quarta-feira, 9 de março de 2016
POR ANTONIO RENATO, PROFESSOR DE HISTORIA DA E. E. CEL. SOLON.

“A Historia nunca se repete; a não ser como farsa ou como tragédia” (K. Marx, em O 18 de Brumário).

O velho Marx, de forma monumental analisou a situação política da França, em meados do século 19, que culminou na instalação do II império francês e desmascarou a caricatura e a farsa que era a figura medíocre de Luís Napoleão, que chegara ao poder por meio de um golpe, aproveitando a fraqueza das instituições políticas francesas da época, em comparação com seu tio Napoleão Bonaparte, este sim, estadista e formador da França moderna.

Na Alemanha do pós-primeira guerra, um festival de irracionalidade, inflada por um bando de insanos, aproveitando-se de um momento de crise política e social e por meio de uma boa retórica, falando o que uma massa despolitizada queria ouvir, apontado bodes expiatórios, (além dos erros da esquerda) levou a maior das bestas ao poder. 

E o que nosso país tem a ver com isso. Nessa atual quadra histórica, em que valores civilizatórios são simplesmente ignorados, religião se mesclando com política, o Estado democrático de direito aviltado por quem deveria ser os primeiros a defende-lo; onde a presunção de inocência foi virada às avessas (hoje quem é acusado é que tem que provar a inocência). O devido processo legal abandonado pelo direito; um processo de golpe aberto (sem fundamentação jurídica). É o que estamos presenciando nos dias atuais. O império do irracionalismo. Até o nome de Bolsonaro é lembrado para Presidente (vá de retro). Deus nos livre.

Quando falamos de regimes totalitários, do fascismo, e da besta nazista devemos apontar como sua principal característica o irracionalismo; a razão, no Brasil de hoje está perdendo o jogo. O que prevalece é a raiva, o ódio. Tudo isso por que um de nós, nordestino, saído dos rincões mais pobres do Brasil, retirante, fez-se operário, criou um partido, fez e faz política, foi presidente da república e simplesmente realizou um governo de melhorias sociais, distribuindo um pouco da riqueza do país com os mais pobres; ademais de ter feito sua sucessora, que deu prosseguimento a sua obra, até ampliando-a. 

As elites desse pais querem um país só pra elas. Mas pra quem conhece um pouquinho da nossa história, tudo isso não soa como surpresa. As elites históricas, e seus instrumentos, com a primazia da grande imprensa, interrompeu a obra de Getulio, de Jango, mandando as favas quando precisava as regras do seu jogo, quando assim lhe é conveniente, tornando-se golpista, contando sempre com a vassalagem de políticos “vende-pátria”. Nosso pais a rigor continua sendo governado pelos descendentes das caravelas de Cabral e dos senhores de escravos. As tentativas, acima citadas, de uma inflexão no curso da nossa história, são interrompidas por essas elites, herdeiras da casa-grande; ontem a UDN e Carlos Lacerda; hoje, o PSDB, a minguada turma dos demos, a mídia abertamente partidarizada que conduz uma parte do judiciário absolutamente desfigurado. A história teima em se repetir como tragédia.

Não demos certo como nação por conta das nossas elites, já dizia o grande Darcy Ribeiro. Nosso país jamais vai construir um projeto de desenvolvimento sustentável e contínuo, se não rompermos com o nosso passado colonial. O Estado brasileiro está muito longe de ser democrático. Contudo essa conclusão não pode nos furtar de viver; e viver é uma constante luta nas mais diversas formas de trincheira. E foi a que o PT se propôs. Entrar nesse jogo e disputar dentro das regras das elites os governos e depois de ganhar governos municipais e estaduais, chegou ao governo central, e o mais emblemático, por meio de um ex-operário e nordestino, a mais sofrida das regiões brasileiras. 

Lula não fez nem um governo de rupturas com as nossas estruturas históricas arcaicas, como talvez fizesse o velho Leonel Brizola, herdeiro do trabalhismo Varguista. O petismo, não sei porque, nunca foi muito simpático ao termo nacionalismo. Mas fez aquilo que é absolutamente normal para qualquer governante que se preocupa com seu povo; um governo de melhorias; que pensava os esquecidos desse pais; e que tirando o governo de Getúlio e sua obra em termos estratégicos para um projeto de nação, com as leis trabalhistas, com a PETROBRAS, foi o governo que mais colocou a questão social na agenda do pais como prioridade, tais como valorização do salário mínimo, luz para todos, bolsa família, mais universidades e o mais importante, estas se tornando acessível a pobres e negros. Por isso é considerado o melhor presidente desse país. Mas isso, para as nossas elites colonizadas é uma heresia.

Mas aí ele cometeu a mais desobediente das ousadias (além de ter imposto quatro derrotas sucessivas aos vende-pátria do PSDB). Afirmou que poderia voltar em 2018. O que num país de fato democrático, das tais instituições fortes, não teria nenhum problema. Afinal está tudo dentro da lei. Ai seria demais pra esse povo; suportar mais programas sociais, mais distribuição da riqueza do pais com essa gente pobre e mestiça; só deles pensarem, a insanidade tomava de conta; de repente a serpente rompeu o ovo; os descendentes de senhores de escravos, junto com a lumpem-burguesia( a classe média que adora dizer que lê a VEJA, ISTO É e outras coisas do gênero)) abrem a caixa de ferramentas, onde o tema central e cinicamente tantas vezes utilizado é o moralismo, o combate a corrupção( pois rigorosamente não tem projeto para o pais, a não ser vender tudo que foi construído a partir de 1930).

Essa gente não tem limites quando o assunto é dissimulação, falsidade e mentira. Eles querem que a gente acredite que o fenômeno da corrupção, fora suas causas históricas, do passado colonial e econômicas, próprias do capitalismo e dos valores que este engendra, teve início a menos de 12 anos. E evidentemente contam com a decisiva ajuda do caráter de classe do Estado brasileiro, moldado ao gosto de uma elite sócia menor dos interesses estrangeiros, e sua superestrutura jurídica. Traduzindo, as nossas tão propaladas instituições republicanas, MP (ministério público), Policia Federal (seus delegados são aecistas, isso é público e notório) estão agindo, escancaradamente, como braço político desse povo e de seus partidos políticos que não suportaria uma quinta derrota consecutiva. 

Querem a todo custo retomar com pressa e volúpia sua política dos pés descalços, do complexo de vira-latas. Todo verdadeiro democrata desse país, que de alguma forma advoga um projeto mais justo de nação, tem que se indignar com a violência descabida que se comete nesses dias. A direita desse pais, animada pelo irracionalismo de alguns e com a prestativa ajuda da mídia, que joga a bola para o “justiceiro” Sergio Moro”( com um salário de 70 mil reais e esposa ligada ao PSDB) e para a PF aecista, age claramente em dois campos: um é a todo custo, sem base jurídica, interromper, de forma mais sofisticada(usando o parlamento e o judiciário), pois os militares acertadamente não querem nada com o assunto, o mandato da nossa Presidenta, ou na pior das hipóteses, junto com um certo bandido, que não por acaso é presidente da câmara, sabotá-lo de todas as formas e, não obstante bem intencionado, torná-lo inoperante; o outro é criminalizar, com métodos seletivos, que fogem do devido processo legal, desrespeitando o Estado de direito, a constituição, a maior liderança popular desse país e o seu partido, tentando a todo custo inviabilizar sua volta em 2018. Lembra a famosa frase do golpista C. Lacerda, proferida pouco antes de Varga anunciar sua candidatura em 1950: esse homem não pode ser candidato; se candidato, não pode vencer; se vencer não pode tomar posse e se tomar posse não pode terminar o mandato. É a história se repetindo como farsa e como tragédia.
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