domingo, 13 de março de 2016
POR ANTONIO RENATO PROFESSOR DE HISTORIA DO CEL. SOLON

O problema econômico do Brasil é bem mais complexo do que uma adornada porem simples exposição de informações estatísticas; e não precisa necessariamente ser um economista para entende-lo; qualquer aluno dedicado sabe disso. Contudo, exige demarcação de campo: ou você encara honestamente a nossa dependência econômica ou reproduz o discurso dominante(simplório), ou seja, a economia como ser abstrato, longe do mundo real, separada de um projeto político, condição para um projeto de pais; e se refestela na ideia do moralismo e do purismo udenista, da corrupção como causa do nosso eterno atraso. 

Na boa gente; o que eu vou dizer não é algo do outro mundo, mas o nosso problema econômico não tem nada a ver com corrupção. Os recursos desviados fazem falta e ela tem que ser combatida. Querem falar de corrupção? Tem-se um material farto: falem de Eduardo Cunha, Paulinho da Força, Aecim e Jose Agripino. Tá bom?

Contudo, ele (o problema econômico) é uma construção histórica. É de passado colonial. E vocês sabem disso (pelos menos eu penso). Não dá pra ficar elogiando um juiz de segunda instancia e sua “caçada implacável” aos corruptos do pais, como se isso fosse a causa dos nossos problemas estruturais. E não vou perder tempo falando dessa vasa jato, digo, lava jato; deixo isso para grandes juristas do País como Celso Bandeira de Melo e Fabio Konder Comparato; ou então consultem nosso grande jurista, aqui de mossoró, Paulo Linhares.

Não é possível que os livros não sirvam pra isso. A corrupção e outros vícios do homem, é produto da vida em sociedade, do individualismo, de formas de consciência ideológica que se robusteceram com a atual ideologia dominante, dessa formação econômica e social que atende pelo nome de capitalismo (projetar-se na vida de qualquer forma, o mundo é dos mais esperto, cada um por se, Deus por todos e outras máximas que traduz isso). Pelo amor de Deus, não façam isso com os nossos irmãos do senso comum. Pra que passamos quatro ou cinco anos em bancos de universidades? Pra que lermos alguns livros, temos acesso as tais mídias eletrônicas? para se deixar levar por páginas de um pasquim infame, que cresceu a sombra da ditadura?

Também não sou economista; e se é para me portar como boa parte dos economistas brasileiros (salvo raríssimas exceções), não tenho a mínima intenção de se ser; vejo nos economistas e outros tantos uma espécie de repetidores de frases feitas, de mantras. É um tal de corte de gastos, de “independência” de Banco Central, de controle de gastos públicos, de Estado mínimo, e outras sandices. Não sabem dizer outra coisa. Não passam de técnicos; burocratas, altos funcionários do mercado financeiro, insensíveis ao sofrimento humano. E vale dizer que esse discurso não é unanimidade entre os próprios economistas. Essa lei de responsabilidade fiscal, por exemplo, a rigor, nada mais é do que a ordem jurídica da nação obrigando os entes federativos a poupar dinheiro para fazer superávit primário para pagar juros, e os problemas de saúde e educação que se danem. Quem é bem intencionado, sabe que a história da economia desmitifica tudo essa cantilena chata. Problema fiscal se resolve com crescimento econômico.

Certamente nunca quiseram aceitar os ensinamentos de Lord Keines e seu programa, o “new deal”, que nada mais era do que um programa de gastos público; nem das crises cíclicas do capitalismo e para ficar aqui no Brasil, nunca deram importância ao pensamento de um Luís Gonzaga Beluzo, um Carlos Lessa; já pensou o que seria do Brasil sem o papel do Estado. Vamos estudar Historia pra refletir minha gente. Todo mundo sabe que essa crise no Brasil, ademais de ser insuflada por uma crise política fabricada, está diretamente relacionada com a crise mundial de dimensões enormes que antes de atingir o Brasil, outros países foram vitimas.

Não minha gente, definitivamente para, repito, postar-me dessa forma, não intenciono ser economista; e da mesma forma não vejo sentido em debruçarem-me sobre quantidade enormes de livros para construir pensamentos que agrade ao consenso geral, ao “status quo”; sinceramente, não vejo nenhuma serventia. 

Para reproduzir esse discurso, já temos os economistas amestrados, as Miriam leitão e os Rodrigo Constantino (a vassalagem em forma de pessoa) da vida e as portentosas empresas que servem. Contento-me em ser um simples professor de uma escola de ensino básico, aqui da nossa cidade. Mas como professor de história (uma ciência humana), eu e outros colegas, também professores, fazemos nossas incursões nesse ramo do conhecimento humano, a economia (uma ciência social); portanto, humildemente, temos até a obrigação de arranhar alguma coisa.

A economia, na verdade economia política (é assim que ela se chama desde do século 19), tem que estar a serviço das pessoas, tem que ter viés humanista, e não o contrário, como queriam os liberais e seus tataranetos, os neoliberais atuais e asseclas. É a base de tudo; as relações econômicas presente desde de que o homem, por meio do trabalho tomou consciência disso, é basicamente produção; temos que produzir as coisas pra sobrevivermos. É a ciência da produção. É por que tem gente que gosta de complicar. Nesse sentido, ela a economia, está muito longe de ser mera exposição dos dados e gráficos complicados; e outra coisa. Como já disse ela se chama economia política; portanto, mantem uma relação intima com a boa e velha política. Existe diferença sim, se esse ou aquele partido está no governo. Sei que Deus não tem nada a ver com isso; mas ainda bem que tivemos o trabalhismo varguista, um JK e atualmente essa positiva experiência de partido de esquerda, com base social ampla, que é o PT.

Tem defeitos? Certamente. Errou na política econômica? Em parte sim. Mas vamos fazer a crítica honesta. Os erros econômicos de Lula e Dilma não foram os de caráter conjuntural. Nessa, as medidas anticíclicas foram acertadíssimas. Por uma simples razão. Elas visaram aumento de renda e manutenção do emprego. Portanto visaram a maioria. Se um governante não fizer isso, se não se preocupar com seu povo então tem que ser presidente em outro país. Isso é uma coisa tão óbvia; mas tem gente que diz que isso foi eleitoreiro, por que o PT só tem projeto de poder. Com perdão da expressão. Ai lasca. Com todo respeito (não vou nem citar Maquiavel), essas pessoas não deveriam fazer isso; ou o que leram não serviu pra nada ou elas abertamente se postam ao lado da casa-grande, como diria nosso Mino Carta, que é o mais provável. Minha gente, todo partido tem projeto de poder; se não, não seria partido politico.



Onde o PT errou ou não pode fazer, afinal de contas existe as tais condições políticas; não dá para imaginar que é fácil fazer mudanças com um congresso que é a antítese da nação, ou seja, tem mais empresários e grandes fazendeiros do que representantes do povo, foi justamente não ter se desvencilhado, na essência, da macroeconomia, do receituário neoliberal do vende-pátria FHC. Vamos colocar as coisas em pratos limpos; falem da política de juros, de câmbio flutuante (no qual o valor do real depende dos humores do tal mercado) e o regime de metas de inflação (que justifica a política de juros alto). Usem o enorme cabedal de conhecimento de vocês pra isso. Pelo amor de Deus. E para finalizar, até por que temos que exercitar a paciência, todo mundo mineral sabe que o plano real “deu certo” por que com abertura comercial indiscriminada, juros a 25 a.a. e taxa de cambio sobrevalorizada, não tem preço que não despenque. Agora, a nossa indústria hein? Portanto gente, nós que não estamos interessados em ter um bom salário numa dessas tais agencias que refletem o humor do Deus mercado, de mamom (dinheiro em hebraico) dá pra, lendo alguma coisa (atenção no que vai ler) e com verdadeiro sentimento de patriotismo, falar alguma coisa de economia e fazer humildemente o contraponto respeitoso. E viva o debate de ideias.
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