domingo, 28 de agosto de 2016
Por: Emílio Oliveira
Nessa primeira semana de campanha, a gente já pode ver o rumo que insensatamente ela está tomando. Intrigas e mais intrigas, ataques pessoais, discursos vazios, radicais e inflamados já se evidenciam a olhos vistos. Mas, falar do que é mesmo importante para todos nós que aqui vivemos, o silencio tem sido sepulcral. Será que é por que estou perdendo a audição e não estou conseguindo ouvir? Não, porque se assim fosse eu também não conseguiria ouvir os discursos já exageradamente exaltados para um início de campanha.

E o que é mesmo importante para nós que aqui vivemos? Eu venho tocando sistematicamente nesse assunto já há algum tempo e vou continuar me referindo a ele até que as pessoas abram de vez seus olhos para essa nossa tão triste realidade. Uma cidade que quer realmente ser uma cidade na verdadeira acepção da palavra precisa ter equipamentos indispensáveis que garantam a todos os seus habitantes: trabalho digno, segurança, conforto, educação, saúde e áreas de entretenimento e lazer sadio.

Agora pergunto a quem se aventurar a ler esse texto, temos esses equipamentos aqui na nossa cidade? Na minha visão não, pois ou por negligência ou falta de visão estratégica de nossos antigos e presentes representantes ainda não temos, e pelo andar a carruagem, vamos custar muitíssimo ainda a tê-los. O que é um apena, pois cidade nenhuma cresce e se desenvolve sem esses tão importantes itens que, por si sós, já garantem cidadania. 

Então vejamos: não temos ainda uma planta baixa de nossa cidade para fins de futuros planejamentos habitacionais; não temos um matadouro público para que a carne consumida por nossa população não venha das moitas; não temos um sistema de drenagem da cidade para evitar os alagamentos que criam tantos constrangimentos nos períodos chuvosos; não temos um aterro controlado para erradicar o nosso ridículo e putrefato lixão a céu-aberto que provoca a contaminação do solo, da água e do ar com chorume, metais pesados e gases tóxicos, afetando o nosso lençol freático, mananciais e o ar que respiramos; não temos um sistema de esgotamento sanitário para evitar as contaminações bacterianas e viróticas que provocam tantas doenças como Dengue, Zica e Chikungunya; não temos uma saúde digna que garanta uma assistência pelos menos mais humanizada ao cidadão quando doente; não temos uma educação de qualidade que realmente ensine e possa nos tirar desse atraso em que vivemos; não temos um plano diretor que oriente e normatize o nosso crescimento urbanístico; não temos a urbanização de nossa orla marítima que provoque a expansão imobiliária de toda aquela área potencialmente tão rica em negócios turísticos; não temos um plano de diversificação e expansão de nossa economia que aproveite todas as nossa inúmeras potencialidades econômicas para alavancar a nossa economia e fornecer empregos e renda para os nossos jovens que chegam ao mercado de trabalho; e por fim, não sabemos sequer os tão importantes pontos limítrofes entre o nosso município e os outros nossos circunvizinhos.

Esse último item listado é tão grave amigos, que é como se a gente morasse em uma casa e não soubéssemos os limites dela. Enfim, como afirmei anteriormente não temos mesmo quase nada que nos caracterize como uma verdadeira cidade. O que temos hoje em nosso município ainda é infelizmente o atraso, o descuido com as coisas importantes do município, desavenças políticas, alguns egos inflados pelo poder que conseguiram, outros que ainda não conseguiram e doentemente o desejam, ausência de visão de administração proativa e indiferença com as nossas mazelas e tão flagrantes deficiências como se elas sequer existissem. 

E a atual campanha politica que já começou com tamanho radicalismo vai retirar do nosso cenário politico a discussão e preocupação com todas essas demandas tão importantes para o nosso processo de desenvolvimento econômico e social. Por isso mesmo é que nos discursos até agora proferidos pelos candidatos que pude ouvir apenas a coligação eleitoralmente mais fragilizada conseguiu, mesmo que de uma forma ainda simples, encantar meus ouvidos. Enquanto nas outras mais robustas eleitoralmente, ninguém tocou com objetividade nas nossas endêmicas mazelas que tudo leva a crer que são até mesmo proibidas aos que geralmente buscam o poder pelo poder e não pela patriótica vontade de servir ao seu povo.

Nas calçadas, ruas e esquinas da cidade somente se ouve dos integrantes dessas coligações virtualmente mais fortes é que fulano disse isso, sicrano disse aquilo, ou beltrano disse aquilo outro. Todavia, o que é realmente importante para a cidade e o povo ainda não ouvi nenhum orador se pronunciar a respeito. E eu falo sistematicamente nesses meus escritos desses assuntos de vital importância para o nosso ainda pobre e rico município não é porque queira ser melhor ou mais puro que os outros não, pois reconheço que mesmo tendo sido um pouco mais propositivo, também fui assim voluntarioso não levando desaforo nenhum para casa, como a própria cidade é testemunha. Só que esse tipo de comportamento na minha cabeça hoje é um simples disparate.

Graças a Deus eu acho que evolui e acordei em tempo de ver as distorções e idiossincrasias em que estamos todos nós envolvidos. Não sou e nuca fui dono da verdade, até porque ninguém o é. Apenas me sinto um patriota, uma pessoa que não pensa somente em mim mesmo ou na minha própria família, mas em todos os nossos concidadãos e por isso é que gostaria de vê-los todos felizes, produtivos, sadios, educados, também patriotas e acima de tudo votando com as suas consciências e não com as suas eternas carências como, infelizmente, ainda o fazem hoje. 

Essa semana, numa dessas rodas de fofocas, ouvi o comentário de que um dos candidatos a vereador de uma das coligações que estão disputando o voto do povo disse num de seus solitários discursos que inclusive acho até interessantes, que na nossa colenda câmara municipal não existia nenhum vereador de verdade. Se ele disse realmente isso, talvez não tenha lembrado que está justamente em cima do palanque de uma das vereadoras que é candidata a prefeita da cidade. 

Então, por analogia, se ela não é uma vereadora a altura da cidade e do povo como dizem que ele afirmou - como poderá ser uma prefeita que esteja à altura dos anseios da cidade e do povo? Não somente na política mais na própria vida há coisas que - quando a gente vai dizer -, se precisa ter muito cuidado com todas as interpretações que as nossas palavras poderão suscitar aos ouvintes, principalmente, em época de eleições, quando todos os ânimos estão bastante acirrados.

Se de foro intimo resolvi me afastar definitivamente da politica partidária, ainda assim, no bom sentido da palavra, continuo sendo um político e fico de fora apenas vendo e lamentando as muitas contradições e erros tanto da situação, quanto da oposição. Por exemplo: a situação nuca deve bater, mas apenas rebater e de leve aos ataques da oposição e sempre mostrando o seu trabalho. A oposição não deve ser apenas crítica, mas acima de tudo propositiva mostrando, claro, os eventuais erros da situação e dizendo como pretende corrigi-los e onde irá buscar recursos financeiros para tal intento. 

Mas o que estamos vendo nessa campanha que nem bem começou - são apenas ataques pessoais e administrativos advindos das três principais coligações. O fogo já é cruzado e vai e vem bala para tudo quanto é lado. E talvez seja até por isso que os políticos tradicionais nunca se lembram de pensar e falar no que realmente é importante para a cidade e o povo sofrido. É uma pena que as coisas sejam sempre assim, pois por esse caminho, jamais sairemos do atraso em que estamos submersos e do qual, infelizmente, a maioria sequer suspeita. 

Sinto que já estou me tornando chato não somente com esses meus rabiscados escritos a respeito dessas teses que reputo como patrióticas e sobre as quais costumo discorrer e também com as minhas conversas nas rodas de fofocas politicas que infelizmente para muitos não tem a menor significação, mas que para quem realmente têm consciência do que verdadeiramente é importante para o progresso de uma cidade, tem. O que temo é que os ataques pessoais irão continuar num crescendo e ninguém sabe ainda aonde esse processo irracional irá desaguar. Sinceramente, espero que no fim da campanha, ganhe quem ganhar, entre mortos e feridos, escapem todos.

Melhor seria se todos os nossos candidatos a prefeito e a vereador ao invés de se agredirem entre si em cima dos palanques estivessem cada um agregados em suas respectivas coligações mostrando ao povo as plataformas de seus planos e projetos administrativos para serem executados em benefício de todos os nossos munícipes. E seria melhor ainda se esses projetos e planos administrativos fossem também excessivamente discutidos e debatidos em praça pública através de debates feitos entre os candidatos, por exemplo, na Rodoviária da cidade com toda a nossa população presente.

Aí sim, pois mesmo que durante essas sadias pelejas de ordem politico-administrativas surgissem por algum possível de destempero emocional possíveis agressões de natureza pessoal, elas seriam bem mais absorvidas por todos, pois pelo menos assuntos pertinentes aos interesses maiores da população e da cidade seriam tratados e discutidos com objetividade. Os tolos e infadonhos discursos emocionais não beneficiam ninguém além dos políticos tradicionais (politiqueiros) que sempre se pautaram pela manipulação emocional e ideológica do povo, sempre e sempre desavisado.

Portanto, amigos, pelo menos de minha parte, feio não é enfrentar com denodo e coragem os problemas que nos afligem, mas que precisamos resolver. Feio é ignorá-los, porque assim jamais iremos resolvê-los a contento. Os problemas surgem não para nos acabrunharmos com eles, mas para que os resolvendo, nos tornemos mais fortes e capacitados para enfrentar e vencer as dificuldades da vida. Na verdade, os problemas nunca são problemas, mas lições que a vida generosamente nos apresenta para auferir a nossa capacidade adaptativa, e assim, nos tornarmos melhor, evoluindo material e espiritualmente.

Essa feliz ou infelizmente é a visão que tenho hoje de nossa tão triste realidade politica, econômica e social. E posso até está enganado, mas desconfio seriamente que estou no caminho certo. Somos um povo com um grau de inteligência e criatividade maior até do que os dos nossos circunvizinhos, todavia, pelo fato de não priorizarmos essas premissas tão importantes para a evolução de nossa sociedade, pelo menos, por enquanto, estamos fadados e condenados ao atraso em que vivemos hoje. 

Em todo o nosso mundo material, os povos que se destacaram, evoluíram, cresceram, e se desenvolveram tecnologicamente, primeiramente capacitaram suas populações e hoje estão colhendo os frutos dessa proeza, como por exemplo: empregos e salários dignos para todos, educação de altíssima qualidade, saúde de primeiro mundo, minimização da violência urbana, longevidade das populações, além de perspectivas melhores de vida para o futuro. Quem são esses povos afinal? Japoneses, alemães, sul-coreanos, norte-americanos, ingleses, franceses, dinamarqueses, finlandeses e outros mais. De todos esses povos citados somos potencialmente os mais ricos, porém, o nosso povo, é o mais pobre de todos eles. Precisa dizer-se mais alguma coisa? 

Votar é escolher democraticamente o melhor para todos e não apenas alguns pseudo-bondosos apaniguados que sempre viveram transitando parasiticamente na órbita do poder. Infelizmente, por perversidade e inoperância dessas nossas antipatrióticas elites, o nosso bondoso povo necessita de quase tudo. Contudo, do que ele mais precisa nesse triste momento de nossa história, é de educação de qualidade. Não essa que temos hoje nas nossas ultrapassadas escolas porque - isso que temos -, não é educação, mas sim, alienação. Se um dia no futuro conseguimos estruturar uma escola com a da Coreia do Sul, dentro de pouquíssimo tempo o nosso povo aprenderá a votar, igualando-se a todos os povos anteriormente citados. Tenho dito!...



Emílio.
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