começavam a tomar no governo dela. Todavia, não posso deixar de reconhecer que eles fizeram uma revolução na infraestrutura e no social desse país. Além de já terem acabado com a fome, ressuscitaram a nossa indústria naval, construíram e criaram mais escolas e universidades que seus antecessores, aumentaram o crédito para as pequenas e médias empresas, criaram as cotas para possibilitar aos pobres brancos e negros chegarem à universidade, criaram a agricultura familiar, o bolsa família e a Dilma enviou para todas as 5.570 Prefeituras do país através do PAC, um Kit formado por: 01 caminhão-pipa, 01 enchedeira mecânica, 01 trator agrícola com todos os seus implementos, 01 patrol, 01 caçamba, e 01 escavadeira mecânica, fato que contribuiu e muito para a melhoria das condições de vida de todos nos brasileiros que vivemos nos municípios.

Eles fizeram por esse país o que nenhum de seus antecessores sequer imaginou. Quanto às suas honestidades, apesar de não ter votado na Dilma, eu a acho mais correta do que o próprio Lula. Aliás, a meu ver, de todos aqueles “excelentíssimos senhores” que votaram impiedosamente para usurparem o poder que o povo democraticamente lhe outorgou, a menos desonesta de todos eles, a intuição me diz que é ela. Posso até está enganado, mas se fizessem uma pesquisa hoje em todo o Brasil a esse respeito, essa também seria a opinião da maioria do nosso povo. O problema é que num julgamento político, e isso é e sempre foi assim em todos os tempos, o que predomina mesmo nunca é a verdade, mas, simplesmente, a vontade da maioria.

Como em todas as investigações há sempre vazamentos de informações, dizem que daqueles 61 nobres senadores que votaram contra a Dilma, 35 deles foram citados pelos delatores premiados como receptores de propinas da operação lava jato. Se isso for mesmo verdade qual é a autoridade moral que eles têm para condenarem como fizeram com a presidente que é uma mulher de luta e bem mais honesta que todos eles? Há também quem diga que retiraram a Dilma para justamente estancar a lava jato, pois como ela deixava a polícia federal à vontade para investigar quem quer que fosse, todos eles, cedo ou tarde, cairiam também.

Portanto, tudo está indicando que a famigerada operação lava jato vai mesmo ser aos poucos estancada e o grande brasileiro Juiz Moro que se cuide também, pois, num país onde a maioria dos políticos são descaradamente desonestos, quem não for como eles é quem sofrerá as consequências da lei que nem sempre foi e é formulada para punir os verdadeiros culpados de uma ação desonesta qualquer.

Desse “novo governo já velho”, não se pode e nem se deve esperar coisa boa em virtude dos compromissos já assumidos por ele com as velhas e tradicionais aves de rapina que sempre procuraram explorar endemicamente o país e seu povo sofrido. Como diz Ciro Gomes, o Meireles foi colocado no Ministério da Economia não apenas para garantir o seu bom andamento, mas principalmente para assegurar o rentismo inconsequente das dez mil famílias ricas que vivem exclusivamente da especulação financeira desse país. 

E o dinheiro para garantir o pagamento dessas famílias abastadas e legítimas representantes da plutocracia brasileira e mundial já está garantido e será evidentemente retirado dos programas sociais, da saúde, da educação, da segurança, da habitação, do turismo e do lazer dos brasileiros que, agora sim, verdadeiramente ficaram órfãos de um governo que no cotidiano de suas vidas se preocupe com o seu bem estar e a sua digna cidadania. Eu como muitos outros nesse país também não gostei de alguns desvios cometidos pelo PT, mas, infelizmente, não era essa a realidade que eu aspirava para o meu país potencialmente tão rico e de um povo sempre e sempre mais pobre o que é uma pena, amigos. Tenho dito!...



Emílio.
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